Uma política industrial mais inteligente pode fazer avançar a transformação económica da África e criar empregos
WASHINGTON, 8 de abril de 2026 - A recuperação económica da África Subsaariana após uma década de choques globais está a mostrar sinais de estagnação, com as projeções de crescimento para 2026 revistas em baixa em 0,3 pontos percentuais em relação às estimativas publicadas anteriormente em outubro de 2025, de acordo com a última edição do Africa Economic Update, o relatório económico semestral do Grupo Banco Mundial para a região.
Riscos geopolíticos—incluindo o conflito no Médio Oriente, os elevados encargos com o serviço da dívida e as limitações estruturais de longa data, continuam a pesar sobre a capacidade da região para acelerar o crescimento e criar empregos. O relatório, anteriormente intitulado Africa’s Pulse, considera que o crescimento para 2026 na África Subsaariana se mantém em 4,1%, o mesmo ritmo que em 2025, mas os riscos de abrandamento estão a aumentar. O aumento dos preços dos combustíveis, dos alimentos e dos fertilizantes, juntamente com condições financeiras mais restritivas, pode fazer subir a inflação, perturbar as atividades económicas e afetar de forma desproporcionada as famílias mais vulneráveis, que gastam a maior parte dos seus rendimentos em alimentos e energia.
“A curto prazo, os governos devem direcionar os escassos recursos para proteger os agregados familiares mais vulneráveis. Ao mesmo tempo, a manutenção da estabilidade macroeconómica—através do controlo da inflação e de uma gestão orçamental prudente—será essencial para enfrentar o atual choque e posicionar os países africanos para uma recuperação mais rápida assim que a crise passar,” disse Andrew Dabalen, Economista-Chefe do Grupo Banco Mundial para a Região de África.
A elevada dívida pública e os custos crescentes do serviço da dívida continuam a limitar a capacidade dos países de financiar as suas prioridades de desenvolvimento e de investir nas infraestruturas fundamentais necessárias para criar mais e melhores empregos. No geral, os investimentos de capital público ainda estão 20% abaixo do nível de 2014, enquanto a relação entre o serviço da dívida pública externa e as receitas duplicou nos últimos oito anos— de 9% em 2017 para 18% em 2025. Além disso, prevê-se que a inflação aumente para 4,8% em 2026, impulsionada em grande parte pelos efeitos do conflito no Médio Oriente. A diminuição do financiamento externo, em particular a redução das ajudas ao desenvolvimento, está a aumentar a pressão para os países de baixos rendimentos.
Prevendo-se a entrada de mais de 620 milhões de pessoas na força de trabalho de África até 2050, os países têm de mudar para um crescimento que seja mais produtivo, diversificado e liderado pelo sector privado, para criar empregos. Para isso será necessária uma ação coordenada a nível regional, nacional e sectorial, apoiada por investimentos em infraestruturas, competências e instituições que reduzam os custos das atividades empresariais e atraiam investimentos privados.
Um dos focos especiais do Africa Economic Update é a política industrial como instrumento de crescimento económico e de criação de empregos. Os países utilizam essas políticas como um instrumento para expandir indústrias específicas e posicionarem-se para beneficiar da procura crescente de bens africanos, desde os minerais essenciais para as tecnologias emergentes até aos produtos farmacêuticos. O relatório afirma que os países devem procurar implementar políticas que promovam a aprendizagem rápida e movam estrategicamente a economia para bens e serviços de maior valor que possam criar mais e melhores empregos. Políticas industriais bem concebidas podem ajudar a desbloquear ganhos de produtividade e levar à criação de mais empregos, mas apenas se estiverem fundamentadas numa compreensão realista das oportunidades e das restrições do país e se forem utilizadas com moderação Estas políticas devem ser apoiadas por uma forte capacidade de implementação e integradas em ecossistemas mais amplos que incluam infraestruturas fiáveis, uma mão-de-obra qualificada, acesso ao financiamento e a integração do mercado regional.
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