COMUNICADO À IMPRENSA

O Banco Mundial afirma que a maioria dos países em desenvolvimento se recuperou da crise e projeta crescimento global estável

12 de Janeiro de 2011




WASHINGTON, D.C., quarta-feira, 12 de janeiro de 2011 – A economia mundial está passando de uma fase de recuperação pós-crise para um crescimento mais lento, porém ainda sólido neste ano e no próximo e os países em desenvolvimento estão contribuindo com quase a metade do crescimento global, afirma Global Economic Prospects 2011 (Perspectivas Econômicas Globais em 2011), a publicação do Banco Mundial mais recente sobre o assunto.

Segundo estimativas do Banco Mundial, o PIB global[1], que cresceu 3,9% em 2010, terá seu ritmo reduzido a 3,3% em 2011, antes de atingir 3,6% em 2012. Os países em desenvolvimento deverão crescer 7% em 2010, 6% em 2011 e 6,1% em 2012. Continuarão a superar o crescimento dos países de alta renda, projetado em 2,8% em 2010, 2,4% em 2011 e 2,7% em 2012.

Na maioria dos países em desenvolvimento o PIB recuperou os níveis que teriam prevalecido se não tivesse ocorrido o ciclo de surto e colapso. Embora se projete um crescimento estável até 2012, é ainda hesitante a recuperação em várias economias emergentes da Europa e da Ásia Central e em alguns países de alta renda. Sem políticas internas corretivas, há probabilidade de que a alta dívida interna, o desemprego e os frágeis setores habitacional e bancário neutralizem a recuperação impulsionada pelas exportações.

“No lado positivo, o sólido crescimento da demanda interna nos países em desenvolvimento está liderando a economia mundial, mas problemas persistentes no setor financeiro ainda constituem uma ameaça para o crescimento e requerem ações políticas urgentes,” afirmou Justin Yifu Lin, Economista-Chefe do Banco Mundial e Vice-Presidente Sênior do Departamento de Economias em Desenvolvimento.

Os fluxos internacionais líquidos de capital e títulos para os países em desenvolvimento aumentaram acentuadamente em 2010, atingindo 42% e 30% respectivamente, e nove países receberam a maior parcela do aumento dos fluxos. O investimento estrangeiro direto aos países em desenvolvimento elevou-se a um modesto 16% em 2010, atingindo US$ 410 bilhões depois de cair 40% em 2009. Uma parte importante da recuperação deve-se ao aumento de investimentos Sul-Sul, especialmente proveniente da Ásia.

“A intensificação dos fluxos de capital internacional reforçou a recuperação na maioria dos países em desenvolvimento,” afirmou Hans Timmer, Diretor do Grupo de Perspectivas de Economias em Desenvolvimento (DEC) do Banco Mundial. “No entanto, fluxos excessivos para certas grandes economias de renda média poderão trazer riscos e ameaçar a recuperação no médio prazo, especialmente se os valores da moeda aumentarem repentinamente ou se surgirem bolhas de ativos”.

A maioria dos países de baixa renda teve ganhos comerciais em 2010 e, em termos gerais, seu PIB aumentou 5,3% em 2010. Isso foi reforçado por um aumento dos preços dos produtos básicos e, em menor grau, das remessas e do turismo. Segundo projeções, essas perspectivas deverão ser reforçadas ainda mais devido ao aumento de 6,5% em 2011 e 2012, respectivamente.

De acordo com o relatório, os preços atuais dos alimentos, relativamente altos, exercem um impacto variável. Em muitas economias a desvalorização do dólar, melhores condições locais e o aumento dos preços de bens e serviços significam que o preço real dos alimentos não aumentou na mesma proporção que o preço do dólar dos Estados Unidos para produtos alimentícios básicos, comercializados internacionalmente.

“No entanto, aumentos de dois dígitos nos preços de alimentos básicos nos últimos meses estão exercendo pressão nos domicílios em países que já sofrem um pesado ônus de pobreza e desnutrição. E se os preços globais dos alimentos aumentarem ainda mais, juntamente com o preço de outros produtos essenciais, não se poderá excluir uma repetição das condições ocorridas em 2008,” advertiu Andrew Burns, Gerente de Macroeconomia Global do Grupo de Perspectivas de Economias em Desenvolvimento do Banco Mundial.

DESTAQUES REGIONAIS

A região do Leste da Ásia e Pacífico, com um PIB estimado de 9,3% para 2010, liderou a recuperação global. Isso foi em acréscimo a um aumento estimado de 10% do PIB da China e de um aumento de 35% de suas importações. O crescimento da produção em outras partes da região também se manteve sólido em 6,8%. Política monetárias flexíveis nos países de alta renda impulsionaram influxos de capital. Os mercados de capitais da Tailândia e Indonésia cresceram mais de 40% desde janeiro de 2010. Os influxos valorizaram as moedas regionais, apesar de medidas compensatórias, tais como acúmulo de reservas e outros reajustes. À medida que diminuir o ritmo da recuperação global, prevê-se que diminua também o crescimento do PIB, porém permanecendo sólido em 8% em 2011 e 7,8% em 2012.

Após um declínio de 6,6% do PIB em 2009, a produção deverá expandir-se em 4,7% na região da Europa e Ásia Central em 2010, à medida que vários países empreenderem uma reestruturação intensa. A produção na Bulgária, República do Quirguistão, Lituânia e Romênia estagnou ou caiu em 2010 e, segundo previsões, deverá expandir-se apenas 2% em 2011 e 3,3% em 2012. Excluindo-se esses países, prevê-se que o crescimento no restante da região diminua para 4,2% tanto em 2011 como em 2012. A recuperação na região continua a ser especialmente sensível à situação dos países europeus de alta renda, nos quais a sustentabilidade da dívida soberana permanece uma preocupação.

A região da América Latina e Caribe saiu bem da crise global em comparação com o próprio desempenho anterior e com o ritmo da recuperação em outras regiões. Após sofrer uma contração estimada em 2,2% em 2009, prevê-se que o PIB cresça para 5,7% em 2010, semelhante ao crescimento médio registrado no surto de 2004-2007. Segundo previsões, o crescimento diminuirá um pouco, atingindo 4% em 2011, em grande parte devido a um ambiente externo mais fraco, à medida que o crescimento das economias avançadas e da China cair. Vários países da região estão sujeitos a fluxos internos de capital potencialmente desestabilizadores, os quais têm contribuído para um superaquecimento e uma forte valorização da moeda.

No caso dos países em desenvolvimento da região do Oriente Médio e Norte da África, uma reativação modesta do crescimento em 2010 refletiu-se tanto em um melhor ambiente externo como nos efeitos contínuos de programas de estímulo anteriores. A alta de preços do petróleo no ano beneficiou os países em desenvolvimento exportadores de petróleo, mas teve repercussão em partes da área do euro e o crescimento nos países de alta renda membros do Conselho de Cooperação do Golfo ajudou a promover uma revitalização das exportações, remessas e turismo. Após um avanço de 3,3% em 2010, a região deverá experimentar ganhos mais substanciais de 4,3% e 4,4% em 2011 e 2012 à medida que continuar o crescimento da demanda interna, os mercados de exportação se firmarem e os preços do petróleo se mantiverem em altos níveis.

Prevê-se que a região do Sul da Ásia tenha, em média, um crescimento do PIB de 7,9% nos exercícios financeiros de 2011 e 2012, animado pelo crescimento vibrante da Índia. Isso se compara com o crescimento estimado de 8,7% em 2010. A região beneficiou-se de medidas agressivas do estímulo da demanda, de uma revitalização nos sentimentos tanto de investidores como de consumidores e de um reinício de fluxos de capital. Uma tendência recente no sentido de buscar uma política mais rígida deverá continuar, dados os altos déficits fiscais da região (os maiores entre as regiões em desenvolvimento), alta inflação e contas correntes em deterioração.

A produção na África Subsaariana expandiu-se em cerca de 4,7% em 2010, uma recuperação em sequência a uma taxa de crescimento de 1,7% em 2009. Na África do Sul, a maior economia da região, o crescimento previsto de 2,7% em 2010 foi abreviado por um declínio no investimento privado, valorização do rand e greves trabalhistas. Prevê-se que o crescimento na África do Sul se recupere e alcance 3,5% e 4,1% em 2011 e 2012, respectivamente, à medida que melhorarem ainda mais as condições globais. Na realidade, o restante da região, excluindo-se a África do Sul, teve melhor desempenho. O PIB desses países aumentou em cerca de 5,8% em 2010 e, segundo se projeta, deverá crescer a 6,4% em 2011 e 6,2% em 2012. A recuperação foi mais forte entre os exportadores de metais, minérios e petróleo, os quais se beneficiaram de preços mais vantajosos dos produtos básicos.

[1] Medido de acordo com os preços do mercado e taxas de câmbio (ou 4,8%, 4,1% e 4,4% quando agregados, usando-se os pesos da Paridade do Poder Aquisitivo.

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COMUNICADO À IMPRENSA Nº
2011/288/DEC

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