Brasil
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VISÃO GERAL: BRASIL
Com 212,8 milhões de habitantes e um PIB per capita real de US$ 10.716 (2025), o Brasil é o maior país da América Latina. As desigualdades raciais e de gênero continuam a limitar oportunidades e a manter muitas famílias na pobreza. O país ocupa 8,5 milhões de km², com marcados contrastes regionais. De acordo com o Índice de Capital Humano (ICH), uma criança nascida no Brasil hoje alcançará apenas 55% de potencial produtivo que teria caso contasse com acesso pleno à saúde e à educação. Considerando o desemprego, esse índice cai para 33%.
As desigualdades são especialmente acentuadas: afro-brasileiros, povos indígenas e mulheres enfrentam barreiras significativas, enquanto os índices do ICH variam de cerca de 40% no Norte e Nordeste a 70% — nível comparável ao dos países da OCDE — no Sudeste, região mais rica do país.
Os recursos naturais do Brasil o posicionam para se beneficiar da transição global para economias de baixo carbono. No entanto, três quartos das emissões de gases de efeito estufa do país provêm de mudanças no uso do solo e da agropecuária. Frear o desmatamento e ampliar a agricultura com foco climático são medidas urgentes. A Amazônia se aproxima de um ponto crítico de ruptura ecológica, colocando em risco as chuvas, a produção agrícola, a geração de energia hidrelétrica e o abastecimento de água em toda a região. Os esforços de proteção também precisam alcançar outros biomas essenciais, como o Cerrado.
A agropecuária pode ser protagonista nessa transição ao reduzir o desmatamento, expandir o uso sustentável da terra e aumentar a produtividade. A matriz energética do Brasil, predominantemente de baixo carbono, também abre oportunidades para reduzir emissões no transporte, na indústria e nas cidades a um custo relativamente baixo.
O Plano de Transformação Ecológica (PTE) do governo e as reformas recentes buscam promover um crescimento inclusivo e sustentável, com a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030. Para atingir esses objetivos, será necessária uma ação coordenada entre setores e esferas de governo, criando as bases para uma prosperidade duradoura.
Última atualização: 6 de outubro de 2026
O Brasil vem demonstrando resiliência, com crescimento médio de 3% desde 2022, impulsionado por um mercado de trabalho robusto e pelo consumo das famílias. No entanto, a baixa produtividade e o desequilíbrio fiscal limitam um crescimento mais acelerado. Os avanços sociais são expressivos: os 40% mais pobres da população tiveram crescimento de renda de 4,8% ao ano entre 2019 e 2024. Ainda assim, a desigualdade segue elevada: os 10% mais pobres detêm 4% da renda total, enquanto os 10% mais ricos concentram 55%.
O principal desafio macroeconômico é o desequilíbrio fiscal. A dívida pública é alta e financiada por juros elevados que, somados à rigidez orçamentária e à indexação das despesas, restringem severamente o espaço fiscal. Um ajuste fiscal decisivo é necessário para melhorar a dinâmica da dívida, ancorar as expectativas de inflação, sustentar o ciclo de afrouxamento monetário e reduzir o custo do capital, favorecendo assim os investimentos.
Além disso, o chamado "Custo Brasil" — que engloba a carga e a complexidade tributária, as barreiras regulatórias, as distorções no mercado de crédito e os obstáculos ao financiamento de longo prazo — pesa sobre o investimento privado e as perspectivas de crescimento.
A reforma tributária promulgada em 2023, que simplificou o complexo sistema brasileiro, foi um passo positivo. No entanto, reformas para melhorar o ambiente de negócios, estimular uma abertura comercial gradual, elevar a qualidade da educação e suprir lacunas de infraestrutura também são necessárias para ampliar o crescimento potencial e reduzir a pobreza e a desigualdade.
O PIB real cresceu 2,3% em 2025 e deve desacelerar para 2,1% em 2026, conforme os juros ainda elevados freiam os investimentos, enquanto o consumo das famílias cresce de forma mais lenta diante de um mercado de trabalho em esfriamento e do aumento do endividamento das famílias.
Espera-se uma nova desaceleração para 1,7% em 2027, em razão do aperto das condições de crédito e das perturbações irregulares causadas pelo El Niño na agropecuária e na energia, com recuperação para 2,3% no médio prazo, à medida que a reforma tributária indireta e as reformas estruturais mais amplas elevem a produtividade.
Após uma alta em 2026, a inflação deverá recuar para 4% até 2028, alinhada às expectativas ancoradas. A redução da pobreza deve estagnar em 2026, com a desaceleração dos ganhos no mercado de trabalho, e a taxa de pobreza deverá chegar a 19% antes de cair para 18,4% até 2028. O déficit primário de 2026 é projetado em 0,5%, revertendo-se para superávit até 2028, à medida que o teto de gastos do arcabouço fiscal consolida o ajuste. Ainda assim, a dívida pública deverá subir para 90,7% do PIB até 2028, pressionada pelos custos de financiamento elevados, antes de se estabilizar no médio prazo.
O Brasil mantém sólidos amortecedores macroeconômicos, incluindo amplas reservas internacionais, baixa dívida externa, um Banco Central com credibilidade e flexibilidade cambial.
Última atualização: 6 de outubro de 2026
O progresso do Brasil tem relevância global: melhorias nas condições de vida no país podem impactar positivamente o mundo, e vice-versa. O Grupo Banco Mundial está comprometido em apoiar os esforços do Brasil para acelerar o crescimento da produtividade e reduzir a pobreza e a desigualdade, dentro de um marco de sustentabilidade fiscal e ambiental. Esse compromisso visa construir um futuro com oportunidades para todos e ajudar o Brasil a realizar seu potencial como líder em desenvolvimento verde e sustentável.
A demanda pelo apoio do Grupo Banco Mundial no Brasil é expressiva. O Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) gerencia atualmente uma carteira de 64 projetos, totalizando US$ 13,66 bilhões em compromissos. Isso inclui 51 projetos de investimento (US$ 8,24 bilhões), 10 operações de política de desenvolvimento (US$ 4,92 bilhões) e três operações por resultados (US$ 498,3 milhões).
Os pedidos de financiamento ao BIRD por parte dos estados, municípios e entidades federais — incluindo bancos públicos federais — frequentemente superam o volume de garantias federais alocadas pela União para viabilizar os empréstimos das instituições financeiras internacionais (IFIs). Essa forte demanda, aliada à diversidade dos desafios de desenvolvimento do Brasil, exige uma programação inovadora e uma abordagem mais ambiciosa para os esforços conjuntos do Grupo Banco Mundial na mobilização de capital privado e na melhoria dos mercados.
O apoio da IFC ao setor privado — por meio de empréstimos, investimentos de capital e serviços de consultoria para estruturação de projetos — tem crescido ano após ano, contribuindo para o crescimento econômico e a geração de empregos no Brasil. A IFC comprometeu US$ 11,6 bilhões em novos investimentos no país durante o ano fiscal encerrado em junho de 2025, incluindo recursos próprios e fundos mobilizados de terceiros. Com uma carteira de investimentos de US$ 7,1 bilhões no ano fiscal 2025 (de 1º de julho de 2024 a 30 de junho de 2025), o Brasil representa agora a segunda maior carteira de investimentos da IFC no mundo.
A MIGA aprofundou significativamente seu engajamento no Brasil nos últimos dois anos. Por meio de parcerias com bancos estatais para oferecer garantias de melhoria de crédito e financiamento ao comércio, a MIGA está apoiando o financiamento privado internacional em áreas que promovem o crescimento inclusivo, como pequenos e microempresários rurais sustentáveis, energias renováveis e equipamentos para o setor agropecuário. Em setembro de 2026, a exposição bruta total da MIGA no Brasil era de US$ 1,7 bilhão.
Última atualização: 6 de outubro de 2026
O Marco de Parceria com o País (CPF) do Grupo Banco Mundial para o Brasil nos anos fiscais 2024–2028 (1º de julho de 2023 a 30 de junho de 2028) foi concebido para ajudar o país a construir uma economia mais produtiva, inclusiva e sustentável.
O CPF está estreitamente alinhado ao Plano Plurianual (PPA) 2024–2027 do Governo Federal e ao Plano de Transformação Ecológica (PTE). Ele se concentra em três grandes objetivos: maior produtividade e emprego, maior inclusão das populações pobres e vulneráveis, e uma economia mais verde e com menor vulnerabilidade aos choques climáticos.
As prioridades centrais incluem a consolidação fiscal, a melhoria da efetividade do governo e reformas regulatórias para reduzir os custos de transação e aumentar a competitividade.
O CPF apoia o desenvolvimento inclusivo e sustentável, a melhor gestão dos recursos naturais, a expansão da energia limpa e o desenvolvimento de cidades verdes e resilientes. Também enfatiza o fortalecimento da proteção social e da educação para grupos em situação de vulnerabilidade, o avanço de reformas institucionais, a promoção da transparência e o combate à corrupção.
A mobilização de capital privado é um objetivo central, com IFC e MIGA desempenhando papéis-chave. O CPF incentiva uma colaboração estreita com parceiros de desenvolvimento.
O CPF anterior, referente ao período aos anos fiscais 2018–2023 (1º de julho de 2017 a 30 de junho de 2023), foi significativamente ajustado na Revisão de Desempenho e Aprendizagem de 2022 para responder à pandemia de COVID-19.
Última atualização: 6 de outubro de 2026
Pessoas: O Banco Mundial apoiou o Bolsa Família, que tirou milhões de pessoas da pobreza e estabeleceu padrões de referência em transparência e resposta a crises. Contribuiu para reformas educacionais no Ceará, que inspiraram mudanças em todo o país, e apoiou o Sistema Único de Saúde (SUS), reconhecido como um dos sistemas públicos de saúde mais avançados do mundo. O Banco também promoveu oportunidades para povos indígenas, afro-brasileiros, mulheres e jovens, avançando na legislação sobre responsabilidade social, prevenção da violência e redução de disparidades.
Prosperidade: O Grupo Banco Mundial apoiou a primeira parceria público-privada (PPP) do Brasil na Linha 4 do Metrô de São Paulo e, desde então, tem sustentado um programa de PPPs que desbloqueou US$ 8,5 bilhões em investimento privado ao longo de uma década, melhorando a mobilidade urbana e os serviços. Seu trabalho analítico e de assistência técnica contribuiu para o avanço de reformas fiscais e estruturais, incluindo a reforma da previdência de 2019, a Capacidade de Pagamento dos Estados (CAPAG) e a reforma tributária indireta. Iniciativas como a série Progestão apoiam a eficiência fiscal e as reformas de gestão em estados e municípios.
Planeta: Desde os anos 1990, o Banco Mundial apoia a demarcação de terras na Amazônia, as reservas comunitárias, o manejo florestal certificado e o fortalecimento institucional. Liderou esforços nos biomas do Cerrado e da Caatinga voltados para a gestão sustentável da água, da agricultura e do uso do solo. A IFC foi pioneira em instrumentos de financiamento sustentável, como os primeiros empréstimos vinculados à sustentabilidade, empréstimos azuis, títulos sociais e empréstimos com cláusula de desmatamento zero. Em 2023, o Brasil emitiu seu primeiro título soberano de sustentabilidade, com apoio do Grupo Banco Mundial e do BID, abrindo novas oportunidades para o financiamento sustentável.
O Grupo Banco Mundial continuará priorizando engajamentos de alto impacto que transcendam a escala de seu financiamento, apoiando o desenvolvimento do Brasil ao longo desses três pilares.
Última atualização: 6 de outubro de 2026
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