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O Impacto Económico da Epidemia de Ébola de 2014: Estimativas a Curto e Médio Prazo para a África Ocidental
Último número: 
  • October 8, 2014


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UNICEF/NYHQ2014-0450/La Rose

DESTAQUES DO ARTIGO
  • Um novo relatório do Grupo Banco Mundial realça os impactos a curto e a médio prazo da epidemia de Ébola na África Ocidental
  • O relatório surge no seguimento do relatório de Setembro de 2014 descrevendo os impactos da crise na Guiné, Libéria e Serra Leoa
  • As projecções indicam um possível prejuízo de USD 32 600 milhões para a África Ocidental ao longo dos próximos dois anos.

WASHINGTON, 8 de Outubro de 2014— Na sequência do seu relatório recente sobre os impactos económicos da epidemia de Ébola na Guiné, Libéria e Serra Leoa – os países mais profundamente afectados pela crise do Ébola – o Grupo Banco Mundial divulgou novos números citando os possíveis custos da doença na totalidade da região África Ocidental.  

O relatório destaca dois cenários: impactos na região no caso de “Baixo Ébola”, em que a doença é contida até ao início de 2015, os casos ficam em torno de 20 000 e a actividade económica cresce gradualmente; e de “Alto Ébola”, em que a doença é contida mais lentamente, os casos chegam a 200 mil e a epidemia piora significativamente até meados de 2015.


" With a large expansion of the outbreak, and Ebola spreading to other countries in the region, children would lose their providers, households would suffer losses to their income, businesses would lose workers to death, illness, and fear, and industries like mining and agriculture would slow down significantly "
David Evans

David Evans

Senior Economist at the World Bank and co-author of the report

No cenário “Baixo Ébola, segundo o relatório, o PIB perdido na África Ocidental, como um todo, está estimado em USD 2 200 milhões em 2014 e em USD 1 600 milhões em 2015. No caso de “Alto Ébola”, as estimativas sugerem uma perda do PIB em 2014 de USD 7 400 milhões e, em 2015, de USD 25 200 milhões. Ambos os casos assumem, no mínimo, alguma propagação a outros países.

Os factores que contribuem para o custo crescente do Ébola são os custos directos da doença (gastos públicos em cuidados de saúde) e custos indirectos, tais como uma menor produtividade do trabalho pelo facto de os trabalhadores ficarem doentes, morrerem ou tratarem dos doentes.

Mas a maior parte dos custos decorre do custo mais elevado da actividade económica no interior e no exterior das fronteiras nacionais. Estes são sobretudo fruto do “comportamento de aversão”, ou alterações no comportamento de indivíduos devido ao medo de contrair a doença, o que também deixou muitos negócios sem trabalhadores, trouxe perturbações aos transportes e provocou uma série de restrições às deslocações dos cidadãos dos países afectados.


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Efeitos em Cada País

O ébola já está a ter um impacto significativo na Guiné, Libéria e Serra Leoa. Os países com o número mais elevado de casos de Ébola registaram mais de 3 400 mortes e perturbações na agricultura, turismo e indústria transformadora e na mineração. A Libéria, com as taxas de infecção mais altas, poderá registar uma contracção do PIB de cerca de 5,2% no caso de Ébola Alto, deixando o país mais pobre em mais de USD 100 milhões.

Os efeitos indirectos da epidemia de Ébola estão a sentir-se em toda a África Ocidental.

  • Nigéria
    O aparecimento do Ébola na Nigéria levou a uma diminuição de clientes nas lojas e no comércio. O governo gastou recursos consideráveis para conter com sucesso a doença e, a exemplo da Costa do Marfim e do Senegal, o país impôs uma série de restrições às viagens dos seus cidadãos.
  • Costa do Marfim
    Até ao momento, não houve nenhum caso declarado de Ébola na Costa do Marfim mas o governo fechou as fronteiras com a Libéria e a Guiné e está a impor exames de saúde a todos os visitantes.
  • Guiné-Bissau
    Os efeitos económicos na Guiné-Bissau, onde até à data não se assinalou nenhum caso, serão provavelmente baixos, diz o relatório, em consequência do limitado comércio do país com os seus vizinhos regionais. Com o apoio do Grupo Banco Mundial, o governo lançou uma campanha de sensibilização da comunidade que visa evitar o Ébola dentro das suas fronteiras. As estimativas de crescimento da Guiné-Bissau permanecem inalteradas, em 3%.
  • Senegal
    Embora o Senegal tenha registado um caso de Ébola, o paciente foi tratado com êxito e o impacto económico no país tem sido mínimo. Mas o impacto do Ébola do turismo pode corresponder a uma perda anual de 1% do PIB. Segundo o relatório, já foram canceladas várias conferências e os voos que chegam transportam menos passageiros.
  • Gâmbia
    Desde o início do Ébola na África Ocidental, as estimativas indicam que já foram canceladas 65% das reservas de hotel. Se a crise persistir, diz o relatório, a Gâmbia poderá sofrer atrasos ou cancelamentos do investimento directo estrangeiro nos sectores do turismo e da hospitalidade.   

Impactos Regionais

Segundo o relatório, se a epidemia de Ébola ficar contida até ao fim de 2014, os impactos económicos na África Ocidental, incluindo na Guiné, Libéria e Serra Leoa, poderão ser minorados e as economias começariam a recuperar e a porem-se a par rapidamente. Se a crise se prolongar por 2015, conforme previsto, o abrandamento do crescimento poderia custar à região, durante 2014 e 2015,  um total de  USD 32 600 milhões e conduzir a níveis de pobreza muito mais elevados.

 “Com uma grande propagação da epidemia, e o Ébola a espalhar-se a outros países da região, as crianças perderiam os seus provedores, as famílias sofreriam perdas de rendimentos, os negócios perderiam trabalhadores por motivo de morte, doença e medo e as indústrias, como a mineração e a agricultura, teriam um sério arrefecimento”, afirma David Evans, um Economista Sénior e co-autor do relatório.

O relatório propõe que:

  • Os governos e seus parceiros internacionais lancem as bases para a adopção de políticas que contenham a epidemia e apaziguem o medo dos agentes económicos
  • Se aumentem as injecções de apoio financeiro externo com vista a auxiliar os governos a continuarem a funcionar à medida que o crescimento regressa
  • Se restabeleça a confiança dos investidores para que, à medida que a epidemia é controlada, o investimento nacional e internacional possa retornar
  • Se continue a investir em sistemas de saúde africanos eficazes e resilientes – incluindo a vigilância epidemiológica – uma vez contido o surto de Ébola. 

Sem estas medidas, como o relatório refere, “para além dos custos incomensuráveis de vidas perdidas, a perda de rendimento numa situação de Alto Ébola poderia levar anos a recuperar”.

Os impactos do Ébola na África Ocidental serão discutidos Quinta-Feira, 9 de Outubro, das 07.30 horas às 09.00 horas ET, num evento de alto nível, com a participação dos Presidentes da Guiné, Libéria e Serra Leoa. A discussão será transmitida ao vivo em http://live.worldbank.org/impact-of-ebola-crisis