Segundo previsões, os preços das commodities subirão 16% este ano, impulsionando a inflação e desacelerando o crescimento.
WASHINGTON, 28 de abril de 2026 — Os preços de energia devem subir 24% este ano, atingindo o nível mais alto desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Ao mesmo tempo, a guerra no Oriente Médio provoca um forte impacto nos mercados globais de commodities, revela o mais recente relatório Perspectivas dos Mercados de Commodities do Grupo Banco Mundial. De forma geral, os preços das commodities devem subir 16% em 2026, impulsionados pela alta dos preços de energia e de fertilizantes e pelos preços recorde de diversos metais importantes.
A análise indica que o choque terá sérias consequências para o desenvolvimento e a geração de empregos.
Os ataques à infraestrutura de energia e as interrupções no transporte marítimo no Estreito de Ormuz, que movimenta cerca de 35% do comércio global de petróleo bruto por via marítima, desencadearam o maior choque de oferta de petróleo jamais registrado, com uma redução inicial na oferta global de cerca de 10 milhões de barris por dia. Apesar da recente moderação em relação ao pico observado, os preços do petróleo Brent em meados de abril permaneceram mais de 50% acima dos valores registrados no início do ano. Segundo previsões, o preço médio do petróleo Brent deve fechar o ano de 2026 em torno de US$ 86 por barril — um aumento acentuado em relação aos US$ 69 por barril registrados em 2025. Essas previsões partem do pressuposto de que as disrupções mais graves chegarão ao fim em maio, e que a navegação pelo Estreito de Ormuz retornará gradualmente aos níveis pré-guerra até o final de 2026.
“A guerra está atingindo a economia global em ondas cumulativas: inicialmente, com o aumento dos preços de energia; em seguida, com o aumento dos preços dos alimentos; e, por fim, com o aumento da inflação, o que elevará as taxas de juros e encarecerá ainda mais as dívidas”, disse Indermit Gill, economista-chefe e vice-presidente sênior para Economia do Desenvolvimento do Grupo Banco Mundial. “As pessoas mais pobres, que gastam a maior parte de sua renda com alimentos e combustíveis, serão as mais afetadas, assim como as economias em desenvolvimento, que já enfrentam dificuldades devido a seus altos níveis de endividamento. Tudo isso nos lembra de uma dura verdade: a guerra é o contrário do desenvolvimento.”
Prevê-se um aumento de 31% nos preços de fertilizantes em 2026 como resultado do aumento de 60% nos preços da ureia. A capacidade de arcar com os altos preços dos fertilizantes cairá para o pior nível desde 2022, corroendo a renda dos agricultores e ameaçando as safras futuras. Caso o conflito se prolongue, essas pressões sobre o abastecimento e a acessibilidade econômica dos alimentos poderão resultar em insegurança alimentar aguda para até 45 milhões de pessoas a mais este ano, de acordo com o Programa Mundial de Alimentos.
Os preços dos metais básicos, tais como alumínio, cobre e estanho, também devem atingir recordes históricos, refletindo a forte demanda relacionada a setores como data centers, veículos elétricos e energias renováveis. Paralelamente a isso, as incertezas geopolíticas impulsionam a demanda por ativos considerados refúgios seguros (safe havens). Como resultado, os metais preciosos continuam a atingir recordes de preço e volatilidade: em 2026, os preços desses metais devem subir, em média, 42%.
O aumento dos preços das commodities causado por esses choques elevará a inflação e prejudicará o crescimento mundial. Nas economias em desenvolvimento, a inflação deve atingir uma média de 5,1% em 2026, segundo as hipóteses de linha de base — 1 ponto percentual inteiro acima do que se previa antes da guerra e um aumento em relação aos 4,7% do ano passado. O crescimento das economias em desenvolvimento também se deteriorará, uma vez que os preços mais altos dos produtos essenciais pesam sobre os rendimentos, e as exportações do Oriente Médio enfrentam fortes restrições. As economias em desenvolvimento devem crescer 3,6% em 2026, uma revisão para baixo de 0,4 ponto percentual desde janeiro. As economias diretamente afetadas por conflitos serão as mais atingidas; e 70% dos importadores de commodities e mais de 60% dos exportadores de commodities em todo o mundo poderão apresentar um crescimento inferior ao que foi projetado em janeiro.
Os preços das commodities podem subir ainda mais se as hostilidades aumentarem, ou se as interrupções no fornecimento resultantes da guerra durarem mais que o previsto. Os preços do petróleo Brent podem atingir uma média de US$ 115 por barril em 2026, num cenário em que estruturas essenciais de petróleo e gás sofram mais danos e os volumes de exportação não consigam se recuperar rapidamente. Isso, por sua vez, teria efeitos em cadeia nos preços dos fertilizantes e de fontes de energia alternativas, como os biocombustíveis. Nesse cenário, a inflação nas economias em desenvolvimento poderia subir para 5,8% este ano, um nível ultrapassado apenas uma vez na última década, em 202
“A sucessão de choques ao longo da década reduziu drasticamente o espaço fiscal disponível para responder à atual crise histórica de abastecimento de energia”, disse Ayhan Kose, economista-chefe adjunto do Banco Mundial e diretor do Grupo de Perspectivas. “Os governos devem resistir à tentação de adotar medidas de apoio fiscal amplas e não direcionadas, que podem distorcer os mercados e corroer as reservas fiscais. Em vez disso, devem se concentrar na oferta de assistência imediata e temporária direcionada às famílias mais vulneráveis.”
A seção de foco especial do relatório constata que a volatilidade dos preços do petróleo durante períodos de aumento de riscos geopolíticos é aproximadamente duas vezes maior que durante períodos mais tranquilos: uma queda de 1% na produção de petróleo impulsionada por fatores geopolíticos eleva os preços em cerca de 11,5%, em média. Esses efeitos se estendem a outros mercados de commodities importantes, com um impacto aproximadamente 50% maior que em condições normais de mercado, o que é bastante grave. Segundo o relatório, um aumento de 10% nos preços do petróleo (desencadeado por um choque geopolítico na oferta) leva a aumentos nos preços do gás natural, que podem atingir um pico de cerca de 7%; e nos preços dos fertilizantes, que podem superar 5%. Esses picos normalmente ocorrem cerca de um ano após o choque inicial dos preços do petróleo, com consequências adversas para a segurança alimentar e a redução da pobreza.
Faça o download do relatório: https://bit.ly/CMO-April-2026
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