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Ampliar o Acesso à Electricidade em África através da Inovação e de uma Melhor Regulamentação

Último número: 
  • Abril de 2018
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DESTAQUES DO ARTIGO

  • Uma análise recente das economias da África Subsariana revela que as baixas taxas de acesso e a falta de electricidade fiável e a preços acessíveis representa um desafio para o rápido desenvolvimento económico da região.
  • Inovações técnicas, em particular na energia solar, dão a possibilidade de saltar etapas tradicionais na electrificação da rede nacional e dos sistemas fora da rede à escala residencial, de acordo com o relatório
  • Para acelerar a electrificação, o relatório salienta que é fundamental uma melhoria da regulamentação do sector da electricidade assim como da gestão das empresas de utilidade pública.

"O acesso à electricidade irá aumentar a produtividade entre e dentro dos sectores. Os governos africanos têm de aderir completamente à tecnologia e tirar partido da inovação para assegurar uma electricidade sustentável de qualidade e a preços acessíveis."
Albert G. Zeufack
Economista Chefe do Banco Mundial para a Região África

WASHINGTON, 18 de Abril de 2018 ‒  Sendo as taxas de electrificação domiciliar da África Subsariana as mais baixas do mundo, aumentar o acesso à electricidade é uma questão-chave para o desenvolvimento na região, segundo a publicação  Africa’s Pulse, uma análise semestral do Banco Mundial sobre a situação das economias africanas. A última edição do relatório inclui uma secção que explora o papel da inovação na aceleração da electrificação na região, que tem profundas implicações na consecução de um crescimento económico inclusivo e redução da pobreza.

“O acesso à electricidade irá aumentar a produtividade entre e dentro dos sectores”, disse Albert G. Zeufack, Economista Chefe do Banco Mundial para a Região África. “Os governos africanos têm de aderir completamente à tecnologia e tirar partido da inovação para assegurar uma electricidade sustentável de qualidade e a preços acessíveis”.

A taxa média de electrificação domiciliar da região situou-se em 42% em 2016, de acordo com o relatório. Há uma grande variação no acesso à electricidade entre os países, com alguns países frágeis a terem taxas inferiores a 10%. Existem também enormes desigualdades no acesso à energia entre agregados familiares rurais e urbanos; o relatório refere que as taxas de acesso dos domicílios urbanos são de cerca de 71%, comparativamente a 22% nos lares rurais. Para além do acesso reduzido, a região está também a deparar-se com questões tais como o baixo consumo, baixa fiabilidade, custo elevado por kilowatt e situação deficitária das empresas de utilidade pública.

Tirar partido da tecnologia e melhorar a governação para se ampliar a electrificação

Reduções significativas no preço, resultantes dos rápidos progressos tecnológicos na produção de energia solar à escala doméstica, oferecem oportunidades para melhorar as vidas das pessoas sem acesso à electricidade em áreas rurais e remotas com menor densidade de população da África Subsariana, segundo a publicação Pulse. Mas os sistemas domésticos, em si mesmos, não podem contribuir muito para o aumento dos rendimentos e do emprego nem para reduzir a pobreza nessas áreas, diz o relatório, dadas as limitadas quantidades de electricidade que fornecem face à electricidade necessária para as utilizações mais produtivas.

De acordo com a análise, as mini-redes são uma possibilidade viável para se incrementar a disponibilidade de electricidade em áreas onde a expansão da rede é cara ou só pode ser realizada no futuro. Embora, até ao momento, tenha havido um investimento reduzido em mini-redes na África Subsariana à excepção da Tanzânia, outros países, como a Nigéria e o Ruanda, têm empreendido reformas legislativas consideráveis para reduzir as barreiras ao investimento em mini-redes. O relatório indica que um dos grandes desafios para atrair investimento do sector privado em mini-redes é a confiança em relação à recuperação do custo e ao que acontece aos activos da mini-rede quando esta começa a penetrar o território de serviço.

“Para se ultrapassar as tradicionais etapas de electrificação da rede nacional vai ser necessária uma combinação de diferentes sistemas para dar resposta às diversas necessidades”, afirma Punam Chuhan-Pole, Economista Chefe do Banco Mundial e  autora principal de Africa’s Pulse. “Alavancar o sector privado será vital para se ampliar a electrificação”.

Segundo o relatório, um requisito prévio é a melhoria da governação do sector da electricidade, independentemente das configurações técnicas utilizadas para expandir o acesso à electricidade na África Subsariana. As recomendações do relatório incluem a racionalização da fixação dos preços da electricidade, a redução de barreiras regulamentares que limitam o investimento do sector privado na produção de energia da rede e fora da rede, tornando as operações da companhia mais