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COMUNICADO À IMPRENSA

África Continua com Forte Crescimento Apesar da Desaceleração Global, mas a Redução da Pobreza Mantém-se Débil

15 de abril de 2013

WASHINGTON, 15 de Abril, 2013 – O crescimento económico na África Subsariana deverá cifrar-se em mais de 5 por cento, em média, no período 2013-2015, em virtude dos elevados preços mundiais das matérias-primas e dos gastos robustos dos consumidores do continente, que assim garantem que a região se manterá entre as de maior crescimento no mundo – segundo dados da mais recente edição de Africa’s Pulse do Banco Mundial, uma análise bianual das questões que determinam as perspetivas económicas de África.

Em 2012, cerca de um quarto dos países de África cresceram 7 por cento ou mais e uma série de países africanos, nomeadamente a Serra Leoa, Níger, Costa do Marfim, Libéria, Etiópia, Burkina Faso e Ruanda, situam-se agora entre as nações de mais rápido crescimento do mundo.

O novo relatório do Banco Mundial prevê que as perspetivas de crescimento a médio prazo se mantêm robustas e serão apoiadas por uma gradual melhoria da economia mundial, preços sustentadamente elevados das matérias-primas e maior investimento em infraestruturas regionais, comércio e crescimento dos negócios.

Saudando esta nova avaliação de que África continuará a crescer mais rapidamente que a média global, o Vice-Presidente do Banco Mundial destacou a necessidade de progressos mais rápidos em áreas como a eletricidade e a alimentação, nas zonas vulneráveis do Sahel e do Corno de África, e a necessidade de aumentar consideravelmente a energia e a produtividade agrícola, para melhorar a qualidade de vida dos africanos em todo o continente e reduzir a pobreza de modo significativo.

“Os países africanos precisam de levar mais eletricidade, alimentação nutritiva, emprego e oportunidades, às famílias e comunidades de todo o continente, para que possam melhorar as suas vidas, acabar com a pobreza extrema e promover uma prosperidade partilhada,” disse o Vice-Presidente para África do Banco Mundial, Makhtar Diop. “Sem um aumento da energia elétrica e uma maior produtividade agrícola, o desenvolvimento futuro de África não poderá prosperar. A boa notícia é que os governos de África estão determinados a mudar a situação.”

Diop instou também os governos africanos e os seus parceiros de desenvolvimento, a melhorar a capacidade estatística do continente, para que os cidadãos possam medir e monitorizar melhor os seus progressos no desenvolvimento e analisar as razões dos seus sucessos e das suas falhas, particularmente em países ricos em recursos e em estados frágeis, onde a recolha e análise de dados continua a ser fraca.

Novas descobertas de minérios dão impulso ao crescimento

Africa’s Pulse revela que recentes descobertas de petróleo, gás natural, cobre e outros minérios estratégicos, e a expansão de várias minas ou abertura de novas, em Moçambique, Níger, Serra Leoa e Zâmbia, a par de uma melhor governação política e económica, estão a sustentar um sólido crescimento económico em todo o continente.

Olhando o futuro, prevê-se que em 2020 haverá apenas 4 ou 5 países na região que não estejam envolvidos na exploração de algum tipo de minério, tal é a abundância de recursos naturais em África.

Diz o Banco Mundial que, atendendo ao volume de receitas provenientes de minérios que estão a ser explorados em toda a região, os países de África ricos em recursos terão, em consciência, de investir estes novos ganhos em melhor saúde, mais educação, emprego e na redução da pobreza dos seus povos, de forma a maximizar as perspetivas nacionais de desenvolvimento.

Cresce o consumo e o investimento privado

O consumo das famílias, que representa mais de 60 por cento do BIP em África, manteve-se robusto em 2012. Esta tendência foi estimulada pela queda da inflação, que desceu de 9,5 por cento em Janeiro 2012, para 7,6 por cento em Dezembro 2012; pela melhoria no acesso ao crédito, por exemplo em Angola, Gana, Moçambique, África do Sul e Zâmbia; taxas de juro mais baixas – por cada subida de juros registaram-se três cortes; e uma retoma nos rendimentos agrícolas, graças a mais favoráveis condições climatéricas em países como a Guiné, Mauritânia e Níger, que todos tiveram melhores condições pluviais em comparação com a safra do ano 2010/2011; e por um comportamento estável da entrada de remessas, calculada em USD$31 mil milhões em 2012 e 2011.

Um crescimento no fluxo de investimentos tem apoiado o desempenho do crescimento da região. Em 2012, por exemplo, os fluxos líquidos de capital privado para a região aumentaram 3,3 por cento, para um total record de USD$54,5 mil milhões; e os fluxos de investimento direto estrangeiro para a região aumentaram 5,5 por cento em 2012, atingindo USD$37,7 mil milhões.

A publicação Africa’s Pulse assinala que as exportações estão também a impulsionar o crescimento do continente e que os tradicionais destinos destas mercadorias estão também a mudar. Desde 2000, o crescimento global das exportações subsarianas para mercados emergentes, incluindo a China, Brasil e Índia, e para países da região, tem vindo a ultrapassar as destinadas aos mercados desenvolvidos. O total de exportações para o Brasil, Índia e China, ultrapassou as que se destinaram ao mercado da UE em 2011.

O notável crescimento de África não reduziu suficientemente a pobreza

Após mais de uma década de forte crescimento económico, o Banco Mundial afirma que África conseguiu reduzir a pobreza no continente, mas não tanto quanto é necessário.

“Enquanto o quadro alargado dos resultados mostra que as economias de África têm vindo a conhecer uma saudável expansão e que a pobreza está a reduzir, os dados agregados escondem uma grande diversidade de resultados, mesmo entre os países africanos de mais rápido crescimento”, afirma Shanta Devarajan, Economista Principal para África do Banco Mundial e principal autor do novo relatório.

Devarajan acrescenta que durante a segunda metade dos anos 2000, a Etiópia e o Ruanda viram as suas economias crescer 8-10 por cento (ou entre 5 e 8 por cento per capita), o que resultou na redução das suas taxas nacionais de pobreza em percentagens de 1,3 a 1,7 pontos ao ano. Em contraste, há outros países em que a redução da pobreza se cifrou muito abaixo do crescimento.

O future oferece perspetivas de mais crescimento, muito menos pobreza, e prosperidade partilhada

Africa’s Pulse sugere que uma série de tendências emergentes no continente poderão ajudar a transformar o seu atual estádio de desenvolvimento nos próximos anos. Essas tendências incluem a promessa de avultadas rendas da exploração mineira, a subida dos rendimentos graças a uma espetacular expansão da produtividade agrícola, a migração em larga escala de habitantes do interior para as pequenas e grandes cidades de África, e um dividendo demográfico que será potencialmente criado pela população jovem de África, que está em rápido crescimento.

“Se forem devidamente aproveitadas para realizarem todo o seu potencial, estas tendências contêm a promessa de maior crescimento, muito menos pobreza e o acelerar, num futuro previsível, de uma prosperidade partilhada nos países africanos” diz Punam Chuhan-Pole, coautor de  Africa’s Pulse e Economista Chefe Região África do Banco Mundial. 

 

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COMUNICADO À IMPRENSA Nº
2013/332/AFR