REPORTAGEM

O desenvolvimento verde da Guiné-Bissau ganha raízes, começando pela conservação da biodiversidade

30 de novembro de 2015


World Bank Group

DESTAQUES DO ARTIGO
  • A rica biodiversidade da Guiné-Bissau é uma característica muito especial deste pequeno estado da África Ocidental.
  • Os variados ecossistemas constituem a base do desenvolvimento do país, dado que muitas das atividades económicas dependem dos recursos naturais.
  • Em benefício da Guiné-Bissau, são feitos esforços de conservação financiados pelo Banco Mundial e outros parceiros de desenvolvimento, o que promove um desenvolvimento sustentável e ajuda a preservar a vibrante biodiversidade.

BISSAU, 30 de Novembro, 2015 – Fitas de transparentes águas azuis brilham sobre um fundo de luxuriante folhagem, composta por palmeiras, videiras, baobá e mangais. Garças brancas pairam no horizonte, mergulhando com o seu bico agudo na água, levantando salpicos. Não há escassez de peixes nestas águas e tanto as garças como os pescadores não correm risco de se verem de mãos vazias. O facto é que a Guiné-Bissau possui uma das mais ricas reservas de peixe da África Ocidental.

Refúgio de centenas de espécies de pássaros, peixes e mamíferos, o Arquipélago de Bijagós, na Guiné-Bissau, é um conjunto de 88 ilhas e ilhéus que guardam a capital do país, Bissau. Instituído como Reserva UNESCO do Homem e da Biosfera  o arquipélago inclui áreas protegidas nacionais,  (Orango, João Vieira-Poilão) e reservas comunitárias (Urok). Populações locais, que de outro modo cairiam em extrema pobreza, são ajudadas pela riqueza natural destas regiões, fazendo um cultivo de arroz limitado aos objetivos de subsistência, pesca e a recolha dos frutos da palma e castanha de caju. Com uma diversidade incrível de ecossistemas, que vão desde as densas florestas tropicais aos pântanos de mangue, a Guiné-Bissau tem-se vindo a consciencializar cada vez mais do valor da sua riqueza natural, investindo consideravelmente na conservação, ao ponto de cerca de 26% do seu território nacional serem já classificados como áreas protegidas.


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Uma gestão participativa das áreas protegidas, com habitantes locais, tem desempenhado um importante papel no sucesso do esforço de conservação da  Guiné-Bissau. No entanto, é importante chamar a atenção para a forma como se usam os recursos naturais, com um sentido ecológico, de forma a garantir um desenvolvimento sustentável.

© Daniella van Leggelo/World Bank

" Na Guiné-Bissau, acreditamos em gerir a biodiversidade, para obter maior desenvolvimento” Guinea-Bissau, we believe in managing biodiversity in order to ensure greater development "

Alfredo Simão da Silva

Diretor do Instituto da Biodiversidade e Áreas Protegidas (IBAP)

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© IBAP

Conservar estes refúgios naturais, é a missão de vida de Alfredo Simão da Silva, Diretor do Instituto para a Biodiversidade e Áreas Protegidas (IBAP). Criado em 2005 com financiamento do Banco Mundial, do Fundo para o Meio Ambiente (GEF, sigla em inglês) e a Comissão Europeia, o IBAP coordena a gestão de áreas protegidas, faz o mapeamento de espécies e ecossistemas e monitoriza, desenvolve planos de ação para espécies ameaçadas e trabalha para criar novas áreas protegidas.  A determinada dedicação de Simão da Silva à causa do IBAP já levou à criação de cinco parques nacionais e uma reserva comunitária: João Vieira-Poilão, Orango, Cacheu, Cufada, Catanhez, e Urok, respetivamente. Dois outros parques nacionais terrestres (os parques de Dulombi e Boé) e três corredores ambientais  (os corredores de Tche-Tche, Salifo e Cuntabane), que interligam as áreas naturais e permitem a circulação dos animais selvagens, protegendo simultaneamente as comunidades humanas, deverão ser acrescentadas este ano.

“Na Guiné-Bissau acreditamos em gerir bem a biodiversidade, de forma a alcançar maior desenvolvimento”, diz Alfredo Simão da Silva. “Ainda que possa parecer um contrassenso, as áreas protegidas são, na realidade, a chave para conduzir o nosso país para uma saída da pobreza. No IBAP,

estamos a trabalhar para assegurar a conservação das espécies vegetais e animais, que podem contribuir para aumentar as reservas de peixe e o turismo e também proporcionar segurança alimentar às populações locais.”

As áreas protegidas da Guiné-Bissau estão organizadas num sistema de zonamento, em que as zonas centrais estão completamente intocadas e muitas vezes se sobrepõem a áreas sagradas, que são definidas pelas crenças tradicionais dos habitantes. Há também zonas onde se podem praticar algumas atividades, desde que sustentáveis e compatíveis com os interesses da conservação da natureza. E por último, há zonas onde os aldeões residem, pescam e fazem lavoura. “Ao permitir que as zonas sejam protegidas e habitadas, estamos a valorizá-las, o que encoraja as populações locais a trabalharem também para a sua proteção”, afirma Simão da Silva.

Uma gestão participativa das áreas protegidas, com os habitantes locais, tem desempenhado um papel importante no sucesso destes esforços de conservação. No entanto, existem alguns desafios. O IBAP gasta consideráveis energias e dinheiro em criar uma consciencialização relativamente aos recursos naturais e a forma de os utilizar com sensibilidade ecológica. Realiza também inspeções de rotina para assegurar o cumprimento das regras para cada zona e que não haja usurpação das áreas protegidas.

Em muitos aspetos, este capital natural é a sólida base do desenvolvimento da Guiné-Bissau e a sua boa gestão será um fator determinante no acesso do país a um futuro mais próspero. Emergindo de anos de turbulência e violência política, que paralisaram o desenvolvimento do país, este encontra-se agora a braços com uma pobreza extrema (33% da sua população sobrevive com não mais de um dólar por dia) e significativas faltas de infraestruturas, segurança, saúde e gestão financeira pública.

Enquanto a Guiné trabalha para inverter esta tendência e reconstruir a sua nação, o país irá apoiar-se nos seus recursos naturais, particularmente nas áreas da agricultura, minas, pescas e turismo, para enfrentar os desafios do desenvolvimento. No entanto, manter o equilíbrio justo entre exploração e conservação, será um fator de importância crítica.

O Banco Mundial tem vindo a apoiar a Guiné-Bissau nos seus esforços de conservação desde o início dos anos 2000, apoiando uma série de projetos de gestão costeira e biodiversidade, para ajudar a estabelecer o IBAP e o sistema de áreas protegidas. Estes esforços têm contribuído para preservar a rica biodiversidade do país e simultaneamente melhorar a qualidade de vida das comunidades locais.

“Terminámos recentemente um estudo para avaliar o potencial de riqueza natural do país, que demonstra claramente uma sólida gestão da biodiversidade e dos recursos naturais em geral, é essencial para reduzir a pobreza e promover um crescimento equitativo”, diz Tanya Yudelman, Especialista do Banco Mundial em Gestão Ambiental e de Recursos Naturais.

Com uma jogada tão importante para este frágil estado da África Ocidental, o Governo da Guiné-Bissau e os seus parceiros tinham de fazer um esforço de imaginação para encontrar formas de sustentar os esforços de conservação e desenvolvimento. O resultado destas considerações, é a Fundação BioGuiné, um mecanismo de financiamento sustentável dos parques nacionais do país, cuja criação e capitalização está atualmente a ser apoiada pelo Governo, pelo Grupo Banco Mundial, o Fundo Mundial para o Ambiente (GEF) a Fundação MAVA e ainda outros. A Conservação, que pode ser dispendiosa e que tem um rendimento gerado de forma indireta, é muitas vezes “varrida para debaixo do tapete” quando aumenta a pressão para o desenvolvimento.

No entanto, com a criação da Fundação BioGuiné, a Guiné-Bissau poderá financiar, a longo prazo, os esforços de vigilância e conservação a longo prazo, assegurando a gestão sustentável de ecossistemas e áreas protegidas.

“Há desafios muito reais ao financiamento do esforço de conservação da Guiné-Bissau. Para que o sistema de área protegida atinja todo o seu potencial, como plataforma para uma futura indústria vibrante de turismo e os benefícios económicos e sociais que promete, é essencial que estes esforços sejam sustentados. A Fundação BioGuiné servirá de ponte financeira no caminho para atingir esse objetivo a longo prazo”, explica Yudelman.

A Fundação está a trabalhar no sentido de obter capital de arranque para iniciar as suas atividades e tem uma meta inicial de USD 10 milhões. Estando atualmente os esforços de conservação totalmente dependentes de financiamento de doadores externos, esta fundação servirá para dar proteção em situações de vulnerabilidade a alterações nas prioridades de financiamento, e dar à Guiné-Bissau os meios de continuar e aumentar a conservação e o desenvolvimento sustentável.

Basta uma visita ao paraíso natural da Guiné-Bissau para se compreender logo que há algo de muito especial no coração deste pequeno país. E é por isso que o turismo surge bem no topo da lista de setores a desenvolver. O ecoturismo já tem raízes no arquipélago dos Bijagós, e espera-se que, quando a Guiné-Bissau começar a atrair mais visitantes, desenvolverá serviços de ecoturismo de grande qualidade, que permita a gerações sucessivas, de guineenses e de turistas, aproveitar os seus tesouros naturais.



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