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Guinea-Bissau Economic Update : Pathways for Unlocking Productivity-Led Private Sector Growth
Movimento quotidiano numa rua de Bissau. Foto: Marco Silva | Banco Mundial Guiné-Bissau.
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DESTAQUES DO ARTIGO

  • O crescimento mantém-se sólido, mas deverá abrandar: O PIB real aumentou para 5,8% em 2025, impulsionado por uma forte campanha da castanha de caju. Contudo, prevê-se uma desaceleração para 4,8% em 2026, num contexto marcado pela incerteza política após os acontecimentos de Novembro de 2025 e pelos efeitos indiretos das tensões geopolíticas no Médio Oriente.
  • Ganhos de estabilidade coexistem com vulnerabilidades mais profundas: A inflação desceu para 0,9% e o défice orçamental reduziu para 6,5% do PIB. Ainda assim, a dívida pública permanece acima do teto da UEMOA, em 75,6% do PIB, as receitas fiscais são as mais baixas da região (8,5% do PIB) e os créditos malparados ultrapassam 22%.
  • Mais investimento, menos crescimento: A proporção de empresas que investem em ativos fixos aumentou para 61,2% nas últimas duas décadas, mas o crescimento da produtividade do trabalho caiu de +6,2% em 2006 para −6,8% em 2025 — um desfasamento estrutural que precisa de ser corrigido para que o crescimento se traduza em melhores empregos.
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Crescimento forte, mas com bases frágeis

O PIB real expandiu 5,8% em 2025, impulsionado por uma forte campanha da castanha de caju e por preços na exploração agrícola que apoiaram os rendimentos rurais e o consumo privado. Os serviços e a construção também contribuíram, refletindo efeitos de arrastamento do setor agrícola. A inflação caiu significativamente para 0,9% em 2025, proporcionando um alívio temporário às famílias num contexto de persistente incerteza política. Contudo, os ganhos recentes continuam limitados, com a economia ainda fortemente concentrada nas exportações de castanha de caju em bruto.

O défice orçamental reduziu para 6,5% do PIB, acima da meta estabelecida, refletindo cortes no investimento público e contenção da despesa. As receitas fiscais aumentaram ligeiramente, mas permaneceram as mais baixas da UEMOA, em 8,5% do PIB. A dívida pública reduziu para 75,6% do PIB, apoiada por um crescimento nominal mais forte e por uma estratégia prudente de endividamento concessional, embora continue acima do limar para os países da UEMOA.

A posição externa melhorou de forma moderada: o aumento dos volumes de exportação e a melhoria dos termos de troca contribuíram para a redução do défice da conta corrente, embora a castanha de caju continue a dominar as exportações. O setor financeiro mantém-se frágil, com os créditos malparados a ultrapassarem 22% em Junho de 2025.

Estes desenvolvimentos são analisados com maior profundidade na Atualização Económica da Guiné-Bissau 2026, que explora a evolução macroeconómica recente do país, as perspetivas e as reformas estruturais necessárias para desbloquear um crescimento impulsionado pela produtividade.

Perspetivas enfraquecem à medida que pressões políticas e globais aumentam

As perspetivas económicas deterioraram na sequência dos acontecimentos políticos de Novembro de 2025 e dos efeitos de contágio do conflito no Médio Oriente, com o crescimento projetado a abrandar para 4,8% em 2026. O conflito afeta a Guiné-Bissau através do aumento dos preços das importações de combustíveis e alimentos (cada um representando cerca de 30% das importações) e da subida dos custos de frete, que comprimem as margens das exportações de caju — estimando-se um impacto negativo de 0,3 p.p. no crescimento de 2026, um aumento de 2 p.p. na inflação e um agravamento de 1,6 p.p. do défice da conta corrente. As prioridades de curto prazo da política económica devem centrar-se na proteção das famílias vulneráveis, salvaguardando simultaneamente a sustentabilidade macro fiscal.

A médio prazo, espera-se que o crescimento estabilize em torno de 5%, assumindo uma normalização política gradual. A pobreza extrema deverá reduzir para 37,8% em 2028, embora permaneça altamente sensível à volatilidade dos preços dos alimentos e combustíveis, que afeta de forma desproporcional as famílias rurais. Os riscos mantém-se predominantemente negativos: uma instabilidade política prolongada poderá atrasar reformas e enfraquecer o envolvimento dos doadores, enquanto preços globais mais elevados de alimentos e energia poderão exercer pressão sobre a inflação, a posição externa e as finanças públicas.

Guinea-Bissau Economic Update : Pathways for Unlocking Productivity-Led Private Sector Growth
Comerciante num mercado de Bissau. Foto: Marco Silva | Banco Mundial Guiné-Bissau.

Mais investimento, menos produção: o paradoxo do setor privado

Com base no Inquérito às Empresas do Banco Mundial 2025, a Atualização Económica da Guiné-Bissau indica que o setor privado formal do país permanece pequeno, maioritariamente doméstico e dominado por micro e pequenas empresas, com o setor industrial praticamente marginal. As empresas são jovens — mais de metade tem menos de dez anos — refletindo anos de instabilidade e acesso limitado ao financiamento.

Um dos principais resultados é a divergência entre o crescimento do emprego e a produtividade do trabalho. A proporção de empresas que investe em ativos fixos aumentou de 45,1% em 2006 para 61,2% em 2025, mas o crescimento médio anual das vendas reais caiu de 13,4% para 3,4%. Mais significativamente, a produtividade do trabalho diminuiu consideravelmente — de +6,2% em 2006 para −6,8% em 2025 — evidenciando a criação de emprego “de baixa qualidade”, em que as empresas aumentam o número de trabalhadores sem ganhos proporcionais de produção.

Este desfasamento entre criação de emprego e produtividade está no centro do desafio de desenvolvimento da Guiné-Bissau. A Agenda de Emprego do Grupo Banco Mundial enfatiza não apenas a criação de mais empregos, mas sobretudo de empregos melhores e mais inclusivos. Na Guiné-Bissau, enfrentar os constrangimentos estruturais — incluindo o capital humano — e reforçar o ambiente de negócios é essencial para aumentar a produtividade, o que contribuirá para melhorar os rendimentos, reduzir a pobreza e ampliar as oportunidades económicas.

Os constrangimentos passaram de infraestruturas, ou elementos físicos, para barreiras estruturais e institucionais. A eletricidade deixou de ser o principal problema para as empresas formais após a interligação hidroelétrica da OMVG, enquanto os impostos, o acesso ao financiamento e a incerteza institucional surgem agora como os obstáculos mais críticos.

O crédito ao setor privado continua pouco desenvolvido, limitando sobretudo pequenas empresas, empresas lideradas por mulheres e negócios orientados para o mercado interno. As empresas médias e grandes apontam cada vez mais os tribunais, as alfândegas e a imprevisibilidade regulatória como obstáculos importantes.

Um pacote de reformas coordenado — sequenciado por horizonte temporal e centrado nas empresas — pode desbloquear os ganhos de produtividade que o crescimento até agora não conseguiu gerar. A Atualização Económica da Guiné-Bissau identifica várias prioridades para colocar a Guiné-Bissau numa trajetória de crescimento mais produtivo e resiliente:

  • Alargar a base fiscal e simplificar o cumprimento — incluindo a expansão da declaração digital e um regime simplificado para PME.
  • Expandir o acesso ao financiamento — operacionalizar registos de garantias, reforçar sistemas de informação de crédito e criar linhas de crédito direcionadas para PME e empresas lideradas por mulheres.
  • Reforçar a previsibilidade institucional — modernizar as alfândegas através de um balcão único eletrónico alinhado com os padrões da CEDEAO.
  • Consolidar os ganhos em infraestruturas — assegurar a fiabilidade energética e uma melhor governação do setor elétrico.
  • Reduzir o défice de conectividade digital — reformar a regulação das telecomunicações e implementar a espinha dorsal nacional de fibra ótica.

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