REPORTAGEM 15 de agosto de 2018

Uma nova geração de ilustradores usa a arte para enfrentar a violência de gênero

O Concurso de Ilustração da Lei Maria da Penha, promovido pelo Banco Mundial e pela Câmara dos Deputados, premiou uma nova geração de artistas que veem na diversidade e na solidariedade o caminho para dar mais poder às mulheres e enfrentar a violência.

World Bank Group



Contra a violência de gênero, a Lei Maria da Penha, que acaba de completar 12 anos. Contra o medo e a vergonha que acompanham as vítimas, uma acolhida generosa por parte de mulheres de todas as idades, raças e nacionalidades. Contra a tristeza do cinza e da escuridão, muitas cores, expressas nas mais diversas técnicas.

O Concurso de Ilustração da Lei Maria da Penha, promovido pelo Banco Mundial e pela Câmara dos Deputados, premiou uma nova geração de artistas que veem na diversidade e na solidariedade o caminho para dar mais poder às mulheres e enfrentar a violência. Quarenta e quatro trabalhos concorreram nas categorias profissional (19) e amador (25). Os seis vencedores − condecorados no Congresso Nacional − foram escolhidos por voto popular, nas redes sociais, onde também é forte o movimento por mais direitos e menos abusos em todas as esferas da vida feminina.

Nos grupos feministas do Facebook, por exemplo, ilustradoras como Inaê Gouveia (primeiro lugar na categoria profissional) e Melissa Saqueto (segunda colocada na categoria amador) ganharam votos e incentivo. “Durante a faculdade, os professores traziam poucas referências de artistas mulheres. Um concurso como esse, com um tema em que temos tantas vivências, é importante para engrandecer o nosso trabalho e a ilustração como um todo”, comenta Inaê, estudante de artes visuais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

As ilustrações vencedoras sairão em cartilhas sobre direitos das mulheres, a serem feitas em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e distribuídas para escolas públicas em todo o país. Nelas estará, por exemplo, o grande abraço – de moças gordas e magras, com diferentes cabelos e tons de pele – desenhado por Sarah Luiza da Silva, de Brasília.

Afrodescendente, ela sonha com cada vez mais representatividade nas artes e nos meios de comunicação. “Quando eu era criança, não via na mídia pessoas que se parecessem comigo. Se quisesse me vestir como um personagem (de desenho animado ou quadrinhos), não podia, porque nenhum deles era da minha cor”, lembra Sarah, que ficou em terceiro lugar na categoria amador.

No quinto país que mais mata mulheres e registrou, em 2017, 221.238 crimes enquadrados na Lei Maria da Penha (606 casos por dia), também é fundamental questionar a criação e os comportamentos dos homens. É a isso que se propõe Lucas Mendes Pinheiro, terceiro lugar na categoria profissional.

"Como homem, nesta sociedade, aprendi coisas erradas. Minhas amigas e outras mulheres me mostraram o quanto algumas frases e gestos são prejudiciais a elas”, conta ele. Também por meio delas, o designer maranhense assimilou o conceito de sororidade, ou auxílio entre mulheres e meninas, que acabou inspirando uma ilustração colorida, transbordando esperança.



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