REPORTAGEM

Brasil, Argentina e México lideram a luta contra a desigualdade

25 de janeiro de 2013


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No Brasil, entre 2002 e 2009, a renda dos 10% mais pobres cresceu a 7% ao ano – quase três vezes mais do que a média nacional.

Marcello Casal Jr./ABr.

DESTAQUES DO ARTIGO
  • Os três países registraram, desde o início dos anos 2000, queda no índice de Gini, que mede a diferença entre ricos e pobres.
  • Os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, foram essenciais para a redução da pobreza.
  • O surgimento de uma mão de obra mais bem qualificada também ajudou a diminuir a desigualdade social.

A desigualdade é uma marca em toda a história da América Latina e do Caribe. Essa diferença entre ricos e pobres alimentou anos de instabilidade política e social em uma região caracterizada por enormes reservas de recursos naturais e por uma mão de obra abundante.

Há pouco mais de uma década, porém, essa lacuna começou a diminuir. Um dos motivos é um momento econômico sem precedentes, que permitiu aos latino-americanos – só no Brasil, foram 22 milhões entre 2003 e 2009 – sair da pobreza.

Um estudo do Banco Mundial (i) analisa algumas das causas que levaram à diminuição da desigualdade, traduzida em uma queda do índice de Gini (coeficiente de distribuição de renda). A média passou de 0.530 (no fim dos anos 1990) a 0.497 (em 2010).

Dos 17 países para os quais existem dados comparáveis, 13 apresentaram queda. Esse fenômeno ocorre em um momento no qual várias partes do mundo registram um aumento desse índice. Quanto mais próximo de 0 for o índice de um país, mais igualdade de renda ele apresenta; quanto mais perto de 1, mais desigual ele é.

Expansão econômica

O estudo, realizado por Nora Lustig, Luis F. López-Calva e Eduardo Ortiz-Juarez, avalia o que ocorreu em três países latino-americanos de renda média:

  • Argentina, que apresentou taxas impressionantes de crescimento durante o período analisado e, entre os anos 1970 e 1990, exibiu a maior taxa de desigualdade da região.
  • Brasil, cujo avanço econômico nos anos 2000 se traduziu em maior bem-estar social.
  • México, que teve menor expansão econômica, mas atuação mais forte nos mercados internacionais, por meio do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta).

Segundo o estudo, durante a primeira década dos anos 2000, houve um aumento na renda familiar e no tempo de escolarização. Ao mesmo tempo, reduziu-se a desigualdade entre a renda laboral e não laboral (as provenientes de juros ou programas como o Bolsa Família, por exemplo).

Empregos e salários

No Brasil, o índice de desigualdade social cresceu ao longo dos anos 1970 e 1980, batendo um recorde negativo global em 1989: 0.630. Pouco mudou na década de 1990. No entanto, em 1998, o coeficiente de Gini passou a baixar.

Anos mais tarde, entre 2002 e 2009, a renda dos 10% mais pobres começou a crescer a 7% ao ano – quase três vezes mais do que a média nacional –, enquanto a dos 10% mais ricos subia a apenas 1.1% anual. Nesse período, a população brasileira se beneficiou de empregos mais bem pagos, de programas de transferência de renda e de um gasto maior na educação básica.

Os autores do estudo ressaltam que empregos e salários foram os principais responsáveis (a partir de 2006) pela maior parte da queda na desigualdade. No entanto, também reconhecem a importância de programas como o Benefício de Prestação Continuada (pago aos mais velhos) e o Bolsa Família.

Nesse último – que hoje beneficia 13,8 milhões de famílias –, mães e pais só recebem o benefício se mandarem os filhos para a escola. Essa exigência ajuda, segundo o relatório, a diminuir a evasão escolar e o trabalho infantil.

Prioridade à educação

O sucesso do Brasil, da Argentina e do México, no entanto, pode ser difícil de manter. Segundo o estudo, a crise global ameaça o crescimento econômico e o comércio exterior nesses países.

Investir em educação de qualidade para todos é importante para manter as conquistas econômicas e sociais – e proteger a mão de obra local. “A diminuição na desigualdade não pode ser ignorada”, dizem os autores. “Ela exige trabalho árduo tanto por parte dos formuladores de políticas públicas quanto dos próprios políticos.”


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