REPORTAGEM

Brasil e Banco Mundial intensificam combate à pobreza extrema

3 de Junho de 2011


BRASÍLIA, 3 de junho de 2011 - A renovada da parceria entre o Brasil e o Banco Mundial espera superar a miséria no Brasil, mal que atinge mais de 16 milhões de brasileiros negando-lhes oportunidades de crescimento e prosperidade.

O Presidente do Banco Mundial, Robert B. Zoellick, uniu-se à campanha do Brasil contra a pobreza ao anunciar um novo financiamento para o próximo ano fiscal no valor de US$ 6 bilhões –quase o dobro do compromisso atual – para apoiar programas de desenvolvimento e a continuidade do crescimento econômico, principalmente na região Nordeste.

O novo financiamento do Banco se encaixa ao plano “Brasil sem Miséria”,  recém-lançado pela Presidente Dilma Rousseff, que visa erradicar a pobreza extrema por meio do aumento da renda das famílias carentes, da melhoria de seu acesso aos serviços básicos e de oportunidades econômicas., Cerca de  16,2 milhões de brasileiros, 40% dos quais crianças, serão beneficiados pelo programa, segundo autoridades do governo brasileiro.

Além de ajudar os brasileiros em situação de maior vulnerabilidade, os novos recursos financeiros serão úteis para consolidar o papel econômico do país no cenário mundial.

Quase metade do novo financiamento será destinada à manutenção do ritmo de crescimento da região Nordeste, a região menos desenvolvida, porém a que mais cresce no país. A esmagadora maioria dos 16 milhões de brasileiros miseráveis, ou seja, 60% deles, vive no Nordeste, de acordo com dados oficiais. Cerca de 40% destes tem menos de 14 anos de idade.

Assim, a maior parte dos novos recursos financeiros irá para o financiamento de programas educacionais e projetos sociais e de infraestrutura indispensáveis, segundo representantes do Banco Mundial. Além disso, espera-se que essas iniciativas estimulem maior desenvolvimento do mercado e mais concorrência na região, acrescentaram eles.

"Esperamos aproveitar o ciclo virtuoso do Nordeste para continuar incentivando o desenvolvimento na região. Pela primeira vez na história, o ritmo de crescimento da região supera o ritmo do restante do país, portanto precisamos ajudar a fortalecer essa tendência", declarou Mahktar Diop, Diretor do Banco Mundial para o Brasil.

Em termos gerais, o Banco espera ver o Brasil consolidar sua posição regional como uma força motriz do crescimento do século XXI que não depende não apenas da alta de  commodities, mas também da produção de valor adicionado, a exemplo da maioria das economias desenvolvidas.

"O desempenho recente do Brasil em matéria de commodities foi excelente, mas as altas de commodities tendem a não durar indefinidamente", observou Zoellick. "Será de grande importância para o Brasil desenvolver outros setores, como o de serviços e de manufaturas."

Uma agenda mais verde

Na reunião ambiental de alto nível, Zoellick anunciou uma nova parceria com as maiores metrópoles do mundo que, segundo ele, ajudará as cidades a agilizar as atuais ações de redução das emissões de carbono e a aumentar sua resistência à mudança do clima.

Contrariamente à concepção geral, as devastações da mudança do clima não se restringem apenas ao derretimento das geleiras, elevação do nível dos mares e mudanças radicais nos padrões climáticos, afirmou o líder do Banco Mundial. Em realidade, as grandes cidades também pagarão um preço alto pela mitigação da mudança do clima. De acordo com estimativas do Banco, cidades de todo mundo – que produzem 80% das emissões de gases de efeito estufa – acabarão pagando um valor da ordem de US$ 60-80 bilhões ao ano para mitigar a mudança do clima em setores essenciais, como abastecimento de água, zonas costeiras e infraestrutura.

"Essa parceria com o C-40 é uma extensão natural de nossa relação com cada uma das cidades do C-40. Para simplificar nossa capacidade de melhor atender a todos vocês, daremos início a um acesso centralizado para as cidades, para que vocês possam ter uma melhor noção, em um local único, dos programas de desenvolvimento de capacidades, assistência técnica e financiamento que o Banco oferece”, informou Zoellick, falando para uma grande platéia de autoridades municipais e líderes globais, entre as quais o ex-presidente Bill Clinton e o prefeito de Nova York e Presidente do C-40 Michael Bloomberg.

Zoellick acrescentou que o convênio, selado em um memorando de entendimento entre as partes, se concentrará em duas áreas fundamentais para o combate à mudança do clima: 1) elaboração de planos e estratégias de ação municipais relativas ao clima, em que o Banco auxiliará na formulação de estratégias padronizadas de baixa emissão de carbono e estratégias de mitigação e adaptação; e 2) estabelecimento de comunicação padronizada de emissões de gases de efeito estufa das cidades, com o uso de parâmetros internacionais comuns.

O Banco Mundial já investiu mais de US$ 15 bilhões nas cidades do C-40, inclusive no Brasil, México e Argentina. Em parceria com o Programa para o Meio Ambiente o Programa para os Assentamentos Humanos da ONU, o Banco desenvolveu um padrão internacional para a comunicação de emissões de gases de efeito estufa, com o uso de parâmetros internacionais comuns que permitirão às cidades comparar o progresso com as metas e, mais importante ainda, facilitará o acesso a financiamento privado para a mitigação e adaptação à mudança do clima. A título de exemplo, no Rio de Janeiro o Banco Mundial está desenvolvendo apoio para um programa assistencial de “cidade verde” que prevê a leitura de emissões e apoio em termos de parâmetros e capacidade municipais.

O Fundo de Tecnologia Limpa gerido pelo Banco ajudou a financiar sistemas de transporte de massa eficientes na Cidade do México e em Bogotá, prestando serviços para as populações carentes e reduzindo as emissões de gases de efeito estufa, informou Zoellick.

 


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