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REPORTAGEM 9 de fevereiro de 2021

Em Tocantins, a população ajuda a pavimentar o caminho para o futuro

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A equipe do projeto usou ligações, um grupo de Whatsapp, cartas e redes sociais, entre outros meios, para se comunicar com a população 

AGETO/Divulgação


DESTAQUES DO ARTIGO

  • Um projeto do Banco Mundial está melhorando as estradas estaduais para ajudar a conectar produtores rurais a mercados maiores;
  • Uma parcela menor da população que mora e trabalha no seio do centro urbano da cidade também seria afetada pelas obras;
  • Uma série de consultas virtuais permitiu à população expressar sua preocupação e ter sua voz ouvida.

A cidade rural de Palmeirópolis está traçando o futuro da segurança rodoviária com a ajuda da tecnologia da informação e da comunicação. Localizada em Tocantins, a comunidade de 7 mil pessoas vive da agricultura. Mas não havia na cidade uma estrada moderna e segura para oferecer a produção a mercados maiores.

Em agosto passado, a Agência Tocantinense de Transportes e Obras (AGETO), responsável pela área de transporte do Projeto de Desenvolvimento Regional Integrado e Sustentável do Tocantins, do Banco Mundial, realizou uma consulta virtual para ouvir as principais preocupações e necessidades da população em relação à segurança do trecho da rodovia TO-141 que atravessa a comunidade.

A TO-141 é essencial para a economia da cidade e para o desenvolvimento do estado. A rodovia liga Palmeirópolis a outras cidades do Tocantins e de Goiás, além de outros estados do Centro-Oeste e Norte do Brasil. O trecho de 26,25km da rodovia recebeu novo asfaltamento e sinalização viária, mas também trouxe preocupação a uma parte da população que mora e trabalha no centro urbano da cidade, por onde passam 700 metros da rodovia.

A maior parte da população vive na zona rural. No entanto, a segurança da pequena área urbana seria impactada pelas mudanças. Com a nova rodovia, o trânsito ficaria mais intenso, trazendo uma nova preocupação quanto à segurança. 

“Os moradores locais nunca reclamaram das condições rodoviárias, mas estava claro para nós que eles poderiam ficar expostos a acidentes. Uma possibilidade era transferi-los para outras partes da cidade, mas o custo-benefício disso não seria viável. Decidiu-se então por consultar diretamente a comunidade para saber quais eram suas necessidades, pois queríamos colocar as pessoas em primeiro lugar durante esse processo”, afirmou Graciela Sanchez Martinez, especialista sênior em Desenvolvimento Social do Banco Mundial.

A princípio, essa consulta deveria ter sido feita presencialmente, porém, os planos fracassaram diante das medidas de isolamento social impostas pela COVID-19. Isso tornou mais difícil envolver a população rural com pouco ou nenhum acesso a ferramentas digitais. A única solução foi utilizar os canais de mídias sociais disponíveis.

A primeira iniciativa foi transmitir ao vivo o processo de consulta pelas redes sociais do estado do Tocantins. O vídeo pôde ser visualizado e receber interações até 31 de agosto. Um total de 26 pessoas acompanhou o lançamento ao vivo pelo YouTube e 12 pessoas pelo Facebook. O público, porém, ainda estava muito tímido. Não foi feita nenhuma pergunta nem houve comentários. A equipe entendeu que os esforços para aumentar a participação deveriam ir além das mídias sociais.


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A equipe da AGETO realizou consultas públicas virtuais

AGETO/Divulgação


O governo do Tocantins criou, então, um grupo no WhatsApp administrado pela AGETO. Veículos equipados com alto-falantes também foram usados para divulgar a iniciativa, que também foi transmitida pelas rádios locais. A equipe chegou até mesmo a enviar cartas e fazer ligações telefônicas. Em alguns casos os técnicos da construtora fizeram visitas aos moradores, respeitando os protocolos de segurança do Ministério da Saúde e dos órgãos estaduais e municipais de saúde.

Foram recebidas 16 contribuições, a maioria por meio do WhatsApp. Apesar do pequeno número, ele representou as pessoas que residiam no primeiro trecho de 700 metros da rodovia. A AGETO ficou satisfeita com as mudanças sugeridas e já planejadas para o projeto, como a nova pavimentação e lombadas, além de áreas de cruzamento e sinalização. E o mais importante: 700 metros de calçada, que não haviam sido planejados, seriam construídos para aumentar ainda mais a segurança.

A primeira fase de pavimentação da rodovia está quase concluída. Neste momento, a AGETO está avaliando todas as demandas da consulta para atender as mais viáveis. Mas já é possível ter uma certeza: o caminho para o futuro já está pavimentado!


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