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PRAIA, 14 DE JULHO DE 2026 – A economia de Cabo Verde manteve um forte dinamismo em 2025, com o PIB real a crescer 6,3%, impulsionado por um número recorde de chegadas de turistas, pelo fortalecimento do consumo privado e pela melhoria do desempenho orçamental, segundo a mais recente Atualização Económica de Cabo Verde 2026, divulgada hoje pelo Banco Mundial. Apesar destes resultados positivos, o relatório alerta para a persistência de vulnerabilidades importantes, incluindo a contínua dependência do turismo, os riscos orçamentais associados às empresas públicas (EP) e a fraca conectividade inter-ilhas, que continua a limitar o crescimento do setor privado e a diversificação económica.
O relatório, intitulado “Analisando a Relação entre a Conectividade Inter-Ilhas e o Crescimento”, analisa as perspetivas macroeconómicas de Cabo Verde, os progressos na redução da pobreza e as reformas necessárias para reforçar a resiliência e alargar a base do crescimento económico. O documento identifica a conectividade inter-ilhas como um dos principais constrangimentos à produtividade, à integração dos mercados e ao desenvolvimento inclusivo em todo o arquipélago.
“Os resultados de Cabo Verde em 2025 mostram o que é possível alcançar quando a disciplina macroeconómica é acompanhada pelo dinamismo do setor privado. O próximo passo é transformar a atual recuperação impulsionada pelo turismo num crescimento mais amplo e resiliente, reforçando um dos pilares fundamentais que ligam o arquipélago: um sistema de transportes interilhas fiável e acessível. Melhorar a conectividade reduzirá os custos, integrará os mercados e garantirá que mais cabo-verdianos, em todas as ilhas, possam beneficiar do crescimento”, afirmou Indira Campos, Representante Residente do Grupo Banco Mundial em Cabo Verde.
O relatório refere que a inflação aumentou para 2,3% em 2025, enquanto a taxa de pobreza diminuiu de 53,8% para 51,2%. O mercado de trabalho revelou resiliência, com a taxa de desemprego a descer para6,2%, no entanto, o desemprego jovem continua acima dos 15% . As reservas internacionais atingiram um nível recorde de 975 milhões de euros, o equivalente a 7,1 meses de importações projetadas, enquanto as receitas fiscais cresceram 16,8% em termos homólogos, contribuindo para o primeiro excedente orçamental do país desde 2007.
A dívida pública reduziu-se para 100,7% do PIB em 2025, mantendo a sua trajetória descendente. Ainda assim, o serviço da dívida continua a absorver 34,2% das receitas do Estado — percentagem que subiria para 46,3% caso fossem incluídas as obrigações das empresas públicas. Prevê-se que o crescimento económico desacelere para 4,8% em 2026, refletindo os efeitos do conflito no Médio Oriente e os ventos contrários decorrentes da crescente instabilidade global, estabilizando posteriormente em torno de 5,1% no médio prazo.
O relatório destaca ainda que o transporte aéreo e marítimo doméstico, devido aos seus elevados custos e reduzida fiabilidade, constitui um dos principais obstáculos à integração económica e à diversificação do turismo. A fraca conectividade aumenta os custos para empresas e famílias, limita o desenvolvimento das cadeias de valor nacionais e concentra a atividade económica nas ilhas do Sal e da Boa Vista. Estas limitações reduzem igualmente a capacidade da economia para transformar o crescimento em oportunidades de emprego mais amplas, sobretudo para os jovens, as mulheres e os trabalhadores das ilhas menos ligadas ao turismo e a outros setores de crescimento.
Para ultrapassar estes constrangimentos, o relatório recomenda o reforço da regulação, a modernização dos modelos de concessão dos transportes e a criação de maiores oportunidades para a participação do setor privado nos serviços de transporte aéreo e marítimo. Estas reformas permitiriam melhorar a fiabilidade, a acessibilidade e a previsibilidade do transporte inter-ilhas, reduzindo custos para empresas e famílias e facilitando o acesso das empresas a novos mercados em todo o arquipélago. Ao reforçar as ligações entre o turismo, a agricultura, as pescas, a logística e os serviços locais, uma melhor conectividade poderá impulsionar uma atividade económica mais diversificada, dinamizar o setor privado e apoiar a criação de mais e melhores empregos, mais inclusivos, sobretudo para mulheres e jovens fora dos principais centros turísticos.
O relatório destaca igualmente a importância de reforçar a governação das empresas públicas, de forma a reduzir os riscos orçamentais, melhorar a prestação de serviços públicos e criar um ambiente mais favorável ao investimento privado e à criação sustentável de emprego.
Marco António Medina Silva,
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