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Ainda que a Pobreza em África Tenha Sido Reduzida, o Número de Pobres Aumentou
Último número: 
  • Marcha 2016


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DESTAQUES DO ARTIGO
  • Um novo relatório do Banco Mundial sugere que a pobreza, em África, pode ser menor do que as atuais estimativas indicam e que não há um aumento sistemático de desigualdade, de acordo com os dados existentes
  • Os desafios continuam a ser substanciais: há mais pessoas pobres atualmente quem em 1990, dois em cada cinco adultos são ainda analfabetos e a violência está em crescimento.
  • Melhorar o conhecimento, comparabilidade e qualidade dos dados sobre a pobreza e a desigualdade em África, será de igual importância.

A pobreza, em termos do continente, pode ser menor do que as atuais estimativas sugerem, embora o número de pessoas que vivem em extrema pobreza tenha aumentado substancialmente desde 1990, segundo o mais recente relatório da pobreza em África, do Banco Mundial.

A Pobreza numa África em Ascensão (“Poverty in a Rising Africa”) o primeiro de dois relatórios a sair brevemente sobre a pobreza em África, documenta os desafios relativos a dados que existem na região e analisa a situação de pobreza e desigualdade em África, tanto em termos monetários como não-monetários, tendo em consideração estas dificuldades de dados.

 “As principais mensagens que resultam deste esforço para avaliar a pobreza em África são simultaneamente encorajadores e preocupantes”, comentou Kathleen Beegle, líder do programa do Banco Mundial e coautora do relatório. “Embora os dados mostrem que a taxa de população africana que vive em extrema pobreza tenha realmente baixado, continuam a existir enormes desafios relativos à pobreza, especialmente considerando o rápido crescimento da população, na região.”

De acordo com as mais recentes estimativas do Banco Mundial, a taxa de africanos pobres caiu de 56% em 1990, para 43 % em 2012. O relatório defende que a taxa de pobreza pode até ter reduzido mais, se forem tidas em consideração a qualidade e a comparabilidade dos respetivos dados. No entanto, dado o aumento de população, há muito mais pessoas pobres, afirma o relatório. O cenário mais otimista aponta para cerca de 330 milhões de pobres, em 2012, quando em 1990 eram 280 milhões. A redução da pobreza tem sido mais lenta nos países mais fragilizados, refere o relatório, e as zonas rurais continuam a ser muito mais pobres, ainda que o fosso entre população urbana e rural tenha decrescido.

Outras conclusões importantes do relatório são: 

  • As dimensões não monetárias da pobreza têm melhorado, mas os desafios a enfrentar são ainda enormes. Em comparação com 1995, as taxas de literacia adulta subiram quatro pontos percentuais e a diferença entre géneros está a diminuir. Os recém-nascidos podem agora esperar por mais seis anos de vida e a prevalência de malnutrição crónica, entre crianças com menos de cinco anos, reduzir seis pontos percentuais, para 39%. No entanto, apesar de uma melhoria substancial na taxa de matrícula escolar, a qualidade do ensino é frequentemente muito baixa e quase dois em cada cinco adultos, são ainda analfabetos. É urgente dar maior impulso à taxa de frequência da educação primária. Paradoxalmente, os cidadãos em países ricos em recursos, têm piores resultados nos indicadores de bem-estar humano, dependendo dos seus rendimentos. Este dado sublinha bem que, ainda que o crescimento económico seja essencial para a redução da pobreza, não é no entanto suficiente.
  • O panorama da desigualdade em África é complexo. Sete dos 10 países com maiores desigualdades, em todo o mundo, situam-se em África e a maioria na África austral. Excluindo estes países e controlando segundo os nível do PIB, a desigualdade não é mais elevada em África que em outras áreas do mundo. Os dados dos inquéritos às famílias não revelam um aumento sistemático de desigualdade na generalidade dos países de África. Mas o número de africanos extremamente ricos está a aumentar. As diferenças entre as áreas urbanas e rurais e conforme as regiões, são grandes. A mobilidade intergeracional na educação e na ocupação tem melhorado, mas continua a ser baixa.

O relatório conclui com um apelo para que sejam melhorados os dados sobre a pobreza em África. Ainda que a disponibilidade, comparabilidade e qualidade dos dados para conhecer a pobreza não-monetária tenham melhorado, em 2012, 25 dos 48 países da África Subsariana tinham efetuado pelo menos dois inquéritos às famílias ao longo dos dez anos precedentes, para determinar a pobreza monetária, e muitos destes inquéritos não são comparáveis temporalmente. Em 15 de outubro, o Banco Mundial e seus parceiros anunciaram apoio mais forte para concluir inquéritos ao nível familiar a cada três anos em países mais pobres do mundo, incluindo vários na África, para tratar de enormes lacunas de dados que já raquíticas esforços de combate a pobreza.

 “Dados melhores contribuirão para melhores decisões e vidas melhores,” disse Luc Christiaensen, economista principal do Banco Mundial e coautor do relatório. “Não se trata apenas da quantidade, a qualidade dos dados também é importante. O relatório dá exemplos de oportunidades perdidas quanto os inquéritos não são realizados segundo padrões de qualidade. Manter e acelerar o ritmo do progresso alcançado ao longo das duas últimas décadas, requer esforços coletivos.”