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Brasília, 12 de fevereiro de 2026 — Em nível global, os déficits atuais em saúde, educação e no mercado de trabalho (quantidade e qualidade do emprego) geram uma perda média de 51% da renda futura dos países de renda baixa e média, segundo novo relatório do Banco Mundial divulgado hoje. No caso do Brasil, esta perda é de 40%. Nos últimos 15 anos, mesmo com o aumento da renda e a redução da pobreza, dois terços dos países de renda baixa e média no mundo registraram quedas na nutrição, no aprendizado ou nas habilidades da força de trabalho.

O relatório Construindo o Capital Humano Onde Importa: Domicílios, Bairros e emprego (Building Human Capital Where It Matters: Homes, Neighborhoods and Workplaces) conclui que 86 dos 129 países de renda baixa e média apresentaram declínios na nutrição, na aprendizagem ou no desenvolvimento das habilidades da força de trabalho entre 2010 e 2025. Ganhos de renda e redução da pobreza, por si só, não se traduziram em melhor capital humano. O estudo recomenda políticas e investimentos mais amplos que considerem domicílios, bairros e locais de trabalho – ambientes que moldam as habilidades ao longo da vida.

Um índice global recentemente expandido, o Índice de Capital Humano Plus (HCI+), lançado em conjunto com este relatório, mede o capital humano médio que uma criança nascida hoje pode esperar acumular ao longo de sua vida produtiva, considerando os riscos à saúde, à educação e ao emprego que prevalecem no país onde vive.

Esta nova edição disponibiliza dados em nível nacional e regional, acompanhando a evolução do capital humano do nascimento até os 65 anos. Pela primeira vez, o indicador incorpora de forma explícita a participação no mercado de trabalho, mostrando como ela influencia a produtividade ao longo da vida e relacionando ganhos e perdas no índice a variações na renda futura.

No caso do Brasil, o índice mostra que o país está deixando de converter seu potencial em capital humano. A diferença entre o desempenho brasileiro no Human Capital Index Plus (HCI+) e aquele que o país poderia alcançar se tivesse as condições de saúde, educação e ambientes de trabalho observadas nos países de renda semelhante com melhor desempenho indica que as crianças brasileiras perdem cerca de 40% de seus ganhos futuros. Reverter esse cenário exige uma nova abordagem para os investimentos em capital humano.

“A prosperidade dos países de renda baixa e média depende da sua capacidade de construir e proteger o capital humano. Hoje, muitos enfrentam dificuldades para melhorar a nutrição, o aprendizado e as habilidades de sua força de trabalho atual e futura, o que levanta preocupações sobre a produtividade e os tipos de empregos que suas economias poderão sustentar”, afirma Mamta Murthi, vice-presidente do Grupo Banco Mundial.

De acordo com o relatório:

  • Domicílios

Diferenças nas habilidades associadas às circunstâncias familiares surgem antes dos cinco anos de idade, antes de a maioria das crianças entrar na escola, e permanecem relativamente estáveis ao longo da adolescência.

E no Brasil? A acumulação de capital humano está associada não apenas aos recursos disponíveis nos domicílios, mas também à qualidade dos cuidados oferecidos às crianças. Indicadores como nutrição, vocabulário e proficiência em matemática são fortemente influenciados pela educação dos pais, especialmente das mães. Para resultados duradouros, aumentos de renda precisam ser combinados com políticas que fortaleçam os cuidados oferecidos às crianças.

  • Bairros

Mesmo ao comparar pais com níveis semelhantes de renda e escolaridade, uma criança que cresce em um bairro rico tende a ganhar, na vida adulta, o dobro do que outra criada em um bairro pobre. Isso ocorre porque os bairros moldam oportunidades que vão além do acesso a escolas e hospitais. Exposição à poluição, à criminalidade ou a infraestrutura precária afeta diretamente a saúde, o aprendizado e o acesso ao mercado de trabalho.

E no Brasil? Filhos de famílias com renda domiciliar semelhante têm, em média, 2,3 anos a mais de escolaridade, aprendem mais na escola, são 25% mais propensos a ter emprego formal e ganham o dobro na vida adulta quando crescem em bairros mais favorecidos. Essas diferenças refletem o papel central do território na formação do capital humano no país.

  • Trabalho

Em países de renda baixa e média, o prêmio salarial no mercado de trabalho por ano adicional de experiência no emprego entre os trabalhadores autônomos é metade do ganho dos trabalhadores assalariados. No entanto, dois terços dos trabalhadores nesses países atuam na agricultura de pequeno porte, em emprego autônomo de baixa qualificação ou em microempresas – ocupações que geralmente oferecem treinamento limitado e pouco aprendizado no emprego. A baixa participação na força de trabalho também limita o acúmulo de habilidades: cerca de 50% das mulheres estão fora da força de trabalho e 20% dos jovens não estudam nem trabalham.

E no Brasil? Após duas décadas de experiência profissional, o capital humano acumulado por trabalhadores brasileiros corresponde a pouco mais da metade daquele registrado entre trabalhadores norte-americanos no mesmo período. Além do mais, o crescimento das habilidades e dos salários é mais significativo no emprego formal do que no trabalho autônomo, especialmente em empresas maiores, que oferecem, em média, empregos de melhor qualidade.

  • O HCI+ do Brasil

O HCI+ 2025 do Brasil é de 203 pontos, ligeiramente acima da média da América Latina e Caribe (194). O principal gargalo está na educação, com 115 pontos, 73 abaixo do máximo possível (188). Em termos percentuais, esse pilar apresenta desempenho superior ao dos locais de trabalho, onde o Brasil registra 44 pontos de um total de 87, enquanto em saúde o país alcança 44 de 50 pontos possíveis.

  • Desigualdade de gênero

A diferença no HCI+ entre homens e mulheres no Brasil é de 14 pontos (210 para homens e 196 para mulheres). Essa lacuna implica que as mulheres nascidas no país terão, em média, 14% menos renda ao longo da vida. Se essa diferença fosse eliminada, a renda futura do Brasil seria cerca de 7% maior.

“Políticas que consideram os diferentes motores do capital humano em cada contexto podem gerar um ciclo virtuoso, no qual ganhos de produtividade levam a salários mais altos e a maiores investimentos das famílias e comunidades na próxima geração”, destaca Norbert Schady, economista-chefe do Grupo Banco Mundial.

O que o relatório recomenda?

  • Programas de desenvolvimento infantil e educação pré-escolar que fortaleçam a aprendizagem e o ambiente de cuidado das crianças.
  • Foco das políticas públicas em bairros desprivilegiados, com atenção integrada à nutrição, ao aprendizado e ao desenvolvimento de habilidades nos locais de trabalho.
  • Reformas no mercado de trabalho para ampliar oportunidades de aprendizado prático, acesso a creches e aprendizagem no trabalho
  • Promoção de políticas que apoiam domicílios, bairros e trabalho de forma integrada e que são complementadas por uma agenda robusta de monitoramento de políticas públicas.

worldbank.org/humancapitalreport

worldbank.org/hciplus

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