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COMUNICADO À IMPRENSA

Tecnologias de Informação e Comunicação Revolucionam Desenvolvimento de Cunho Nacional em África

10 de dezembro de 2012

Novo Relatório Destaca Inovações e Soluções Locais em Oito Setores-Chave

WASHINGTON, 10 de Dezembro de 2012 --- Inovações em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) dão origem a soluções desenvolvidas internamente em África, que transformam os negócios e estimulam o espírito empreendedore o crescimento económico, refere um relatório conjunto publicado pelo Banco Mundial e Banco Africano de Desenvolvimento (BAfD), com o apoio da União Africana.    

O relatório eTransform Africa: The Transformational Use of Information and Communication Technologies in Africa, fornece dados novos na revolução tecnológica que está a acontecer em África, que também é fundamental no desenvolvimento do continente. No início de 2012, havia cerca de 650 milhões de assinantes de telemóveis, tornando o mercado de telefones celulares maior do que o da UE ou dos Estados Unidos. Cerca de 68 000 km de cabo submarino e mais de 615 000 km de redes nacionais de fibra ótica foram instalados, aumentando significativamente a conectividade em África. A Internet de banda larga à disposição dos mil milhões de cidadãos de África cresceu vinte vezes desde 2008. .

“A Internet e os telefones móveis estão a transformar o panorama de desenvolvimento em África, injetando novo dinamismo em sectores-chave”, referiu  Jamal Saghir, Diretor do Banco Mundial para o Desenvolvimento Sustentável na Região África.  “O desafio está em multiplicar estas inovações e histórias de sucesso para a obtenção de maiores impactos sociais e económicos em África durante a próxima década.”

O relatório eTransform Africa enfatiza a necessidade de construir um mercado competetivo na indústria TIC para promover inovação, criação de emprego e impulsionar o potencial de exportação das companhias africanas. Este relatório identifica as melhores práticas na utilização das TIC em oito sectores principais, a saber:

  • Agricultura: No Quénia, o projeto Kilimo Salama está a facultar seguro de colheitas aos agricultores, através do portal de pagamento M-PESA, ajudando-os a gerir melhor os riscos naturais, como a seca ou chuvas excessivas.
  • Adaptação às alterações climáticas: No Malawi, um projeto de desflorestação está a ensinar as comunidades locais a mapearem as suas aldeias com recurso a dispositivos GPS, dando-lhes capacidade para desenvolverem estratégias de adaptação localizadas através da participação das comunidades.
  • Serviços Financeiros: No Senegal, a SONATEL (uma subsidiária da Orange) é um dos últimos operadores de comunicações no continente a lançar um serviço de transferência de dinheiro, que permite aos 200 000 assinantes enviar e receber dinheiro através de telemóveis.  
  • Saúde: No Mali, a telemedicina está a ajudar a ultrapassar a falta de especialistas e trabalhadores da saúde experientes nas áreas rurais, sendo de referir especificamente o programa de teleradiologia IKON.

“Este relatório não só evidencia o curso que África já segue, mas incentiva também o pensamento criativo continuado sobre o modo como utilizar as TIC com vista a beneficiar mais africanos”, afirmou Gilbert Mbesherubusa, Vice-presidente Interino de Operações do Banco Africano de Desenvolvimento.

O relatório revela o modo como países, designadamente o Quénia e Senegal, estão a implementar iniciativas para facilitação do comércio, apoiadas nas TIC, e descreve o papel-chave que as Comunidades Económicas Regionais Africanas podem desempenhar no apoio a uma maior integração regional para aumento do crescimento económico e redução dos custos.

eTransform Africa documenta igualmente o florescimento de polos de tecnologia em África – como o iHub e NaiLab no Quénia, Hive CoLab e AppLab no Uganda, Activspaces nos Camarões, BantaLabs no Senegal, Kinu na Tanzânia ou infoDev’s mLabs no Quénia e África do Sul.  Estes polos estão a criar novos espaços para colaboração, inovação, formação, aplicações e desenvolvimento de conteúdos e para a pré-incubação de empresas africanas.

“África está rapidamente a tornar-se um líder das TIC. Inovações que começaram em África – como o cartão dual SIM para telemóveis, ou o uso de telemóveis para remessa de pagamentos – estão agora a propagar-se por todo o continente e mais além” disse Tim Kelly, Especialista Principal em Políticas de TIC no Banco Mundial e o autor do relatório. “No futuro, o desafio está em assegurar que as inovações nas TIC beneficiem todos os africanos, incluindo os pobres e vulneráveis e aqueles que vivem em zonas remotas.”

De acordo com o relatório eTransform Africa, as experiências até à data oferecem muitas lições úteis para os decisores de políticas africanos, que procurem maximizar o impacto transformacional das TIC. Por exemplo:

  • O emprego das TIC e o desenvolvimento de aplicações têm de se cimentar nas realidades das circunstâncias locais e na diversidade.
  • Os governos têm um papel importante a desempenhar no que toca a criar o ambiente propício onde as inovações e investimentos possam prosperar, servindo ao mesmo tempo como cliente principal em matéria de adoção de inovações e tecnologias adicionais.
  • A utilização eficaz das TIC exigirá uma colaboração transsectorial e uma abordagem multiparticipativa, baseada em dados abertos e numa inovação aberta.
  • As aplicações TIC mais inovadoras em África foram o resultado de programas piloto. O relatório afirma que agora é o tempo para uma avaliação rigorosa, reprodução e ampliação das melhores práticas.

eTransform Africa abarca mais de 20 estudos de casos de transformação que as TIC produziram, bem como um anexo estatístico com os últimos dados sobre acesso a telefones móveis e à banda larga em países africanos. O estudo recebeu financiamento do Fundo Fiduciário Coreano do BAfD e do Fundo Fiduciário Pfizer do Banco Mundial. O relatório completo, juntamente com oito estudos sectoriais, está disponível on-line em www.eTransformAfrica.org.

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COMUNICADO À IMPRENSA Nº
2013/187/SDN