COMUNICADO À IMPRENSA20 de janeiro de 2026

As economias de “mercados de fronteira” não têm alcançado seu potencial desde 2010

O crescimento do investimento caiu pela metade, em ritmo mais acentuado do que em outras economias de baixa e média renda

WASHINGTON, 20 de janeiro de 2026As economias de “mercados de fronteira” — grupo composto majoritariamente por economias de renda média, consideradas um campo de prova para a próxima geração de economias de destaque—não conseguiram, em sua maioria, atingir seu potencial nas últimas décadas, de acordo com um novo estudo do Banco Mundial. O crescimento do investimento por pessoa na década de 2020 tem sido, em média, inferior à metade do observado na década de 2010. Ainda assim, a experiência dos países com melhor desempenho entre os mercados de fronteira traz lições relevantes para as 56 economias que atualmente compõem esse grupo.

Para os investidores globais que buscam oportunidades além das economias de alta renda, os mercados de fronteira ocupam uma posição intermediária: em geral, são menos integrados aos mercados financeiros globais do que os mercados emergentes, mas são mais integrados do que as outras economias em desenvolvimento que não pertencem nem à categoria de “emergentes” nem à de “fronteira”. A criação dessas duas classes de ativos nas décadas de 1980 e 1990—iniciativa que contou com forte apoio da Corporação Financeira Internacional do Grupo Banco Mundial—contribuiu para direcionar fluxos volumosos de investimento privado para os países em desenvolvimento.

“À exceção de um pequeno grupo de economias que alcançaram o grau de investimento ao longo dos últimos 25 anos, os mercados de fronteira podem muito bem representar a maior decepção em termos de desenvolvimento econômico”, afirma Indermit Gill, economista-chefe e vice-presidente sênior de Economia do Desenvolvimento do Grupo Banco Mundial. Em média, as pessoas que vivem nos mercados de fronteira têm maior escolaridade e expectativa de vida do que as pessoas que vivem em outras economias em desenvolvimento. A qualidade de suas políticas e instituições é superior. Alguns desses países são ricos em recursos naturais. No entanto, não conseguiram converter essas vantagens em progresso e seguem como o alvo mais fácil de ganhos não realizados no mundo em desenvolvimento.

Os mercados de fronteira abrigam hoje 1,8 bilhão de pessoas — um quinto da população mundial — e espera-se que adicionem quase 800 milhões de habitantes nos próximos 25 anos, mais do que o resto do mundo somado. Mais de um terço dos mercados de fronteira ficam na África Subsaariana.   Muitos dos mercados de fronteira são ricos em minerais que serão essenciais para novas as tecnologias relacionadas à energia renovável, às telecomunicações e aos aparelhos eletrônicos de consumo. Esses países com frequência contam com instituições mais sólidas do que as de outras economias em desenvolvimento. Além disso, têm um apelo especial para os investidores: ao longo dos últimos 25 anos, as ações dos mercados de fronteira, de modo geral, se comportaram de forma independente das condições financeiras globais, sendo responsáveis por apenas uma em cada oito variações desses mercados — proporção muito menor do que nas economias avançadas ou mercados emergentes.

“Essas economias desempenharão um papel importante no enfrentamento do desafio da geração de empregos pelas economias em desenvolvimento, pois contabilizarão quase um quinto dos 1,2 bilhão de jovens em países em desenvolvimento que chegarão à idade ativa na próxima década”, afirma M. Ayhan Kose, economista-chefe adjunto e diretor do Grupo de Perspectivas do Grupo Banco Mundial. “Os mercados de fronteira com melhor desempenho seguiram trajetórias distintas. No entanto, convergiram em algumas estratégias comuns — políticas favoráveis ao crescimento, infraestrutura de apoio ao investimento, melhor gestão fiscal e um ambiente institucional que atrai o investimento privado. Os resultados foram impressionantes: a renda per capita do quartil superior quase quadruplicou nos últimos 25 anos.”

A economia de mercado de fronteira típica, no entanto, tem avançado pouco para atrair investimentos desde 2000. Nos últimos 25 anos, a taxa de crescimento do investimento por pessoa nessas economias tem desacelerado de forma contínua, caindo para apenas 2% na década de 2020 — menos da metade do ritmo das duas décadas anteriores. Atualmente, as economias de mercados de fronteira contabilizam apenas 3,1% dos fluxos globais de capital e menos de 5% da produção econômica mundial.

Medidos pelas leis vigentes, os mercados de fronteira apresentaram avanços significativos na abertura de seus mercados financeiros ao longo dos últimos 25 anos: hoje, seu grau de abertura chega à metade daquele observado nas economias avançadas, em comparação a aproximadamente um quinto desse nível em 2000. O desenvolvimento efetivo dos mercados financeiros, no entanto, tem sido lento. Os mercados em moeda nacional, por exemplo, seguem relativamente pouco desenvolvidos, e bancos e instituições financeiras nacionais tendem a conceder menos crédito às famílias e empresas privadas do que nos mercados emergentes.

Os mercados de fronteira precisarão adotar maior disciplina fiscal para conseguir atingir seu potencial nos próximos anos. A despesa pública como parcela do PIB tem aumentado, ao passo que as receitas seguem praticamente no mesmo patamar. O resultado tem sido um aumento expressivo do endividamento e dos episódios de inadimplência da dívida. Atualmente, um mercado de fronteira típico destina mais recursos ao pagamento líquido de juros da dívida — cerca de 2,5% do PIB — do que os mercados emergentes ou outras economias em desenvolvimento. Quase 40% dos mercados de fronteira entraram em default ao menos uma vez entre 2000 e 2024. Desde a pandemia de Covid-19, os mercados de fronteira registraram mais inadimplências do que todos os demais países juntos.

Ainda assim, alguns mercados de fronteira conseguiram lidar melhor com essas dificuldades. O Vietnã, um dos países mais pobres do mundo no início do século, hoje figura entre as 10 economias de crescimento mais rápido dos últimos 25 anos. Ruanda emergiu da guerra civil nos anos 1990 e se tornou um dos maiores casos de sucesso econômico da África subsaariana, com forte dependência do turismo e de outros serviços. Além disso, desde 2012 quatro mercados de fronteira—Bulgária, Costa Rica, Panamá e Romênia—alcançaram o patamar de países de alta renda. Para deslanchar seu pleno potencial, essas economias precisarão fazer muito mais do que simplesmente abrir seus mercados. Será necessário desenvolvê-los e criar as salvaguardas institucionais necessárias para administrá-los de forma adequada.   

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COMUNICADO À IMPRENSA Nº 2026/029/DEC

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