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WASHINGTON, 22 de Março de 2022 – Um plano abrangente para impulsionar a produção dos trabalhadores em África é fundamental para a recuperação pós-pandémica e prosperidade de longo prazo do continente, bem como a protecção contra os impactos das alterações climáticas, afirma um novo relatório do Banco Mundial.
O crescimento lento da produtividade, um motor-chave do crescimento e desenvolvimento, deixou a região atrasada em relação a muitos países em desenvolvimento, que caminharam para a prosperidade aproveitando os ganhos de produtividade, diz o relatório ‘Aumentar a Produtividade na África Subsariana’.
Apela a esforços destinados a melhor dirigir recursos para as empreses mais produtivas nos sectores mais promissores para o continente. Entre elas, incluem políticas que estimulem a produtividade no sector agrícola, do qual depende a maior parte dos pobres de África, e criem empregos através de um maior acesso ao financiamento e sistemas fiscais mais eficientes.
“Aumentos contínuos e sustentados da produtividade são cruciais para acabar com a pobreza e aumentar a prosperidade em África. Face aos imensos desafios globais e locais que a África enfrenta, os decisores políticos têm de assegurar que os recursos preciosos têm uma afectação óptima aos sectores que são importantes para um crescimento de longo prazo duradouro,inclusivo, resiliente e sustentável” disse Albert Zeufack, Economista Chefe para África do Banco Mundial.
O relatório analisa os dados da produtividade em África ao longo de um período de quase 60 anos, de 1960 a 2017, comparando-os com vários outros países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, China, Índia e um grupo dos tigres asiáticos (Indonésia, Malásia, Singapura, Coreia do Sul e Tailândia). Constata que a produtividade, medida pela produção por trabalhador, é mais baixa em África do que noutros países em desenvolvimento, que seguiram vias de crescimento diferentes, tendo alcançado ganhos variáveis mas constantes na produtividade e, consequentemente, prosperidade económica. Em contraste, a trajectória da produtividade de África está associada aos movimentos de preços das matérias-primas, o que ainda não gerou ganhos de produtividade sustentados e persistentes.
O relatório presta aconselhamento pragmático em termos de elaboração de políticas para responder a três tipos de distorções nas distribuições de recursos que afectam negativamente a produtividade:
- Disposições legais, incluindo alguns aspectos do código e regulamentos fiscais, como por exemplo, disposições do código fiscal; tarifas que visam certos grupos de bens; medidas de protecção do emprego; e regulamentos sobre a terra.
- Disposições discricionárias por governos ou banco que favoreçam ou penalizem empresas específicas, com por exemplo, subsídios, incentivos fiscais ou empréstimos a juro baixo concedidos a empresas específicas; acesso preferencial ao mercado; e práticas desleais de concorrência para contratos governamentais.
- Imperfeições do mercado, tais como o poder de monopólio; fricções de mercado (no mercado de crédito e de terras); e aplicação dos direitos de propriedade.
“É necessário um plano abrangente de políticas que impulsione a produtividade e conduza à prosperidade económica das populações e países de África. Medidas para reduzir a má repartição dos recursos podem lançar uma base sólida para a criação de resistência a outros entraves à produtividade, incluindo conflitos, instabilidade política, desastres naturais, epidemias, deterioração dos termos das trocas comerciais e interrupções súbitas da entrada de capitais”, disse César Calderón, Economista Principal do Banco Mundial no Gabinete do Economista Chefe da Região África.
A má afectação de recursos no sector agrícola é particularmente preocupante, refere o relatório, uma vez que a maioria da população pobre de África depende da agricultura de subsistência para a sua sobrevivência, e tendo em conta as alterações climáticas previstas. O relatório sugere que uma estratégia mais sistemática para aumentar a produtividade das colheitas do pequeno agricultor, centrada num acréscimo sustentável da eficiência e da quantidade, irá alcançar mais eficazmente os objectivos agrícolas, de segurança alimentar e de redução da pobreza da região.
Reformar o desenho e a implementação de subsídios agrícolas reequilibrando ao mesmo tempo os gastos do governo em prol de políticas e bens públicos essenciais de elevado rendimento podia produzir rendimentos consideráveis para o sector da agricultura e promover a competitividade nos mercados fundiários.
O relatório também apresenta soluções de políticas para outras áreas com vista a ajudar a aumentar a produtividade, incluindo o comércio e infraestruturas (físicas e digitais).
Keziah Muthembwa
About The World Bank
The World Bank Group has a bold vision: to create a world free of poverty on a livable planet. In more than 100 countries, the World Bank Group provides financing, advice, and innovative solutions that improve lives by creating jobs, strengthening economic growth, and confronting the most urgent global challenges. For more information, please visit www.worldbank.org, www.miga.org, and www.ifc.org.
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