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Taxas de juros mais baixas, desaceleração da inflação e reformas estruturais podem ajudar a atrair investimentos necessários, diz relatório do Banco Mundial
WASHINGTON, 09 de outubro, 2024 - [tweetquote:[tweetText=A América Latina e o Caribe (ALC) crescerão 1,9% em 2024, superando ligeiramente as estimativas anteriores, de acordo com o relatório do Banco Mundial,tweetData=bancomundialbr ,tweetHash=]] “Taxar a riqueza para equidade e crescimento”, publicado hoje. Em 2025, a previsão é de que a região cresça 2,6%. Essas são as taxas mais baixas entre todas as regiões globais, destacando os gargalos estruturais persistentes.
Para acelerar o crescimento, a região deve aproveitar o momento atual. Espera-se que a decisão do Federal Reserve dos EUA de reduzir as taxas de juros proporcione algum alívio. O controle da inflação é outro desenvolvimento positivo, graças à gestão macroeconômica eficaz da região. O Brasil e o Peru estão no caminho para atingir suas metas de inflação em 2024, e espera-se que outras grandes economias sigam logo depois.
“A região fez progressos na gestão da inflação e na estabilização de seu ambiente macroeconômico. Este é um momento crucial para alavancar essas conquistas a fim de atrair os investimentos necessários para o desenvolvimento sustentável, promover a inovação, construir capital humano, criar mais e melhores empregos e capacitar a região para se libertar desse ciclo de baixo crescimento”, disse Carlos Felipe Jaramillo, Vice-Presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe.
O relatório destaca que [tweetquote:[tweetText=os investimentos públicos e privados na ALC permanecem baixos, e a região não está capitalizando totalmente as oportunidades de nearshoring,tweetData=bancomundialbr ,tweetHash=]]. Os níveis de investimento estrangeiro direto (IED) estão abaixo dos níveis de 13 anos atrás, em termos reais, e os anúncios de investimentos novos favorecem outras regiões. Apesar dos salários competitivos em comparação com a China e outros destinos, os altos custos de capital, os sistemas educacionais fracos, a energia e a infraestrutura precárias e a instabilidade social reduzem a atratividade da ALC como destino de nearshoring.
“[tweetquote:[tweetText=Aproveitar as principais janelas de oportunidade da ALC, a transição verde e o movimento de nearshoring, exige reformas estruturais em todos os setores para tornar a região mais produtiva e competitiva,tweetData=bancomundialbr ,tweetHash=]]. Isso exigirá a geração de mais espaço fiscal, a melhoria da eficácia do governo, bem como a redução da carga tributária sobre os setores produtivos. Este é um bom momento para a região reconsiderar como seus sistemas tributários podem gerar receita e, ao mesmo tempo, estimular o crescimento e promover a equidade”, disse William Maloney, economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe.
Taxar a riqueza para equidade e crescimento
De acordo com o relatório, a relação dívida/PIB subiu para 62,8% em 2024, ante 59,1% em 2019, e os altos níveis de dívida e custos de serviço continuam a prejudicar a capacidade da região de criar espaço fiscal para gastos e investimentos públicos. A redução dessa lacuna faz parte de uma agenda de desenvolvimento mais ampla, que inclui melhorias na capacidade administrativa, nos gastos e na arrecadação de receitas.
O relatório analisa as diferentes opções que os países podem explorar nesse contexto e se aprofunda nos impostos sobre a riqueza para gerar espaço fiscal, equalizar a renda e estimular o crescimento. Atualmente, a ALC tem alguns dos impostos corporativos estatutários mais altos do mundo, com uma média de 24,7%, superior à média da OCDE de 23,9% e à da Ásia de 19%. No entanto, a ALC arrecada apenas 2,7% de suas receitas com impostos sobre a riqueza, em comparação com 12,8% na América do Norte e 4,3% na Europa Ocidental e Central.
Entre os diferentes tipos de riqueza, o relatório identifica os impostos sobre a propriedade como uma possível via para se concentrar. O relatório constata que os países da América Latina e do Caribe têm um “paradoxo do imposto sobre a propriedade”: 80% da riqueza da região é mantida em imóveis, mesmo entre os 10% mais ricos, mas os países normalmente arrecadam apenas 2% de sua receita tributária com impostos sobre a propriedade. Na América do Norte, cerca de 47% da riqueza é mantida em imóveis e ajuda a arrecadar cerca de 12,8% de suas receitas fiscais.
O relatório recomenda a modernização dos sistemas de avaliação de propriedades e dos esforços de cobrança para aproveitar esse potencial. De acordo com alguns estudos, os impostos sobre a propriedade adequadamente administrados poderiam contribuir com até 3% do PIB, aumentando significativamente a capacidade da região de financiar o desenvolvimento.
A revisão dos impostos sobre a propriedade também tem um importante componente de equidade. Eles podem capacitar os governos subnacionais encarregados de sua cobrança, incentivar um uso da terra mais produtivo e ecologicamente sustentável e afastar o ônus fiscal do ambiente de negócios. No entanto, o relatório adverte que as reformas devem ser cuidadosamente elaboradas para garantir a progressividade e evitar sobrecarregar os proprietários de imóveis de baixa renda.
Acesse o relatório aqui.
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Yuri Szabo Yamashita
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