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Africa’s Pulse: Décadas de Crescimento Sustentado estão a Transformar as Economias de África

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  • Volume 10


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DESTAQUES DO ARTIGO
  • O último Africa’s Pulse mostra o crescimento económico na África Subsariana a subir de 4,6% em 2014 para 5,2% em 2015-16.
  • O investimento público em infraestruturas, o aumento da produção agrícola e o dinamismo do sector de serviços estão a impulsionar uma grande parte do crescimento na região.
  • O surto de Ébola pode ter impacto nas economias dos países afectados e, se não for controlado, há o risco de um contágio económico mais vasto.

WASHINGTON, 7 de Outubro de 2014 – Apesar de uma economia mundial mais fraca do que se esperava, com um número de países importantes a mostrarem desempenhos mistos, as perspectivas de crescimento para África continuam positivas e projecta-se que o crescimento do PIB da região suba para 5,2% em 2015-16 e para 5,3% em 2017.

Estes números mais recentes estão descritos na publicação do Banco Mundial Africa’s Pulse, a análise semestral das tendências económicas e dos dados mais recentes no continente.

De acordo com Africa’s Pulse, o crescimento na região é suportado por um forte investimento público em infraestruturas, pelo aumento da produção agrícola e por um dinâmico sector de serviços. Globalmente, prevê-se que a África Subsariana continue a ser uma das regiões de mais rápido crescimento.

Em toda a região assistiu-se a um investimento substancial em infraestruturas, incluindo em portos, capacidade de produção de electricidade e transportes. Foram vários os países que também registaram uma sólida recuperação no sector da agricultura em 2014, esperando a sua continuação em 2015. A expansão do sector dos serviços, liderada pelos transportes, comunicações, serviços financeiros e turismo, está também a produzir crescimento económico global num certo número de países.

Se bem que a região continue a crescer mais rapidamente do que muitas economias do mundo, a África Subsariana ainda está atrás do resto do mundo no que toca a fazer progressos para a consecução dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). Por exemplo, embora se tenha globalmente alcançado o objectivo de reduzir a metade a proporção de pessoas com rendimento inferior a USD 1,25 por dia, a região apenas conseguiu atingir 35% dessa meta.

Africa’s Pulse refere ainda que o surto de Ébola na África Ocidental irá perturbar profundamente a actividade em sectores económicos essenciais na Guiné, Libéria e Serra Leoa e arrefecer o crescimento nestes países em 2014. Repercussões económicas podem também vir a afectar os países vizinhos.

Num estudo especial sobre a transformação económica e a redução da pobreza em África, o relatório conclui que as economias da região estão em transformação mas não da forma que se esperava. A região está em grande medida a passar ao largo da industrialização como grande motor de crescimento e de emprego e tem sido limitado o volume de afectação de mão-de-obra para actividades não tradicionais de alta produtividade. Este padrão de crescimento e transformação tem implicações na redução da pobreza. Em África, o crescimento na agricultura e serviços tem produzido uma maior redução da pobreza do que o crescimento na indústria. Em contrapartida, no resto do mundo, a indústria e os serviços têm um impacto mais vasto na redução da pobreza

Perspectiva Futura

Os investimentos e políticas para promover o crescimento em economias rurais emergem como factores fundamentais para acelerar a redução da pobreza em África. As deslocações das áreas rurais para as cidades em crescimento de África estão a gerar uma considerável procura interna e têm potencialidade para propagar a mais pessoas os benefícios do crescimento.

Mas a formulação de políticas que elevem os rendimentos dos pobres é um desafio crucial e o incremento da produtividade agrícola, só por si, não vai chegar. Os investimentos em bens públicos rurais (por exemplo, educação, saúde, estradas rurais, electricidade e TIC) e em serviços (incluindo em pequenas cidades) serão importantes para promover as economias rurais e facilitar o crescimento transformacional.

Por último, embora a indústria transformadora não seja a solução, o relatório insta a África Subsariana a expandir a base da sua indústria transformadora, especialmente através da melhoria do clima de negócios, diminuição do custo dos transportes, fornecimento de energia mais barata e mais fiável e a constituição de uma força de trabalho mais instruída.

As Principais Mensagens do Relatório:

  • O crescimento global tem sido fraco, com tendências divergentes em países de elevado rendimento, e abaixo dos níveis de crescimento de longo prazo dos países em desenvolvimento.
  • A África Subsariana está a crescer a um ritmo moderado, reflectindo em parte um abrandamento em algumas das maiores economias da região. O investimento público em infraestruturas, a retoma da agricultura e o dinamismo do sector dos serviços são motores de crescimento fundamentais na região.
  • As perspectivas para a região permanecem favoráveis, apesar dos ventos contrários. Os riscos externos de uma maior volatilidade dos mercados financeiros mundiais e de um menor crescimento nas economias de mercado emergentes têm um efeito negativo. Em vários países da África Subsariana, os grandes desequilíbrios orçamentais são uma fonte de vulnerabilidade aos choques exógenos e sublinham a necessidade de uma reconstituição de almofadas fiscais nestes países.
  • A nível interno, um risco principal está associado à propagação do Ébola. Sem uma ampliação das intervenções eficazes, o crescimento abrandaria consideravelmente não apenas nos países centrais (Guiné, Libéria e Serra Leoa), mas também na sub-região, à medida que os transportes, comércio além-fronteiras e cadeias de abastecimento são seriamente paralisados.
  • A África Subsariana está longe de alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM); refira-se que a região só alcançou um terço da meta da pobreza de reduzir a metade a proporção de pessoas que vivem com menos de USD 1,25 ao dia, enquanto, em termos globais, este objectivo já foi atingido. Acresce que existe uma enorme variação entre os países no que toca à magnitude do progresso que está a ser obtido nos ODM.
  • O padrão de crescimento e de transformação económica da região tem implicações na redução da pobreza. Na África Subsariana, o crescimento na agricultura e nos serviços tem tido uma eficácia maior na redução da pobreza do que o crescimento na indústria.
  • A transformação estrutural tem um papel a desempenhar na aceleração da redução da pobreza na África Subsariana. O aumento da produtividade agrícola será crítico para a promoção da transformação estrutural. O estímulo à diversificação dos rendimentos rurais pode igualmente facilitar esta transformação. Os investimentos em bens públicos rurais e nos serviços (por exemplo, educação, saúde, estradas rurais, electricidade e TIC), incluindo nas cidades pequenas, contribuirão para o aumento da produtividade da economia rural.  
  • Muito embora o padrão de crescimento da África Subsariana tenha, em grande medida, excluído a indústria transformadora, o alargamento da base da indústria transformadora, principalmente através da melhoria dos seus fundamentais — custos de transportes mais baixos, energia mais barata e mais fiável e uma força de trabalho mais instruída – irá beneficiar todos os sectores.