Cabo Verde Aspectos gerais

Panorâmica do País

Situado ao largo da costa ocidental de África, Cabo Verde é um arquipélago de dez ilhas, das quais nove são habitadas. O país tem cerca de 500.000 habitantes. Apenas 10% do seu território estão classificados como terra arável e o país dispõe de limitados recursos minerais. Apesar do clima árido e do seu terreno montanhoso, Cabo Verde tem vindo a desenvolver-se rapidamente, em grande parte devido à sua florescente indústria de turismo. Para além de encorajar o turismo, o governo está a fazer esforços para transformar as ilhas num centro de comércio e de transportes.

Contexto Político

A política, em Cabo Verde tem sido de modo geral orientada para o consenso, com um governo de maioria e as liberdades civis amplamente respeitadas. Desde que obteve a sua independência de Portugal, em 1975, Cabo Verde não teve um único golpe de estado, um recorde na África Ocidental, só igualado pelo Senegal. As eleições são consideradas livres e justas e os partidos no poder têm alternado regularmente. Atualmente, o Presidente e o Primeiro Ministro são apoiados por partidos políticos concorrentes, uma situação que as sólidas instituições de Cabo Verde têm conseguido gerir de forma exemplar. As próximas eleições, parlamentares, presidências e municipais, estão marcadas para o princípio de 2016.

Apreciação Económica

Em Dezembro 2007, Cabo Verde deixou de figurar na Lista de Países Menos Desenvolvidos das Nações Unidas. Boa governação, uma sólida gestão macroeconómica, abertura ao comércio e uma crescente integração na economia global, assim como a adoção de eficazes políticas de desenvolvimento social, serviram de apoio a uma impressionante trajetória de desenvolvimento. O crescimento do rendimento interno bruto (PIB) per capita teve uma média de 7,1% entre 2005 e 2008, bem acima da média para a África Subsariana e para pequenos estados-ilhas.

No entanto, a crise financeira global não deixou de afetar Cabo Verde. A evolução económica em Cabo Verde assemelha-se muito ao que acontece na Zona Euro. Assim, o país atravessou uma recessão em 2009, teve uma moderada recuperação, atingiu um crescimento real de 4% em 2011 e desde então tem tido um abrandamento.

Ao longo dos últimos três anos, a taxa de crescimento do PIB de Cabo verde tem esmorecido entre 1 e 2%, muito abaixo das taxas de 6-7% que se verificaram antes da crise internacional de 2008/09. Um abrandamento do turismo, que reflete o débil crescimento na Zona Euro, o escasso investimento direto estrangeiro (IDE) assim como o persistentemente elevado desemprego e vulnerabilidades no setor bancário, têm afetado a confiança dos consumidores e o investimento interno, contribuindo para um arrefecimento do crescimento.      O investimento público aumentou durante a crise e a subsequente recuperação, mas os níveis crescentes da dívida conduziram a uma consolidação fiscal. O IDE voltou a crescer em 2014 e as receitas do turismo estão a recuperar, também elas promovendo o crescimento, que se espera seja de cerca de 3%.

O governo tem vindo a procurar apoiar o crescimento, através de um programa ambicioso de investimento público. Mas o programa tem um conteúdo elevado de importação, pelo que o seu efeito sobre o crescimento tem, até agora, sido limitado. O programa de investimentos público é principalmente financiado externamente e em condições concessionais. O elevado nível de endividamento tem resultado em persistentes défices orçamentais a dois-dígitos, e a dívida pública, que atualmente está calculada em 114% to PIB, tem uma previsão de 120% em 2017.

Entre 2003 e 2008, o índice nacional de pobreza baixou de 37% para 27%, e a taxa de pobreza extrema foi reduzida de 21% para 12% (utilizando definições nacionais).  O setor do turismo de Cabo Verde, o principal motor de crescimento do país, tem contribuído largamente para esta significativa redução. Além disso, têm-se feito consideráveis progressos no sentido de promover a prosperidade partilhada. O coeficiente Gini baixou de  0,55 em 2003, para 0,48 em 2008, enquanto o rendimento dos 40% mais baixos da população, em percentagem  para o rendimento total, aumentou 9.9% no mesmo período. Além disso, a quota dos 40% mais baixos, na despesa total, aumentou de 7% para 19%, o que demonstra que o bem-estar destes 40% mais baixos, melhorou substancialmente.

Perspetiva a médio prazo

Prevê-se um crescimento moderado em 2015. Isto, partindo do princípio de uma economia mais forte na Europa, principal parceiro comercial de Cabo Verde e também a principal fonte de IDE. No passado, o IDE foi o principal motor do crescimento de Cabo Verde e, embora o retorno do IDE seja ainda cauteloso, pode prever-se que dê, outra vez, um novo ímpeto ao crescimento. Além disso, um setor financeiro mais reforçado estaria em melhor posição para reagir a incentivos da política monetária e acelerar o crescimento do crédito ao setor privado. Considerando tudo isto, o crescimento real para 2015 está presentemente calculado em 3%.

Contexto Social

Cabo Verde situava-se em 123º lugar, entre 187 países, no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do PNUD, em 2014. A esperança média de vida, estimada em 71 anos, é a mais elevada de toda a África Subsariana. A mortalidade à nascença caiu de 26 por 1.000 nados vivos, em 2007, para 15, em 2011. A taxa de mortalidade materna caiu de 36 por 100.000 nados-vivos em 2006, para 26, em 2011. Em 1911, 94% das crianças com menos de um ano de idade tinham a imunização completa e a percentagem de população que habita a menos de meia hora de um centro de saúde, atingiu os 86%. Do mesmo modo, os resultados da educação colocam Cabo Verde no topo da tabela da África Subsariana. A taxa de literacia adulta está calculada em 87%, embora haja ainda disparidades entre homens e mulheres. Cabo Verde está em rota para cumprir todos com exceção de um, dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ex: saúde materna) até ao final de 2015.

Desafios do Desenvolvimento

Consolidar o que já foi alcançado, como país de rendimento médio, reforçar as condições para a redução da pobreza, e aumentar a prosperidade partilhada, serão desafios essenciais para Cabo Verde. Uma pequena economia aberta como a de Cabo Verde, é vulnerável às contingências representadas por acontecimentos económicos globais. Dada a sua taxa fixa de câmbio, será essencial para o país reconstituir amortecedores orçamentais para absorver choques futuros. A diversificação dentro, e para além, do setor do turismo, e mercados de trabalho mais flexíveis, podem ajudar a absorver os choques.

No aspeto estrutural, Cabo Verde tem de lidar com a fragmentação em nove ilhas habitadas e a distância entre ilhas resulta em custos de transporte elevados. A pequena dimensão do país reduz a perspetiva de aumentar os resultados à escala. Os custos unitários do trabalho são elevados. As dificuldades de infraestruturas existem ainda e a prestação de serviços públicos, incluindo a energia, requer melhoramento. Um clima árido reduz o potencial da agricultura, embora os grandes esforços para melhorar a mobilização de água começam a produzir resultados. Por último, o país é vulnerável a mudanças climáticas, subida do nível das águas do mar e desastres naturais.

Última atualização: 19 de novembro de 2015

O Empenhamento do Grupo Banco Mundial em Cabo Verde

Os compromissos assumidos pelo Grupo Banco Mundial (GBM)  em Cabo Verde, montam a um total de USD78,5 milhões, dos quais  $13,35 milhões estão ainda por desembolsar. O atual portfólio é composto por três projetos ativos, incluindo um projeto regional e um projeto do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). Estes projetos incidem na reforma do setor dos transportes, do setor da eletricidade (BIRD) e a indústria de pescas através do programa Regional de Pesca da África Ocidental .

Em anos recentes estudos analíticos em Cabo Verde incluíram um diagnóstico do transporte aéreo, uma análise do setor da educação superior, um Memorando Económico do País (CEM, sigla em inglês), um relatório da gestão da despesa pública e responsabilidade financeira, um estudo de turismo pró-população carente, e assistência técnica não financeira, para reforçar a capacidade programática do investimento público.

A nova Estratégia de Parceria com o País (CPS) (sigla em inglês) para os anos fiscais  2015-2017 foi discutida  pelo Conselho de Diretores Executivos do Banco Mundial, em Dezembro 2014. A CPS está em consonância com o terceiro documento sobre a estratégia de crescimento e redução da pobreza (GPRSP III sigla em inglês) e é orientada para os dois objetivos estratégicos do Grupo Banco Mundial de reduzir a pobreza e incrementar a prosperidade partilhada. A estratégia posiciona a agricultura como a pedra-base da redução da pobreza, e tenciona reforçar as ligações entre o turismo e os setores da agricultura e das pescas. O programa do GBM tem também o objetivo de apoiar a meta do governo de redução da taxa de pobreza para 20% até 2016.

Sociedade Financeira Internacional (SFI):

A SFI, ao abrigo da nova CPS conjunta para os AF14-17, tem por objetivo (i) apoiar as parcerias público- privadas (PPP) e as disposições de infraestruturas privadas relacionadas com transporte e energia renovável, em colaboração com o Banco Mundial; (ii) entregar parte do financiamento a promotores privados ao abrigo de PPPs (em conformidade com as regras de investimento da SFI); (iii) identificar investimentos seletivos nos mercados financeiros e nos setores do turismo, de forma a aumentar o acesso ao financiamento para pequenas e médias empresas (PME); e unir forças com o Banco Mundial para dar apoio ao comércio, licenciamento e investimentos.

Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA, sigla em inglês):

A MIGA não tem qualquer exposição resultante de investimentos em Cabo Verde.

Última atualização: 19 de novembro de 2015

Desenvolvimento do Setor de Transportes

Em 30 de Junho 2013, o  Projeto de Apoio ao Setor Rodoviário (RSSP) (sigla em inglês) for terminado com sucesso, tendo alcançado significativos resultados a nível institucional.  Reformas específicas, como a Criação do Instituto de Estradas e o Fundo Rodoviário, apoiados por créditos no setor rodoviário, mostraram ser eficientes e sustentáveis. Apesar de algumas derrapagens, os trabalhos financiados ao abrigo do RSSP foram completados de forma satisfatória e, graças ao reforço de capacidades do Instituto de Estradas, a derrapagem de custos foi praticamente não-existente nos últimos contratos financiados ao abrigo deste crédito.

Um novo crédito, o projecto de Reforma do Sector Rodoviário foi aprovado em Junho 2013 para apoiar um incremento da manutenção de estradas com base no desempenho, numa secção cada vez maior da rede rodoviária nacional. O projeto combinará a recuperação de secções importantes de estradas e uma manutenção de rotina em contratos de 4 anos. Apoiará também o Ministério de Infraestruturas na implementação de reformas essenciais no setor dos transportes, para promover a participação do setor privado na gestão de aeroportos e portos e a prestação de serviços de transporte marítimo. O crédito apoia também um Plano de Ação de Segurança Rodoviária a par de medidas adicionais que podem consolidar a política de manutenção de estradas do país.

Gestão Financeira Pública

Quatro Créditos para a Redução da Pobreza (PRSC IV-VII sigla em inglês) foram implementados no decorrer do período do AF09-12. Ao abrigo do PRSC IV, o governo avançou na promoção da boa governação e melhores resultados nos setores da educação e da saúde, para um maior desenvolvimento do capital humano. O PRSC V apoiou políticas e reformas institucionais conducentes ao desenvolvimento do setor privado e a melhorar a competitividade no setor dos serviços. Promoveu também a boa governação através da gestão da despesa pública, apoiou reformas na administração pública e promoveu um sistema mais sólido de estatísticas, monitorização e avaliação. Os PRSC VI e VII foram centrados na boa governação, competitividade e crescimento. O PRSC VIII, que foi desembolsado em Maio 2014, foi a primeira operação de apoio orçamental de uma nova série de três e continua a centrar-se nestes temas. O mais recente, PRSC IX, que entrou em vigor em Setembro 2015, tem por finalidade reforçar a área fiscal e reforçar a competitividade de Cabo Verde.

Última atualização: 19 de novembro de 2015

Os principais doadores bilaterais de Cabo Verde são a China, Luxemburgo, Portugal, Espanha e os Estados Unidos da América. Os principais parceiros multilaterais são a União Europeia, o Banco Africano de Desenvolvimento, as Nações Unidas, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Cabo Verde recebe também alguns apoios menores do Japão, Kuwait, Arábia Saudita e Angola. Cabo Verde está também a reforçar a cooperação Sul-Sul, especialmente com o Brasil e China, de forma a tirar o melhor partido da sua privilegiada situação para o comércio transatlântico.

Última atualização: 19 de novembro de 2015


EMPRÉSTIMO

Cabo Verde: Compromissos por ano fiscal (em milhões de US$)*

*Os montantes incluem compromissos do BIRD e da AID