REPORTAGEM

América Latina precisa voltar a crescer para avançar contra a extrema pobreza

29 de maio de 2016


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Favela na periferia de Salvador, Bahia

Scott Wallace/Banco Mundial

Para alcançar o objetivo das Nações Unidas, a região deveria superar os índices de crescimento da década passada

A meta número 1 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas deve ser uma das mais difíceis de alcançar nos próximos 15 anos: acabar com a pobreza em todas as formas, em todo o mundo. E, para a América Latina, na qual os tempos de bonança da década passada ajudaram milhões de pessoas a chegar à classe média, o desafio é ainda maior, pois a região atravessa o quinto ano de desaceleração econômica.

Segundo os Indicadores de Desenvolvimento Global 2016, o percentual de latino-americanos vivendo em extrema pobreza em 2030 será praticamente igual ao de 2012 se forem mantidos os índices nacionais de crescimento econômico registrados na década anterior. Em 2012, 5,6% dos latino-americanos viviam com até US$ 1,90 ao dia, ante os 17,8% registrados em 1990, de acordo com o Banco Mundial.

Os números também deixam claro que a região terá dificuldade em contribuir para o primeiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – adotado com mais 16 metas em setembro de 2015 – caso a economia siga andando devagar até 2030. Em 2016, por exemplo, a economia regional deve retrair 1%.

Por esse motivo, e também para não perder os avanços sociais conquistados na época de vacas gordas, os economistas buscam promover novas formas para estimular o crescimento econômico latino-americano sem depender tanto das matérias-primas.

Também é importante impulsionar o crescimento econômico das demais regiões em desenvolvimento. Se a economia global continuar crescendo como nos últimos 10 anos, o índice de pobreza extrema no mundo cairá para 4% em 2030. E, se forem considerados os índices de crescimento nacionais dos últimos 20 anos, a população global vivendo em extrema pobreza será 6%.

Proteção social

Uma diferença importante entre a América Latina e as demais regiões está no funcionamento de programas de transferências de renda (como o Bolsa Família, do Brasil, e o Prospera, no México), alimentação escolar, mercado de trabalho e seguridade social, entre outros. Entre os latino-americanos mais pobres, cerca de 60% estão cobertos por iniciativas de proteção social.

Enquanto isso, nas regiões menos favorecidas, os programas não são grandes o suficiente para combater a pobreza, segundo o estudo do Banco Mundial. Na África Subsaariana, por exemplo, apenas 15% dos mais pobres têm acesso a um benefício desse tipo.

A América Latina ainda se destaca pela maneira como registra e examina os indicadores de pobreza. “Recentemente, alguns países, como Colômbia e México, adotaram medidas que visam captar a natureza multidimensional da pobreza, avaliando o quanto as famílias são carentes de formas diferentes (em termos de saúde, educação, habitação e oportunidades do mercado de trabalho)”, informa o relatório.

Conquista global

Apesar dos desafios para todo o mundo em desenvolvimento, pela primeira vez na história, o índice global de pobreza extrema ficou abaixo de 10% em 2015. Trata-se de uma redução de mais de dois terços desde 1990, quando 37% da população vivia com até US$ 1,90 por dia.

O documento do Banco Mundial também destaca que o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio de reduzir a pobreza pela metade foi cumprido, e que o novo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 1 se baseia nessa conquista.


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