REPORTAGEM

Energia sustentável: sistema global de medição ajuda países a cumprir metas de acesso

28 de maio de 2013

Parque eólico no Ceará, Brasil: fontes renováveis devem compor 36% do mix energético global até 2030, segundo a meta estabelecida pela iniciativa Energia Sustentável para Todos.

DESTAQUES DO ARTIGO
  • Ainda há muito trabalho a ser feito para cumprir as metas da iniciativa Energia Sustentável para Todos. Entre elas, estão: oferecer 100% de acesso a fontes modernas de energia, dobrar o uso de fontes renováveis e dobrar a melhoria da eficiência energética até 2030.
  • Um bilhão e meio de pessoas ainda carecem de eletricidade e 2,8 bilhões não têm acesso a combustíveis domésticos modernos. As fontes de energia renovável representam apenas 18% do uso de energia global.
  • Um novo relatório mostra, entre outros dados, que o Brasil é o sétimo país com maior demanda de energia, atrás de China, EUA, Rússia, Índia, Japão e Alemanha.

Quantas pessoas no mundo inteiro carecem de acesso à eletricidade e aos combustíveis domésticos seguros? Qual é a parcela de uso de energia renovável em todo o mundo? O que estamos fazendo para melhorar a eficiência energética?

O Relatório Estrutura de Acompanhamento Global da Energia Sustentável para Todos, publicado no Fórum de Energia, em Viena (Áustria), em 28 de maio, responde a essas perguntas. O documento apresenta dados detalhados – tanto nacionais quanto globais – que indicam o tamanho dos desafios para que os países cumpram os três objetivos da iniciativa Energia Sustentável para Todos: proporcionar acesso universal à energia moderna, dobrar o uso de energia renovável e duplicar a taxa de melhoria da eficiência energética – tudo isso até 2030.

O relatório indica que 1,2 bilhão de pessoas – quase a população da Índia – não têm acesso à eletricidade e que 2,8 bilhões dependem da lenha ou de outra fonte de biomassa para combustível doméstico.

Esses combustíveis domésticos sólidos poluem o ambiente e prejudicam a saúde, o que contribui para cerca de 4 milhões de mortes prematuras, na maioria de mulheres e crianças. O relatório também assinala que a maioria das pessoas ainda sem acesso à eletricidade vive em 20 países em desenvolvimento na Ásia e na África Subsaariana e que cerca de 80% delas vivem em áreas rurais.

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O que se mede determina o que se consegue. Por isso, é tão importante começar a medir logo e começar a coletar dados corretos, o que foi feito por esse relatório. O documento traçou um caminho para conquistarmos energia sustentável para todos e mensurar os progressos feitos. Que comece a jornada! Close Quotes

Kandeh Yumkella
Executivo chefe da iniciativa Energia Sustentável para Todos

Qual é o ritmo de expansão do acesso à energia?

Embora 1,7 bilhão de pessoas tenha conseguido acesso à eletricidade entre 1990 e 2010, essa taxa estava ligeiramente à frente com relação ao crescimento da população (em 1,6 bilhão) no mesmo período.  O ritmo da expansão do acesso à eletricidade terá de dobrar para alcançar a meta de 100% até 2030. Chegar a esse ponto exigirá um investimento adicional por ano de US$ 45 bilhões em acesso, cinco vezes o nível anual. Do ponto de vista do aquecimento global, no entanto, o custo dessa expansão é baixo: levar a eletricidade às pessoas aumentaria as emissões globais de dióxido de carbono em menos de 1%.

A Energia Sustentável para Todos (SE4ALL), uma coalizão global de governos, setor privado, sociedade civil e organizações internacionais, visa a conseguir isso dobrando o volume de energia renovável na mescla global de energia, passando da parcela atual de 18% para 36% até 2030. A iniciativa também procura dobrar a taxa de melhoria da eficiência energética.  O SE4ALL foi lançado em 2011 pelo Secretário-Geral das Naçõe Unidas Ban Ki-moon, que atualmente preside o conselho consultivo juntamente com o Presidente do Grupo Banco Mundial Jim Yong Kim. 

A Estrutura de Acompanhamento Global é um marco nesse esforço, afirmou Rachel Kyte, Vice-Presidente do Banco Mundial para a área de Desenvolvimento Sustentável e membro da iniciativa Energia Sustentável para Todos. “A estrutura oferece parâmetros para cumprir as metas globais de energia,” afirmou ela. “Todos poderão medir o progresso com relação a essas informações de base. E sabemos que isso é importante, porque o que se mede é o que será feito.”

Onde podemos fazer a maior diferença?

O relatório identifica os países de alto impacto que oferecem o maior potencial de progressos rápidos:

  • Vinte países de alto impacto na Ásia e na África representam cerca de dois terços de todas as pessoas sem acesso à eletricidade e três quartos dos usuários de combustíveis domésticos sólidos.
  • Outros 20 países de alto impacto (entre eles, o Brasil) são responsáveis por 80% do consumo de energia e deverão liderar o caminho para duplicar a parcela de fontes renováveis a 36% da mescla global de energia e dobrar a melhoria da eficiência energética.
  • Um exemplo de progresso entre os países de alto impacto é a China: o país mais populoso do mundo é o maior consumidor de energia, mas está também liderando o mundo em expansão da energia renovável e na taxa de melhoria da eficiência energética.

O relatório conclui que é preciso uma ação decisiva para alcançar essas metas. São necessárias medidas de política, incluindo incentivos fiscais, financeiros e econômicos, fim dos subsídios a combustíveis fósseis e definição do preço do carbono.

A comunidade global também terá de investir em melhorias energéticas. O relatório estima que os atuais investimentos em energia, totalizando cerca de US$ 409 bilhões por ano, devem ser mais do que dobrados para alcançar as três metas. São necessários US$ 600-US$ 800 bilhões adicionais, afirma o relatório, incluindo pelo menos  US$ 45 bilhões para expansão da eletricidade, US$ 4,4 bilhões para combustíveis destinados à culinária moderna, US$ 394 bilhões para eficiência energética e US$ 174 bilhões para energia renovável.