publication 14 de novembro de 2018

Actualidade Económica de Moçambique: Redução na Pobreza, mas Aumento da desigualdade

Último número: 
  • Novembro 2018
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DESTAQUES DO ARTIGO

  • A última edição da Actualidade Económica de Moçambique mostra que apesar dos ganhos económicos, a desigualdade no país aumentou.
  • A economia está a mostrar sinais de recuperação, mas a capacidade de crescimento do país reduziu, aponta o relatório
  • Para transitar para um crescimento mais inclusivo, o relatório recomenda a expansão do investimento e desenvolvimento do sector agrícola, dado o seu elevado potencial para geração de emprego

MAPUTO, 14 de novembro de 2018 – Enquanto Moçambique começa a emergir de um período de dois anos de crise económica, um novo relatório do Banco Mundial acautela que as perspectivas fiscais do país continuam frágeis.

Sustentado por uma redução da inflação e o avanço de um de dois grandes projectos de gás, a Actualidade Económica de Moçambique (MEU): transitando para um Crescimento mais Inclusivo, nota que o país está mais estável desde a contracção económica criada pela crise da dívida em 2016, contudo, as perspectivas de crescimento são limitadas. O crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) rondou em volta dos 3,8% em 2016 e 2017, e prevê-se que atinja uma taxa ligeiramente mais baixa em 2018, no valor de 3,3%. Serviços como turismo, transportes e logística e ainda, actividades financeiras - que foram os mais afectados pela crise – estão a recuperar gradualmente, mas estes ganhos têm sido anulados pelo fraco crescimento no sector extractivo, nota o relatório.

As oportunidades de crescimento para Moçambique também dependem da recuperação no nível do consumo privado, particularmente nos sectores de serviços, que constituiu o principal impulsionador do crescimento nos anos que precederam a crise económica actual, aponta o relatório.

Esta tendência reflecte a redução no poder de compra de consumidores, principalmente das famílias, que assistiram à subida dos custos sem que os seus rendimentos tivessem aumentado ao mesmo ritmo, disse Shireen Mahdi, Economista Sénior do Banco Mundial para Moçambique e principal autora do relatório. Também é um sinal da redução da capacidade de crescimento do sector privado, bem como a habilidade de geração de empregos suficientes.

Uma política decisiva focada na redução da incerteza macroeconómica e no aumento de investimento, ajudaria a criar as fundações para uma recuperação completa e um crescimento mais inclusivo, nota o MEU.

Transitando para um Crescimento mais Inclusivo

Embora a pobreza esteja a reduzir em Moçambique, os níveis de desigualdade económica têm estado a aumentar dado que o crescimento se torna cada vez menos inclusivo. A análise aponta para vários desenvolvimentos positivos, incluindo a aceleração da taxa de redução da pobreza entre 2008 e 2014, baixando a incidência de pobreza de 59% para 48% da população.

No entanto, o relatório mostra que esses ganhos foram acompanhados por uma disparidade crescente entre os que se encontram em melhor situação financeira e os agregados familiares mais desfavorecidos, limitando o progresso do objectivo de partilha de prosperidade e colocando Moçambique entre os países com um dos maiores níveis de desigualdade na África Subsariana. Ao mesmo tempo, assistiu-se a um declínio na taxa de crescimento da produtividade da economia a medida que as pessoas transitaram de empregos informais no sector de agricultura para serviços como comércio e restauração, nota o relatório.

"Quando olhamos para o passado, torna-se evidente que o período de elevado crescimento de Moçambique gerou importantes progressos no que toca à redução da pobreza, disse Mahdi. No entanto, quando olhamos para os factores de crescimento no futuro, é ainda mais evidente que será a qualidade, e não apenas a quantidade, do crescimento que fará a diferença rumo a um progresso económico mais inclusivo”.

O relatório recomenda o alargamento dos impulsionadores do crescimento e aumento da produtividade dos sectores com maior potencial de expandir emprego, como é o caso do sector agrário dado o seu tamanho. Outras recomendações incluem:

  • Um pacote de políticas multifacetado com enfoque no fortalecimento da competitividade das empresas Moçambicanas, aumento da sua capacidade de exportação e investimento nas capacidades do capital humano.
  • Um quadro macroeconómico estável e apropriado que facilitará a realização desta meta, incluindo uma redução do crowding out ao sector privado e melhoria no acesso a financiamento;
  • Enfoque no desenvolvimento da capacidade das empresas, trabalhadores e instituições com vista a criação de oportunidades, aumento da produtividade e sofisticação intersectorial, incluindo a indústria transformadora, serviços e agricultura.

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