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Por que precisamos preencher o hiato de infra-estrutura na África Subsariana
Último número: 
  • April 2017


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DESTAQUES DO ARTIGO
  • A décima quinta edição do Africa’s Pulse (A Pulsação de África), uma análise bianual das economias Africanas, dedica uma secção especial ao desempenho da infra-estrutura de África, que actualmente classifica-se abaixo de todas as outras regiões em desenvolvimento.
  • O relatório revela que o preenchimento do hiato de quantidade e qualidade da infra-estrutura relativo aos melhores actores do mundo pode aumentar o crescimento do PIB per capita em 2,6% ao ano.
  • Se as ineficiências forem sanadas, os investimentos público e privado em infra-estrutura podem constituir uma ferramenta estratégica para a redução da pobreza e o desenvolvimento económico.

WASHINGTON, 19 de Abril de 2017 – A África Subsariana sofreu uma desaceleração no aumento do investimento - de quase 8% em 2014 para 0,6% em 2015, segundo o novo Africa’s Pulse, uma análise bianual da situação das economias Africanas efectuada pelo Banco Mundial. Este investimento lento coincidiu com uma acentuada desaceleração no crescimento económico em África.

Nesta edição do Africa’s Pulse, há uma secção especial dedicada à infra-estrutura da região, um sector no qual o investimento pode tornar-se uma ferramenta estratégica para a redução da pobreza e o desenvolvimento económico. A infra-estrutura é particularmente importante, visto que o continente classifica-se abaixo de todas as regiões em desenvolvimento em quase todas as dimensões de desempenho.

O relatório analisa as tendências na quantidade e na qualidade da infra-estrutura, bem como o acesso a ela; explora o relacionamento entre o aumento da infra-estrutura e o crescimento económico na região; documenta factos estilizados sobre o investimento público na região, além de examinar a qualidade dos gastos com infra-estrutura.

O lado positivo é que a África Subsariana fez um grande progresso na cobertura de telecomunicações nos últimos 25 anos, tendo ampliado rapidamente essa cobertura nos países de renda baixa e média do continente. O acesso à água potável também cresceu, de 51% da população em 1990, para 77% em 2015.

Mas os desafios que ainda permanecem são vastos e estão profundamente arraigados. Por exemplo, houve pouco progresso na capacidade de geração de energia eléctrica per capita em mais de duas décadas. Apenas 35% da população têm acesso à electricidade e as taxas de acesso nas áreas rurais são inferiores a um terço daquelas encontradas nas áreas urbanas. A infra-estrutura de transportes está igualmente desfasada na África Subsariana, que é a única região do mundo onde a densidade rodoviária caiu nos últimos 20 anos.

Os efeitos para o crescimento da redução do hiato na quantidade e na qualidade da infra-estrutura da África Subsariana são potencialmente grandes. Estima-se por exemplo, que o aumento do PIB per capita para a região seria 1,7 ponto percentual ao ano, caso o hiato fosse coberto na mesma média do resto do mundo em desenvolvimento.

O preenchimento do hiato de quantidade e qualidade da infra-estrutura relativa aos melhores actores do mundo pode aumentar o crescimento do PIB per capita em 2,6% ao ano. Os maiores benefícios potenciais do crescimento seriam proporcionados pelo preenchimento do hiato na capacidade de geração de electricidade.

Os níveis das despesas de capital público são excessivamente baixos para atender às necessidades de infra-estrutura da região. De acordo com dados granulares do orçamento colectados pela iniciativa BOOST para 24 países da África Subsariana, os gastos públicos anuais em infra-estrutura foram de 2% do PIB no período 2009 – 2015. As rodovias foram responsáveis por dois terços dos investimentos gerais em infra-estrutura na região. As despesas de capital com o abastecimento de água e energia eléctrica e o saneamento responderam, cada um, por 15% dos dispêndios totais de capital.

Ao analisar o gasto público em infra-estrutura, o relatório constatou que os países gastam significativamente menos dinheiro do que efectivamente destinam aos projectos. Isso reduz a execução dos projectos destinados ao investimento a cada ano, um sinal evidente das ineficiências que permeiam o sector.

As parcerias público-privadas na África Subsariana continuam a ser um mercado muito reduzido, com os projectos concentrados em apenas alguns países, a saber, África do Sul, Nigéria, Quénia e Uganda.

“A análise demonstra que o impacto do investimento público no crescimento económico pode ser aprimorado se os países implementarem políticas que tornem o investimento público mais eficiente”, afirma Punam Chuhan-Pole, Economista Principal do Banco Mundial e autor do relatório. “Existem evidências de que nos países com sistemas sólidos de gestão do investimento público, o investimento privado tende a ser ainda maior.

A melhoria das instituições e dos procedimentos que regem a avaliação, selecção e controlo dos projectos está entre as políticas que os países devem implementar para garantir que tenham um sistema sólido de investimento público. 



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