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REPORTAGEM

Um melhor acesso rodoviário em São Nicolau irá aumentar as receitas dos pescadores e melhorar o acesso aos serviços básicos

18 de Novembro de 2016


World Bank Group

DESTAQUES DO ARTIGO
  • Na ilha de São Nicolau, o mau estado das estradas juntamente com as tempestades cada vez mais violentas estão a isolar importantes aldeias de pescadores como o Carriçal e o Juncalinho.
  • A estrada pouco fiável e perigosa que liga a principal cidade da Ribeira Brava ao Carriçal tem impedido que os pescadores vendam as suas valiosas capturas e faz com que seja difícil enviarem em segurança os seus filhos para a escola primária e o liceu.
  • Graças ao projeto do Banco Mundial, os trabalhos de recuperação da estrada estão a permitir que os residentes do Carriçal ganhem mais dinheiro e possam sonhar com um melhor futuro para os seus filhos e para os seus negócios.

CARRIÇAL, 18 de Novembro de 2016 – No sopé de impressionantes montanhas vulcânicas encontra-se a adormecida aldeia do Carriçal. Esta pequena aldeia de pescadores  consiste em algumas estruturas em pedra, a maior parte em ruínas, incluindo a única fábrica de conservas de atum da ilha que em tempos dava trabalho a toda a população da aldeia.

Localizada na ilha de São Nicolau, a aldeia do Carriçal está inserida numa das mais ricas costas piscatórias de Cabo Verde. Aqui, o muito apreciado atum amarelo custa 220 CVE, ou seja um pouco mais de dois dólares o quilo, o que é metade do preço do mesmo peixe na Cidade da Praia, a capital do país. No entanto, apesar do potencial económico dos seus recursos oceânicos, a sua localização isolada e o difícil acesso tem prejudicado o seu desenvolvimento levando ao seu visível estado de empobrecimento.



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Carlos Barbosa, o presidente da câmara da Ribeira Brava, a maior cidade de São Nicolau e o seu centro administrativo, posa junto de um trecho da calçada recentemente pavimentada que liga o Carriçal à Ribeira Brava. 

© Daniella van Leggelo-Padilla / World Bank

Falando com um residente do Carriçal, ficamos com a impressão de que este isolamento faz com que se sintam abandonados.

“O mau estado da estrada impede-nos de transportar o nosso peixe e lagosta atempadamente, e por isso temos problemas com a sua conservação. Todas as famílias do Carriçal vivem da pesca, e por isso isto é crítico para a nossa subsistência.  Tenho quatro filhos, dois dos quais têm de viver em dormitórios para irem à escola primária e ao liceu na Ribeira Brava porque o Carriçal não dispõe desses recursos e a estrada é demasiado perigosa para fazerem a viagem todos os dias. Uma estrada melhor iria permitir que os meus filhos viessem a casa mais frequentemente e aumentaria as minhas receitas provenientes da venda do peixe" explicou João Lima, um pescador de 34 anos.

A estrada que liga o Carriçal à Ribeira Brava, o centro administrativo de São Nicolau e a sua cidade mais populosa, é realmente de causar vertigens. Como muitas outras estradas em Cabo Verde, é na sua maior parte uma estrada tradicional revestidas por calhaus de basalto local toscamente talhados. Segue uma linha de costa recortada cujas curvas são implacáveis para os passageiros com um estômago mais fraco ou os que queiram viajar mais depressa. Em determinados pontos, a estrada não é mais do que um caminho de terra destruído pela erosão em diversas locais e, mais adiante na estrada, os carros têm de ter tração às quatro rodas para escalar um passagem rochosa especialmente difícil e perigosa.

Resumindo, está longe de ser ideal para os pescadores e comerciantes que transportam para a Ribeira Brava as riquezas oceânicas capturadas no Carriçal, ou para satisfazer as necessidades de serviços de saúde e educação da comunidade. Com um percurso demorado, muitas vezes perigoso e pouco fiável durante a estação das chuvas ou em condições de denso nevoeiro, a única estrada que permite chegar e sair do Carriçal necessita de uma reconstrução para que 40% da população da ilha possa prosperar.

“Depois do Furacão Fred, secções inteiras do lado da falésia desta estrada ficaram inundadas e traiçoeiramente lamacentas. A falta de uma infraestrutura de drenagem transformou a estrada num rio. O Carriçal e a aldeia vizinha do Juncalinho ficaram totalmente isoladas do resto da ilha, a única forma de acesso era por barco,” disse Carlos Barbosa, Presidente da Câmara da Ribeira Brava.

O Projeto de Reforma para o Sector dos Transportes (TSRP) do Banco Mundial já começou a melhorar este trecho de estrada crítico em São Nicolau. O projeto já reconstruiu 21 quilómetros de estradas calcetadas para grande satisfação dos residentes. As estradas calcetadas com basalto são preferíveis em relação ao asfalto pela sua durabilidade e capacidade de absorverem a água, e também devido à abundância de basalto. 

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“Construir estradas calcetadas com basalto é uma boa abordagem para solucionar o problema da acessibilidade rural em Cabo Verde. Não apenas esta solução é mais eficaz, como também cria empregos para a população local, o que não é o caso quando são utilizados outros materiais de construção," explicou Tojoarofenitra Ramanankirahina, Engenheiro de Transportes Sénior do Banco Mundial e chefe do TSRP.

De facto, a mulher do Sr. Lima está muito orgulhosa da sua contribuição para a reconstrução da estrada:

“A reconstrução da estrada não envolve máquinas, mas em vez disso necessita de muito trabalho manual. É necessário colocar individualmente e martelar cada pedra. É um trabalho duro mas compensador, e eu fi-lo de graça. A minha vida é vender peixe, mas percebi que sem uma boa estrada, o nosso peixe não valia grande coisa," esclareceu Itaurina Faria, uma peixeira residente no Carriçal.

A manutenção de rotina é muito importante para manter esta estrada, e todas as estradas de Cabo Verde, seguras e praticáveis durante todo o ano. As situações de mau tempo estão a tornar-se mais severas com as alterações climáticas, como demonstrado em 2015 pelo Furacão Fred (o primeiro furacão a atingir terra na história de Cabo Verde), fazendo com que a manutenção das estradas seja uma prioridade para o país. Através da assistência prestada pelo TSRP, Cabo Verde estabeleceu um fundo independente para a manutenção das estradas, o Fundo Autónomo de Manutenção Rodoviária – FAMR) que gera cerca de 500 milhões de CVE (cerca de $6 milhões através de um imposto sobre os combustíveis de 8 CVE por litro.

“A atempada disponibilidade de fundos para a manutenção de estradas através do FAMR faz parte da criação de uma estrutura institucional sustentável para o planeamento e gestão da rede rodoviária de Cabo Verde. O desafio daqui para diante é como abordar a necessidade de recuperação de velhas estradas para as trazer para um estado que permita fazer a sua manutenção, e cobrir os custos significativos dos trabalhos de emergência necessários devido a tempestades excepcionais como o furacão Fred," acrescentou o Sr. Ramanankirahina.

Estradas bem mantidas irão abrir caminho para um Carriçal mais próspero, permitindo que os turistas, assim como os residentes, possam desfrutar de um mais fácil acesso a um dos mais belos locais, mas difícil de lá chegar, da ilha de São Nicolau. 



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