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COMUNICADO À IMPRENSA

O que é preciso para vencer a desigualdade?

19 de Novembro de 2014

O mundo já diminuiu pela metade o número de pessoas vivendo na extrema pobreza, mas diferença entre ricos e pobres permanece alta

Brasília, 19 de novembro de 2014 - Em todo o mundo, 1 bilhão de pessoas (1/7 da população) vivem abaixo da linha da pobreza. “Ainda assim, das pessoas que você conhece, quantas estão nessa condição?”, desafiou o economista-chefe do Banco Mundial, Kaushik Basu, no Seminário Internacional Mundo Sem Pobreza (WWP), em Brasília.

“O fato de vocês não conhecerem ninguém, embora se trate de um número bem grande, apenas mostra o mundo segregado em que vivemos”, continuou Basu, que participou do painel “Um Mundo Sem Pobreza é Possível?”. A desigualdade é uma das múltiplas dimensões a serem consideradas na resposta a essa pergunta.

De fato, o mundo já conseguiu diminuir pela metade o número de pessoas vivendo em extrema pobreza. Conquistou isso em 2010, cinco anos antes do prazo estabelecido pelos Objetivos do Milênio.

E mais: países como Brasil e China estão entre as locomotivas desse processo. O maior país latino-americano, por exemplo, reduziu a extrema pobreza de 13.6% da população (1980) para 3,6% em 2012. O gigante asiático, por sua vez, baixou de 84.3% em 1980 para cerca de 6% hoje.

No entanto, pelo menos 75% da população dos países em desenvolvimento vive em sociedades mais desiguais hoje do que há 20 anos. “Os 8% mais ricos do mundo concentram metade da renda global, deixando a outra metade para os 92% restantes”, destacou Magdy Martínez-Solimán, diretor do Escritório de Apoio a Políticas e Programas (BPPS) do PNUD.

Essa enorme população não só tem menor acesso à renda, mas também à serviços básicos, como saúde, educação, moradia, saneamento, além de menor voz no processo democrático.  

O cenário tende a piorar com a degradação ambiental e as mudanças climáticas, lembrou Martínez-Solimán. “Muitos dos pobres do mundo vivem em zonas costeiras, sujeitas a tempestades e inundações, em terras afetadas pela seca ou por deslizamentos de terra”, justificou.

Além do crescimento econômico

Como reduzir a desigualdade, então, aproximando os 40% mais pobres dos 10% mais ricos? Esta é uma pergunta cuja resposta, assim como a pobreza, é cheia de dimensões.

“Promover o crescimento econômico não basta”, defendeu Basu. É preciso conciliá-lo com outras políticas públicas, a exemplo dos programas de transferências de renda (como o Bolsa Família) e de incentivos econômicos bem planejados. “Já as políticas exigem coordenação e cuidado para não desequibrarem a economia como um todo.”

“Os pobres são sempre os últimos a terem qualquer coisa, por isso precisam ter prioridade no fornecimento de serviços públicos”, acrescentou o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Sergei Soares. Trata-se, aliás, de um dos princípios do Brasil Sem Miséria, principal política de combate à pobreza e desigualdade no país.

O Brasil Sem Miséria, por sua vez, tem suas origens no Bolsa Família, elogiado na sessão por ajudar a diminuir as diferenças sociais. Entre 2002 (um ano antes da criação do programa) e 2009, a renda dos brasileiros mais pobres começou a crescer 7% anuais, quase três vezes mais do que a média nacional, enquanto a dos 10% mais ricos subia apenas 1,1% ao ano.

“Temos um modelo que pode ser exemplo para outros países. Com a ajuda financeira fornecida pelos países ricos aos mais pobres, não poderíamos tentar fazer algo próximo a um Bolsa Família global?”, instigou o presidente do Ipea. Só em 2013, esse montante foi de US$ 134,8 bilhões, o mais alto da história. 

“Não seria uma operação trivial, mas creio ser um caminho que podemos pensar em trilhar”, concluiu.

O WWP – sigla em inglês para Mundo Sem Pobreza – é um trabalho que busca justamente exportar conhecimentos sobre experiências bem-sucedidas nessa área. Para saber mais, acesse o site wwp.org.br



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