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REPORTAGEM

América Latina: embora o crescimento desacelere, o desemprego baixa aos menores níveis históricos

3 de outubro de 2012

35 milhões de postos de trabalho foram criados na América Latina durante a última década.

Diante do atual cenário econômico global, uma boa oferta de postos de trabalho, salários em ascensão e baixo desemprego podem até parecer coisas do passado. Mas não na América Latina e no Caribe.

Como em outros aspectos ultimamente, a região está rompendo com a tradição e com tendências atuais para converter-se em uma espécie de potência laboral. Isso se deve, antes de mais nada, ao seu sólido desempenho econômico, mas também a uma força de trabalho mais bem educada e competente.   

A uma taxa média de 6,5%, o desemprego na América Latina baixou praticamente aos menores níveis da história. Trata-se de um forte contraste com os países ricos e sua alta histórica de 11% há uma década. Os salários também aumentaram, diminuindo a desigualdade de renda entre quem ganha mais e menos.

Por trás desses dados, há um crescimento médio -- estimado para a região em 2013 -- de 4%. Embora menor do que os 6% obtidos em 2010, o percentual ainda é mais alto do que o estimado para as economias em desenvolvimento.  

Esses foram os pontos principais do informe A Situação do Mercado de Trabalho por trás da Transformação da América Latina. Divulgado globalmente esta semana, o documento é o mais recente apresentado pelo escritório regional do economista-chefe do Banco Mundial.

"É notável que a América Latina tenha conseguido romper com uma tradição de alto desemprego e emprego informal, fazendo com que a taxa geral de desemprego caísse a níveis mínimos históricos", comentou o economista-chefe do Banco Mundial, Augusto de la Torre.

Vale a pena destacar a capacidade regional de reduzir as diferenças salariais e, ao mesmo tempo, aumentar a participação feminina na força de trabalho -- tudo isso, resultado do esforço para diminuir o desemprego, explicou o economista-chefe.

Na última década, foram criados 35 milhões de postos trabalho, enquanto a escolaridade média aumentava de cinco a oito anos e a participação das mulheres na força de trabalho aumentava sistematicamente. No começo de 2012, 65% das mulheres de 25 a 65 anos estavam no mercado de trabalho, segundo o documento.

Os salários mínimos se estabilizaram ao mesmo tempo em que os demais pagamentos ao trabalhador se mantiveram estáveis, mesmo com a turbulência econômica mundial, de acordo com o informe. 

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Augusto De la Torre
Economista-chefe do Banco Mundial para a região da América Latina e do Caribe

"O grande histórico da região em termos de volatilidade salarial, aliado a problemas inflacionários, chegou ao fim. Por trás dessa conquista, está a crescente credibilidade dos regimes de metas de inflação dos bancos centrais da América Latina", disse De la Torre.

Apesar de o crescimento estar tornando-se mais lento, em consonância com a tendência mundial, alguns países se mantêm na dianteira.

Peru e Panamá crescerão entre 6% e 8%, no mesmo ritmo das economias asiáticas. Uruguai, Chile e Colômbia superaram as baixas expectativas prévias com uma taxa de crescimento estimada em 4%.

Ao mesmo tempo, espera-se que Brasil e Argentina cresçam menos do que o previsto, o que acaba baixando a média regional. 

"O vento contra em nível mundial deteriora as perspectivas regionais, embora as últimas cifras superem a média global e nos apresentem uma capacidade de recuperação que já nos é familiar", avaliou De la Torre. "A tendência nas economias emergentes é de baixa", acrescentou.  

Conversação mundial

De la Torre falou a um público de milhares de pessoas no mundo todo por meio de uma transmissão ao vivo, coberta via Twitter e Facebook.

Muitas das perguntas e interações se referiram às perspectivas trabalhistas dos jovens da região. Um internauta da Bolívia perguntou se os governos deveriam implementar políticas para fortalecer a contratação de trabalhadores jovens. Outro da América Central comentou que, globalmente, o desemprego entre os jovens está aumentando.

O economista-chefe regional respondeu que o desemprego juvenil na América Latina vem diminuindo, em conformidade com outras tendências locais.

Os participantes também comentaram que, apesar de as economias latino-americanas estarem melhorando, a desigualdade continua muito alta, com enormes lacunas de gênero e salários.

"A desigualdade está caindo, mas ainda somos uma região muito desigual", escreveu @eligonzg, um dos participantes do webcast, no Twitter.

O informe não foge desses assuntos e reforça a urgência de fazer reformas orientadas a melhorar a produtividade da região em todos os aspectos.