REPORTAGEM

A América Latina não será (por enquanto) uma região de classe média

9 de abril de 2016


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Pedestres e carros em uma rua comercial de São Paulo

Mariana Ceratti/Banco Mundial

A região estava a caminho de consegui-lo em 2017; boa notícia é que a pobreza continua caindo

A desaceleração da América Latina cobrou uma nova vítima: a expansão da classe média.

A história da ascensão desse grupo não deixa de ser impressionante: nada menos do que 3,5 milhões de latino-americanos deixaram de ser pobres e migraram para a classe média em 2014. No entanto, o crescimento é baixo comparado ao que se registrou na região entre 2002 e 2012. “Nesse período, mais de 10 milhões de pessoas se tornaram classe média a cada ano”, afirma o economista Oscar Calvo-González, do Banco Mundial, gerente do departamento de pobreza e igualdade para a América Latina.

Se a evolução continuasse nesse ritmo (1% ao ano), a América Latina se tornaria uma região predominantemente de classe média em 2017, segundo cálculos do Laboratório contra a Pobreza na América Latina (LAC Equity Lab), do Banco Mundial.

Mas, no meio do caminho, veio a redução dos preços das matérias-primas (que impulsionaram o crescimento econômico entre 2002 e 2012) e isso significou uma desaceleração no crescimento econômico, em especial em países sul-americanos como o Brasil. Na média ponderada, a América Latina está entrando no quinto ano consecutivo de retração.

A nova realidade faz com que os economistas não se arrisquem a dar uma previsão sobre quando a região poderia chegar à condição de classe média.

Mesmo com o novo cenário, há duas boas notícias. A primeira é que o percentual de latino-americanos de classe média não diminuiu: 35% da população em 2014, ante os 34,8% do ano anterior. E, apesar do menor crescimento da renda para os 40% mais pobres da América Latina, a taxa de pobreza continuou a cair, passando de 24,1% em 2013 para 23,3% em 2014.

Se a pobreza diminuiu e a classe média estagnou, o que está acontecendo com a maior parte dos latino-americanos? Segundo dados do Banco Mundial, eles estão se juntando aos vulneráveis, nome dado a quem ganha entre US$ 4 e US$ 10 por dia. De fato, o grupo é o que mais tem crescido nos últimos anos.

Uma questão importante é os vulneráveis estão mais sujeitos a cair na pobreza do que a classe média. “Por isso, minimizar esse risco será um importante objetivo em toda a região durante o ajuste ao novo ambiente econômico”, comenta Calvo-González.


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