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Ao contrário do que dizem as teorias da conspiração e os memes da internet, o Acre existe, tem história e cultura riquíssimas, devidamente documentadas em um espaço acessível ao público em geral, desde agosto de 2023: o Museu dos Povos Acreanos, no centro de Rio Branco. Também na contramão das piadinhas, não há dinossauros circulando pelo estado, mas sim um fóssil bem preservado de um purussauro – o gigantesco antepassado do jacaré – exposto em um dos espaços do museu.
O museu se tornou realidade por meio do Projeto de Inclusão Social e Econômica e Desenvolvimento Sustentável do Acre (Proacre), do governo do estado, com apoio do Banco Mundial. Cerca de R$ 16 milhões foram investidos para transformar um antigo colégio em um ponto turístico com sete espaços de visitação – climatizados e com iluminação especial –, átrio interno, auditório, café e loja de suvenires.
No acervo, há mobília, obras de arte, importantes achados arqueológicos e paleontológicos, vídeos, livros e áudios, dentre outros, que permanecem relevantes para ampliar o conhecimento e desenvolvimento sociocultural e fortalecer a identidade regional. Chamam a atenção a Sala Chico Mendes, o espaço com a reprodução da casa de um seringueiro e a Sala das Personalidades. Essa última apresenta fotos e pequenas biografias de acreanos que conquistaram notoriedade nacional, como o músico João Donato, a novelista Glória Perez e o político Enéas Carneiro.
Em outra sala, a interativa, é possível fazer um jogo de palavras cruzadas e descobrir gírias e frases comumente usadas no Acre.
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Anos de abandono
A história do prédio começou em 1952, quando o frei italiano André Morini Ficarelli, morador do Acre, recebeu a incumbência de construir um pensionato masculino para acolher os jovens que fossem a Rio Branco estudar no Colégio Acreano. A obra durou sete anos devido aos atrasos para a chegada dos materiais de construção. E, no fim, atendendo aos pedidos das famílias dos alunos, o local foi convertido no Colégio dos Padres, que funcionou até 1978, sendo posteriormente transformado em um colégio laico: o Meta.
A partir daí, o Meta ficou conhecido não só por estimular atividades culturais e esportivas entre os alunos, mas também por acolher movimentos estudantis e reuniões sindicais, como as promovidas por Chico Mendes. Outra curiosidade é que a atual ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, lecionou lá.
O colégio mudou de sede em 2005, fazendo com que o prédio original, localizado na Avenida Epaminondas Jácome, ficasse abandonado por anos. Em 2016, o governo do Acre desapropriou o edifício. Dois anos depois, começaram as obras para reforma e transformação em um museu.
Patrimônio cultural
De agosto de 2023 a janeiro de 2025, o Museu dos Povos Acreanos recebeu 32.873 mil visitantes. Ao resgatar os aspectos históricos e culturais dos povos originários e dos que chegaram em busca de oportunidades de trabalho e desenvolvimento, o local valoriza ainda mais uma área histórica e turística da cidade: o centro, com suas casinhas coloridas, que abrigam lojas de artesanato, bares e restaurantes, ladeando o rio Branco, que também empresta seu nome à capital do estado. Do mezanino do prédio, a vista dessa região se descortina.
“O Proacre fez esse e outros investimentos em imóveis representativos do patrimônio cultural e histórico do estado, fortalecendo o orgulho que os acreanos têm da própria origem, história e cultura”, destaca Fatima Amazonas, que atuou como gerente do projeto, pelo Banco Mundial.
Uma visitante particularmente orgulhosa foi Aline Albuquerque (acima), 36 anos, hoje assessora técnica da Secretaria da Casa Civil do estado. Ex-aluna do Meta, ela acompanhou uma visita da equipe do Banco Mundial, discorrendo sobre as memórias dos tempos de infância ao passar pelas antigas salas. “Depois que o colégio se mudou para outro endereço, eu nunca mais tinha vindo aqui. Fico muito feliz que este espaço esteja sendo bem aproveitado”, comemora.
Para conhecer as atrações do museu, é preciso agendar online: https://linktr.ee/MuseuDosPovosAcreanos
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