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Publicação

Relatório sobre a Competitividade de África 2015: Transformar as Economias de África

Último número: 
  • 2015


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Simone D. McCourtie / World Bank

DESTAQUES DO ARTIGO
  • Os desafios ao aumento da competitividade em África são de longa data e, apesar de 15 anos de um robusto crescimento económico, os países africanos estão entre os menos competitivos do mundo.
  • Mas a região está a mostrar um desempenho macroeconómico melhorado, está mais estável e melhor governada e é a região do mundo que mais reformas está a fazer para melhorar o clima de negócios.
  • O continente também revela um crescimento promissor no sector dos serviços e o potencial para melhorias críticas na produtividade agrícola e participação nas cadeias de valor mundiais.

CIDADE DO CABO, 4 de Junho de 2015— Em África, o crescimento económico tem aumentado consistentemente ao longo dos últimos 15 anos e o rápido aumento da população traz consigo a promessa de um enorme mercado emergente de consumidores, bem como uma força de trabalho sem precedentes, que podia oferecer oportunidades significativas de crescimento.

Mas o continente continua, na sua maioria, a ser uma economia agrária com um grande sector informal e um crescimento impulsionado, em grande medida, pelos recursos naturais. Apesar de consistentes elevadas taxas de crescimento, aproximadamente um em cada dois africanos continua a viver em pobreza extrema e a desigualdade de rendimento permanece entre as mais altas do mundo. Acresce que, nos vários sectores – da agricultura, à indústria transformadora aos serviços – os níveis de produtividade continuam baixos.

Um novo relatório do Grupo Banco Mundial – o Relatório sobre a Competitividade de África 2015 – apresenta detalhadamente perfis de competitividade de mais de 40 países africanos incluídos no Índice de Competitividade Global do Fórum Económico Mundial. O relatório apresenta contextos específicos de cada país e destaca desafios particulares enfrentados pelas economias.

O melhor caminho que África tem a seguir, segundo o relatório, é tornar o elevado crescimento em crescimento sustentável e inclusivo mediante o aumento da produtividade em todos os sectores da economia e a criação de emprego de qualidade.

PRINCIPAIS CONCLUSÕES

Transformar as economias de África

Embora outras regiões tenham incentivado o crescimento do sector transformador como a força motriz do desenvolvimento económico, África tem seguido um caminho diferente. Se bem que a agricultura continue a empregar mais de metade de população do continente, esta tendência está a ser lentamente substituída pelo sector de serviços em expansão, que é responsável por mais de 50% do PIB.

Esta mudança teve lugar, em grande medida, no sector de serviços de mercado - principalmente nos serviços de retalho, distribuição e outros serviços de comércio – que emprega 25% da população em idade activa. Mas há margem para melhorar a produtividade laboral, tanto no sector da agricultura como no sector de serviços de comércio, para onde se deslocou a maior parte do emprego agrícola.

Aumentar a competitividade agrícola

Apesar da abundância de terra arável, África tem as taxas mais altas de subnutrição do mundo e importa uma quantidade considerável de bens alimentares. O sector agrícola, grandemente caracterizado por uma produção de subsistência de pequena escala, não beneficiou da revolução verde que auxiliou uma grande parte do mundo em desenvolvimento.

O desenvolvimento da integração de cadeias de valor agrícolas é fundamental para o sucesso do sector. O Relatório sobre a Competitividade de África sublinha que as cadeias de valor devem incluir ligações aos grandes agronegócios comerciais e também aos agricultores de pequena escala. Um sistema regulador e um sistema institucional sólidos, instrumentos financeiros adequados e aumento da despesa em investigação são vitais para se incentivar a produção de culturas de alto rendimento. A reforma da terra também será particularmente importante para se melhorar o acesso à terra.

O papel dos serviços

O papel cada vez mais importante dos serviços nas economias de África está a desafiar o entendimento convencional do caminho da transformação estrutural. O relatório usa estatísticas comerciais novas para mostrar que as exportações de serviços são muito mais significativas para África, do que antes se pensava. Os serviços, por exemplo, representam 83% do preço final das rosas etíopes nos Países Baixos. Contudo, as exportações de serviços de África continuam a ser uma pequena porção das exportações globais. Para maximizar os ganhos potenciais deste sector, os países de África precisam de reduzir as barreiras directas ao comércio nos serviços, bem como a regulamentação de má qualidade que indirectamente impede o comércio.  

Explorar o potencial das cadeias de valor mundiais

Os dados recentes sugerem que a participação em cadeias de valor mundiais (CVM) está associada com benefícios económicos, em especial para as economias em desenvolvimento onde a participação em CVM ajuda os países a aumentar a produtividade, desenvolver competências e diversificar as exportações.

A participação da região em CVM ainda é pequena, e dois terços desta está associada com a riqueza em recursos naturais e com os baixos níveis de industrialização do continente. O desenvolvimento adicional das CVM irá depender da execução de um conjunto amplo de políticas, com um enfoque especial na facilitação do comércio, na política de investimento e na melhoria da infraestrutura de transportes e no acesso a financiamento.

Progresso no Futuro

O relatório conclui que as alavancas seguintes são as mais importantes para responder aos desafios do continente:

  1. Desenvolver a infraestrutura de transportes e as TIC: O aumento de despesa na infraestrutura rural vai contribuir para reduzir a dependência do continente da agricultura sustentada pela chuva ao apoiar a intensificação da irrigação, o aumento da resiliência às alterações climáticas e a melhoria do acesso a mercados para factores de produção intermédios e produção agrícola. Irá também ajudar a desbloquear o comércio (intra) africano e a participação em cadeias de valor regionais e mundiais. A infraestrutura das TIC é igualmente fundamental para a prestação de serviços dentro dos países e além-fronteiras.
  2. Melhorar a qualidade da educação: Embora o continente tenha feito um progresso considerável no que toca a aumentar o acesso ao ensino primário, as taxas de matrícula no ensino superior continuam desoladoramente baixas. A evidência empírica mostra que a inscrição no ensino terciário é um importante elemento determinante de serviços nos países em desenvolvimento, essencialmente através das competências e da actividade empresarial.
  3. Reduzir as barreiras ao comércio: Para além da fraca qualidade da infraestrutura física e de tarifas elevadas, as estimativas indicam que 60% a 90% dos custos do comércio dizem respeito a medidas não relacionadas com tarifas. Adicionalmente, atrasos e imprevisibilidade impedem com frequência a participação da região em CVM porque uma grande parte da indústria depende da produção just-in-time e da fiabilidade do fornecimento de factores de produção intermédios. A simplificação dos procedimentos de importação-exportação é um dos passos essenciais.
  4. Reforçar o quadro regulamentar: A ausência de mercados de terra impede os agricultores mais eficientes de redimensionarem a sua produção e a insegurança da posse da terra limita a capacidade dos agricultores de a utilizarem como uma garantia colateral e, consequentemente, acederem aos mercados de crédito. Uma grande parte do sector de serviços – como as telecomunicações, serviços profissionais e serviços de transportes – é relativamente limitada em vários países.