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WASHINGTON, 12 de novembro de 2020— À medida que os sistemas agrícolas e alimentares se recuperam dos impactos da pandemia da COVID-19 na América Latina e no Caribe, os formuladores de políticas devem agir para liberar o vasto potencial do setor a fim de impulsionar o crescimento sustentável e inclusivo nas próximas décadas, segundo novo relatório do Banco Mundial.
O setor agrícola da América Latina e do Caribe (ALC) desempenha um papel vital na produção de alimentos e nos serviços dos ecossistemas, que beneficiam não apenas a região, mas a todo o planeta. Atualmente, milhões de fazendeiros e criadores de gado em toda a região lutam para superar os impactos da crise sanitária mundial, da desaceleração econômica, dos choques climáticos sem precedentes e de uma crise migratória incapacitante. Neste contexto, são necessárias reformas para que o setor desempenhe papel cada vez mais importante na recuperação da região passada a crise de Covid-19, na eliminação da pobreza extrema e na promoção da prosperidade compartilhada, de acordo com o relatório Panoramas Alimentares Futuros: Reimaginando a Agricultura na América Latina e Caribe.
“A crise desencadeada pela pandemia nos levou a repensar o futuro da América Latina”, afirmou o Vice-Presidente do Banco Mundial para a Região da América Latina e do Caribe, Carlos Felipe Jaramillo. “Precisamos de um setor agrícola que possa atender à crescente necessidade de alimentos da região e do mundo em geral, ao mesmo tempo evitando que mais danos sejam causados ao meio ambiente. Com melhores políticas e tecnologia, os sistemas agroalimentares da região podem contribuir para o crescimento, a redução da pobreza e maior segurança alimentar e nutricional.”
A agricultura é muito importante para diversas economias da região, respondendo por entre 5 a 18 por cento do PIB em 20 países da América Latina e do Caribe, e uma parcela ainda maior quando consideradas as contribuições mais amplas dos sistemas alimentares. Esse setor é fundamental para impulsionar o crescimento, promover o comércio, gerar empregos, aumentar a receita e reduzir a pobreza. A agricultura também é essencial para preservar a segurança alimentar e nutricional, bem como os serviços dos ecossistemas.
No entanto, apesar de seu histórico de sucesso, a agricultura na região tem apresentado baixo desempenho. O impressionante aumento da produção e das exportações líquidas ocorreu às custas de significativas perdas ambientais e de saúde. O bom resultado na região em termos de alimentação de sua população e exportação de alimentos para o resto do mundo ocorre a um custo muito alto para as pessoas e o meio ambiente. Proteger a riqueza ambiental e promover a qualidade e a segurança alimentar e nutricional da região são particularmente importantes.
“A Região da América Latina e do Caribe é o celeiro e os pulmões do mundo”, afirma Michael Morris, Economista Líder de Agricultura do Banco Mundial, e líder da equipe que elaborou o relatório. “O desafio é garantir que ela continue a desempenhar essas funções. Os formuladores de políticas deverão se concentrar em diminuir as deficiências do mercado, criar capacidade humana e institucional, minimizar os riscos de catástrofes e aproveitar as oportunidades que surgirem, sempre levando em consideração as reformas mais profundas, tais como tornar os sistemas agrícolas carbono neutros ou declarar guerra contra as comidas rápidas e não saudáveis.”
O relatório destaca 20 propostas de ação dirigidas à exploração do vasto potencial dos sistemas agrícolas e alimentares da região. Algumas dessas ações merecem atenção prioritária porque têm garantia de retorno. Exemplos de ações "sem arrependimentos" incluem aquelas destinadas a modernizar a infraestrutura agro logística (incluindo tecnologia da informação e comunicação), aperfeiçoar as habilidades dos trabalhadores dos sistemas agrícolas e alimentares, tornar a agricultura e os sistemas alimentares climaticamente inteligentes e aprofundar os mercados financeiros rurais. Outras ações propostas também são fundamentais para mitigar os riscos e criar resiliência em face a múltiplas ameaças, que vão desde mudanças climáticas, pressões demográficas, doenças zoonóticas e outros desastres ou eventos adversos.
Um segundo grupo de ações tem natureza mais estratégica e oferece uma série de opções que os formuladores de políticas podem usar para enfrentar os diversos desafios apresentados pelos sistemas agrícolas e alimentares na região. À medida que o ritmo da mudança tecnológica se acelera, as reformas políticas e os novos investimentos podem fazer com que produtores, beneficiadores e distribuidores de alimentos da região aproveitem as oportunidades emergentes. Alguns exemplos incluem as tecnologias disruptivas climaticamente inteligentes ou o apoio ao desenvolvimento de alimentos biofortificados e nutracêuticos. Em um nível ainda mais ambicioso, ações "revolucionárias" podem ter o potencial de transformar profundamente os sistemas agrícolas e alimentares da região, como a desvinculação do apoio à produção agrícola total da produção de produtos específicos, ou combater as mudanças climáticas buscando alcançar a neutralidade total de carbono.
As ações propostas no relatório podem ajudar a garantir a viabilidade a longo prazo da capacidade de produção de alimentos e a sustentabilidade ambiental, da qual dependem a agricultura e a própria vida. As práticas atuais precisarão ser substituídas por modelos mais adequados que aumentem a produção, reforcem os serviços dos ecossistemas e aumentem a resiliência climática de forma inclusiva. Se os formuladores de políticas da América Latina e do Caribe aceitarem o desafio, os sistemas agrícolas e alimentares terão influência decisiva sobre o destino não apenas da região, mas de todo o planeta. O futuro desses sistemas é importante demais para ser deixado à própria sorte.
En Washington
Francisco Seminario
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