Base
de dados sobre o Saber Indigena e suas práticas
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Tuesday, January 4, 2005
Exemplos de Aplicações de CI - Região África - Banco Mundial
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1 Domínio: Saúde Tecnologia: Cuidados infantis Portadores de Conhecimento: Mulheres Igbo Fonte: Obikeze, D.S. IK K Monitor 5 (2) 1997 CIRAN País: Nigéria Aplicação: Ritos de cuidados de assistência à mãe e bebé e práticas observadas entre o povo Igbo do Sudeste da Nigéria. Durante um período de quatro semanas após o nascimento, que é chamado "Omugwo", a mãe e criança são afastadas e ficam sob os cuidados da avó do recém-nascido que se ocupa de todas as tarefas. A mãe é alimentada com uma sopa quente à base de peixe seco, batatas doces, bastante pimenta e um tempero especial à base de ervas chamado "udah"que provoca a contracção do útero contribuindo assim para a expulsão de coágulos de sangue. A dieta ajuda a restaurar o sangue perdido durante o parto, a recuperar a energia facilitando a cicatrização das feridas e a restaurar as funções normais do corpo e a promover a lactação. Para quem tem o primeiro filho, o tempo é utilizado para aprender com a mãe práticas de educação de filhos e de dona de casa. Lição: Os programas de cuidados de saúde precisam de reconhecer os ritos "Omugwo"e integrá-los nas estratégias de assistência. |
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2 Domínio: Agricultura Tecnologia: Silvicultura Portadores de Conhecimento: Agricultores Washambaa Fonte: Vários relatórios da GTZ de 1980 a 1990, ou contactar rwoytek@worldbank.org País: Tanzânia/Ruanda Aplicação: Transferência do sistema agrícola Washambaa para o Ruanda com adaptação e retransferência. Os Washambaa das Montanhas Usambara na Tanzânia tinham desenvolvido um sistema de utilização da terra que simulava a vegetação da floresta natural de folhas caducas, em vários níveis, e composta por vegetação anual e perene na mesma parcela de terreno. Os princípios foram transferidos para Nyabisindu, Ruanda, num projecto assistido pela GTZ; adicionaram-se socalcos para fins vários com arbustos e pastos e o sistema foi depois retransferido para os Washambaa após a densa população e a procura de lenha terem destruído a camada de vegetação que cobre o solo. Lição: A simulação de vegetação natural é um método válido para a conservação do solo; a transferência e adição de novos elementos para resolver os problemas acrescenta valor ao sistema original de utilização da terra.
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3 Domínio: Habitação, Energia Tecnologia: Arquitectura Portadores de Conhecimento: Arquitectos, construtores Fonte: BASIN News Nr. 12 1997 Eschborn ou contactar Schreckenbach H. País: Egipto Aplicação: Reintrodução de arquitectura tradicional egípcia. No seguimento de uma reorientação da política nacional de energia, a comissão de energia atómica do Egipto começou a pesquisar métodos para economizar energia e materiais de construção. Foi feita uma troca de experiências a nível da região tendo sido observado o seguinte: os telhados curvos têm uma área menor (e precisam de menos materiais de construção) para o mesmo volume de espaço interior. As simulações por computador comprovam que: o ganho líquido de calor de uma cúpula pode ser 20% inferior ao de um telhado plano; os telhados curvos permitem que o ar quente suba, deixando o ar mais fresco ao nível do chão. As aberturas no cimo podem fornecer "ar condicionado natural" através de uma corrente de ventilação; as clarabóias nas abóbadas e nas cúpulas fornecem 4 a 5 vezes mais luz por unidade de área de chão do que janelas baixas em paredes verticais. Quanto menos área de janelas for preciso, mais reduzidas são as cargas de aquecimento e arrefecimento; as salas com tectos curvos têm um efeito psicológico agradável nos seus ocupantes; parecem oprimir menos do que as salas com tectos planos. Lição: Aumentar a consciência, entre os profissionais e os responsáveis pela adopção de políticas, através da validação do conhecimento tradicional combinado com tecnologia moderna. |
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4 Domínio: Agricultura Tecnologia: Conservação do solo Portadores de Conhecimento: Agricultores Mossi Fonte: Warren, D.M., Rajasekaran, B. 1993, Fazer Bom Uso do Conhecimento Local ("Putting Local Knowledge to Good Use"), International Agricultural Development 13 (4): 8-10 País: Burkina Faso Aplicação: Restauração de uma prática de construção de terraços para captação de água para rega no Sahel. No princípio deste século, os Mossi construíram diques de pedra nas terras cultivadas a fim de construir terraços. Por causa da instabilidade política, este método acabou por ser abandonado mais tarde. Após uma série de secas na década de 70, foi retomada a prática de construção de diques. Acrescentaram-se poços para água, que foram cheios com matérias orgânicas para aumentar a fertilidade do solo. Foram postos de parte outros sistemas que tinham sido introduzidos. Os diques de pedras são construídos ao longo dos anos, chegando a atingir cerca de um metro de altura, fazendo a terraplanagem das vertentes com relativamente pouca mão-de-obra durante a estação seca. Os diques semi-permeáveis permitem uma absorção gradual da água e impedem o seu vazamento causado pelas poucas mas muito intensas chuvas, reduzindo o risco de perda de colheitas e de erosão do solo. Nos anos de seca desastrosa de 1983 e 1984, as terras com diques produziram safras, enquanto nos campos vizinhos nada crescia. O Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) prestou assistência ao país na divulgação de tecnologia a todo o planalto central, com uma forte densidade de população, onde hoje em dia 150 aldeias do planalto dispõem de diques de pedra para rega. Os rendimentos da soja subiram cerca de 40% nos campos onde há diques. Lição: As práticas desenvolvidas localmente precisam de um clima político e económico propício. Um método participativo permite que os agricultores façam a escolha da tecnologia.
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5 Domínio: Agricultura Tecnologia: Investigação e Divulgação Portadores de Conhecimento: Mulheres Agricultores Fonte: CIDA Projecto de Desenvolvimento de Cereais País: Gana Aplicação: Ciência a nível das Bases - Projecto de Desenvolvimento de Cereais no Gana. Os projectos de investigação agrícola financiados pela CIDA e pelo IDRC estão cada vez mais a beneficiar do conhecimento indígena, que desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento de técnicas e acompanhamento de investigação apropriadas. Um projecto de desenvolvimento de cereais apoiado pela CIDA no Gana visa prestar atenção aos agricultores, onde a maior parte são mulheres. Isto não só determina as suas necessidades mas também assiste na difusão de novo conhecimento, uma vez que estas novas variedades melhoradas estejam desenvolvidas. As mulheres agricultores desempenham um papel essencial na preservação dos cereais tradicionais. Lição: As mulheres, na sua qualidade de portadoras de conhecimento, são fontes importantes de informação para a pesquisa científica e são agentes de divulgação credíveis e convincentes. |
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6 Domínio: Ambiente Tecnologia: Fiscalização Portadores de Conhecimento: Jovens que deixaram a escola Fonte: Universidade da Florida, Notas IK (a ser publicado), contacto: pmohan@worldbank.org País: Zimbabué Aplicação: Os jovens que deixam a escola fiscalizam os resíduos das actividades de mineração. Nas comunidades que circundam Cap Mine no Zimbabué, os investigadores locais experimentaram com sucesso esquemas que envolvem jovens que deixaram a escola na fiscalização da qualidade da água, com a função de assistirem aos residentes da comunidade na detecção de descarga de vazamentos e de efluentes directos nas vias fluviais afectadas pelas actividades de mineração. As populações agrícolas demonstraram um enorme interesse em ter um melhor entendimento do efeito das actividades de mineração nos reservatórios locais e abastecimentos de águas e o estudo que daí resultou teve um impacto marcado no melhoramento da supervisão dos impactos ambientais da referida indústria. Lição: A participação de jovens que deixaram a escola na fiscalização do ambiente é eficaz em função dos custos e cria um grupo de pressão local para influenciar a acção privada e pública. A juventude também come& ccedil;a a perceber o ambiente local que os rodeia.
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7 Domínio: Criação de animais Tecnologia: Medicina Veterinária; plantas medicinais Portadores de Conhecimento: Fulanis, criadores de gado; veterinários com técnicas modernas e de plantas medicinais Fonte: Toyang, N.J. et al. práticas de medicina à base de plantas medicinais na Província Noroeste dos Camarões, IK Monitor 3 (1995) País: Camarões Aplicação: Entrelaçar as práticas de veterinária à base de plantas medicinais com o serviço público de veterinária. Na província do Nordeste dos Camarões, veterinários que recorrem a plantas medicinais e o pessoal dos Ministério da Agropecuária, Pescas e Indústrias Animais e o Instituto para a Investigação Animal, uniram os seus esforços na cooperação com o Heifer Project International (HPI). A veterinária à base de plantas medicinais/Projecto de Desenvolvimento de Gado dos Fulani encara o problema de um abastecimento caro e erróneo de drogas e serviços veterinários com o fim de conseguir uma via duradoura de melhorar a saúde animal na região através da utilização complementar de medicinas veterinárias indígenas e ortodoxas. Os benefícios são uma redução da dependência de medicamentos e abastecimentos veterinários importados, a possibilidade de descoberta de novos remédios e o uso de medicamentos naturais com menos efeitos colaterais. A comunicação e contactos entre os proprietários de gado e os veterinários melhoraram; foi fundada a primeira associação de veterinários tradicionais e fez-se a promoção do estabelecimento de uma rede de comunicação entre os profissionais indígenas e os especialistas ortodoxos em saúde animal. Fez-se a documentação de alguns tratamentos tradicionais com ervas medicinais, a classificação de plantas activas e práticas de processamento de alimentos e lacticínios. Lição: Construir a partir do conhecimento indígena, não só ajuda à prossecução de objectivos técnicos, como também melhora a comunicação entre os beneficiários, especialistas tradicionais e modernos e o intercâmbio e transferência de conhecimento. |
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8 Domínio: Saúde, Educação Tecnologia: Prevenção da SIDA Portadores de Conhecimento: Curandeiros locais Fonte: Green, E.C., 1997. Participação de curandeiros tradicionais em programas de prevenção de Sida. Tropical Doctor Supl. 1:1-4 País: Moçambique Aplicação: Prevenção da SIDA através do envolvimento de curandeiros tradicionais nas campanhas de sensibilização. A pesquisa de plantas medicinais em Moçambique aprofundou o entendimento biomédico de crenças e práticas relacionadas com doenças transmitidas sexualmente (DTS) na África Austral, e ajudou na concepção de estratégias de comunicação, culturalmente significativas, sobre SIDA. Os programas de prevenção de SIDA/DTS que daí resultaram tentaram ensinar aos curandeiros tradicionais conceitos biomédicos através do uso de símbolos, metáforas e conceitos etiológicos já em uso para explicar doenças transmitidas sexualmente conhecidas localmente. Tal muito contribuiu para o entendimento dos curandeiros de conceitos biomédicos pouco familiares e lançou as bases para o modo como os curandeiros tradicionais vão promover mudanças de comportamento entre os seus clientes, bem como novas tecnologias, tais como preservativos. Lição: A participação de profissionais de conhecimento tradicional (curandeiros) numa maior consciencialização de uma área de grande sensibilidade psicológica e social, como a sexualidade, tem um impacto mais profundo e a um custo mais baixo. |
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9 Domínio: Criação de gado Tecnologia: Reprodução Portadores de Conhecimento: Pastores Fonte: Köhler-Rollefson, I., IK Monitor 1 (3) Abril de 1993; vide também FAO - Diversificação Animais Domésticos, Sistema de Informação (DAD-IS) País: Sahel, Vários Aplicação: Pastores tradicionais como guardiães da diversidade biológica. Os nómadas apuram os seus rebanhos ao longo de muitas gerações de modo a torná-los adaptados às frequentemente severas e variáveis condições do ambiente. Isto resultou em muitas raças, frequentemente com algumas pequenas diferenças entre elas, que a ciência pecuária convencional não conseguiria diferenciar. No entanto, estes animais desenvolveram características que são tão específicas ao seu ambiente natural que a sua parte genética se tornou um recurso valioso para os programas de reprodução animal. Enquanto a conservação criogénica de sémen preserva o código genético, ela não inclui a informação adequada relativa à criação de gado destas raças. Os pastores ainda conservam os seus animais nas terras marginais do Sahel. O modo de manter o gado, cabras, ovelhas, camelos e cavalos representa um modelo das práticas de criação animal em áreas onde outras formas de utilização da terra não podem sustentar uma população em crescimento. Lição: Se bem que os bancos de sémen (ou sementes) de raças (variedades) raras preservem o código genético, eles não apontam o conhecimento de uma reprodução apropriada. Para as terras marginais, a conservação in-situ através da prática é a única forma de preservar a diversidade biológica. |
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10 Domínio: Saúde Tecnologia: Plantas medicinais Portadores de Conhecimento: Maasai Fonte: Sindiga, I. IK Monitor 2 (2) Dezembro de 1994 País: Tanzânia Aplicação: Conhecimentos botânicos dos Maasai.
Na sua qualidade de pastores, os Maasai têm um conhecimento extensivo de pastos e arbustos da região. Eles fazem a distinção entre os que são bons para aumentar a produção de leite e os que engordam o gado e melhoram a sua condição. Este conhecimento é particularmente importante durante anos excepcionalmente secos, quando os Maasi têm que tomar decisões sobre o local onde levar o gado a pastar, quais os pastos que recuperam mais depressa que outros e, com base na existência de recursos, qual o gado que deveria ser seleccionado primeiro. Lição: O conhecimento dos Maasai de pastos resistentes à seca é útil para a avaliação de recursos nas regiões de pastoreio excessivamente utilizadas.
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11 Domínio: Agricultura Tecnologia: Controlo da Erosão, Nutrição das Plantas Portadores de Conhecimento: Agricultores Matengo, Terras Altas do Sul Fonte: Rutatora, D.F. IK Monitor5 (2) Agosto de 1997 País: Tanzânia Aplicação: Pontos fortes e fracos dos poços Matengo Na região montanhosa (Poços Matengo) utiliza-se o cultivo de pastos alternado com terra de pousio nas vertentes mais inclinadas para cultivar milho, feijões, trigo e batatas doces, e em alguns casos tabaco, numa base rotativa, na região montanhosa de Matengo Highlands que dispõe de pouca terra arável e se encontra sob pressão causada pela elevada densidade de população em fase de crescimento. Os arbustos e os pastos são cortados e dispostos em filas que se cruzam sob a forma de rectângulos, formando uma espécie de grelha em toda a área. Um conjunto de filas é disposto ao longo das curvas de nível, na transversal da vertente, e o outro conjunto segue a direcção da vertente, formando poços de dimensões variadas de cerca de um metro quadrado de área e 0,3 m de profundidade. Os sulcos e os poços são plantados com vários cultivos anuais segundo um padrão rotativo complexo, depois de os resíduos das colheitas terem sido enterrados sob os sulcos onde antes existiam poços na estação anterior e vice-versa. Os campos Matengo apresentam um desgaste causado pelas chuvas 70% a 80% inferior aos dos campos não tratados. Esta prática tem sido aplicada há mais de 100 anos. A prática, no entanto, exige uma dose elevada de mão-de-obra, sendo a maior parte do trabalho efectuado por mulheres, não podendo ser mecanizado. Lição: Este sistema apresenta um desafio aos profissionais do desenvolvimento e agricultores para em conjunto desenvolverem uma prática agrária que se baseie nos poços Matengo, tenha o mesmo efeito na conservação do solo e reduza a necessidade de tanto trabalho das mulheres.
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12 Domínio: Finanças Rurais Tecnologia: Poupança e Crédito Portadores de Conhecimento: Agricultores Igala no estado de Kogi Fonte: Nweze, N.J. IK Monitor 2 (2) Agosto de 1994 País: Nigéria Aplicação: Práticas financeiras indígenas entre as comunidades agrícolas. As comunidades agrícolas na Nigéria desenvolveram vários sistemas de poupança e crédito. Normalmente, os agricultores constituiriam associações de aforro com especial incidência na poupança e acesso aos recursos numa base rotativa. Algumas das associações formulariam regulamentos e estatutos, enquanto a maioria se orienta por regras e regulamentos formais não documentados. Uma vez que se passe a membro, a poupança é obrigatória e espera-se que seja observada com regularidade, coincidindo com os dias de mercado. Os empréstimos são utilizados para bens que não sejam de consumo, e também para o pagamento de propinas escolares ou trabalho rural. A amortização é assegurada através de controlo social. De uma maneira geral, os membros não recebem juros nos depósitos e os empréstimos são concedidos em termos favoráveis. Não existe qualquer referência ao modo como se trata o crédito mal parado; parte-se do princípio que o controlo social é suficiente para assegurar uma associação de Poupança e Crédito sustentável. No entanto, a base de poupança é muito pequena para permitir a acumulação ou créditos para o financiamento de investimentos de maior monta. Até à data, houve pouco reconhecimento das instituições formais de crédito pelas práticas financeiras indígenas em vigor. Lição: As associações de poupança e crédito rurais indígenas existentes precisam de ser reconhecidas pelo sector de crédito formal. A colaboração numa base equitativa aumentaria o impacto das instituições formais e o potencial de investimento na área rural.
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13 Domínio: Desenvolvimento Comunitário Tecnologia: Administração e transparência Portadores de Conhecimento: Comunidades do Nepal Fonte: Linking Food Relief and Development - A Matter of Good Governance; Upadhuaua K. and Beier, M., Katmandu 1993 País: Nepal Aplicação: Comunidades asseguram transparência na distribuição da ajuda alimentar.
Para assegurar que a ajuda alimentar chegasse à população a que se destinava, um programa Comida por Trabalho do Governo do Nepal assistido pela GTZ, decidiu-se fazer uma consulta aos habitantes da aldeia. Foi determinado conjuntamente que o uso de distribuidores locais e de supervisão efectuada pela comunidade seriam a maneira mais apropriada de distribuir a ajuda alimentar. Em vez de utilizar camiões cobertos, utilizaram-se carroças abertas para o transporte. Este método teve vários benefícios. A contratação de carroças trouxe um rendimento adicional para as comunidades locais, em vez de se recorrer a companhias de camionagem sediadas nas cidades. A carga de uma carroça é uma medida padrão local, e os montantes transportados podem ser facilmente calculados pela população da comunidade. Qualquer porção que falte pode ser facilmente calculada publicamente e qualquer perda ou atribuição indevida pode ser também facilmente questionada em público. Outros programas do PAM no país em princípio também adoptaram este sistema. Lição: O uso de padrões e meios de transporte locais para as entregas grossistas de arroz num programa Comida por Trabalho facilita a transparência da entrega dos bens primários e proporciona boa administração a nível local.
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14 Domínio: Saúde, Educação, Organização Tecnologia: Auto-ajuda Portadores de Conhecimento: Grupos de Mulheres Bambara Fonte: Universidade da Florida, IK Notes No.3, Dezembro de 1998 País: Senegal Aplicação: Mulheres senegalesas das regiões rurais abolem a circuncisão feminina nas suas comunidades.
As mulheres de Malicounda decidiram que o problema que queriam resolver era o costume da circuncisão feminina - uma prática comum às comunidades em Bambara/Mandingue e Pulaar, embora não fosse extensiva à maioria Wolof. Ao informarem-se elas próprias das práticas nos outros lugares e dos efeitos da circuncisão na saúde e vida sexual das raparigas, desenvolveram um arsenal de argumentos e eventualmente convenceram o conselho da aldeia a oficialmente abolir esta prática. Não satisfeitas com este resultado, criaram em seguida uma equipa (incluindo alguns dos maridos que se aliaram à causa) para visitar as aldeias vizinhas, falar às mulheres e ajudá-las a ganhar a causa delas nas suas comunidades. Em Janeiro de 1998, reuniu-se um congresso de 16 aldeias da região - todas de origem Bambara ou Mandingue - para discutir a mudança da prática e adoptar a "Declaração de Malicounda". A notícia desta iniciativa chegou até à região de Casamance no sul do Senegal, onde um outro grupo de 16 aldeias - estas já de origem Pulaar - de associou para produzir uma conferência e declaração idênticas. Na realidade, o próprio Presidente Abdou Diouf do Senegal, propôs que o modelo da "Declaração de Malicounda" fosse adoptado a nível nacional. Lição: A mobilização da opinião pública contra a ordem estabelecida pode ajudar a modificar práticas culturais discriminatórias.
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15 Domínio: Desenvolvimento comunitário, ambiente Tecnologia: Auto-ajuda, conservação da diversidade biológica Portadores de Conhecimento: Mulheres das aldeias de Popenguine Fonte: Universidade da Florida, IK Notes (a serem publicadas); Contacto: pcmohan@worldbank.org País: Senegal Aplicação: Esforços públicos e da comunidade recuperam a Reserva Natural de Kër Cupaam e contribuem para a diversidade biológica. A flora e a fauna da Reserva Natural de Popenguine, um abrigo ao longo da rota migratória de numerosos pássaros que seguem a costa atlântica da África Ocidental, foram seriamente danificadas pelo efeito da seca, aumento de pastagem, e colheita de lenha. Para recuperar a reserva, um grupo de mulheres criou a Associação de Mulheres de Pepenguine para a Protecção do Ambiente. A associação levantou, em torno de todo o perímetro, sebes de plantas verdes destinadas a parar a propagação de fogos, replantou espécies nativas fornecidas por um horto fundado nessa mesma altura, e deu preparação em conservação da natureza a jovens voluntários das áreas urbanas vizinhas que desempenharam eventualmente uma grande parte do trabalho físico. As mulheres, não só conseguiram reestimular a diversidade biológica local e restaurar a vegetação natural da área mas também contribuíram materialmente, através dos seus esforços, para o reaparecimento de espécies animais que tinham deixado de aparecer na zona há alguns anos: porco-espinho, mangusto, pata, jacal, gato de algália, etc. Durante os oito anos seguintes, o RFPPN utilizou primeiro os recursos próprios e, depois, os que lhe foram fornecidos por organizações dadoras. A restauração da ecologia da reserva atrai aquele tipo de actividade turística que genuinamente beneficiaria a população local, por oposição ao tipo de turismo anterior.
Lição: Assumir o controlo dos recursos naturais através da comunidade local ajuda a preservar a diversidade biológica indígena e proporciona receitas adicionais.
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16 Domínio: Micro finanças Tecnologia: Associações de Poupança e Crédito Portadores de Conhecimento: Comunidade da aldeia de Fandène Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas); Contacto: pmohan@worldbank.org País: Senegal Aplicação: Criação de bancos locais em que a responsabilidade é partilhada por um grupo. Fandène é uma aldeia localizada a seis quilómetros de Thiès, Senegal. No passado foi o local de uma missão católica e um centro comunitário rural. Em 1987, os residentes de Fandène criaram a sua própria mutual de crédito e poupança que cresceu a ponto de, hoje em dia, ter filiais em 20 aldeias vizinhas, tanto de tradição cristã como muçulmana. Esta rede, totalmente auto-gerida em Fandène e em vias de também o ser noutras comunidades que compõem a rede, conseguiu acumular um capital de 20 milhões de Francos CFA. As várias filiais fazem pedidos de empréstimos para grupos e indivíduos da área circundante, requerem um pedido formal escrito e justificação, fazem a avaliação formal da viabilidade do empréstimo e oferecem assistência técnica para ajudar os mutuários a tornarem os empréstimos lucrativos. As instituições de poupança em cada uma das comunidades cobram as amortizações com uma taxa de juro anual de 15%, e reinvestem os lucros no seu próprio desenvolvimento institucional e em programas de serviço social locais. A rede Fandène criou ainda equipas de consultoria técnica para prestar assistência aos grupos dos bairros de baixo rendimento das cidades vizinhas de Thiès e Dakar que desejem criar os seus próprios programas de crédito e poupança. Lição: Os esquemas de poupança e crédito que assentam em grupos locais e no controlo exercido pelos seus membros facilitam a acumulação de capital na área rural. |
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17 Domínio: Saúde Tecnologia: Cuidados infantis, saúde da mãe Portadores de Conhecimento: Mulheres da aldeia de Saam Njaay na Região de Thiès Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas); Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Senegal Aplicação: Auto-gestão das clínicas de saúde nas zonas rurais do Senegal leva a uma melhoria da saúde das crianças. Um grupo de mulheres na aldeia de Saam Njaay na região de Thiès no Senegal criou um programa de "pesagem de bebés" e de cuidados de saúde da mãe. Recorrendo aos materiais facultados por uma organização filantrópica e ao apoio prestado por alguns dos maridos, o programa passou a abranger mais de 15 aldeias na pequena região, onde as mulheres grávidas e os bebés tinham acesso às enfermarias para consultas e visitas médicas. As funções do grupo cresceram gradualmente tendo passado a um sistema completo de medicina preventiva, primeiros socorros e de encaminhar doentes para o dispensário regional, se necessário. O pessoal mantinha ficheiros de tal maneira detalhados sobre consultas e tratamentos que o grupo conseguiu, no início de 1996, conduzir a sua própria análise estatística determinando a incidência e evolução das doenças infantis naquela zona; os resultados demonstraram uma melhoria líquida em vários indicadores importantes. Lição: Depender de organizações locais ajuda a integrar os sistemas de saúde tradicional e moderno para um melhor sistema de cuidados básicos de saúde.
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18 Domínio: Educação Tecnologia: Ensino Primário, Educação de Adultos Portadores de Conhecimento: Federação inter-aldeias de Nomgana no Distrito de Loumbila Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Burkina Faso Aplicação: A campanha de escolas primárias e de educação dos adultos com base nas aldeias utiliza língua local para facilitar o acesso à alfabetização. A associação local Manegbzanga lançou um programa experimental usando a alfabetização na língua Mooré como a base para aprendizagem de Francês numa campanha de alfabetização de adultos. A estratégia de ensino foi desenvolvida com a assistência de linguistas da Universidade de Ouagadougou. Começa por ensinar a ler, escrever e contar em Mooré antes de fazer a transição para Francês. O programa teve um grande sucesso e imediatamente começou a receber pedidos de inscrição de crianças e adolescentes que não tinham frequentado a escola primária. Foi praticamente adoptado todo o programa do ensino primário. O programa foi implementado sob a supervisão de instrutores, previamente desempregados, com uma média de nove anos de escolaridade e que foram especialmente preparados nos novos métodos. Lição: Para além de melhorar o desempenho dos alunos que deixam o ensino primário, o uso da língua local no programa de ensino representa um emprego útil para os professores e novas oportunidades para raparigas.
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19 Domínio: Educação Tecnologia: Educação Adulta Portadores de Conhecimento: Rede de Centros de alfabetização na região Gulmu Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Burkina Faso Aplicação: As publicações na língua local dão acesso à informação e aumentam a taxa de alfabetismo. Na região Gulmu de Burkina Faso (localizada no extremo oriente do país que faz fronteira com o Benin), "Tin Tua", uma ONG local criada em 1985 por membros da comunidade para ressuscitar uma campanha de alfabetização que de uma maneira geral não teve muito sucesso, criou uma rede de centros de alfabetização na língua Gulmancéma. Os centros abrangem 31 aldeias da região, que não tinham escolas primárias (à excepção da capital do distrito) na altura do lançamento do programa. Actualmente, presta serviço a cerca de 10 000 alunos por ano, em que 41% são mulheres. Um dos resultados desta experiência foi o lançamento de um jornal, "Labaali", que tem 3 000 assinantes e emprega jornalistas que dispõem de uma bicicleta motorizada e gravadores em todas as aldeias participantes. Lição: O uso de língua local facilita o acesso à alfabetização de adultos e aumenta as taxas de alfabetismo.
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20 Domínio: Desenvolvimento Social Tecnologia: Desenvolvimento da Comunidade Portadores de Conhecimento: Habitantes da aldeia Forikrom na região Centro Norte do Gana Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Gana Aplicação: Organização de jovens introduz a prática de plantação de árvores como uma actividade comercialmente viável e ecologicamente sólida e soluciona conflitos relativos ao uso da terra. Em Forikrom, uma comunidade de 6 000 habitantes na região centro-norte do Gana, os jovens mobilizaram-se para intervir num conflito amargo que surgiu entre padres da religião tradicional e discípulos de uma seita Protestante militante acerca da seca progressiva de um ribeiro que se pensava estar investido de poderes sobrenaturais. Os jovens apontaram para o facto de a desflorestação da zona ter tido um papel muito importante na perda daquela fonte de água, e lançaram uma campanha maciça de plantação de árvores com o apoio técnico de organismos estatais e de ONGs que forneceram a formação profissional pertinente. A actividade resultou no desenvolvimento de um ciclo completo de cursos para formação em silvicultura em Forikrom, a criação de uma indústria lucrativa de cultivo de teca e na sua diversificação progressiva a todos os aspectos da agricultura orgânica, sem falar no apaziguamento do conflito religioso original. A comunidade é actualmente reconhecida em toda a região como uma autoridade nesta área. Lição: Assumir o controlo dos recursos naturais através de uma organização com base na comunidade ajuda a recuperar terra, fornece rendimentos adicionais e adquire reconhecimento para os conhecimentos e qualificações desenvolvidos localmente.
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21 Domínio: Desenvolvimento Social Tecnologia: Desenvolvimento das capacidades de organização, auto-ajuda, desenvolvimento institucional e de administração Portadores de Conhecimento: Associações de aldeias na região Koutiala Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Mali Aplicação: As associações de aldeias conseguem solucionar o problema da fixação de preços ao produtor através de uma negociação colectiva. As associações de aldeias (associations villageoises, ou AV) representam os produtores de algodão no seu conflito com a Companhia de Têxteis do Mali (Compagnie Malienne des Textiles, CMDT) na região de Koutiala do sul do Mali. Em 1989, representantes das várias associações regionais conseguiram em conjunto rejeitar uma medida desfavorável adoptada pela CMDT relativamente à responsabilidade financeira das associações de produtores. Com base neste sucesso, as associações de aldeias uniram-se de novo para se oporem à decisão da CMDT de aumentar os salários do pessoal a serem pagos pelos rendimentos do algodão sem elevarem os preços ao produtor. As AV elegeram uma delegação com quem a gestão da CMDT, preocupada com a instabilidade política do Mali na altura, se recusou a negociar. Como consequência, as AVs convocaram uma greve dos produtores de algodão. Durante dois meses as associações recusaram-se a fazer a entrega do algodão na CMDT. Eventualmente a CMDT aceitou os princípios de uma negociação colectiva por intermédio de uma ONG representando os produtores. Assim nasceu o Sindicato dos Produtores de Algodão e dos Cultivos Alimentares (SYCOV - Syndicat des Producteurs du Coton et du Vivrier). O Sindicato, que funciona numa base bilingue (Bambara-Francês), continuou a crescer e é hoje parte do cenário institucional e político do Mali, tendo estabelecido a nível nacional o direito legalmente instituído de os agricultores participarem em todas as decisões que lhes digam respeito. O SYCOV está também a organizar cursos de aperfeiçoamento de Francês falado e escrito para os representantes, alfabetizados em Bambara, das AVs e exigiu que todos os documentos usados em todas as sessões em que participa sejam nas duas línguas. Lição: O clima político, as necessidades prementes e a competência para se organizar localmente transformam um sindicato de agricultores num participante político a nível nacional.
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22 Domínio: Desenvolvimento Social Tecnologia: Auto ajuda, desenvolvimento institucional, pagamentos de transferências Portadores de Conhecimento: Comunidade da aldeia e dos seus elementos a residir em zonas urbanas de Mafi-Kumase (região do Volta) Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas) Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Gana Aplicação: Os habitantes da aldeia que foram trabalhar para as regiões urbanas apoiam a sua comunidade natal. Durante mais de 50 anos os Mafi-Kumase tiveram um acesso fácil ao ensino primário e a escolas secundárias próximas, graças à actividade missionária e à dedicação dos residentes. Uma grande parte da juventude que recebeu educação eventualmente mudou-se para Acra em busca de melhores oportunidades profissionais. De acordo com a tradição, mantiveram um contacto muito estreito com a sua comunidade natal. Em 1960 criaram um associação chamada "MAKAYA"(Mafi-Kumase Area Youth Association) para servir de elemento de ligação e de apoio ao seu desenvolvimento. Posteriormente, MAKAYA tornou-se a força motriz do lançamento de uma série de investimentos e de actividades de desenvolvimento da comunidade na área da aldeia. Graças aos contactos que tinha na capital e no estrangeiro, a associação conseguiu angariar fundos a que os habitantes da aldeia nunca teriam tido acesso, e a obter uma opinião favorável da administração central, especialmente em relação à autorização de projectos e investimentos. Para além disto, a associação organiza uma conferência e assembleia geral com a duração de três dias todos os anos na Primavera em Mafi-Kumase, durante a qual os membros da MAKAYA, habitantes da aldeia e líderes locais discutem as necessidades prioritárias da região, os resultados de projectos em curso e as perspectivas futuras. Lição: Antigos habitantes da aldeia que migraram para zonas urbanas criam uma associação para angariar fundos para transferências e influenciam o governo no sentido de conseguirem apoio para a sua comunidade original.
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23 Domínio: Desenvolvimento Social Tecnologia: Desenvolvimento Institucional, Auto-ajuda Portadores de Conhecimento: Associações de Aldeias no Sul do Mali Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Mali Aplicação: Centros de gestão com base na aldeia induzem um segundo nível de administração local. Para reforçar a actuação da gestão, as associações de aldeias do sul do Mali criaram em 1993 uma instituição encarregada de fazer a auditoria das contas e de prestar assistência técnica aos líderes locais em assuntos financeiros. Esta estrutura tornou-se o "Centro de Gestão de Koutiala", tendo acabado de ser criada uma nova filial no Gabinete da região do Níger. O centro é dotado com pessoal recrutado de entre as associações de aldeias e tem a responsabilidade de fornecer auditorias das suas contas feitas por terceiros. Por sua vez, os funcionários são preparados e apoiados por assistência técnica externa, cujo papel deverá ser cada vez mais esbatido. A fiscalização das políticas do Centro é efectuada por um Conselho Administrativo que, por seu turno, está associado com a Federação de Associações de Aldeias do sul do Mali. O centro está previsto funcionar inteiramente com um orçamento financiado pelas receitas geradas com a venda às associações de aldeias dos seus serviços. Está a meio caminho de ser uma "subsidiária controlada na sua totalidade" pela Federação e uma firma de auditoria privada. Nesta fase, o Centro ainda está parcialmente dependente de financiamento externo. Mas sobreviveu uma primeira fase de lançamento, funcionamento e institucionalização primária e está de facto a fornecer os serviços precisos e gerar receitas. O Centro demonstra assim a capacidade das associações locais ascenderem a um nível superior na sequência de actividades precisas para se tornarem financeiramente independentes. Lição: Os centros de gestão demonstram a capacidade das associações locais se tornarem financeiramente independentes com base no controlo que assumem
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24 Domínio: Desenvolvimento Empresarial Tecnologia: Sector Informal Portadores de Conhecimento: Artesãos do sector informal em Bamako Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Mali Aplicação: Desenvolvimento de qualificações no sector informal diminui com a abolição da componente alfabetização. Em 1991 um programa apoiado por um dador visava o aperfeiçoamento das qualificações de proprietários de pequenas indústrias e de artesãos do sector informal na capital. Como consequência, formaram-se associações de artesãos, criaram-se esquemas cooperativos de poupança e crédito, geridos pela associação, e realizaram-se cursos de formação em gestão, contabilidade e abordagens à inovação de tecnologia. Concederam-se empréstimos para investimentos. O programa permitiu que inúmeros artesãos do sector informal adquirissem novas capacidades técnicas e se associassem aos esforços para melhorar as condições de trabalho e obtenção do crédito necessário. Adicionalmente, as associações ganharam vários contratos que os artesãos nunca teriam conseguido se tivessem actuado individualmente, tendo assim alargado o mercado dos seus produtos. No entanto, a componente alfabetização do programa registou pouco progresso. Foram poucos os participantes que alcançaram conhecimentos suficientes para se encarregarem completamente da gestão de novas associações, ou a confiança necessária para lidar com as instituições bancárias comerciais e competir no mercado por contratos de fabrico de artigos. As actividades começaram a estagnar quando a OMT se retirou e o futuro, de acordo com os relatórios mais recentes, continua incerto. Lição: A falta de educação e de acesso à informação causada pelo analfabetismo pode prejudicar o sucesso tradicional das organizações de auto-ajuda.
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25 Domínio: Desenvolvimento social, ambiente Tecnologia: Capacidade institucional, auto-ajuda, gestão de recursos Portadores de Conhecimento: Concelho de Agricultores na Região Filingué Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Níger Aplicação: Limites à auto-administração dos programas de gestão de recursos naturais locais. Esta iniciativa é uma gestão inovadora dos recursos naturais que visa garantir a segurança alimentar, conservação dos recursos naturais e promoção do controlo local do processo de desenvolvimento em 50 comunidades. Estava prevista começar com o desenvolvimento comercial dos recursos das florestas e prosseguir, através do planeamento da utilização regional de terra e da melhor organização do fornecimento de factores de produção agrícolas até à criação de conselhos de agricultores que iriam dirigir todos os aspectos da conservação do solo no Departamento. O método de implementação esperava uma negociação honesta com os homólogos a nível de aldeia, participação activa da população no diagnóstico de problemas ecológicos e no desenvolvimento de novas intervenções. Compreendia o parecer dos velhos e opiniões expressas por todos os grupos de interessados. No entanto, não foram integradas no projecto componentes significativas de alfabetização ou de formação profissional. Um dos grandes obstáculos é o número limitado de pessoas que sabem ler nesta zona rural, onde a taxa de alfabetismo é das mais baixas do mundo. A tradução dos contratos na língua local é uma tarefa muito demorada e mesmo estas traduções só servem a um número reduzido da população da aldeia. A falta de "capitalização intelectual" por parte do projecto parece ter basicamente inviabilizado o assumir local de responsabilidade da totalidade da operação, e as modestíssimas qualificações técnicas dos participantes não lhes permitiram capitalizar no potencial para novos investimentos agrícolas e financeiros, o que os autores do projecto tinham em mente acontecesse. Lição: Participação, uso de língua local, envolvimento dos interessados, extracção de conhecimentos indígenas são elementos necessários mas não suficientes para o sucesso do projecto. Se a comunidade local não se apropriar intelectualmente, as inovações são insustentáveis.
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26 Domínio: Educação Tecnologia: Educação de Adultos Portadores de Conhecimento: Associações de pessoas que falam Pulaar no Sahel Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Senegal, Burkina Faso Aplicação: O renascimento da língua Pulaar no Sahel. Desde 1986 que a organização " ARED" (Association for Research on Education) se dedicou à publicação de material de leitura na língua Pulaar para os alunos no noroeste do Senegal. Trata-se apenas de uma das muitas actividades, incluindo uma outra coordenada pela APESS (Association Peulh pour l´Éducation et la Science) no Burkina Faso, que nos últimos anos se dedicaram à promoção do uso de diferentes variantes regionais de Fulfuldé, a língua dos Peulh -- um grupo étnico de tradição antiquíssima que se espalha do Norte dos Camarões à Costa Atlântica mas que raramente é a maioria nas regiões por ele habitadas. As actividades de ARED têm recebido o apoio dinâmico de associações de povos que falam a língua Pulaar e que emigraram para a Arábia Saudita, Egipto, Magreb e Europa. Este apoio permitiu a ARED produzir uma série completa de livros e jornais em Pulaar e dar um novo impulso aos cursos de alfabetização de adultos. Alfabetização em Pulaar tornou-se um símbolo de honra na aldeia nesta zona do Senegal, e as campanhas de alfabetização lançadas nesta base muito contribuíram para uma renovação cultural através da região. Lição: A alfabetização adulta aumenta quando se fundamenta nas línguas locais, contribuindo assim para a renovação cultural de um grupo étnico minoritário.
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27 Domínio: Desenvolvimento Social Tecnologia: Auto-ajuda Portadores de Conhecimento: Cortadores de lenha do Makalondé Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Níger Aplicação: Uma cooperativa de cortadores de lenha gere e comercializa produtos florestais. Os cortadores de lenha de Makalondé e Kouré vendem lenha às pessoas que vão e vêm de Niamey. Formaram cooperativas para melhor organizar o corte de madeira e preservar os recursos florestais. Pediram a ajuda do " Energy Project" no Niamey e conseguiram participar em várias sessões breves de formação em divulgação de actividades de silvicultura. O negócio está actualmente a render uma média anual por lenhador de 200 000 francos CFA, mais 400 000 francos em lucros anuais para a comunidade, que são na sua maioria reinvestidos em programas sociais concebidos localmente. A produção está, contudo, a cair o que se deve ao afastamento cada vez maior dos locais onde se encontram as árvores mortas (os lenhadores tentar limitar a sua colheita às árvores mortas) e ao facto de os próprios lenhadores terem estabelecido a quota de abate de árvores a um nível bastante abaixo do autorizado pela agência governamental de silvicultura com o objectivo de melhor conservar a base de recursos naturais. Os grupos começaram então a plantar novas árvores como parte das suas actividades organizadas. Ao mesmo tempo, os membros da cooperativa tornaram-se cada vez mais conscientes de que continuam incapazes de gerir com sucessos estas empresas e os numerosos subprodutos daí extraídos. Toda a contabilidade é feita pelo único membro da comunidade que é alfabetizado, um eremita muçulmano com suficiente conhecimento de árabe para manter as contas. Estão agora em fase de criar um centro local de alfabetização. Lição: Como consequência da necessidade sentida e da procura real, uma cooperativa de produção eventualmente exige que lhe seja proporcionado ensino elementar para melhorar a sua capacidade própria de gestão.
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28 Domínio: Educação Tecnologia: Ensino superior Portadores de Conhecimento: Professores Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: África Austral Aplicação: Esquemas para admissão nas universidades da África Austral de alunos de idade madura.
Um número de universidades de países da África Austral resolveram adoptar "esquemas de admissão de alunos de idade madura" que tinha em vista permitir aos candidatos "de mais idade" matricularem-se no ensino superior, uma prioridade com uma certa importância em países tais como a África do Sul onde a turbulência da revolução social negou a muitos potenciais candidatos a oportunidade de seguirem um curso universitário normal. No Zimbabué e no Botswana, cerca de 10-20% das matrículas universitárias são preenchidos por este grupo etário de alunos. Um estudo das suas características, sucessos e fracassos demonstra que as suas classificações são superiores à da média e que estão sub-representados na área de ciências naturais, onde se mantêm os preconceitos do corpo docente e a falta de instalações externas para trabalho de recuperação em ciência escolástica fazendo com que sejam poucos os que satisfazem os requisitos.
Lição: Ao permitir o acesso à universidade de candidatos de mais idade , há a possibilidade de se imprimir uma perspectiva local às ciências escolásticas.
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29 Domínio: Desenvolvimento social. Tecnologia: Administração Portadores de Conhecimento: Habitantes da aldeia Nwodua Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Gana Aplicação: Redefinição da administração local.
Em 1979, os residentes de Nwodua, uma aldeia de 640 pessoas localizada a 20 Km de Tamale no norte do Gana, estabeleceu o seu próprio programa de alfabetização adulta, com o apoio de professores das aldeias vizinhas. Os instrutores foram pagos em espécie através de mão-de-obra nas suas propriedades, e foram substituídos quando estavam descontentes com este pequeno "ordenado". O grupo de recém alfabetizados conseguiu então convencer o Bispo da Igreja Católica a criar uma escola primária em Nwodua, e fez com que a aldeia se tornasse o centro de um novo projecto de alfabetização funcional na região de Dagbani. Como consequência do seu papel no projecto regional de alfabetização a aldeia conseguiu estabelecer, a título permanente, "Uma Escola Primária para Adultos" na comunidade. Em seguida, membros do grupo utilizaram com sucesso estas conquistas iniciais junto de várias ONGs e organismos de ajuda tendo conseguido o seu apoio para novas actividades: criação de um horto comercial de árvores e uma fábrica de sabão, compra e operação de um moinho de cereais, construção de uma nova estrada ligando a aldeia à principal via interurbana. Mas o aspecto mais notável da experiência foi, sem dúvida, o modo como os residentes de Nwodua remodelaram o sistema de governo da comunidade para apoiar este programa de actividades e os seus efeitos diversos. Uma grande parcela do poder parece ter sido transferida sem que o chefe tradicional tenha levantado qualquer obstáculo à "Comissão para o Desenvolvimento Geral" eleita de entre os elementos que iniciaram as várias experiências. A comissão, por seu turno, criou uma série de subcomissões para supervisionar os vários projectos socio-económicos presentemente em curso.
Lição: Habitantes da aldeia tomam consciência do valor da educação, organizam programas de alfabetização de adultos em regime de auto-ajuda e fazem a transformação gradual da comunidade.
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30 Domínio: Desenvolvimento social. Tecnologia: Educação adulta, auto-ajuda Portadores de Conhecimento: "Song Taaba" - grupo de mulheres de negócios no distrito Goughin Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Burkina Faso Aplicação: Desenvolvimento da pequena indústria detida por mulheres. Em 1990, no distrito de Goughin de Ouagadougou, capital de Burkina Faso, um grupo de mulheres formou o seu próprio grupo empresarial "Song Taaba" para angariar capital social no montante de Francos CFA 150 000 (USD 300) entre os seus membros. Começaram então a fabricar "soumbala" à base de uma oleaginosa, sabão e manteiga de amendoim; a comercializar os seus próprios produtos; e a manter contas e actas recorrendo aos conhecimentos novos de que dispõem. A alfabetização forneceu o enquadramento institucional para uma importante iniciativa das mulheres mas não tinha concedido aos participantes as habilitações necessárias para gerir e desenvolver uma actividade profissional deste tipo. Como não tinham confiança nas suas qualificações práticas, os membros recém alfabetizados escolheram o quadro inicial de funcionários de entre as mulheres que tinham frequentado o ensino primário ou então que tinham filhas na escola primária ou secundária e, portanto, capazes de as ajudarem no seu trabalho. Esta solução não resultou muito bem mas, aos poucos e poucos, os membros recém alfabetizados assumiram as posições de gestão. O grupo obteve o estatuto oficial de cooperativa em 1992, e em 1995 comercializou, entre outros produtos, doze toneladas de soumbala. Song Taaba está presentemente a criar uma rede de grupos de mulheres no centro do país para colaborar na promoção dos produtos recíprocos. Ao mesmo tempo, o grupo alargou o seu programa de alfabetização para proporcionar a um número maior dos seus membros as qualificações de que necessitam para desempenharem um papel activo nos negócios. Lição: Mulheres com espírito empresarial tomam consciência do valor da alfabetização para a prossecução de uma melhor gestão.
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31 Domínio: Educação Tecnologia: Ensino primário, auto-ajuda Portadores de Conhecimento: Professores Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Uganda Aplicação: Fornecer ensino primário elementar para as crianças que não frequentam a escola. Tendo em vista atingir as crianças que não tiveram oportunidade de frequentar o ensino primário formal, deu-se uma oportunidade extra através de um programa apoiado por dadores. O programa consistia em ensinar os rudimentos de leitura, aritmética e qualificações básicas para enfrentar a vida. No entanto, a resposta ao programa não foi muito entusiasta , tendo em conta a tradição na África Oriental de as escolas informais terem o patrocínio local, o que lhes permite posteriormente serem consideradas com as qualificações devidas para poderem ser integradas no sistema formal. Dois dos resultados inesperados desta experiência foram contudo bastante reveladores e interessantes: (a) as raparigas tiraram muito mais partido das oportunidades do que os rapazes; e (2) os resultados em todos os distritos acabaram por ser inversamente relacionados com a proliferação de ONGs, em grande parte por causa de estas últimas terem tendência a distorcer o mercado de iniciativas voluntárias locais e do baixo custo dos instrutores através do fornecimentos de benefícios e de generosos complementos salariais aos seus participantes. Lição: A educação complementar pode ter um impacto maior se, na implementação do projecto, tiverem sido tidos em conta os sistemas locais de educação não-formal.
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32 Domínio: Educação Tecnologia: Ensino primário Portadores de Conhecimento: Professores do Corão em Kambguni/Gana, Menengou/Burkina Faso e Niagara/Guiné Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Gana, Burkina Faso, Guiné Aplicação: O ensino do Corão como uma alternativa ao ensino formal.
Três comunidades da África Ocidental - Kambguni no sudeste do Gana, Menengou no norte de Burkina Faso e Niagara na Guiné oriental - representam três exemplos notáveis de um tipo de desenvolvimento de recursos humano há muito presente na região mas raramente oficialmente reconhecido: a aplicação às funções de desenvolvimento ao nível local da capacidade de leitura e das competências técnicas adquiridas com a instrução islâmica. Em todos estes três casos, os adultos que receberam preparação do Corão assumiram funções contabilísticas chave nos negócios locais e nas empresas da comunidade. Nos casos da Guiné e de Burkina Faso, as ONGs associaram-se ao esforço e ajudaram a desenvolver sistemas de contabilidade e materiais de divulgação agrícola fazendo a transcrição de línguas africanas locais em caracteres árabes. Lição: O desenvolvimento de sistemas tradicionais de ensino abre caminho à alfabetização e eventualmente a oportunidades de emprego para os jovens que não estão a frequentar o ensino formal.
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33 Domínio: Educação Tecnologia: Alfabetização Portadores de Conhecimento: Comunidade Bambara em Niono-Coloni Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Mali Aplicação: Utilizar os programas de alfabetização em língua africana para preparar uma classe capaz de gerir as empresas locais. Uma organização local de jovens começou uma acção de alfabetização na sua comunidade para apoiar um programa de criação de empresas. Bambara, a língua local, está a ser usada no programa de ensino. Formou-se uma associação empresarial, sendo necessário primeiro fazer um exame escrito em Bambara para se poder ser membro. Só os que passam o exame podem candidatar-se a posições de chefia na associação. As contas de receitas e despesas, feitas em Bambara, são apresentadas a todos os membros. Cerca de metade do pessoal têm o ensino primário ou são pessoas que deixaram de ir à escola após três a oito anos de escolaridade, tendo todos eles frequentado, a título suplementar, cursos locais de alfabetização para aprender a escrever em Bambara e refrescar os conhecimentos de aritmética. A associação de jovens está a gerir uma série de empresas locais com a ajuda de pessoas preparadas pelo programa, e o grupo conseguiu obter (e recentemente amortizou) um crédito de um banco comercial no montante de Francos CFA 32 milhões. Lição: O ensino na língua local cria coesão num grupo para se formar uma associação empresarial e fornece os requisitos formais para explorar a associação de forma economicamente viável.
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34 Domínio: Tecnologia: Portadores de Conhecimento: Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Sudão Aplicação: Serviços de entrega domiciliária feita por crianças da rua.
Programas que trabalham com crianças da rua em Cartum, a capital do Sudão, chegaram à conclusão que não é possível incitar nem convencer estes jovens a regressarem à escola que deixaram, ou que nunca frequentaram. Por força da experiência dura que adquiriram na rua e a necessidade de tomarem conta deles próprios, tornaram-se, na verdade, adultos precoces e têm que ser tratados como tal. O programa que mais sucesso teve em transmitir-lhes um maior sentido de responsabilidade e, ao mesmo tempo, a muni-los de novas qualificações, foi um programa que capitalizou nos conhecimentos que estes jovens tinham das ruas para os ajudar a começarem então um negócio próprio de entregas domiciliárias, em bicicleta, de documentos prioritários nos vários locais da cidade onde o trânsito é muito denso. Como diz um ditado da África Ocidental, "Há que mandar o rapaz para onde ele querir". Lição: Partindo das experiências das crianças da rua numa cidade do terceiro mundo, é possível oferecer-lhes uma oportunidade de negócio.
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35 Domínio: Desenvolvimento do Sector Privado Tecnologia: Criação de uma associação comercial Portadores de Conhecimento: Associação de fabricantes de cabedal em Dakar Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: África do Sul
Aplicação: Estabelecimento de padrões de formaçãoprofissional no sector informal O Grupo de Artesãos de Cabedal (le Groupement d'Interêt Economique des Artisans de Cuir) foi criado oito anos atrás para solucionar dificuldades enfrentadas pelos seus sessentas membros com a obtenção de matérias primas (cabedal, peles, cola, tintas, borracha, tecido, linhas, etc.) e o custo crescente destes factores de produção, exacerbados pela desvalorização da moeda. Actualmente o Grupo de Artesãos de Cabedal também tem a seu cargo instituir procedimentos padrão entre os seus membros, incluindo métodos para treinar aprendizes, organizar a comercialização e assegurar a existência de matérias primas. Como muitos outros "grupos de interesse económico" criados no país nos últimos anos, os Artesãos de Cabedal não constituem uma empresa moderna ou uma profissão oficialmente reconhecida. Dada a natureza complementar do comércio do cabedal para outras áreas de artesanato e o grande número de pessoas que emprega, ele representa um elemento fundamental do sector informal na economia senegalesa. Lição: Associações de fabricantes do sector informal criadas em virtude de pressões económicas, acabam por oferecer aos seus membros serviços semelhantes aos das associações profissionais, sem no entanto se tornarem parte do "sector formal".
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36 Domínio: Saúde Tecnologia: Cuidados Básicos de Saúde Portadores de Conhecimento: Rede de farmácias com base nas aldeias no sul do Burkina Faso Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Burkina Faso Aplicação: Farmácias e clínicas de saúde criadas localmente complementam os serviços públicos de saúde.
Foi criada uma rede de farmácias geridas pela comunidade para proporcionar artigos médicos básicos, lançar actividades de educação da saúde e começar a detectar informações sobre incidência de doenças. A Liga de Cooperativas dos EUA (CLUSA) prestou a formação para o desempenho das novas actividades. O conselho administrativo da rede organizou a formação cooperativamente tendo sido eleito por representantes de cada uma das comunidades participantes. Os indicadores da saúde sofreram uma profunda mudança para melhor durante o mesmo período de tempo. Lição: A detenção e o controlo local dos serviços de saúde aumentam o impacto que têm na saúde pública.
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37 Domínio: Educação Tecnologia: Portadores de Conhecimento: Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: África do Sul Aplicação: Integração do ensino não-formal na reforma do ensino oficial. Com o fim oficial do apartheid e a subida ao poder de um governo maioritário, a República da África do Sul enfrentou imensas mudanças do ensino. Entre eles contava-se o desafio de como projectar programas escolares que reflectissem as aspirações, necessidades e história de toda a população; e como proporcionar uma continuação do ensino aos jovens que tinham interrompido os estudos por causa das perturbações que rodearam o período de transição. Uma grande parte da iniciativa para reforma do sistema de educação parece vir do sector não-formal, onde as ONGs e o Governo têm participado na criação de estratégias para que os adultos que não estão matriculados na escola possam concluir o ensino secundário, e na modelação do conteúdo desses programas de forma a satisfazer as necessidades da população. Os métodos daí resultantes foram propostos como modelos para a renovação da educação formal, e a controvérsia decorrente fornece perspectivas do potencial e dos pontos fracos da reforma do ensino conduzida pelo sector não-formal. Lição: As ONGs desempenham um papel intermediário importante na concepção de um novo sistema de ensino que integra as necessidades locais.
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38 Domínio: Educação Tecnologia: Aperfeiçoamento Vocacional Portadores de Conhecimento: Ferreiros do Sul do Mali Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org País: Mali Aplicação: Ferreiros tradicionais fabricam ferramentas agrícolas modernas. A compagnie Malienne des Textiles (CMDT), uma empresa para estatal do sul do Mali dedicada à promoção e comercialização do algodão, iniciou um programa que ajudava os ferreiros tradicionais da aldeia a melhorar os seus conhecimentos técnicos e contabilísticos. O objectivo era ajudar a satisfazer a procura crescente de melhor equipamento agrícola e reparações do material nas áreas rurais. Os participantes aprenderam novos métodos para trabalhar metais, aperfeiçoaram os conhecimentos para construção e reparação de equipamento agrícola essencial, melhoraram a sua capacidade de leitura e receberam assistência na obtenção do capital de lançamento para expandir os seus negócios e começar a servir uma clientela proveniente de várias comunidades. Os serviços destes "forgerons modernisés"têm sido um elemento essencial para o desenvolvimento económico que o sul do Mali tem registado na última década. Lição: Partindo de artesãos tradicionais e do conhecimento existente facilita-se a introdução de novas tecnologias e contribui-se para a sustentabilidade da mecanização agrícola.
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39 Domínio: Direito Consuetudinário Tecnologia: Transacções de terra Portadores de Conhecimento: Governos das aldeias e autoridades tradicionais Fonte: Roberto Chavez, Representante Residente do Banco Mundial em Maputo de 1993 a 1997. País: Moçambique Aplicação: Instituições locais tradicionais garantem um processo pacífico de reafectação de terra em Moçambique na era pós-conflito. No seguimento do acordo de paz de 1992, cerca de um terço da população - aproximadamente cinco milhões de Moçambicanos - incluindo refugiados e pessoas internamente deslocadas, regressaram às suas aldeias ao longo de um período de dois anos. Muitos deles tinham estado longe das suas aldeias cerca de 10 a 15 anos, tendo entretanto outros deslocados ocupado as suas habitações e terras. Para proporcionar terra produtiva e alojamento aos retornados sem privar os novos colonos da sua subsistência foi preciso recorrer a uma redistribuição da terra de larga escala. Segundo estimativas conservadoras, realizaram-se 500 000 transacções de terra durante um período de dois anos, cerca de um quarto de milhão de transacções por ano. Estas transacções eram todas efectuadas a nível local pelas autoridades locais e/ou tradicionais recorrendo ao conhecimento indígena e capacidade local. Não houve qualquer tipo de assistência externa do governo, dadores ou ONGs. Este processo maciço e rápido de afectação de terra permitiu que os pequenos proprietários de Moçambique se relançassem no crescimento económico com base num aumento extraordinário da produção agrícola. Dois anos após este programa único de afectação de terra, não se registaram quaisquer relatos de conflitos sobre terra excepto em casos onde o governo tinha atribuído terras comunais a interesses económicos externos. Lição: A reafectação em larga escala de terra, feita com base no direito consuetudinário, revelou-se mais rápida, mais económica e menos tendente a gerar conflitos.
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40 Domínio: Saúde Tecnologia: Psicoterapia Portadores de Conhecimento: Curandeiros locais de Moçambique, AMETRAMO Fonte: Roberto Chavez, Representante Residente do Banco Mundial em Maputo de 1993 a 1997. Dr. James Gordon, director Center for Mind-Body MedicinePaís: Moçambique Aplicação: Processo de Tratamento do Sindroma Traumático Pós-Stress em Moçambique através de curandeiros locais. Durante a guerra em Moçambique houve mais de um milhão de mortes de militares e civis. Na altura do acordo de paz de 1992, tinham sobrevivido cerca de 90 000 combatentes. Tinha havido brutalidade e violência de ambas as partes. Eram frequentes atrocidades tais como obrigar os soldados ainda crianças a matar a sua própria família para testar a lealdade aos rebeldes. A guerra deixou uma herança traumática e chocante tanto entre os civis como os militares. Não havia, no país, psicoterapeutas para um Processo de Tratamento do Sindroma Traumático de Pós-Stress (PSTS). Havia, sim, curandeiros tradicionais que estavam a ocupar-se de uma grande parte do tratamento PSTS a seguir à guerra. Na verdade, soldados crianças, aos cuidados das ONGs estrangeiras, eram frequentemente levados aos curandeiros tradicionais para terapia. Embora não haja estatísticas quanto ao número de casos tratados, a Associação de Curandeiros de Moçambique (AMETRAMO) declarou que a carga de trabalho dos curandeiros em relação ao que era referido como 'casos mentais devidos à guerra' tinha tido um aumento extraordinário depois do acordo de paz. O processo de tratamento destes casos envolve rituais complexos e demorados que variam de um grupo étnico para o outro. No entanto, todos eles têm aspectos em comum. Estes aspectos incluem reconhecimento e aceitação das atrocidades cometidas ou sofridas, pedir perdão ao espírito da vítima ou vítimas, bem como dos familiares sobreviventes, compensação das vítimas ou das suas famílias, normalmente com gado ou outros bens. Foram registadas semelhanças com os métodos ocidentais de terapia PSTS. Lição: Existe um enorme potencial nas soluções locais para situações de desastre ou pós-conflito que podem ser usadas em operações de assistência a desastres.
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41 Domínio: Saúde Tecnologia: Medicina, Medicina Veterinária Portadores de Conhecimento: Maasai, Wapare, Wameru, Illarusa da Norte da Tanzânia Fonte: MARECIK N. Ole-Lengisugi; F.Ole-Ikayo País: Tanzânia Aplicação: Uso de plantas medicinais para tratar problemas de saúde dos seres humanos e do gado. Calcula-se que se utilizem mais de 1000 espécies de plantas na Tanzânia como fontes de medicina tradicional para tratamento de doenças dos seres humanos. Mais de 80% da população da Tanzânia dependem da fito medicina tradicional para o tratamento de várias doenças. Há registos de mais de 100 espécies de plantas para tratar 38 condições patológicas diferentes do gado nas regiões de Arusha, Kilimanjaro e Uhaya. O uso de plantas para fins veterinários é comum entre as comunidades de pastores na Tanzânia, embora não lhe esteja limitado. Lição: O conhecimento de práticas de medicina tradicional ainda não está suficientemente imbuído nas práticas de medicina convencional na Tanzânia, uma oportunidade desperdiçada para tratamentos eficazes em função do custo. |
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42 Domínio: Diversidade biológica Tecnologia: Ambiente, conservação Portadores de Conhecimento: Maasai Fonte: MARECIK N. Ole-Lengisugi; F.Ole-Ikayo País: Tanzânia Aplicação: Tabus limitam o abate de árvores na estepe Maasai. O Abate indiscriminado de árvores constitui um tabu na cultura Maasai. Só um ritual de orações anterior ao corte das árvores como um sinal de amor/intimidade com a árvore poderia impedir as implicações decorrentes da violação do tabu. O ritual não seria desempenhado a não ser que tivesse sido anteriormente estabelecido o carácter de necessidade extrema. Sendo raras na ecologia das estepes, as árvores têm ao mesmo tempo funções de fornecedoras de materiais, material de construção, sombra, forragens e uso medicinal, sendo também reconhecidas na sua associação com outras espécies de plantas e na acção recíproca entre elas e o ambiente. Servem como indicadores de recursos de água, rotas de gado, aptidão de condições físicas, e como anfitriões de uma fauna favorável. Ao longo dos anos os Maasi aprenderam - e integraram esta experiência em rituais - como utilizar de uma maneira judiciosa os recursos naturais através da preservação da ecologia. Lição: Atitudes culturais em relação às plantas (espécies) ajudam a preservar a diversidade biológica.
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43 Domínio: Ambiente Tecnologia: Meteorologia agrícola Portadores de Conhecimento: Maasai Fonte: MARECIK N. Ole-Lengisugi; F.Ole-Ikayo País: Tanzânia Aplicação: A previsão meteorológica na base da astronomia e da ecologia. Os Maasai alternam o uso das suas terras de pasto naturais de acordo com as estações. Tal exige uma decisão pontual sobre quando e onde ir a seguir. Prevêem secas bem como doenças relacionadas com o tempo pela observação dos movimentos dos corpos celestiais em combinação com a observação da data de aparecimento de certas espécies de plantas (por exemplo, Ole Kitolya). Tais "primeiros sinais de aviso"de um desastre ambiental que se aproxima são usados para determinar quaisquer medidas preventivas, preparar para a migração e decidir o curso da comunidade no uso dos recursos naturais. De igual modo, estimativas da fertilidade animal podem ser extraídas de tais previsões com uma implicação nas taxas e densidade dos rebanhos. Este conhecimento ainda não recebeu muita investigação até ao momento. Lição: Os conhecimento tradicionais em astronomia e previsão do tempo em conjunto com meteorologia agrícola convencional podiam melhorar as previsões locais sobre colheitas e segurança
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44 Domínio: Ambiente Tecnologia: Botânica, taxionomia Portadores de Conhecimento: Maasai, Barabaig, Ogieks (Wandorobo) Fonte: MARECIK N. Ole-Lengisugi; F.Ole-Ikayo País: Tanzânia Aplicação: Uso de plantas e animais determina a sua taxionomia. Os Maasai e os Barabaig conhecem os nomes de animais e plantas, padrões de comportamento e factores ecológicos ao abrigo dos quais eles se desenvolvem. Adquirem conhecimentos sobre a classificação das plantas, e descrevem factores pertinentes à composição do solo e topográficos que influenciam a sua distribuição. Fazem o inventário das espécies e mantêm registos das que desaparecem. Dão nomes a plantas e animais novos. A taxionomia reflecte o uso de plantas para fins medicinais, sociais, económicos ou culturais ou outras características determinantes, como no caso de plantas venenosas. Às vezes, as características biológicas ou ecológicas das espécies reflectem-se nos seus nomes. Esta taxionomia de espécies importantes é depois incorporada nas crenças culturais/religiosas, tabus, lendas ou mitos. Lição: A taxionomia que se fundamente na utilização de espécies pode ajudar a determinar as necessidades de conservação.
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45 Domínio: Agricultura Tecnologia: Agricultura de pastoreio Portadores de Conhecimento: Agricultores Illarusa, Maasai Fonte: MARECIK N. Ole-Lengisugi; F.Ole-Ikayo País: Tanzânia Aplicação: Integração da agricultura na utilização da terra para pastoreio nas terras baixas do Norte da Tanzânia. As rotas migratórias sazonais dos rebanhos de pastoreio cobrem cerca de várias centenas de quilómetros, assegurando um uso equilibrado das áreas de pastagem. Contudo, existem períodos em que os pastos são insuficientes para alimentar os animais. Para ultrapassar esta escassez de pastos, a agricultura de pastoreio desenvolveu três estratégias. Compreendem a alimentação selectiva durante a curta migração, reserva de "medas de feno"e adopção de algumas práticas agrícolas das comunidades agrícolas vizinhas. As hastes do milho e as hastes das plantas leguminosas complementam a alimentação dos animais nos anos de seca. Igualmente, os resíduos das colheitas estão a ser usados como camada protectora do solo para contrabalançar o impacto da chuva e para reduzir o vazamento e a evaporação da maior quantidade de água retida no solo. O estrume animal ("Olchala/M'modiok Oo-nkishu") é utilizado como matéria orgânica que fornece elementos nutritivos às plantas. Lição: A agricultura de pastoreio adopta e adapta práticas agrícolas para evitar o impacto das secas.
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46 Domínio: Ciência veterinária Tecnologia: Taxionomia Portadores de Conhecimento: Maasai Fonte: IDRC Indicadores Básicos de Desertificação (1996) País: Tanzânia Aplicação: Classificação dos nomes das doenças do gado ajuda os Maasai a partilhar o conhecimento, a diagnosticar doenças e a impedir o seu impacto. Os pastores Maasai têm um vasto conhecimento de vários tipos de nomes de doenças que atacam/afectam os rebanhos/gado. Desenvolveram um glossário de doenças que é útil no diagnóstico, prevenção e cura. O diagnóstico de doenças dos animais é feito com base nos sintomas, na causa ou nos vectores conhecidos da doença. Este conhecimento é frequentemente comparável ao conhecimento convencional do veterinário moderno. Os Maasai têm uma grande capacidade de diagnóstico de doenças contagiosas do gado, bem como das intervenções indicadas, incluindo cirurgia e vacinas. Um exemplo interessante desta base de conhecimento encontra-se no tratamento e controlo local de febre do catarro maligno, conhecida localmente por "inkutukie olchangit". Se bem que os Maali não possuíssem uma cura para a febre, eles mantinham os animais afastados dos gnus e das águas potáveis de superfície durante a estação da reprodução. Durante séculos, os Maasai estavam convencidos que o gnu era o portador silencioso da febre do catarro maligno. Lição: As taxionomias indígenas existentes podem melhorar o conhecimento das doenças do gado.
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47 Domínio: Botânica, saúde, instituição Tecnologia: Plantas medicinais, gestão do conhecimento Portadores de Conhecimento: Maasai Fonte: MARECIK, N. Ole-Lengisugi; F. Ole-IkayoPaís: Tanzânia Aplicação: Partilha de conhecimento medicinal entre os Maasai. O conhecimento do uso medicinal de plantas não está distribuído igualmente entre a sociedade. Embora os pastores aprendam aos poucos, através de um processo complexo e gradual, acerca dos ambientes, da criação de gado, etc., eles também se familiarizam com algumas aplicações básicas e rudimentares dos usos medicinais das plantas. Este conhecimento geral normalmente está restrito a aplicações simples. Já um conhecimento mais complexo dos usos das plantas, especialmente se estiver relacionado com a saúde reprodutora e mental, está em poder dos curandeiros que existem em todos os grupos ou aldeias. O seu saber é-lhes passado pelos pais, anciãos e através de aprendizagem e experiência. No entanto, os curandeiros chefes, os "Laibon" "herdam" os conhecimentos. Ao adquirir conhecimento por herança (o que, obviamente, não exclui formação, aprendizagem e experiência), os Laibons tornam-se os guardiães do conhecimento medicinal. Tal garante um certo padrão de qualidade e estes podem ser designado por "praticantes gerais". Lição: A distribuição hierárquica de conhecimento medicinal assegura uma aplicação generalizada bem como protecção sustentável.
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48 Domínio: Educação Tecnologia: Instituição, Gestão do conhecimento Portadores de Conhecimento: Maasai, Barabaig Fonte: MARECIK, N. Ole-Lengisugi; F. Ole-Ikayo País: Tanzânia Aplicação: Aquisição e partilha de conhecimento. Tanto os Maasai como os Barabaig do Norte da Tanzânia aperfeiçoaram e mantiveram conhecimento e práticas tradicionais para a gestão e conservação dos recursos biológicos de que eles dependem. O conhecimento e as práticas são empíricas, com base na observação contínua e a sua estreita ligação e dependência total dos recursos naturais. O conhecimento é armazenado em crenças religiosas e culturais, tabus, folclores ou mitos e na experiência prática dos indivíduos. O conhecimento é comunicado aos jovens durante a infância e a adolescência. Tal contribui para um nível de conhecimento em saúde humana e animal, em meteorologia agrícola e no uso da terra. Uma combinação de métodos culturais, empíricos e hierárquicos assegura a salvaguarda e o desenvolvimento adicional do conhecimento bem como a eficácia das práticas existentes. Ao preferir os conceitos utilitários aos hierárquicos ou teóricos, o conhecimento torna-se mais fácil de ser partilhado. As provas desempenham o papel de agente correctivo firme na determinação da utilidade do conhecimento existente e um "incentivo"para o seu desenvolvimento adicional. Lição: Os sistemas de conhecimento indígena são normalmente orientados para a aplicação. A introdução de conceitos novos deveria usar métodos que se baseiem, ou sejam compatíveis com os sistemas existentes.
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49 Domínio: Educação Tecnologia: Ensino não-formal, reprodução de animais Portadores de Conhecimento: Maasai Fonte: MARECIK, N. Ole-Lengisugi; F. Ole-Ikayo País: Tanzânia Aplicação: O conhecimento dos pastores Maasai sobre saúde dos animais adquirido durante uma fase de aprendizagem determinada culturalmente. Os conhecimentos dos Maasai sobre cuidados de saúde dos animais derivam de uma série de experiências ecológicas adquiridas através de acordos de trabalho tradicionais. Rapazes, raparigas e guerreiros da família estão divididos em equipas que, ao longo do tempo, vão pastorar diferentes classes de animais, satisfazendo os requisitos e funções da economia pastoral. Através dessa prática de pastoreio de diferentes categorias de animais ao longo do tempo, as famílias e sociedades Maasai adquirem um conhecimento íntimo de forragem/fauna. Desenvolvem capacidades de aplicação de vários tratamentos à base de plantas, e conhecimento nos efeitos produzidos em várias castas de animais e no seu sexo e grupo de idade. Aprendem a treinar os animais a evitar plantas venenosas. É graças à transumância e à utilização sucessiva de áreas diferentes de pastagem que os Maasais podem nomear todas as plantas encontradas nesses campos e pastagens, descrever o paladar das várias espécies, a sua sazonabilidade, elementos nutritivos, toxicidade e propriedades medicinais. Lição: Compreender os ambientes complexos e mantê-los produtivos exige uma aprendizagem longa.
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50 Domínio: Ambiente Tecnologia: Conservação ambiental, gestão do habitat Portadores de Conhecimento: Maasai Fonte: MARECIK, N. Ole-Lengisugi; F. Ole-Ikayo País: Tanzânia Aplicação: O pastoreio dos Maasai é uma forma de utilização sustentável da terra num ambiente frágil. Os Maasai percorrem as montanhas da África Oriental há mais de dois milénios. Técnicas de reprodução animal, observação ecológica, utilização da terra bem como dos padrões de transumância encontram-se reflectidas na cultura dos Maasai. A distribuição do trabalho segundo o sexo e a idade, música, lendas, língua, rituais, tomada de decisões e relacionamento com as comunidades vizinhas estão interligadas com os requisitos da sua actividade económica primária - criação de gado. Apesar das constantes pressões externas (comércio de escravos, colonialismo, a transformação em aldeias a seguir à independência da Tanzânia e a "ocidentalização"), os Maasai preservaram uma cultura do dia a dia visivelmente diferente. Esta cultura ajudou-os a manter a subsistência. No entanto, com o aumento da população na Tanzânia e no Quénia, várias pressões podem no entanto fazer perigar o seu estilo de vida: expansão de terra cultivada, exigências de preservação do habitat selvagem, pressões culturais e modernização. O tempo provará se a cultura distinta dos Maasai os dotou da flexibilidade e capacidade de adaptação para lidarem com as condições novas sem perderem a sua identidade. Lição: A cultura pastoral dos Maasai está a atravessar um período de definição: sucumbe ou sobrevive às influências culturais modernas.
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51 Domínio: Ambiente Tecnologia: Diversidade biológica Portadores de Conhecimento: Comunidades Rurais da África Oriental Fonte: MARECIK, N. Ole-Lengisugi; F. Ole-Ikayo País: África Oriental Aplicação: Sociedades tradicionais na África Oriental usam plantas selvagens para fins e meios diferentes para sobreviver. A África Oriental, e especialmente a Tanzânia, possui uma das floras mais ricas da África tropical. As terras altas, as terras baixas, os lagos do interior e um clima variável produzem uma variedade de zonas biológicas: florestas de folhas (semi) caducas ou florestas húmidas, savanas e estepes, florestas Miombo, todas contribuem para essa diversidade biológica excepcional. São utilizadas para fins medicinais, alimentares ou culturais, construção ou artesanais. As comunidades locais comercializam algumas destas plantas a nível local. No entanto, a comercialização para além das comunidades locais só acontece raramente. Lição: Estudar os vários usos e o valor comercial de plantas sub utilizadas poderia gerar receitas para as comunidades locais.
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52 Domínio: Cultura Tecnologia: Transformação de alimentos Portadores de Conhecimento: Mulheres Maasai Fonte: MARECIK, N. Ole-Lengisugi; F. Ole-Ikayo País: Tanzânia Aplicação: Produção de vinho de mel para fins culturais e de rituais é uma actividade importante para as mulheres na sociedade Maasai. "Enaisho Olotorok" (uma bebida alcoólica local feita de mel de abelha) tem uma grande importância simbólica para os Maasai. Está directamente relacionada com os rituais e cerimónias consideradas mais sagrados. "Enaisho Olotorok"é feita só para fins de cerimónias e não é vendida comercialmente nem produzida para ser bebida socialmente. É produzida exclusivamente para ser usada nas cerimónias mais significativas da cultura Maasai, tais como orações psicossomáticas, circuncisão, casamento e maioridade. As mulheres são especializadas no processo de produção da bebida de mel. A importância das cerimónias e rituais a que se destina comprova o significado do papel das mulheres na comunidade. Lição: Compreender o papel das mulheres nas cerimónias Maasai é fundamental para compreender o papel delas na sociedade Maasai.
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53 Domínio: Cultura Tecnologia: Botânica étnica Portadores de Conhecimento: Mulheres Maasai Fonte: MARECIK, N. Ole-Lengisugi; F. Ole-Ikayo País: Tanzânia Aplicação:"Semelhança afecta Semelhança" é um princípio indígena para determinar a eficácia de plantas no tratamento de doenças. Os curandeiros da África Oriental e outros lugares estabeleceram uma crença baseada em "semelhança afecta semelhança", um aspecto comum aos sistemas e práticas da medicina étnica sobre eficácia por simpatia. O aspecto físico das plantas e a sua semelhança ou analogia com as partes do corpo fornece a hipótese para a sua eficácia no tratamento de doenças ou males. Tais hipóteses são testadas com observações empíricas. Observaram efeitos neles próprios ou em animais doentes quando se depararam com certas plantas ou depois de as terem comido acidental ou instintivamente, quando estavam doentes e se curaram. Através destas observações cuidadosas, os curandeiros reconheceram que a maioria das plantas selvagens podiam ser usadas para tratar os seres humanos e os animais. As observações confirmaram que, em muitos casos, certas características das plantas semelhantes a partes do corpo ou a um órgão indicavam o seu uso eventual no tratamento. Estas práticas ficaram a ser conhecidas como "Doutrina de Assinaturas"ou a "Lei de Assinaturas". Lição: O princípio de "semelhança afecta semelhança" fornece uma base para a construção de hipóteses acerca da eficácia de plantas no tratamento de doenças.
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54 Domínio: Agricultura Tecnologia: Produção de cultivos Portadores de Conhecimento: Agricultores Wasukuma Fonte: MARECIK; Alphonse S. Mahuyemba, P.O.B. 195 Kahama, Tanzânia País: Tanzânia Aplicação: Substituição dos adubos químicos por adubos orgânicos e tratamentos de plantas nos cultivos agrícolas. Os agricultores de pequena escala Sukuma usam um composto verde e estrume dos currais para apressarem o crescimento das colheitas temporãs. Cobrem a camada exterior dos campos com uma mistura líquida de estrume de morcego, cinzas da cozinha, colinas de formigas, estrume de aves e de cabras em proporções determinadas pela tradição. Estas misturas não só fornecem nitrogénio em concentrações mais elevadas (estrume de aves, morcegos) mas também acrescentam outros minerais (cinzas). Para tratar as doenças das suas plantações, o tratamento de plantas é uma prática comum. Controlam o aparecimento de buracos nos caules do milho, carraças no gado e Hispa no arroz através do uso de extracto de "Tefrósia"ou pó de raiz de Neem. A conservação dos produtos alimentares colhidos é feita através do uso de produtos botânicos que se sabem terem propriedades para proteger durante um longo período de tempo. Lição: O uso de tratamentos à base de plantas locais nos cultivos agrícolas e no controlo de pragas reduz os riscos de saúde e a dependência de adubos importados e contribui para a segurança alimentar local.
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55 Domínio: Saúde Tecnologia: Tratamento dos doentes com SIDA Portadores de Conhecimento: Curandeiros Wadigo e Washambaa Fonte: MARECIK Amand Hayman, Tanzania Wildlife Ecology and Conservation; para mais informações contactar D. Scheinman País: Tanzânia Aplicação: Curandeiros tradicionais tratam eficazmente sintomas relacionados com a SIDA e proporcionam acompanhamento psicológico dos doentes. Os doentes de SIDA Wadigo e Washambaa na região Tanga no nordeste da Tanzânia buscam conselho e tratamento dos curandeiros locais. As várias aplicações com base nas plantas bem como o apoio psicológico provaram reduzir substancialmente o impacto de infestações secundárias nos doentes de SIDA. Os doentes de SIDA da Região Tanga declararam que os sintomas relacionados com a SIDA eram menos dolorosos depois do tratamento local comparativamente ao tratamento que receberam nos hospitais. As melhorias observadas incluem o desaparecimento de problemas de pele, aumento de apetite, recuperação da capacidade visual em apenas duas semanas. Por causa de uma levantamento que indicava que os curandeiros tradicionais tinham mais acesso aos doentes, o grupo de trabalho regional sobre a SIDA está a reconsiderar a sua abordagem ao tratamento e apoio psicológico aos doentes de SIDA e de DTS. O apoio psicológico e o tratamento oferecido pelos curandeiros também era mais acessível economicamente à população mais pobre. Lição: A integração dos curandeiros locais nas estratégias de prevenção e mitigação de SIDA aumenta a eficácia de abordagem e acesso para os doentes mais pobres.
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56 Domínio: Cultura Tecnologia: Instituições locais Portadores de Conhecimento: Comunidade Datoga (Barabaig) no Distrito Mbulu na Região Arusha Fonte: MARECIK, Tanzania Wildlife Ecology and Conservation, Mogan R. Lacey "Milk to Sunrise"(1998) País: Tanzânia Aplicação: Crenças tradicionais proporcionam um quadro de referência para a vida produtiva e social. Um estudo da mitologia e crenças religiosas revela que a visão Datoga do mundo está estreitamente relacionada com o seu ambiente físico e os modos de produção como pastores. Os códigos moral e jurídico derivam da mitologia assim como a sua dependência de pastoreio de gado. A sua relação com os grupos étnicos vizinhos, predominantemente o povo Maasai - nem sempre pacífica - é determinada por uma transferência da posse de gado, às vezes imposta pela força, e feita nos dois sentidos. A dependência de vacas é mitológica derivada de ruminantes selvagens tais como o antílope. Assim, as reservas naturais ecológicas recebem o mesmo respeito e reverência que os animais domésticos. A legendária origem das vacas está mais documentada do que as origens do ser humano. Certa altura, caçadores e povos sedentários foram transformados em cultivadores e pastores de gado, vivendo num ambiente duro semi-árido. Lição: A mitologia Datoga fornece uma base para abordagens participativas em programas de conservação do habitat na região.
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57 Domínio: Cultura Tecnologia: Saúde Pública Portadores de Conhecimento: Maasai Fonte: MARECIK, Tanzania Wildlife Ecology and Conservation, Amy McCormick, "Threads of Women´s Lives: Co-wife relations en Maasailand" (1998) País: Tanzânia Aplicação: Rapazes e raparigas são educados em conjunto para os preparar para múltiplos casamentos e poligamia. Poligamia e casamentos múltiplos são um padrão da cultura Maasai com vista a aumentar a força de trabalho produtiva de uma família. Os rapazes são educados para acumular várias cabeças de gado com vista a poderem casar com mais do que uma mulher. As raparigas são educadas para escolher vários guerreiros como namorados, de tal forma que muitas raparigas acabam por partilhar o mesmo guerreiro (e vice-versa). A intensidade de tais relações varia de acordo com a escolha dos que estão envolvidos. Estas múltiplas relações numa fase tão prematura da vida são consideradas uma preparação para a manutenção de uma família harmoniosa e produtiva e comunidade familiar num acordo de casamento polígamo. Lição: Os trabalhadores da área da saúde precisam de estar alertados para tais acordos quando lidam com campanhas de sensibilização relativas a DTS.
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58 Domínio: Educação Tecnologia: Ensino não-formal Portadores de Conhecimento: Maasai Fonte: MARECIK, Tanzania Wildlife Ecology and Conservation, Emily S. Friedberg "Oral Fixation" (1998) País: Tanzânia Aplicação: Contar histórias significa estabelecer uma ponte entre o passado e o presente e transferir valores éticos através das gerações. Os velhos Maasai ilustram os costumes do passado e com eles os valores prevalecentes de uma forma tácita, contando histórias. Os métodos e estilos de narração estão expressos na qualidade da actuação que capta o estado de espírito da audiência e realça os elementos importantes da história. Algumas das formas usadas para contar histórias incluem: cantar, gestos cuidadosamente manipulados em vozes diferentes ou declarações codificadas. A narrativa do roubo das vacas, por exemplo, começa com : " Lolong´o lay", ou seja, "vítima do meu escudo". A participação da audiência é importante, os ouvintes manifestam o seu acordo respondendo " Eee" (Sim) ou "mm" (OK) com uma inspiração profunda (mmh). Lição: Os métodos tradicionais de transmitir informações podiam ser usados em campanhas de sensibilização ou na preparação de projectos participativos.
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59 Domínio: Cultura Tecnologia: Artesanato Portadores de Conhecimento: Maasai Fonte: MARECIK, Tanzania Wildlife Ecology and Conservation, Megha Majmudar "Beauty and Beadwork among the Maasai" (1998) País: Tanzânia Aplicação: Os trabalhos com contas das mulheres Maasai. As mulheres Maasai são responsáveis pela criação de bonitas obras de arte à base de contas, enquanto os guerreiros lhes servem de modelo. Enquanto raparigas, fazem enfeites atraentes com contas para os braços, ombros, pernas e cintura dos seus amantes guerreiros. Como jovens mulheres casadas, desenham enfeites com contas para servirem de brincos dos guerreiros, cintos para as espadas e gravam no corpo marcas tribais. O desenho e o modelo dos colares, em vários tamanhos e feitios, são também feitos por elas. Também bordam com contas a roupa delas, a dos guerreiros e de outros clientes das comunidades vizinhas não-Maasai e até mesmo dos turistas. Fazem a decoração das latas onde vão guardar o leite das vacas antes de ser usado. Quando são velhas, tornam-se protectoras e guardiãs do processo de aprendizagem do trabalho com contas. As mulheres Maasai demonstram qualidades artísticas excepcionais no trabalho com contas. Lição: Com base nos dotes que possuem de arte decorativa, as mulheres Maasai que tenham oportunidades de trabalhar também com tecidos modernos conseguiriam obter rendimentos adicionais e assim melhorar o seu estatuto social e económico.
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60 Domínio: Cultura Tecnologia: Desenvolvimento social Portadores de Conhecimento: Maasai Fonte: MARECIK, Tanzania Wildlife Ecology and Conservation, Courtney Snegroff, "Female Circumcision in Maasai Culture" (1998) País: Tanzânia Aplicação: A circuncisão feminina ocupa um papel fundamental na manifestação da cultura Maasai. Os Maasai são uma sociedade patriarcal. Os casamentos das raparigas são determinados pelo pai. O chefe masculino da família decide quando as raparigas da família devem ser circuncisadas, casar e com quem. Tornar-se uma mulher casada significa renunciar a todos os direitos das raparigas e a uma vida feliz com os guerreiros. (Vide exemplo 57). A circuncisão é o ponto de entrada para a vida de casada. Todas as raparigas Maasai são circuncisadas e trocadas por vacas durante o casamento. As mulheres que não foram circuncisadas são consideradas raparigas e não têm que casar. A circuncisão é assim um símbolo de maturidade e de responsabilidade, um rito de passagem da puberdade para a idade adulta nas mulheres. A prática da circuncisão confere à mulher o respeito social duma comunidade e o reconhecimento de esta estar pronta para o casamento e de ser capaz de ter filhos. Considera-se que a causa primária da opressão das mulheres reside na prática de impor casamentos a raparigas ainda na puberdade. Lição: Lidar com a circuncisão feminina entre as mulheres Maasai exige uma compreensão cuidada da história, das relações de poder e do entendimento cultural específico do papel das mulheres na sociedade.
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61 Domínio: Ambiente Tecnologia: Gestão dos Recursos Naturais Portadores de Conhecimento: Maasai Fonte: MARECIK, Ole-Lengisugi, Conhecimento Indígena e Aptidões para Combater a Desertificação e a Seca País: Tanzânia Aplicação: Fiscalização das condições da floresta através observação da fauna e da flora. Os pastores Maasai praticam uma fiscalização diária dos seus recursos básicos para determinar a tendência das condições existentes nas florestas e para detectar os primeiros sinais de deterioração. Para garantir uma avaliação digna de confiança, eles desenvolveram várias técnicas de amostragem e de levantamento. Observam os tipos, qualidade, quantidade e condição da forragem conforme utilizados pelo gado e fauna selvagem. Os indicadores comuns usados são: produção diária de leite, textura e cor do pelo dos animais, consistência do estrume das vacas e dos animais selvagens, e a invasão de arbustos. Nenhum destes indicadores é utilizado individualmente, sendo antes uma combinação de todos eles que fornece aos experientes pastores indicações antecipadas da condição da floresta e das alterações prováveis. Com base nas observações, os pastores decidem como gerir a situação ou recorrer a estratégias para fazer face no caso de uma seca iminente. Lição: Os indicadores utilizados pelos pastores para fiscalizar o estado das florestas podem ser usados como parte de sistemas antecipados de aviso das condições das terras florestais e também da segurança alimentar.
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62 Domínio: Reprodução de animais Tecnologia: Ciência veterinária Portadores de Conhecimento: Maasai Fonte: MARECIK, Ole-Lengisugi (1998) País: Tanzânia Aplicação: Práticas veterinárias na prevenção de doenças contagiosas e cirurgia. Os pastores Maasai desenvolveram as suas estratégias próprias para prevenir e tratar doenças contagiosas do gado tais como peste bovina, pleuropneumonia bovina contagiosa, Antraz, Doença da Pata e da Boca, Brucelose, entre outras. Plantas medicinais e preparados com plantas são usados como desinfectantes, anestésicos, adstringentes, anti-inflamatórios, piréticos, e estimulantes do apetite e como agentes anti micróbios. As rotas dos rebanhos e o isolamento dos animais doentes são outros dos elementos dessas mesmas estratégias, que se fundamentam em indicações precoces de doenças. As técnicas cirúrgicas compreendem a correcção de membros deslocados, correcção de uma fractura óssea composta, castração, operações obstétricas, correcção dos dentes, abertura (e fecho) de orifícios arteriais, remoção de olhos defeituosos, etc. Lição: Práticas veterinárias tradicionais proporcionam um método económico de higiene do gado e de manutenção da sua saúde.
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63 Domínio: Saúde Tecnologia: Plantas medicinais Portadores de Conhecimento: Giriama no SE do Quénia Fonte: MARECIK, Ole-Lengisugi (1998), Doris Mutta País: Quénia Aplicação: Uso de plantas com propriedades antibióticas. A comunidade Giriama depende das florestas costeiras "Arabuko-Sokoke" para o seu abastecimento de remédios, comida, etc. Utilizam espécies de plantas para prevenir ou tratar doenças infecciosas de feridas, furúnculos, sarna, diarreia, desinteria, gonorreia e sífilis. As famílias de plantas mais vulgarmente utilizadas para o efeito são as anonáceas, zigofiláceas e as vitácias. Os testes de laboratório confirmaram que a maioria das espécies de plantas usadas tradicionalmente para tratar infecções provocadas por bactérias e fungos demonstraram ter um efeito forte relativamente à patogenia testada. As florestas Arabuko-Sokoke únicas constituem uma zona ecológica em via de extinção devido ao número crescente de colonos e aos vários usos que delas fazem. Se vierem a desaparecer, os Giriama podem perder uma fonte de plantas medicinais e uma série de espécies únicas e a fauna e a flora perderiam também o seu habitat. Lição: O conhecimento dos Giriama é útil na gestão dos recursos em via de extinção e fornece a base para o seu uso sustentável.
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64 Domínio: Reprodução de animais Tecnologia: Genealogia animal Portadores de Conhecimento: Maasai, pastores da África Oriental Fonte: MARECIK, Ole-Lengisugi (1998) Munuya et.al País: Tanzânia Aplicação: Um conjunto de práticas e estratégias assegura a saúde reprodutora dos rebanhos e animais. Os pastores Maasai e outros desenvolveram uma série de métodos para controlar e influenciar as taxas de reprodução e saúde dos rebanhos. As medidas incluem: controlo dos ciclos de cruzamento, controlo da reprodução dos machos através da sua selecção e isolamento, aumento do libido, estratégias para desmamar, obstetrícia do gado e partos manipulados. Estas medidas aplicam-se para assegurar a saúde de um determinado animal ou para controlar a taxa de reprodução de um rebanho como um todo para reagir às condições ecológicas e da floresta. Lição: Os métodos de pastoreio são um método económico para controlar as taxas e densidades dos rebanhos com um potencial para controlar o uso excessivo dos pastos.
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65 Domínio: Cultura Tecnologia: Capital social, resolução de conflitos Portadores de Conhecimento: Comunidades e famílias do NE do Zimbabué Fonte: ZIRCIK País: Moçambique, Tanzânia Aplicação: Um conjunto de práticas e estratégias assegura a saúde reprodutora dos rebanhos e animais. Os pastores Maasai e outros desenvolveram uma série de métodos para controlar e influenciar as taxas de reprodução e saúde dos rebanhos. As medidas incluem: controlo dos ciclos de cruzamento, controlo da reprodução dos machos através da sua selecção e isolamento, aumento do libido, estratégias para desmamar, obstetrícia do gado e partos manipulados. Estas medidas são aplicadas para assegurar a saúde de um determinado animal e para controlar a taxa de reprodução de um rebanho, na sua totalidade para reagir às condições ambientais e da floresta. Lição: Os métodos de pastoreio são um meio económico para controlar as taxas e densidades dos rebanhos com um potencial para controlar o excesso de pastagem.
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66 Domínio: Ambiente, Saúde Tecnologia: Diversidade biológica, plantas medicinais Portadores de Conhecimento: Curandeiros tradicionais, parteiras, membros da comunidades Fonte: ZIRCIK, Gelfand M. 1979, Growing Up in Shona Society, Mambo Press, Gweru País: Zimbabué Aplicação: Tabus limitam a extracção de espécies de plantas medicinais. Os profissionais do desenvolvimento ignoram frequentemente as crenças e o comportamento social porque os consideram puras superstições, não levando portanto em conta a sua validade e funções intrínsecas. Em muitos casos, as superstições (ou tabus) não pretendem ter um valor científico mas unicamente moldar o pensamento e controlar o comportamento. Os tabus são regras "sociais" enraizadas através do processo de socialização. O medo gerado é fruto da crença que uma violação arrasta o castigo do infractor. Os tabus que "regulamentam" a extracção de remédios das plantas têm a função de preservar as espécies medicinais. Por exemplo, as cascas das árvores que se destinam a fins medicinais só podem ser tiradas dos lados das árvores virados a Este e Oeste. Os extractos da árvore provenientes de outros lado da árvore são considerados como não tendo capacidades curativas porque violaram a regra acima. A árvore sobrevive sendo assim gerida de uma forma sustentável. Lição: As comunidades podiam pensar em desenvolver novos tabus para a gestão dos recursos naturais que estão a rarear.
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67 Domínio: Ambiente, Saúde Tecnologia: Gestão dos Recursos Naturais, Higiene Portadores de Conhecimento: Comunidades rurais do centro e leste do Zimbabué e da zona ocidental de Moçambique Fonte: ZIRCIK, Gelfand M. 1979, Growing Up in Shona Society, Mambo Press, Gweru País: Moçambique, Zimbabué Aplicação: Valores e mitos tradicionais impedem a contaminação de nascentes de água doce. Existem várias maneiras indígenas de proteger as fontes de água nas zonas central e oriental do Zimbabué e na zona ocidental de Moçambique. Uma delas consiste em proibir os membros de uma comunidade de usarem indiscriminadamente os utensílios domésticos para apanhar água das nascentes. Não é permitido usar panelas, copos ou baldes das próprias casas. Os membros da comunidade têm antes que usar uma bilha (mukombe) especial que está sempre junto à fonte só para este fim. A bilha (mukombe) tem uma pega muito comprida que faz com que as mãos ou os dedos (das pessoas que foram buscar água) não mergulhem na água, evitando assim o potencial perigo de contaminação. Os tabus e os costumes impõem o cumprimento desta regra. Lição: O controlo dos programas de água e saneamento pode aumentar se os autores dos projectos admitirem e apreciarem os costumes existentes que funcionam a favor da utilização e manutenção sustentável de tais instalações.
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68 Domínio: Educação Tecnologia: Ensino informal Portadores de Conhecimento: Anciãos e pais Fonte: ZIRCIK, Sadomba W.Z., 1996 , Growing Up in Shona Society, Mambo Press, Gweru País: Zimbabué Aplicação: Uso de tabus como um meio de ensino para criar um comportamento calculado e desejado numa criança em fase de crescimento. As crianças no Zimbabué sabem que se "sentarem num caminho ou numa estrada ficam com furúnculos nas nádegas". Por experiência directa ou indirecta, as crianças sabem que os furúnculos são muito dolorosos. A dor máxima ocorre quando se espreme o pus do furúnculo. As crianças vêem o sofrimento dos amigos e aumenta nelas o receio de um furúnculo e daí o medo de se sentarem num caminho ou numa estrada. Este medo impede-as de estarem no meio do caminho e de serem feridas pelo gado e, hoje em dia, de serem atropeladas nas ruas cada vez mais perigosas. Aplicam-se princípios idênticos em outras áreas da educação, nomeadamente na gestão de recursos. Embora a mensagem seja falsa numa perspectiva científica, a verdade é que as crianças ficam expostas a perigos se estiverem sentadas nos caminhos ou nas estradas. Lição: Numa perspectiva de desenvolvimento, para se confiar em crenças e tabus, é necessário entender o impacto no comportamento visado.
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69 Domínio: Agricultura Tecnologia: Nutrição das plantas Portadores de Conhecimento: Agricultores nos distritos de Chivi e Zaka Fonte: ZIRCIK, Institute of Environmental Studies (Universidade do Zimbabué) País: Zimbabué Aplicação: A terra das colinas de formigas aumenta a fertilidade dos solos arenosos e das regiões semi-áridas. Dada a falta de terra e de recursos financeiros, os agricultores de pequena escala no Zimbabué espalham nos campos a terra das colinas de formigas para melhorar a qualidade do solo agrícola. Antes de fazerem as plantações, cavam o solo e recolhem as colinas de formigas, que distribuem depois uniformemente e misturam nos solos arenosos. As formigas brancas são consideradas insectos benéficos e protegidas porque fornecem aos agricultores um adubo natural barato. Os agricultores asseguram-se, no entanto, que as colinas de formigas não sejam destruídas para poderem recorrer a elas mais uma vez depois de alguns anos de recuperação. Há indicações que a produtividade da terra aumentou. Lição: Perante constrangimentos específicos, os agricultores desenvolvem soluções que assentam nos recursos locais.
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70 Domínio: Agricultura Tecnologia: Controlo da erosão, Conservação do solo e da água Portadores de Conhecimento: Agricultores Fonte: ZIRCIK, Sadomba W.Z., The Impact of Settler Colonization on Indigenous Knowledge in Agriculture, Wageningen (1999) Hagmann J. et al. 1996, in Reij C. et al. (eds.), Sustaining the soil: Indigenous soil and water conservation in Africa, Earthscan. País: Zimbabué, Moçambique Aplicação: Os agricultores utilizam uma série de técnicas de construção de sulcos para conservação de água e de solo. O levantamento de sulcos Ngare ou Mhindu é uma técnica de formação de uma barreira contínua, em que empilham a terra em monte durante o período de cultivo. As sementes são postas no cimo e os outros cultivos são espalhados ao acaso segundo uma combinação. Os sulcos impedem a erosão e conservam água. Os sulcos Ngare são construídos no sentido transversal do campo para reduzir a velocidade da água das chuvas e o seu desperdício. Ao mesmo tempo, o armazenamento da água não se faz com o perigo de destruir os sulcos . Eles canalizam o excesso da água para as bordas do campo cobertas com pastos. Estudos revelaram que o sistema de sulcos Ngare e Mhindu são superiores ao sistema de socalcos praticado nas encostas íngremes. Um outro tipo de sulcos consiste na camada elevada Miwundo. As camadas elevadas são especialmente destinadas às batatas doces para depois de escoar o excesso de água nos cultivos das terras húmidas. O processo de sulcos revelou-se muito eficaz na manutenção do equilíbrio de água necessário para as diferentes variedades de cultivos mesmo num regime de cultivo misto. As plantas que precisam de mais água são cultivadas nas camadas inferiores onde a água é abundante, ao passo que as que requerem menos água são cultivadas nas camadas superiores onde há um bom escoamento de água. Lição: Os cientistas aprenderam estas técnicas, aperfeiçoaram-nas, por exemplo em "sulcos ligados entre si" e divulgaram-nas a outras regiões de África.
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71 Domínio: Segurança alimentar, saúde Tecnologia: Nutrição, conservação de alimentos Portadores de Conhecimento: Mulheres mais velhas Fonte: Rede de Informação Agrícola País: Zimbabué Aplicação: Secagem ao sol de frutos, vegetais e insectos comestíveis. A secagem de alimentos é normalmente feita por uma das duas maneiras seguintes. Um método (vulgarmente utilizado para os vegetais) consiste em imergir as hortaliças frescas em água salgada a ferver durante vários minutos, para evitar a perda de capacidades nutritivas. Os vegetais são depois secos ao sol durante cerca de três dias e guardados num local seco. Este método também se usa para secar lagartas, cupins, formigas brancas e outros insectos comestíveis. O outro método consiste em expor os alimentos directamente ao sol. Os alimentos são primeiro salgados se houver o perigo de se decomporem durante o processo de secagem como é o caso dos cogumelos e tomates. A secagem de alimentos é uma actividade importante para as mulheres porque cabe a elas a responsabilidade pela preparação da comida, mesmo durante os meses de inverno e as épocas secas. Lição: A secagem ao sol é uma tecnologia económica que, na maioria das condições, exige pouca ou nenhuma intervenção.
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72 Domínio: Ambiente Tecnologia: Gestão e conservação dos recursos naturais Portadores de Conhecimento: Comunidades das aldeias Fonte: Association of Zimbabwe Traditional Environmental Conservationists (AZTREC) País: Zimbabué Aplicação: Controlo espiritual da terra protegida. Os sistemas de costumes e crenças religiosas tradicionais de África fornecem modos de conservação ambiental através da reserva de vastas áreas para crescimento e actividade natural. Marambatemwa (que significa literalmente "locais que resistem ao corte") são reservas ecológicas cujas fronteiras são definidas pelos médios dos espíritos da terra. Adicionalmente, a maneira como se comportam os indivíduos que entram nessas áreas são determinados por esses espíritos. Normalmente há leis para limitar a interferência humana nos processos naturais destas áreas. Até os animais de caça, quando entram nestas zonas, são tidos como tendo buscado refúgio e são protegidos pelos espíritos ancestrais da terra. Os frutos têm de ser comidos no local e não podem ser levados para casa porque precisam de ser usados como alimentos para outros animais. As árvores não podem ser cortadas. Nem é mesmo permitido fazer comentários sobre estruturas aparentemente estranhas de objectos naturais. Estas regras são aplicadas, havendo castigos dos espíritos ancestrais da terra para quem as violar. Entre os castigos contam-se o perder-se e não conseguir voltar para casa ou ser atacado por animais selvagens. Lição: As zonas ecológicas que são preservadas deste modo são muitas vezes melhor mantidas do que as reservas de caça, administradas por procedimentos estatutários e burocráticos.
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73 Domínio: Educação Tecnologia: Questões relativas à diferença de tratamento entre os sexos Portadores de Conhecimento: Homens e mulheres das Províncias orientais e centrais do Zimbabué Fonte: ZIRCIK, Sadomba W.Z., 1996, Using taboos and Proverbs as Oral Archives of Indigenous Knowledge País: Zimbabué Aplicação: Valores, tabus e costumes reconhecem os poderes regeneradores das mulheres e destacam o seu estatuto na sociedade. As mulheres são consideradas como a santidade da natureza pois têm poder de regeneração através da sua capacidade de fecundar. Tal está reflectido numa série de valores, crenças e tabus. Novembro é conhecido por Mwedzi wembuddzi, o mês da cabra. Novembro marca o período de regeneração tanto da flora como da fauna, logo após as primeiras chuvas. Com a abundância de alimentos, os herbívoros de todas as espécies começam a reproduzir-se e Novembro é o período alto deste processo de regeneração. Esta observação levou ao desenvolvimento do tabu que proíbe o casamento durante o mês de Novembro. O tabu foi desenvolvido com o intuito de evitar a morte acidental de fêmeas grávidas para cerimónias de casamento e outros festejos. O castigo sofrido pelas pessoas que casam em Novembro é um desfazer inexplicável do casamento ou outra calamidade tal como não poder ter filhos. Este reconhecimento dos poderes regeneradores da natureza é particularmente defendido pelas mulheres. A menstruação é encarada como um processo de comunicação com a natureza. Durante este período, as mulheres ficam isentas de certas tarefas tais como participação na preparação de cerveja para fins espirituais. Em várias comunidades do Zimbabué, os antepassados mais velhos do clã responsabilizam uma antepassada (mbonga) pela transmissão dos poderes de feitiços do clã. As mulheres podem tornar-se espíritos influentes, como é o caso de Mbuya Nehanda que comandou uma rebelião contra os colonos britânicos e que foi enforcada em 1898. Estes valores e crenças elevam as mulheres para uma posição de destaque social e de respeito. Lição: As abordagens usadas no tratamento específicos dos sexos precisam de se fundamentar nos valores positivos das sociedades locais.
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74 Tecnologia: Cuidados de assistência à mãe e ao bebé Portadores de Conhecimento: Parteiras tradicionais da Divisão Bui Fonte: Mankoiy Martha Fangfo, Nso, Dr. Wirmum Clare Kinyuy, Mefopla Research Center; CIKO País: Camarões Aplicação: Parto tradicional em NSO. Uma parteira tradicional da aldeia de Mbinon em Nso, Divisão Bui, Província Noroeste dos Camarões relata o uso de dois tipos de folhas que facilitam o nascimento das crianças. A primeira é a folha de uma planta da família das Malváceas, que é usada para casos comuns. A segunda é a folha de uma planta da família das Acantáceas, que se aplica a mulheres com histórias de casos de partos difíceis e a mulheres que esperam o primeiro filho. Depois de se diluírem as folhas acabadas de apanhar, o líquido é espalhado na sala de partos. Um quarto do líquido é bebido pela parturiente, e o restante é massajado na cintura, barriga e região púbica da parturiente. Esta administração aumenta as contracções do útero e a dilatação do cervix durante o trabalho de parto, facilitando assim a expulsão. Se a placenta não se despegar e não for expelida num prazo razoável de tempo, a parturiente mastiga as ervas e engole o seu sumo. Há relatos de que as taxas de sucesso são extraordinariamente altas. Lição: Os métodos tradicionais de parto são acessíveis até aos membros mais pobres da comunidade e podiam ser usados para complementar a medicina moderna.
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75 Domínio: Saúde Tecnologia: Nutrição Portadores de Conhecimento: Curandeiros tradicionais, velhos Fonte: Dr. Wirmum Clare Kinyuy, Mefopla Research Center; CIKO País: Camarões Aplicação: Melhoria do Sistema de Imunidades dos doentes de SIDA através de preparação de comidas tradicionais. No Centro Mefopla em Bamenda-Camarões, fomenta-se o sistema de imunidades dos doentes de SIDA combinando plantas medicinais indígenas com alimentos ricos em enzimas. Estes compreendem óleos vegetais (soja), gorduras saturadas (caju e mandingo) e frutos selvagens. Os vegetais com elevado teor de fibras, que se aconselha vivamente aos doentes que consumam, são úteis na limpeza do sistema. Embora esta dieta e terapias alimentares não curem a doença, elas conseguem no entanto melhorar o sistema de imunidades. A terapia também compreende a eliminação de alimentos sólidos e líquidos que criem stress, tais como café, chá preto, açúcar, sal, farinha branca bem como arroz branco com grande concentração de hidratos de carbono. O tratamento tem tido êxito e ajuda a reduzir os sintomas físicos e psicológicos que acompanham a doença, tais como erupções cutâneas, feridas, sindromas respiratórios e stress/depressão. Lição: Sumos naturais, alimentos tradicionais e preparações medicinais à base de plantas podem melhorar o sistema de imunidades dos doentes de SIDA e podem ser bastante menos cansativos em relação aos seus efeitos e muito mais económicos do que um tratamento baseado exclusivamente em medicamentos.
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76 Domínio: Agricultura Tecnologia: Reprodução de cultivos Portadores de Conhecimento: Agricultores da planície Ndop, Upper Nun Valley NWP Fonte: Dr. Cornelius M. Lambi, CIKO País: Camarões Aplicação: Métodos indígenas para promover a fertilidade do solo e técnicas de cultivo intensivo dos agricultores da planície Ndop. Os agricultores da planície Ndop têm um método tradicional para manter e aumentar a fertilidade do solo e aumentar a produção dos cultivos em pequenas parcelas de terras alagadas. Produzem e aplicam estrume verde numa proporção equivalente a cerca de 30-60 kg de nitrogénio por hectare. Utilizam o sistema "ankara" que consiste em recolher e enterrar matéria orgânica nos sulcos, sendo depois queimada, o que aumenta o conteúdo de potássio e fósforo do solo. Os cultivos superficiais fazem-se com a intenção de suprimir as ervas daninhas nas terras de pousio. Para beneficiar das ricas zonas inundadas, os agricultores usam um sistema de ciclos múltiplos de colheitas por ano (cultivos comerciais antes e depois do cultivo do arroz). Para manter os elementos minerais nutritivos nas plantas, os lavradores utilizam sedimentos vulcânicos expostos à acção do tempo. As áreas alagadas podem ser usadas para pescar. Lição: Os métodos indígenas dos Camarões para manter e aumentar a fertilidade do solo e o rendimento dos cultivos assemelham-se aos métodos de agricultura orgânica desenvolvidos noutras regiões do mundo.
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77 Domínio: Desenvolvimento do sector privado Tecnologia: Sector informal, auto-ajuda Portadores de Conhecimento: Mulheres da Província Sudoeste dos Camarões Fonte: D.N. Ngwasiri; CIKO País: Camarões Aplicação: Resposta das mulheres rurais às crises económicas. Os Camarões passaram por uma recessão económica muito grande durante os últimos 13 anos, caracterizada pela descida dos rendimentos dos agricultores, pressão da população sobre a limitada terra agrícola e despedimentos no sector público, cortes salariais e uma desvalorização do franco CFA de 50% em Janeiro de 1994, o que tornou a vida das famílias urbanas e rurais muito difícil. Perante esta situação, as mulheres procuraram rendimentos alternativos através do artesanato, que incluía, entre outros, calçado, fabrico de sacos e de sabonetes. Estes artigos não são novos, mas a diferença está na criatividade e variedade da sua produção. As mulheres fabricam o sabão usando o óleo de palma existente localmente e soda cáustica. Produzem uma variedade de sacos (pastas escolares, sacos de mão, sacos de compras) e chinelos recorrendo a materiais existentes localmente. Recolhem e reciclam os sacos velhos de sisal, caixotes, papel e plásticos, fios e lã. Só compram as solas para os chinelos. O custo da produção é muito baixo. Os produtos competem em boas circunstâncias com os bens fabricados ou importados pois, para além de serem diferentes e originais, são também muito mais baratos. Os lucros da venda destes produtos constituem um suplemento importante do rendimento familiar. Lição: As mulheres respondem imediatamente às necessidades familiares e demonstram o seu espírito criativo ao procurarem soluções locais para os problemas.
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78 Domínio: Agricultura Tecnologia: Reprodução de cultivos agrícolas Portadores de Conhecimento: Agricultores Toumi de Bamendjou na Província Ocidental Fonte: Prof. C.N. Ngwasiri; CIKO País: Camarões Aplicação: Agricultores respondem à pressão existente sobre a terra com a intensificação da sua produção através de uma estratégia de limitados factores de produção externos. O sector agrícola actual dos Camarões depara-se com dois problemas principais. As áreas costeiras com solos férteis são fustigadas pelo êxodo rural, enquanto duas províncias - Ocidente e Noroeste, com as densidades de população mais elevadas dos Camarões - têm sofrido uma terrível pressão populacional sobre a terra. Tal resultou em longas brigas sobre a terra, conflitos, degradação dos recursos e usurpações de solo florestal, com uma média anual de cerca de 75 000 hectares perdidos a favor da exploração agrícola. Os agricultores Toumi intensificaram o sistema de exploração agrícola, combinando cultivos e métodos agrícolas mistos para solucionar o problema da falta de terra. Mantêm porcos, patos, peixes, pássaros e abelhas em menos de um hectare de terra; papaia, pimenta, cana de açúcar e outros cultivos são plantados à roda dos lagos de peixe. Quase tudo é reciclado. Os resíduos dos cultivos servem para alimentar os porcos, os excrementos dos porcos, patos e pássaros servem para dar de comer aos peixes e produzem um estrume composto a partir de uma combinação de resíduos dos cultivos com excrementos de porco/pato. Lição: As estratégias adoptadas pelos agricultores para intensificar a produção, perante condições de acesso difícil aos adubos químicos, integram o gado nas suas actividades de exploração agrícola e usam reciclagem dos resíduos orgânicos.
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80 Domínio: Agricultura Tecnologia: Gestão das propriedades agrícolas, exploração agrícola comunal Portadores de Conhecimento: Agricultores Ossing na Divisão Manyu da Província Sudoeste dos Camarões Fonte: Prof. C.N. Ngwasiri; CIKO País: Camarões Aplicação: Exploração agrícola em regime de comuna como resultado da falta de mão-de-obra. A Divisão Manyu da Província Sudoeste dos Camarões tem experimentado há bastante tempo, taxas excessivamente elevadas de êxodo rural. O número reduzido de habitantes da aldeia tira-lhes a possibilidade de reunir a mão-de-obra agrícola necessária. Para resolver este problema, os habitantes da aldeia Ossing reintroduziram o sistema de partilha de trabalho. Há três grupos de 78 agricultores (42 homens e 36 mulheres) que cultivam a mesma parcela de terra sem conflitos. O grupo dos Besongatabe cultiva cacau; os jovens agricultores Agborkem cultivam bananas enquanto os jovens Agborkem se dedicam ao cultivo de vegetais, milho e melão. Com um sistema cuidadosamente elaborado de partilha de trabalho, a propriedade agrícola é explorada durante o ano inteiro, sem que nenhum dos grupos tenha que lá permanecer mais de quatro meses por ano. Ficam assim com tempo suficiente para trabalhar as propriedades individuais ou até mesmo para tratar de negócios na cidade. Lição: As estratégias adoptadas pelos agricultores para intensificar a produção, perante condições de acesso difícil aos adubos químicos, incorporam o gado nas suas actividades de exploração agrícola e usam reciclagem dos resíduos orgânicos.
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81 Domínio: Medicina veterinária Tecnologia: Cuidados da saúde animal Portadores de Conhecimento: Pastores Fulani da Província Noroeste dos Camarões Fonte: C.Ndi; H. Bayemi; R. Njwe; Tchoumboue; H. Njakoi; N. Mopi; M. Njakoi; Sali-Django; CIKO País: Camarões Aplicação: Fulani aplicam ervas para combater parasitas no gado. Os pastores nómadas e semi-nómadas do Província Noroeste dos Camarões acham que as doenças são a causa principal do fraco desempenho do gado. O declínio crescente de serviços veterinários resultou num ressurgimento de uma série de doenças causadas por parasitas. Para enfrentar esta situação, os Fulani readoptaram estratégias introduzidas pelos pastores Fulani oriundos dos países vizinhos Nigéria e Chade. Um estudo de algumas das práticas veterinárias indígenas indica que certas espécies da família das Terminalia, Vernonia, Solanum e Khaya têm uma capacidade variável de combate aos vermes intestinais. Lição: Os remédios veterinários tradicionais são uma resposta confiável e económica à falta crescente de serviços públicos e ao custo elevado de serviços e medicamentos veterinários convencionais. As ditas práticas podem ser replicadas noutras partes dos Camarões e de outros países com uma flora semelhante.
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82 Domínio: Ambiente Tecnologia: Gestão dos recursos naturais Portadores de Conhecimento: Chefes Tribo Oku, Kwifon, Província Noroeste dos Camarões Fonte: Prof. C.N. Ngwasiri; CIKO País: Camarões Aplicação: Leis tradicionais Kwifon protegem as florestas naturais e regulamentam o seu uso. A Floresta da Montanha Kilum, que abriga algumas das espécies de pássaros e de animais mais endémicas, é uma das poucas florestas que resistiram na região Ocidental/Central de África. Dezasseis aldeias da tribo dos Oku, que fica contígua à floresta, apropriam os recursos para utilizarem na sua subsistência. As plantas medicinais são apanhadas na floresta e exportadas para a Europa e EUA. Desde que se estabeleceram na área, há cerca de cem anos, o povo Oku tem conseguido gerir os recursos da floresta segundo regras preparadas e postas em vigor por uma instituição tradicional chamada Kwifon, anterior à administração colonial europeia. Kwifon faz as leis que governam o acesso aos recursos da floresta, a sua atribuição e conservação. O chefe faz a comunicação das leis através de anúncios públicos. A sede de Kwifon fica no palácio do chefe, dispondo de uma rede de segurança através da qual é informado acerca do que acontece na região sob a sua chefia. O povo Oku atribui a sua capacidade para detectar os que escarnecem das leis e injunções a poderes místicos omnipresentes. Lição: Os métodos indígenas de gestão dos recursos naturais estão a conservar e a regular eficazmente o uso de florestas naturais sem necessidade de regulamentos publicamente impostos.
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83 Domínio: Ambiente Tecnologia: Gestão das recursos naturais Portadores de Conhecimento: Províncias Bak do Sul e Leste Fonte: Prof. C.N. Ngwasiri; CIKO País: Camarões Aplicação: O povo Baka que habita na floresta tem um conhecimento íntimo de usos medicinais e outros usos dos produtos da floresta. Cerca de 40 000 Bakas habitam a floresta tropical equatorial da região sudeste dos Camarões. Os Baka possuem um conhecimento amplo dos recursos da floresta da qual dependem exclusivamente para a sua sobrevivência. Incluem uma variedade de tubérculos, frutos, folhas selvagens, animais, peixe e mel. Em Março de 1998, entrevistámos um grupo de homens e mulheres Baka que deixaram a floresta e se estabeleceram na aldeia Dioula no Sudeste dos Camarões, para testar os seus conhecimentos sobre recursos florestais. Estão a par de uma série de tipos de árvores, e dos fins medicinais e outros das folhas, frutas, madeira, cascas e raízes. Os Bakas são conhecidos como curandeiros tradicionais, o que se atribui também ao conhecimento profundo e íntimo que têm dos produtos da floresta. O conhecimento que possuem dos recursos da floresta podia ser muito útil às indústrias farmacêutica e de extracção de madeira. Lição: O conhecimento "médico"dos Baka pode ser exportado para outras áreas dos Camarões. O conhecimento que possuem sobre árvores e outros produtos da floresta pode fornecer pista sobre como atingir uma exploração sustentável da floresta nos Camarões onde a exploração com desperdício resultou em prejuízos nas serrações de madeira calculados entre 23-35% das árvores cortadas.
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Prática de SI No: 84 Pais:
Benine Área
Temática: Processamento de Alimentos Tecnologia:
Desenvolvimento de Habilidades Prática: Métodos tradicionais de fabrico de queijo a baixo custo Resumo: A vida de muitas famílias no Benine depende da renda resultante do fabrico de queijo. O queijo é comercializado quer ao nível doméstico quer no vizinho Níger. O seu fabrico requer, para além de leite fresco e folhas de Calotropis porcera algum equipamento. Este consiste de uma panela (de barro preferivelmente), um crivo ou passador (diâmetro de 0,5 mm), um pedaço de tecido de linho fino, um fogão a gás ou qualquer outra fonte de calor, um pilão de madeira e uma colher de pau. Resultado/Experiência: Este método de fabrico de queijo pode ser integrado nas operações de pequenas unidades leiteiras e de produção artesenal de queijo. A produção de queijo poderá ser útil às comunidades rurais como uma fonte de renda alternativa, caso se verifique uma produção sazonal excessiva de leite. Fonte: SIATA, Dr. Abel Dossoumou Acesso
Externo: Contacto: gtz.siata@fasonet.bf |
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Prática de SI No: 85 País: Burkina Faso Área
Temática: Agricultura Tecnologia: Gestão de Recursos Naturais Prática: Sistemas de rotação de culturas praticados pela comunidade de Nounis em Burkina Faso Detentores do Conhecimento: Nounis pertencentes à aldeia de Bagounsio (Província de Sissili, Burkina Faso) Resumo: Os camponeses constroem um muro ou barreira de pedras ao longo das curvas de nível. Esta estrutura tem como finalidade reduzir a velocidade de escoamento das águas superficiais e, assim permitir uma maior infiltração da água no solo, ao mesmo tempo que drena a quantidade em excesso. A barreira ou muralha de pedras contribui para a acumulação e retenção de solo fértil a montante, enquanto que abaixo ou jusante da barreira ocorre a degradação do solo. A redução gradual do declive ou, inclinação do terreno entre as muralhas resulta, a partir da adopção de medidas de conservação de solo, na distribuição mais uniforme da fertilidade do solo. Esta prática contribui para a recuperação de terrenos degradados e, para o aumento da produção agrícola. A construção de barreiras ao longo das curvas de nível é uma técnica que foi adoptada com sucesso por outras comunidades Burkinabes e, ainda de países vizinhos. Resultado/Experiência: Os sistemas de rotação de culturas praticados pelos Nounis contribuem para a manutenção da fertilidade do solo, para além de contribuirem para a diversificação da produção ao nível do pequeno agricultor. Contudo e, antes da mudança de alguns elementos do sistema através da introdução de novas culturas, variedades ou sementes comerciais, recomenda-se a realização de estudos adequados. Fonte: David K. PODA, «Mémoire de fin d´études en Agronomie», IDR, Université de Ouagadougou, June 1989, M4290 Acesso
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Prática de SI No: 86 País: Burkina Faso Área
Temática: Agricultura Tecnologia: Contrôle de Erosão Prática: A construção de barreiras de pedras alinhadas segundo as curvas de nível pelos camponeses de Mossi, comunidade de Yatenga, constitui uma prática de contrôle de erosão. Detentores do Conhecimento: Camponeses do Grupo Mossi, pertencentes à aldeia de Yatenga. Resumo: Os camponeses constroem um muro ou barreira de pedras alinhadas segundo as curvas de nível. Esta estrutura tem como finalidade reduzir a velocidade de escoamento das águas superficiais e, assim permitir uma maior infiltração da água no solo, ao mesmo tempo que drena a quantidade em excesso. A barreira ou muralha de pedras contribui para a acumulação e retenção de solo fértil a montante, enquanto que abaixo ou jusante da barreira ocorre a degradação do solo. A redução gradual do declive ou, inclinação do terreno entre as muralhas resulta, a partir da adopção de medidas de conservação de solo, na distribuição mais uniforme da fertilidade do solo. Esta prática contribui para a recuperação de terrenos degradados e, para o aumento da produção agrícola. A construção de barreiras ao longo das curvas de nível é uma técnica que foi adoptada com sucesso por outras comunidades Burkinabes e, ainda de países vizinhos. Resultado/Experiência: Estas estruturas de conservação e contrôle de erosão do solo constituem uma técnica eficaz para aumentar a capacidade de retenção de água no solo e , por outro lado, na redução do escoamento superficial da água. Qualquer mudança por menor que seja no comportamento da fertilidade do solo deverá ser convenientemente estudada. Fonte: CILSS, Thomas Toni DORO, 1991, Burkina Faso. Ferdinand Dabiré: «Revolutionary conservation:
Villages successfully use stones against erosion», West Africa, September
11-17, 1989. Acesso
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Prática de SI No: 87 País: Burkina Faso Área
Temática: Agricultura Tecnologia: Conservação de Solo Prática/Contexto: O uso de sistemas de classificação de solos local pelos camponeses Mossi para determinar o padrão de culturas. Detentores do Conhecimento: Camponeses do Grupo Mossi, pertencentes à comunidade de Yatenga (aldieas de Ranawa e Aorêma). Resumo: Os camponeses da comunidade Mossi desenvolveram um sistema local de classificação de solos formalmente reconhecido. Os camponeses Mossi classificam os diferentes tipos de solos segundo a textura, cor, consistência, posição topográfica, fertilidade e drenagem do terreno. Através destas características, a classificação permite aos camponeses agrupar os solos em quatro principais classes, fazendo corresponder a cada uma das classes uma cultura específica. Resultado/Experiência: O sistema local de classificação de solos contribui para melhorar o conhecimento dos Mossis no que respeita às alternativas e ecossistemas agrícolas locais. Fonte: Basga E. DIALLA (IK Monitor 1 (3) 1993 CIRAN); and: Project PATECORE, BP 271, Kongoussi, Tél. 45-71-43, Burkina Faso: «The Mossi indigenous soil classification in Burkina Faso». Acesso Externo: CIRAN Contacto: |
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Prática de SI No: 88 País: Burkina Faso Área
Temática: Agricultura Tecnologia: Sistemas de Produção Prática/Contexto: Aumento da segurança alimentar das famílias rurais através da consociação de culturas, incluíndo o recurso a variedades com diferentes períodos de crescimento. Detentores do Conhecimento: Camponeses dos Grupos Mossi, Songhais e Kurumbas de Aribinda, Norte de Burkina Faso. Resumo: Em muitas regiões de Burkina Faso e de Aribinda, caracterizadas pela escassez de chuvas, os camponeses recorrem ao uso de variedades de culturas com ciclos de crescimento curto e longo na mesma machamba, para optimizarem os seus rendimentos. Esta prática concorre para o aumento das possibilidades de sucesso da campanha pois permite a distribuição do risco de perda da cultura por um maior número de variedades semeadas. Sementes de diferentes variedades e ciclos de crescimento de mexoeira são semeadas à mistura numa mesma parcela, procedendo-se à sua colheita durante o período de maturação das espigas. Os camponeses conseguem assim, através da combinação de diferentes ciclos de crescimento, reduzir os riscos associados à distribuição irregular da chuva, e garantir a segurança alimentar. Resultado/Experiência: Apesar de aumentar a segurança alimentar da família, a estratégia de redução do risco mostra-se incompatível quando se recorre ao uso de sementes de variedades comerciais, justificando portanto uma avaliação prévia antes de se recorrer à introdução de novas variedades. Fonte: «Lómbre du mil: un sistème agropastoral sahélien en Aribinda (Burkina Faso)», Dominique GUILLAUD, Editions de l´ORSTOM, Collection A travers Champs, Paris, 1993. Cycles. Acesso Externo: Contacto: |
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Prática de SI No: 89 País: Burkina Faso Área
Temática: Agricultura Tecnologia: Contrôle de Erosão Prática/Contexto: Técnicas contra a erosão com base no uso de fertilizantes orgânicos e práticas de conservação de água. Detentores do Conhecimento: Camponeses Mossi de Yatenga (aldeias de Ranawa e Aorêma). Resumo: O recurso ao uso e aplicação de estrume animal, resíduos das culturas, faixas de pousio, rotação de pousios, construção de micro-bacias, cobertura de solo e reflorestamento são muitas das práticas dos camponeses Mossi. Quando associados a outras técnicas de contrôle de erosão, como as barreiras e linhas de pedras, esses métodos mostram-se particularmente eficientes na reposição do balanço de nutrientes e fertilidade do solo (referência à Prática SI 86). Resultado/Experiência: É necessária a capacitação dos serviços de extensão agrícola nestas técnicas de forma a garantir o processo de transferência de tecnologia ou de introdução de novas variedades. Fonte: Basga E. DIALLA (IK Monito 2 (1) 1994 ciran); and: Jean Yves MARCHAL (1986), «Vingt ans de lutte antiérosive au nord du Burkina Faso», Cahiers ORSTOM, Série Pédologi XXII (2): 173-180. Acesso Externo: CIRAN Contacto: |
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Prática de SI No: 90 País: Burkina Faso Área
Temática: Agricultura Tecnologia: Desenvolvimento Comunitário Prática/Contexto: A unidade social inter e intra-aldeias é assegurada pelo papel vital das estruturas informais de ajuda mútua. Detentores do Conhecimento: Bissas de Boulgou. Resumo: Os Bissas conseguiram através do processo de produção agrícola, combinar de forma harmoniosa, responsabilidades quer individuais quer colectivas. Existem dois tipos de organizações tradicionais de ajuda mútua, nomeadamente: Yawole or Susoaaga – “convite à produção”, que existe na tradição dos Mossi. A Yawole ou Songtaab é uma associação entre jovens dos Bissas que participam na produção agrícola de forma colectiva ou em grupo tanto nas suas machambas como nas dos seus familiares, i.e. sogros e cunhados. Estas estruturas de ajuda mútua são informais e de caractér sazonal. Contribuem para a unidade social na aldeia e entre aldeias. Resultado/Experiência: As estruturas informais de ajuda mútua promovem a consolidação da unidade social através de valores locais (a partir de práticas e conhecimentos técnicos). Fonte: Basga E. DIALLA, Claude BATIONO, Maxime S. OUEDRAOGO, DMP/MOB, Juin 1998 (document inédit), Ouagadougou, Burkina Faso; and: Dr. Bernard Lédéa OUEDRAOGO: «Association Internationale Six “S”», BP 100, Ouahigouya Tél: 55-00-38, Burkina Faso. Acesso Externo: Contacto: |
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Prática de SI No: 92 País: Burkina Faso Área
Temática: Saúde Tecnologia: Tratamento de Mordeduras de Cobras Prática/Contexto: Tratamento das mordeduras de cobras com ervas. Detentores do Conhecimento: Camponeses Mossi de Boussou (Yatenga). Resumo: No tratamento de mordeduras de cobras, os camponese Mossi recomendam mastigar duas raízes de Feretia apondanthera (nome local finninga), e engolir o suco. Segundo os Mossi, o tratamento é eficaz para mordeduras de cobras como as “viper” e “naya”. Resultado/Experiência: O tratamento de mordeduras de certas cobras recorrendo ao uso de ervas é uma prática comum entre algumas comunidades Mossi. Fonte: Henry Y. KABORE et Dieudonné NIKIEMA, INADES-Formation, ET. 48, Janvier 1992, Ouagadougou, Burkina Faso. «Les pratiques et savoirs paysans en matiére de santé humaine dans le Département de Boussou (Province de Yatenga)», (Rapport d´étude). Acesso Externo: Contacto:
dialla@yahoo.fr |
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Prática de SI No: 93 País: Burkina Faso Área
Temática: Saúde Tecnologia: Medicina Tradicional Prática/Contexto: Tratamento de sarampo. Detentores do Conhecimento: Camponeses Mossi de Boussou (Yatenga). Resumo: O sarampo entre os camponeses Mossi é tratado com um remédio preparado a partir do estrume de galinha humedecido em água. Esta solução é ingerida depois de misturada com farinha de mexoeira ou mapira. Resultado/Experiência: A medicina tradicional tem mostrado, através de experiências bem sucedidas e respectiva margem de erro, a eficácia de certos tratamentos, como no caso do tratamento de sarampo recorrendo ao uso de estrume de galinha. Este método de tratamento requer estudos mais detalhados. Fonte: Henry Y. KABORE et Dieudonné NIKIEMA, INADES-Formation, ET. 48, Janvier 1992, Ouagadougou, Burkina Faso. «Les pratiques et savoirs paysans en matiére de santé humaine dans le Département de Boussou (Province de Yatenga)», (Rapport d´étude). Acesso Externo: Contacto:
dialla@yahoo.fr |
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Prática de SI No: 94 País: Burkina Faso Área
Temática: Saúde Tecnologia: Medicina Tradicional Prática/Contexto: Em Burkina Faso são vários os usos e aplicação dos fármacos, drogas e remédios conhecidos pelos médicos tradicionais. Detentores do Conhecimento: Médicos tradicionais de Burkiuna Faso. Resumo: Os médicos tradicionais detêm o conhecimento das drogas terapêuticas. Muitas delas são derivadas de plantas, sendo preparadas de diferentes formas para seu uso. Dores de cabeça, nevralgias dentárias, inflamações orais e má disposição por exemplo, são tratadas recorrendo ao uso de Piliostigma reticulatum. Para o desaparecimento ou combater as tonturas recomenda-se mastigar as folhas de P. reticulatum. Quando fervida conjuntamente com folhas de gueira e Securdaca usa-se no tratamento de doenças como síflis, cancro, bronquites, malária, e phagedaena. No tratamento de ataques epilépticos recomenda-se a sua preparação no estado líquido como uma bebida. A fervura de rebentos de espécies não-coníferas usa-se no tratamento de hemorróidal e, como pomada aplicando no toráx no tratamento de doenças pulmonares. Resultado/Experiência: A utilização do conhecimento de vários fármacos e remédios tradicionais pode contribuir para uma maior eficácia da medicina moderna na solução das necessidades locais. Fonte: Delphine OUEDRAOGO, Arbre et Dévelopement, Direction de la Foresterie Villageoise et de l´Aménagement Forestier, Ouagadougou, Burkina Faso, AD no.24, 1e trimestre 1999, 27-29: «Piliostigma reticulatum ou le petite arbre qui guérit plaies et ulcères». Acesso Externo: Contacto:
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Prática de SI No: 95 País: Burkina Faso Área
Temática: Meio Ambiente Tecnologia: Conservação de Solos Prática/Contexto: O uso da prática florestal Zai pelos camponeses Mossi de Yatenga no reflorestamento. Detentores do Conhecimento: Camponeses Mossi de Yatenga. Resumo: A abertura de covas ou micro-bacias localmente conhecidas por zai, com aproximadamente 20 a 30 cm de diâmetro e de 15 cm de profundidade, tem como principal função aumentar a infiltração de água e reduzir a erosão do solo. Nas zai crescem naturalmente apenas as espécies lenhosas úteis para os camponeses. Estrume animal é utilizado como fertilizante nas zai. As sementes utilizadas são aquelas que após ingeridas pelos animais, foram submetidas ao processo digestivo interno e libertas com o excremento animal, pré-tratamento que induz a sua germinação. Esta técnica florestal conhecida por zai contribui para a redução da degradação dos recursos naturais e da desertificação. Esta técnica foi ainda bem sucedida na reabilitação de terras degradadas e na regeneração de recursos florestais. Resultado/Experiência: Esta prática demonstra a importância das abordagens criativas desenvolvidas pelos camponeses no contrôle da degradação dos recursos de solo e desflorestamento. As actividades de extensão e investigação agrárias podem usar a técnica. Fonte: Dieudonné NIKIEMA, INADES-Formation, Envi. 3, 1781 (2), Décembre 1995, (Rapport de recherche), Ouagadougou, Burkina Faso – CILSS: Reflets Sahéliens, no.19, Août 1993. Acesso Externo: Contacto:
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Prática de SI No: 96 País: Burkina Faso Área
Temática: Meio Ambiente Tecnologia: Agro-silvicultura Prática/Contexto: Uso de uma técnica agro-florestal original no melhoramento de solos. Detentores do Conhecimento: Camponês Mossi de Passoré. Resumo: Um camponês Mossi de Passoré, de oitenta anos de idade, há várias décadas que recorre a métodos tradicionais para a reprodução natural de árvores da espécie Acácia albida. A machamba deste camponês encontra-se “invadida” por árvores da espécie em referência, como resultado do sucesso do método utilizado. Na verdade, o método consiste simplesmente no corte das raízes das plantas como forma de propagação. Estas raízes desenvolvem e estabelecem-se em aproximadamente sete anos como árvores adultas. Atingindo as árvores o estado adulto, o camponês volta a cortar as raízes laterais, provocando a regeneração de outras raízes principais. Resultado/Experiência: Apesar da eficiência deste método agro-florestal, tem o inconveniente de ser um processo lento. Através da ajuda de organismos de desenvolvimento, o método pode melhorado e divulgado. Fonte: Dieudonné NIKIEMA, INADES-Formation, Envi. 3,1781 (2), Décembre 1995, (Rapport de recherche), Ouagadougou, Burkina Faso. «L´agroforesterie en milieu rural, le cas du plateau central de Burkina Faso». Acesso Externo: Contacto:
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Prática de SI No: 97 País: Burkina Faso Área
Temática: Medicina Veterinária Tecnologia: Classificação de doenças Prática/Contexto: Sistema de classificação de doenças animais praticado pelos Peul. Detentores do Conhecimento: Aldeões de Roangtenga, Gemsgo e Guebadin. Resumo: Os criadores de gado e restantes sistemas silvo-pastoris de Burkina Faso dão grande importância aos cuidados de saúde animal, recorrendo ao uso de tratamentos a partir de plantas tradicionais. Os criadores de gado Peul de Roantenga, Gemsgo e Guebadin, destinguem no seu sistema local de diagnóstico de doenças, dois grupos de doenças, aquelas de causas sobrenaturais e, aquelas de origem material e física. O sistema taxonómico das doenças por eles desenvolvidos toma como referência cinco elementos básicos: a localização física da doença no corpo do animal; a evidência objectiva ou manifestação física da doença; qualquer sinal clínico que se identifique ou assemelhe a um objecto familiar; causa identificada da doença; ou mesmo uma ferida ou lesão visível. Este sistema permite aos Peul recorrer ao diagnóstico na determinação dos tratamentos mais adequados. Resultado/Experiência: O sistema de classificação local de doenças nos animais dos Peul pode ser útil a outras comunidades no diagnóstico e tratamento das doenças dos animais. Fonte: Dr Hamidou TAMBOURA et al. Acesso Externo: Contacto: |
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Prática de SI No: 98 País: Burkina Faso Área
Temática: Comunicação Tecnologia: Canais Tradicionais de Comunicação. Prática/Contexto: O fole entre os ferreiros é o principal meio de comunicação, enquanto que o tambor ou batuque é o meio de comunicação utilizado para uma audiência mais vasta ao nível das comunidades Mossi. Detentores do Conhecimento: Ferreiros e batuqueiros das comunidades Mossi. Resumo: Os ferreiros Mossi recorrem às forjas para produzir sons e ritmos que, de facto são mensagens codificadas e que só eles compreendem. Contudo, os batuques ao nível rural são utilizados e conhecidos por um maior número de aldeões e membros da comunidade. Resultado/Experiência: O fole é apenas utilizado pelos ferreiros como meio tradicional de comunicação, enquanto o batuque porque conhecido e familiar a um maior número de pessoas, pode ter um impacto muito maior ao nível rural em campanhas de mobilização da população e na difusão de mensagens. Fonte: Lidia CALDEROLI, Ethnographie 92, 1(1996) Printemps no 119 Titre:«Notes sur le langage des soufflets chez les forgerons Moose (Wubr-tenga-Burkina Faso). Une forme de communication de travail»; et Junzo KAWADA, Institut de recherches sur les langues et Cultures d´Asie et d´Afrique, Tokyo, Japan.. Acesso Externo: Contacto: |
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Prática de SI No: 99 País: Burkina Faso Área
Temática: Lei Costumeira Tecnologia: Posse de Terra. Prática/Contexto: De acôrdo com os sistemas costumeiros, em Burkina Faso a terra é atribuída pelos chefes tradicionais e a sua gestão é feita pela comunidade. Detentores do Conhecimento: Chefes de terra tradicionais. Resumo: Nas comunidades rurais de Burkina Faso, a terra é atribuída pelos chefes de terra tradicionais (Tengsoaba, na língua Mossi) em representação do grupo étnico, clã ou família. Segundo o sistema costumeiro, o líder tradicional responsável pela gestão dos recursos de terra, representa o herdeiro descendente mais próximo de quem primeiro tinha direitos sobre a terra. Representa e goza assim de um estatuto intermédio entre os vivos, os familiares mortos, dos demais poderes invisíveis, igualmente proprietários das terras. O chefe tradicional de terras tem poderes para atribuir e distribuir terras às famílias, chefes de famílias ou a indíviduos segundo as suas necessidades. Cada membro da comunidade (responsável pela gestão colectiva da terra) goza em termos permanentes do direito de acesso e uso da terra os quais são transmitidos de pais paa filhos. Aos estranhos que eventualemte integram o grupo a terra é-lhes atribuída condicionalmente; os seus direitos são temporários e precários. Contudo e nos dias de hoje, devido ao crescimento da população e explosão demográfica e também porque a terra oficialmente pertence ao estado, o sistema costumeiro de gestão de terra está sériamente ameaçado. Resultado/Experiência: O sistema costumeiro de gestão de terra está sériamente ameaçado pelo impacto da explosão demográfica. Outra ameaça ao sistema costumeiro é o facto das terras pertencerem ao Estado, justificando o diálogo entre as instituições formais e informais de forma a encontrar um compromisso favorável para as comunidades rurais. Fonte: Souleymane OUEDRAOGO, Inspecteur des Domaines, Ouagadougou, Burkina faso, Juin 1993, (IIMI):«Quel(s) régime(s) foncier(s) pour les aménagements hydro-agrícoles». Acesso Externo: Contacto: |
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Prática de SI No: 100 País: Burkina Faso Área
Temática: Lei Costumeira Tecnologia: Chefes de Terra Tradicionais. Prática/Contexto: Acesso das mulheres à posse de terra segundo o sistema costumeiro. Detentores do Conhecimento: Chefes de terra tradicionais. Resumo: O acesso da mulher à posse de terra não é reconhecido pelo sistema costumeiro. De acôrdo com as normas costumeiras, às mulheres é-lhes apenas reconhecido o direito de utilizar a terra, temporariamente e em nome do marido. Apesar de, em Burkina Faso a lei formal, “Reorganização Agrária e Predial em Burkina Faso”, reconhecer e conceder tal direito de acesso e posse de terra a qualquer cidadão, a mulher especialmente no meio rural, continua a ser discriminada pelo sistema costumeiro de gestão de terras. Resultado/Experiência: O sistema costumeiro de gestão de terra deveria reconhecer o direito de acesso e posse de terra às mulheres, uma vez que constituem mais de metade da população de muitos países Africanos e, mais importante, são elas que respondem pelas actividades domésticas e pela produção agrícola ao nível da família. Fonte: DAKIE, Arbre et Developpement, Direction de la Foresterie Villageoise et de l´Aménagement Forestier, Ouagadougou, Burkina Faso, AD no.23, 4e trimestre, 1998. Acesso Externo: Contacto: |
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Prática de SI No: 101 País: República Democrática do Congo Área
Temática: Processamento de Alimentos. Tecnologia: Tecnologias Pós-Colheita. Prática/Contexto: Redução do uso de mão-de-obra na tecnologia de processamento da mandioca segundo a experiência dos emigrantes. Detentores do Conhecimento: Mulheres de Kongo e Teke, Kinshasa. Resumo: O pão de mandioca também chamado localmente pelos Kongo e Teke de kwangas e chikwangue é feito de farinha pilada. No processamento tradicional da farinha, as mulheres recorriam ao uso de utensílios especiais com o formato de pentes, processo bastante longo e incómodo. Este método viria a ser substituido com a introdução de peneiras, iniciativa das mulheres emigrantes e residentes em Kinshasa, o que concorreu para a diminuição significativa do tempo de processamento e também do esforço físico normalmente empregue. Aquando do regresso dos emigrantes à sua terra natal (Congo-Brazzaville) idos de Kinshasa, acabaram introduzindo a prática com sucesso. O método acabou por ser extremamente útil às duas populações de mulheres quer em Kinshasa quer no Congo Brazzaville. Resultado/Experiência: A troca de experiências entre grupos de mulheres emigrantes e a comunidade residente através da interacção directa é importante e deverá ser incentivada e divulgada. Fonte: Luzietoso Nguala, Bazabana Jean Jacques Magloire, Groupe de Recherche et d´Expertise sur Développement des Savoir-faire Locaux en Afrique, (Montpellier, France); and ORSTOM resports. Acesso Externo: Contacto: Nguala.Luzietoso@wanadoo.fr |
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Prática de SI No: 102 País: República Democrática do Congo Área
Temática: Desenvolvimento Social. Tecnologia: Capacitação Institucional. Prática/Contexto: O uso de bens materiais em substituição do dinheiro é uma forma de evitar a desvalorização e depreciação constantes do dinheiro a que as mulheres membros do sistema Tontine recorrem. Detentores do Conhecimento: Mulheres de Kinshasa. Resumo: Em muitas cidades Africanas e em Kinshasa, as mulheres criaram e promovem o sistema “tontine”: uma sociedade em que os seus inúmeros membros contribuem em dinheiro para um fundo; normalmente e por mútuo e comum acôrdo, é estabelecido um determinado período de tempo findo o qual, o fundo é dividido entre os seus membros na forma de capital ou de uma pensão numa base rotativa. Face às constantes desvalorização e depreciação do dinheiro, as mulheres optaram pela troca dos valores numerários por bens de consumo, variando desde vestidos, bacias, geleiras, fogões, ou ainda de artigos e produtos para início de um negócio. As contribuições ou quotas normalmente pagas em valores monetários, por decisão dos seus membros passaram a ter como referência os artigos e bens de consumo escolhidos. A prática é extensiva a outros grupos de mulheres emigrantes e residentes na Europa que, independentemente das suas posses lhes faculta uma oportunidade de compra de artigos ou bens do seu interesse. Resultado/Experiência: Os membros do sistema “tontine” ao optarem pelo recurso aos artigos e bens de consumo como estratégia para reduzir os impactos da desvalorização e depreciação da moeda, poderão ter acesso aos produtos a preços mais baratos. Fonte: Groupe de Recherche et d´Expertise sur Développement des Savoir-faire Locaux en Afrique, (Montpellier, France). Acesso Externo: Contacto: Nguala.Luzietoso@wanadoo.fr |
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Prática de SI No: 103 País: Congo Área
Temática: Processamento de Alimentos. Tecnologia: Fabrico de Nipa (Bebida Tradicional) a partir da Palmeira. Prática/Contexto: Os camponeses Kongo-lari graças a técnicas de fabrico de nipa (vinho tradicional) seculares (aproximadamente desde o século XVI), ainda hoje produzem bebidas altamente apreciadas. Detentores do Conhecimento: Camponeses Kongo-lari da região de Pool (Sul do Congo-Brazzaville). Resumo: O vinho de palmeira localmente produzido pelos camponeses do Kongo-lari é vendido não só nas zonas rurais e aldeias como nas cidades, em vazilhames com capacidade aproximada de 10 litros. No fabrico do vinho ou nipa os camponese recorrem ao uso de técnicas do então reino do Kongo que, datam do século XVI. Só os homens podem recolher a nipa, sendo dois os métodos para a sua recolha: directamente da palmeira resultando num tipo de bebida chamado de n´samba; e o segundo recorrendo a golpes nas palmeiras, produzindo o m´bulu, outro tipo de nipa. As populações locais são grande apreciadoras da nipa de palmeira, havendo pois uma grande procura, tornando a cidade capital Brazzaville num importante mercado. Resultado/Experiência: Os organismos de desenvolvimento têm uma grande oportunidade de combinar práticas tradicionais e tecnologias modernas, recorrendo ao saber local. Fonte: J.J. Magloire BAZABANA: Groupe de Recherche et d´Expertise sur Développement des Savoir-faire Locaux en Afrique, (Montpellier, France). Acesso Externo: Contacto: Nguala.Luzietoso@wanadoo.fr |
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Prática de SI No: 104 País: Congo Área
Temática: Desenvolvimento de Pequenos Negócios. Tecnologia: Fabrico de Vasilhame de Barro. Prática/Contexto: Técnica Badondo de fabrico de bilhas de barro com uma argila especial característca da região de Bouenza. Detentores do Conhecimento: Camponeses Badondos da região de Bouenza. Resumo: Através do processamento de uma qualidade local de argila, os Badondos de Bouenza fabricam bilhas (vasilhames) de barro. A venda destes recipientes constitui uma fonte de renda regular, resultante da transferência da técnica de preparação da argila de uma geração para outra. Estes vasilhames têm uma aceitação muito grande quer ao nível rural quer urbano, sendo principalmente utilizados na conservação de água fresca proveniente dos fontenários. Resultado/Experiência: Para aquelas comunidades já envolvidas na exploração de um negócio como resultado do saber local, as organizações de desenvolvimento poderiam prestar uma grande ajuda através da acessoria e assistência técnica. Fonte: J.J. Magloire BAZABANA: Groupe de Recherche et d´Expertise sur Développement des Savoir-faire Locaux en Afrique, (Montpellier, France). Acesso Externo: Contacto: Nguala.Luzietoso@wanadoo.fr |
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Prática de SI No: 105 País: Burkina Faso Área
Temática: Processamento de Alimentos. Tecnologia: Fabrico de Yogurtes. Prática/Contexto: Técnica de fabrico de yogurtes transferida de uma comunidade local para outra recorrendo ao treino. Detentores do Conhecimento: Mulheres de Benin. Resumo: O yogurte produzido à base milho é designado por “Akpan”. Originalmente do Benin, o método de produção de yogurte foi transferido com sucesso para Burkina Faso, através do projecto AVAL (Iniciativa de valorização do conhecimento local em tecnologias agro-alimentares na África Ocidental). O método vem sendo utilizado por um grupo de mulheres conhecidas como Ri-Noodo e a operar em Ouagadougou (Burkina Faso), envolvidas no negócio de restaurantes e confecção de alimentos, cujos pratos são muito famosos e designados por “bons pratos” ou ainda de “boa comida”. O grupo de mulheres viu o seu negócio ganhar projecção e a expandirem as suas actividades devido à grande aceitação e impacto resultantes da qualidade do yogurte produzido. O produto introduzido no país receptor da tecnologia era avaliado através da abordagem do projecto AVAL, i.e. formação de um candidato do país a receber a tecnologia; uma vez no país o elemento treinado é acompanhado por sessões de transferência de tecnologia; e incentivo de transferência e extensão do conhecimento adquirido para outros potenciais interessados. Resultado/Experiência: É importante realizar uma pesquisa de mercado considerando uma amostra significativa de potenciais consumidores antes de se introduzir qualquer tecnologia ou saber local. Fonte: Paul BOM KONDE, Groupe de Recherche et d´Expertise sur Développement des Savoir-faire Locaux en Afrique, (Montpellier, France). Acesso Externo: Contacto: Nguala.Luzietoso@wanadoo.fr |
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Prática de SI No: 106 País: Burkina Faso Área
Temática: Agricultura Tecnologia: Medicina Tradicional Prática/Contexto: A solução do problema das mães-solteiras e o planeamento familiar entre os Dogon depende do uso de plantas medicinais como contraceptivos. Detentores do Conhecimento: Dogon pertencentes à aldeia de Guinoubanou. Resumo: O recurso a plantas medicinais para uso como contraceptivo entre os Dogons da aldeia de Guinoubanou (distrito de Kani Gogouno, região de Bandiagara) no Mali, constitui uma prática bastante antiga. Sensíveis ao problema das jovens mães-solteiras que, eventualmente são um embaraço e até certo ponto motivo de desgraça para as famílias dos Dogon, para além de uma preocupação em termos da saúde da mulher. No seio da família, a mulher é considerada como o seu pilar básico. As jovens raparigas são assim influenciadas pelas mulheres mais velhas no sentido de adoptarem práticas tradicionais de contrôle de gravidez. No primeiro dia correspondente ao início do período menstrual, as raparigas recebem um remédio tradicional à base de ervas. Por outro lado, o mesmo remédio é também medicado às mães que tenham dado à luz de forma a ajudar a sua recuperação, bem como permitir um maior espaçamento entre partos. Esta prática e saber pertence à famíla dos Tapily, aldeia de Guinoubanou, a qual tem garantido a sua transferência entre gerações. Resultado/Experiência: As organizações de desenvolvimento rural deverão sempre que possível promover a transferência do saber local no que respeita aos métodos tradicionais de planeamento familiar, quando devidamente provado em termos de segurança. Fonte: Association Malienne pour les Connaissances Traditionnelles (AMACOTRA) BPE 2666, ACI 2000 Avenue Cheikh Zayed, Bamako, Mali, Tel: (223) 29 1504. Acesso Externo: Contacto: |
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Prática de SI No: 107 País: Mali Área
Temática: Saúde Tecnologia: Medicina Tradicional Prática/Contexto: O fortalecimento da unidade social resulta do ritual na preparação de um antídoto contra o veneno das cobras. Detentores do Conhecimento: Aldeões de Diomana (região de Sikasso). Resumo: Em todo o Mali, apenas uma aldeia localizada no distrito de Niéna (região de Sikasso) detém o segredo de um pó anti-venenoso. Mais de 80 aldeias vizinhas, a sede do distrito de Sikasso assim como os médicos tradicionais e os próprios pacientes, reconhecem todos eles o poder de tratamento deste remédio que cura as mordeduras de cobras. O remédio em pó é preparado a partir do processamento de cascas de árvores, durante dois dias de uma cerimónia annual em que participa gente de toda a região, incluindo de países vizinhos como Burkina Faso e Costa de marfim. Na cerimónia em que participam jovens submetidos a ritos de iniciação, as cascas de árvores são colhidas por estes jovens da aldeia, sendo posteriormente pilados por outro grupo de adultos, já iniciados. Resultado/Experiência: A cerimónia e ritual que acompanha a preparação deste remédio tradicional, para além de permitir o tratamento de mordeduras de cobras, constitui um meio de assegurar a unidade social. Fonte: Association Malienne pour les Connaissances Traditionnelles (AMACOTRA) BPE 2666, ACI 2000 Avenue Cheikh Zayed, Bamako, Mali, Tel: (223) 29 1504. Acesso Externo: Contacto: |
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Prática de SI No: 108 País: Uganda Área
Temática: Saúde Tecnologia: Tecnologias de Comunicação e Informação Prática/Contexto: O recurso a tecnologias de informação no seio das parteiras tradicionais contribui para a redução da mortalidade das mulheres durante o parto. Detentores do Conhecimento: Parteiras Tradicionais Resumo: O problema das altas taxas de mortalidade durante o parto no distrito de Iganga, Uganda, tem sido acompanhado pelos Serviços Rurais de Cuidados Extensivos, através do projecto piloto de alívio e emergência (RESCUER). O projecto tem como objectivo o estabelecimento de uma rede de parteiras tradicionais (TBA) que em parceria com os centros de cuidados médicos e postos de saúde possam prestar os cuidados médicos a um grande número de mulheres grávidas. Como resultado, o número de consultas e atendimento às mulheres grávidas aumentou significativamente para além de ter reduzido o tempo de espera, traduzindo-se numa melhor qualidade dos cuidados médicos prestados. A utilização nos postos e centros de saúde de tecnologias modernas aumentou a capacidade de atendimento e acompanhamento por parte das parteiras tradicionais. Para tal foi necessário instalar um sistema de comunicação de rádio VHF operado por baterias solares que, consiste ainda em unidades fixas nos centros de saúde, a afectação individual de walkie-talkies às parteiras e ainda a instalação de rádios receptores-emissores nas ambulâncias e nas viaturas dos responsáveis distritais de saúde. Foi notável o impacto do projecto em apenas três anos tendo conseguido reduzir em mais de 50% a mortalidade das mulheres. Resultado/Experiência: A redução da mortalidade materno-infantil e a maior oferta de cuidados médicos por parte dos serviços públicos de saúde é possível através do reconhecimento do papel e participação das parteiras tradicionais. Fonte: The challenge and opportunities of information and communication technologies
(ICTs) in the health sector by Maria G.N. Musoke, prepared for the African
Development Forum (ADF) 1999; Maria G.N. Musoke, Makerere University,
Uganda. Acesso Externo: Contacto: lip97mgm@sheffield.ac.uk |
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Prática de SI No: 109 País: Camarôes Área
Temática: Processamento Alimentar Tecnologia: Produção de Sal Prática/Contexto: Preparação de uma solução a partir do colmo da mapira conhecido localmente por “garlaka” em substituição do sal, pelos povos de Moundang e Toupouri do norte dos Camarôes. Detentores do Conhecimento: Povos de Moundang e Toupouri, Província do Norte dos Camarôes. Resumo: A região norte dos Camarôes distingue-se pelo seu potencial de produção de gado bovino, havendo uma grande procura de sal. A oferta deste produto tem conhecido uma grande flutuação desde 1994 e essa escassez tem resultado em preços proibitivos, chegando mesmo a atingir um aumento na ordem dos 400% devido essencialmente à desvalorização do franco CFA. Para poder fazer face a esta situação, a população de Moundang e Toupouri, distrito de Mayo-Kebbi na Província do Norte, acabou por desenvolver uma tecnologia para a produção de sal a partir da utilização das plantas sêcas de mapira. Anteriormente não havia registo de qualquer uso do colmo das plantas de mapira. A mapira é colhida e queimada e, posteriormente os restos da cinza são peneirados e fervidos até atingir uma côr esbranquiçada. A solução coagula após o seu arrefecimento. Em princípio o líquido está pronto para ser consumido em substituição do sal. Apenas dois produtos extras, como água e fogo, são utilizados no processamento. O produto é conhecido por “garlaka” é produzido por mulheres que, segundo várias fontes, chegam a ganhar com a sua comercialização cerca de 250.000 francos cfa por ano. Resultado/Experiência: Plantas sub-utilizadas poderão ser úteis para outros fins devidamente identificados e, deste modo ajudar a ultrapassar determinadas carências de produtos críticos, ao mesmo tempo que possibilitam uma renda para as comunidades rurais. Fonte: Zingno, P.R. C/O CIKO, P.O.BOX 8437, Yaounde, Camaroon. Acesso Externo: Contacto: ngwasiri@camnet.cm |
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Prática de SI No: 110 País: Camarôes Área
Temática: Agricultura Tecnologia: Fertilização de Solos Prática/Contexto: Uso de uma técnica de fertilização do solo (adubação orgânica) do vizinho Chade e adoptada com sucesso na Província do Norte dos Camaraões pelos camponese Foulbe. Detentores do Conhecimento: Povo Foulbe de Garoua, Província do Norte dos Camarôes. Resumo: Na província da região norte dos Camarôes, os Foulbe têm reconhecido constantemente a importância da técnica de fertilização do solo, originária na vizinha República do Chade. Os camponeses recorrem ao uso de cornos de gado bovino como fertilização do solo de pomares e machambas. Normalmente, dos animais recém abatidos são aproveitados os cornos ainda frescos, posteriormente enterrados a distâncias das árvores que, variam entre 40 a 75 cm. Determinados insectos são atraídos pelos cornos dos quais se alimentam, ao mesmo tempo que vão libertando as suas secreções e assim acabam fertilizando o solo. Já foi possível à Estação de Investigação Agronómica de Garoua confirmar o aumento dos rendimentos na ordem dos 75% nos pomares e machambas que recorreram ao uso desta técnica de adubação orgânica. Resultado/Experiência: As técnicas desenvolvidas pelos camponeses e comunidades rurais, como é o caso de certos produtos utilizados na adubação orgância ou considerados como adubos, em particular reconhecidos devido ao seu impacto directo quer pelos beneficiários quer pelos detentores do saber local, deveriam merecer maior atenção e divulgação por parte dos serviços de extensão rural. Fonte: Mballa, A. C/O CIKO, P.O.BOX 8437, Yaounde, Camaroon. Acesso Externo: Contacto: ngwasiri@camnet.cm |
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Prática de SI No: 111 País: Níger Área
Temática: Educação Tecnologia: Influência dos Líderes Tradicionais Prática/Contexto: O papel dos líderes tradicionais na educação das jovens raparigas. Detentores do Conhecimento: Resumo: De acôrdo com as estatísticas oficiais no Níger, apenas um terço das crianças frequentam a escola, sendo mesmo mais baixa a percentagem de raparigas (25.3%) que frequentam as escolas. Várias são as razões para tal situação especialmente nas zonas rurais, embora aquelas de natureza sócio-económica e cultural sejam as mais importantes. A importância e necessidade da escolaridade e educação das crianças é reconhecida pelos pais em geral. Contudo, muitos continuam a considerar a escolaridade das raparigas como uma perda de tempo e mesmo uma injustiça. Outros não reconhecem na escola a autoridade na educação e preparação das raparigas em termos da sua condição futura de esposa e mãe, condenando a permanência das raparigas na escola pois, consideram-na como uma limitante e impedimento do casamento das raparigas na idade própria (geralmente 12 ou 13 anos). Perto de 200 líderes e chefes tradicionais (chefes de aldeias, distritos e províncias) foram convidados a participar num simpósio nacional organizado e financiado pela UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Criança) de 8 a 9 de Março de 2000, sobre o tema “O papel das chefias e lideranças tradicionais na sobrevivência, protecção e desenvolviemto da mulher e criança”. Um dos principais resultados da conferência, foi o acôrdo unânime dos chefes tradicionais em desenvolverem uma estratégia convincente dirigida aos encarregados de educação e pais, de forma a mandarem as suas filhas à escola. Vários argumentos foram então utilizados de forma a convencerem as vantagens da educação das raparigas, no que respeita à sua preparação para encarar de forma mais fácil a vida futura, quer do ponto de vista económico quer do social, da sua capacitação para melhor gerir os negócios e finanças da família, para além de garantirem uma melhor educação dos seus filhos e acompanhamento da sua escolaridade. O coordenador da unidade técnica de promoção da educação das raparigas (CTPSF) estabelecida pelo governo do Níger é da opinião que, até ao final de 2000 seria possível aumentar a percentagem de raparigas a frequentar a escola até 40%. Resultado/Experiência: As comunidades rurais poderão contribuir para a realização de determinados objectivos de desenvolvimento que, envolvam as mudanças de atitude e comportamento através da influência da autoridade moral e religiosa transmitida pelos líderes tradicionais. Fonte: Souleymane Anza, IPS, and Global Information network: Mai Manga Therese, CTPSF (Comité Technique pour la Promotion de la Scolarité des Filles), Ministère de l´Education, Niamey, Niger; and UNICEF – West and Central Africa, Boite Postal 443, Abidjan 04, République de Côte d´Ivoire, tel: (225) 20.213.131. Acesso Externo: Contacto: WCARO@PO302AO1 |
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Prática de SI No: 112 País: Etiópia Área
Temática: Comunicação Tecnologia: Canais Tradicionais de Comunicação Prática/Contexto: No seio da comunidade Afar, um dos meios tradicionais de comunicação utilizado na transmissão de informação de forma eficiente e rápida é o “dagu”. Detentores do Conhecimento: Comunidade Afar. Resumo: A comunidade Afar recorre a um meio de comunicação tradicional conhecido localmente por “dagu”, na transmissão de mensagens e notícias não só a nível individual como também para grupos ou entre grupos. Qualquer notícia que diga respeito à vida da comunidade ou que afecte ou contribua na sua forma de estar pode, através do dagu, ser transmitida (de pessoa em pessoa) a todos os membros da sua comunidade no período de 24 horas. Os anciãos normalmente são chamados a confirmar a autencicidade dos factos e sua veracidade, antes das mensagens e notícias atingirem um maior público, aliás, a comunidade deposita inteira confiança no conselho dos anciãos como depositários da verdade. Questões fundamentalmente de caractér económico, social ou ainda acontecimentos inesperados como falecimentos e cerimónias fúnebres e casamentos, são algumas das notícias transmitidas através desta prática. Resultado/Experiência: Manter a circulação da informação e acesso a notícias relevantes para o bem estar social, cultural e económico de uma comunidade ou mesmo no relacionamento entre comunidades vizinhas, é uma das principais funções da tradicão oral como meio de comunicação. Fonte: Akalu Woldemariam, Association for the Promotion of Indigenous Knowledge
(APIK) Addis Ababa University, P.O.Box 1176 Addis Ababa, Ethiopia, Tel/Fax:
+251-1-550655. Acesso Externo: Contacto: EHNRI@telecom.net.et |
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Prática de SI No: 113 País: Etiópia Área
Temática: Saúde Tecnologia: Medicinas e Remédios Tradicionais Prática/Contexto: O uso de uma mistura de café em pó e mel, conhecida localmente por “mar ba buna” é uma prática comum e generalizada no tratamento de diarreias por parte de muitas comunidades na Etiópia. Detentores do Conhecimento: Médicos Tradicionais da Etiópia Resumo: Praticamente que por toda a Etiópia os médicos tradicionais receitam por norma o remédio tradicional “mar ma buna”, preparado a partir da mistura de café em pó e mel, no tratamento e combate às diarreias, reconhecido pela sua eficácia. A mistura é preparada com café em grão torrado e moído, juntando depois o mel recolhido das árvores e de preferência no mês de Outubro, coincindindo com a floração de uma grande variedade de plantas. As proporções quer de café torrado moído fresco e de mel são iguais, podendo variar entre 50 a 100 gramas, e misturados numa chávena. As pessoas que padecem da doença bebem a solução. Segundo os resultados da sua aplicação, normalmente uma dose deste remédio tradicional é suficiente para suster a diarreia. Resultado/Experiência: Remédio tradicional de baixo custo e eficaz que, devidamente testado e com segurança, poderá ser divulgado junto de outras comunidades. Fonte: Akalu Woldemariam, Association for the Promotion of Indigenous Knowledge
(APIK) Addis Ababa University, P.O.Box 1176 Addis Ababa, Ethiopia, Tel/Fax:
+251-1-550655. Acesso Externo: Contacto: EHNRI@telecom.net.et |
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Prática de SI No: 114 País: Etiópia Área
Temática: Produção em pequena escala Tecnologia: Fabrico tradiconal de tinta Prática/Contexto: A tinta tradicionalmente usada na escrita de pergaminhos e, de fabrico local com base na mistura de argila e ervas, também pode ser utilizada para escrever em papel normal. Detentores do Conhecimento: Escribas e clérigos dos mosteiros e igrejas pertencentes às regiões administrativas de Amhara e Tigrayan. Resumo: Na língua Ahmaric, tinta tem localmente a designação de “kalam”, sendo preparada tradicionalmente, para utilização pelos escribas e clérigos na escrita de pergaminhos. Para a preparação da tinta, recorre-se ao uso de sete diferentes tipos de ervas que, depois de colhidas são espalhadas e sêcas ao sol para, posteriormente serem moídas e misturadas com um tipo de argila vermelha, ou em parte com cevada torrada aparentando cor escura parda. O processo de preparação dura aproximadamente 6 meses e, nos primeiros quatro a cinco meses, necessáriamente todos os dias a solução é misturada. No fim deste período, a mistura endurece e pode ser partida em pedaços para sua dissolução num copo ou outro recipiente com água. Assim, a tinta está praticamente disponível para uso, devendo para o efeito recorrer a um lápis feito de bambú. De acôrdo com alguns dos pergaminhos antigos existentes nos mosteiros da áera, os escritos com base na tinta “kalam” podem resistir durante séculos não correndo o risco de com o tempo perderem de qualidade, tornando-se ilegíveis. Resultado/Experiência: O método de preparação tradicional deste tipo de tinta é acessível e de baixo custo, para além de ser fácil a sua divulgação nas comunidades. É possível o fabrico da tinta em grandes quantidades para comercialização e venda noutras regiões. Fonte: Akalu Woldemariam, Association for the Promotion of Indigenous Knowledge
(APIK) Addis Ababa University, P.O.Box 1176 Addis Ababa, Ethiopia, Tel/Fax:
+251-1-550655. Acesso Externo: Contacto: EHNRI@telecom.net.et |
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Prática de SI No: 115 País: Etiópia Área
Temática: Agricultura Tecnologia: Conservação de Solos Prática/Contexto: Com o objectivo de restabelecer a fertilidade natural dos solos, na região norte da etiópia é prática comum recorrer à sementeira de uma variedade local de feijão, o “gebeto”, alguns meses antes da data de início da nova campanha agrícola. Detentores do Conhecimento: Camponeses da região norte da Etiópia. Resumo: O uso da leguminosa de grão “gebeto”, variedade local de feijão, como fertilizante, é uma prática comum entre os camponeses da região norte da Etiópia, particularmente da zona de Agaw Mider. O grão é parecido a uma semente de feijão (bastante amargo e rejeitado pelos pássaros) e é semeado nas machambas alguns meses antes da época de sementeira de culturas como o milho, trigo e outros cereais. Os camponeses não colhem a cultura de cobertura e, pelo contrário deixam-na secar nas machambas e o restolho é incorporado no solo aquando da sua preparação para a nova época agrícola, como adubação verde. Posteriormente os camponeses preparam o solo para a sementeira de cereais. Segundo informações locais, este método local de adubação orgânica contribui substancialmente no aumento dos rendimentos dos cereais. Esta variedade local de feijão “gebeto” é ainda utilizado como remédio tradicional. Os povos desta região norte da Etiópia confirmam a sua importância no tratamento e contrôle da pressão arterial no caso de tensão alta. Para tal recomenda-se comer todas as manhãs o correspondente a uma mão cheia de feijão cozido. Resultado/Experiência: Métodos e práticas tradicionais de conservação de solo, através do melhoramento da fertilidade natural do solo, justificam mais investigação e experimentação, assim como a sua manutenção e divulgação. Fonte: Association for the Promotion of Indigenous Knowledge (APIK) Addis Ababa
University, P.O.Box 1176 Addis Ababa, Ethiopia, Tel/Fax: +251-1-550655. Acesso Externo: Contacto: EHNRI@telecom.net.et |
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Prática de SI No: 187 País: Madagascar Área
Temática: Agricultura Tecnologia: Medicina Tradicional Prática/Contexto: As principais fonte e recurso no tratamento e na prevenção de doenças no seio das comunidades locais são os médicos tradicionais (ombiasy) os quais, para além de acessíveis em termos de custos, desenvolvem tratamentos complementares e eficazes na cura da malária. Detentores do Conhecimento: Médicos tradicionais (ombiasy) Resumo: O que acontece na realidade, nos mercados de Madagascar e no que respeita aos vendedores de mercado que vendem produtos e remédios tradicoinais, é que muitas vezes eles próprios são médicos tradicionais e farmaceutas. As populações locais chamam-nos de “ombiasy” e reconhecem neles como sendo a sua fonte para o tratamento das doenças. São particularmente reconhecidos pela sua grande ligação às plantas e pelo seu conhecimento e associação de peças e figuras simbolizando poderes mágicos na cura das doenças. Como noutros casos, a transmissão de conhecimento e saber entre gerações, faz com que os médicos tradicionais usem métodos devidamente testados ao longo dos anos enquanto probabilidade de sucesso no uso das plantas medicinais. Por exemplo, no tratamento e alívio de dores do corpo e enfranquecimento do corpo, os “ombiasy” receitam a uva verde (Jateorhiza palmata); do baobab ou imbondeiro, raspam a casca e apenas a quantidade desejada pois é uma árvore sagrada, fervem em água e preparam um caldo que se bebe e ajuda a aliviar dores no dorso ou costas; da árvore Harungana madagascarensis, as suas folhas e casca normalmente são utilizadas no tratamento e alívo de desarranjos intestinais pois ajudam a produzir o suco gástrico. Continuando com os remédios associados ao saber e experiência da medicina tradicional, o Instituto Malgaxe de Invesytigação Aplicada, desenvolveu a partir das cascas de ramos secos da espécie Strychnos myrtoides, uma solução que aumenta o efeito da clroroquina no tratamento de parasitas resistentes da malária, demonstrando que é possível e acessível em termos de custos a combinação das práticas da medicina tradicional e medicina convencional. Resultado/Experiência: Os médicos tradicionais constituem em muitos países Africanos o único recurso das populações rurais no tratamento e combate das doenças. Assim como no caso da malária em que foi possível combinar com sucesso o saber dos médicos tradicionais e medicina convencional, a custos acessíveis, o mesmo poderá acontecer para outras doenças endémicas. Fonte: Joel L. Swerdlow (National Geographic, April 2000). Acesso Externo: Contacto: nayachi@worldbank.org |
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Prática de SI No: 188 País: África do Sul Área
Temática: Saúde Tecnologia: Tratamento de doentes de SIDA Prática/Contexto: Médicos especialistas hoje já reconhecem que, o sistema imunitário dos doentes infectados com SIDA reage positivamente ao tratamento tradiconal a partir do uso de um tipo de batata, eficaz na cura de doenças crónicas infecciosas originadas por virús e bactérias e mesmo cancerosas. Detentores do Conhecimento: Médicos tradicionais, médicos especialistas Resumo: Os médicos tradicionais recorriam como prática ao uso de um tipo local de batata medicinal caracetrístico da regão do Kwazulu Natal, no tratamento tradicional de doenças crónicas originadas por vírus e bactérias, inicialmente utilizada pelos médicos tradicionais na cura do cancro da bexiga e da próstata e, segundo várias fontes, também utilizada no tratamento de doenças transmitidas sexualmente. Aparentemente a planta contém duas substâncias químicas derivadas de ésteres que, constituem gorduras ou lípidos essenciais na dieta normal, e porconseguinte contribuíram para a recuperação rápida de muitos doentes sofrendo quer de doenças crónicas quer de outro tipo de doença. Apesar de ser uma raíz parcialmente venenosa, quando devidamente preparada e obedecendo a doses certas, e não sendo a cura total, constitui no entanto e científicamente provado, um reforço do sistema imunitário e defesa do organismo. Os estudos e investigação realizada pela Universidade de Stellenbosch (África do Sul) sobre esta planta medicinal e método tradicional de cura de doenças, resultaram na produçao de medicamentos na forma de comprimidos que, embora a batata não possa por si só ser considerada como um tratamento, poderá no entanto ser útil quando utilizada em combinação ou associada a outras formas de tratamento. A planta demonstrou um enorme potencial e eficência para o aumento do número de célluas do tipo CD4 (proporção de células brancas no sangue); na estabilização da doença; na recuperação do peso do corpo dos doentes; e na diminuição do grau de infecção de HIV no organismo dos doentes portadores. Os médicos especialistas reconheceram ainda a importância e oportunidade de combinar práticas de medicina tradicional e medicina convencional no tratamento dos estados terminais das doenças. O remédio produzido a partir das raízes é comercializado na forma de cápsulas sendo possível a sua compra só nos centros de saúde ou farmácias. Resultado/Experiência: A combinação de práticas de medicina tradicional e medicina convencional no tratamento de doenças que causam a morte pode contribuir para o desenvolvimento de tratamentos eficazes. Fonte: The. Swetan (Johannesburg) May 21, 1999. By Mokgadi Pela.. Acesso Externo: http://www.bulkmsm.com/DMG/web12.htm Contacto: nayachi@worldbank.org |
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Prática de SI No: 189 País: Etiópia Área
Temática: Saúde Tecnologia: Medicina Tradicional Prática/Contexto: Doenças antigas como asma, pneumonia, tuberculose, são bem conhecidas dos médicos tradicionais e é possível curá-las a partir do seu saber. Detentores do Conhecimento: Médicos tradicionais Resumo: Nas zonas rurais da Etiópia há dois tipos de médicos tradicionais: o chamado por curandeiro de ossos “wogesha” e que cura fracturas e, o médico tradicional ou pessoa culta conhecido localmente com “medihanit awakge” (medihanit significa medicina e awakge significa esperto) que, normalmente trata de outras doenças comuns e que dispensam plantas medicinais. As ervas ou plantas medicinais são utilizadas no tratamento da asma pelos “medihanit awakge”. Os médicos tradicionais etíopes (Ahmaric) distinguem a asma das outras doenças pulmonares como a pneumonia, tuberculose e gripes. A pneumonia é uma doença muito comum e derivada de uma maior exposição ao ar e correntes frias, sendo possível o seu tratamento caseiro recorrendo ao uso de ventosas. A tuberculose ou “samba nkersa (samba é o nome local de pulmões e, nkersa significa cancro) é conhecida como uma doença mais séria e grave cujo contacto com outras pessoas transmite a doença, pelo que o seu tratamento requer isolamnento. Não há qualquer tabú ou preconceito em relação à asma. As pessoas estão conscientes que é natural morrer-se de asma e, apesar de identificarem alguns casos de asma entre as crianças, sabem que se manifesta mais nas pessoas de idade. As crianças são instruídas e educadas da sua sintomatologia e como proceder no caso de qualquer ataque. Contudo, as pessoas desconhecem ao certo a sua origem. Devido às suas semelhanças com a tuberculose, muitas pessoas pensam que é contagiosa. Por norma e na presença de qualquer caso de asma as pessoas mudam de residência de forma a evitar a sua evolução devido ao clima e ambiente menos favoráveis. Ainda segundo os médicos tradicionais, a asma pode ser prevenida evitando lugares e contacto com poeiras e polén. A asma é tratada através do uso de um tipo especial de mel chamado “tazma mar”, também utilizado no tratamento de outras tosses. Os segredos tradicionais dos “medihanit awakge” são transmitidos de geração para geração. Resultado/Experiência: A função do pessoal de saúde que opera normalmente nos centros e postos de saúde rurais pode ser facilitada recorrendo ao saber e métodos de tratamento e classificação de determinados tipos de doenças respiratórias pelos médicos tradicionais. Fonte: Lenna Liu, M.D., University of Washington. Acesso Externo: Contacto: nayachi@worldbank.org |
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Prática de SI No: 190 País: Eritreia Área
Temática: Saúde Tecnologia: Medicina Tradicional Prática/Contexto: Acreditar no poder curativo das diversas plantas pressupõe confiar no processo de cura em si. Detentores do Conhecimento: Médicos tradicionais Resumo: A maioria da população na Eritreia acredita sériamente no poder curativo de diferentes plantas, particularmente das raízes. Acontece muitas vezes receberem dos médicos tradicionais uma porção de uma raíz especial com a indicação para mastigarem, sendo imediata a sensação de cura da doença. Acreditam ainda no poder que determinadas plantas têm de protecção contra as cobras, para além de proporcionarem a cura contra as mordeduras de cobra. Outra prática consiste em, através de um pedaço de metal em brasa, queimar o braço em redor das feridas em carne viva. É ainda prática queimar quer os cotovelos, quer os tornezelos, como forma de eliminar qualquer causa de ictirícia. Por vezes recorre-se ao mesmo método para queimar as têmporas e a região sub-lombar. Problemas abdominais resultantes de qualquer prática de “mau-olhado” são tratados com base no mesmo método. Por norma fazem-se queimaduras superficiais e pontuais, embora alguns casos justifiquem leves incisões que chegam eventualmente a sangrar. Normalmente, estes casos são restritos às mulheres; as ictirícias podem ser tratadas quer por homens quer por mulheres. Os médicos tradicionais Eritreus são conhecidos também pelos seus poderes na cura da papeira. Tais casos são demonstrados pelas cicatrizes à volta do pescoço. Resultado/Experiência: É comum as comunidades rurais acreditarem na eficácia de certas práticas de medicina tradicional como uma contribuição ou associadas ao processo de cura das doenças. É oportuno que, o pessoal da saúde acredite em tais práticas mudando de atitude e desenvolvendo o seu uso adaptado às condições locais. Fonte: Ken Feldman, MD, Children´s Hospital and Medical Centre, Seattle, WA. Acesso Externo: Contacto: nayachi@worldbank.org |
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Prática de SI No: 191 País: Somália Área
Temática: Saúde Tecnologia: Medicina Tradicional Prática/Contexto: Os médicos tradicionais somális estão perfeitamente habilitados a tratarem inúmeras doenças, com destaque para as hepatites, pneumonias, sarampo, dores de estômago, rugas faciais, e fracturas, recorrendo ao método de queimadura, plantas medicinais, uso de moldes e orações. Detentores do Conhecimento: Médicos tradicionais Resumo: Normalmente e por tradição, a medicina tradicional somáli é praticada por médicos tradicionais representados pelos anciãos de uma comunidade que, adquiriram os seus conhecimentos dos seus familiares mais antigos ou seus antepassados. As doenças para as quais se encontram melhor preparados para tratamento são hepatites, sarampo, varicela, corcunda, má disposição, rugas faciais, e fracturas. Os métodos e práticas de tratamento consideram a queimadura, plantas medicinais, oração e uso de modes. O recurso ao fogo é feito utilizando um pau de uma árvore especial é aquecido até ficar em brasa e aplicado imediatamente na pele de modo a curar a doença. Este método é utilizado no tratamento da hepatite (diagnosticado através do amarelecimento da pele, olhos e unhas e urina escura), aplicando o pau em brasa uma vez em cada pulso e quatro vezes no abdomen. É também utilizado no tratamento de casos de má nutrição (marasmus); nos casos em que a cabeça é desproporcional em relação ao corpo, o pau aquecido é aplicado na cabeça de modo a reduzir ou diminuir o tamanho da cabeça. Os casos de pneumonia são tratados utilizando os diferentes métodos, quer através da aplicação do pau aquecido, recorrendo ao uso de plantas medicinais e, nalguns casos fazendo uma drenagem sub-cutânea de liquido da zona toráxica. Dores estomacais e lombares são tratadas com ervas do tipo “habakhedi”, enquanto dores de garganta e infecções de pele são tratadas com um chá feito a partir da erva do tipo “dinse”. Muitas vezes recorre-se à ajuda dos médicos tradicionais para curarem casos de doenças causadas pelos espíritos. Nos casos em que os espíritos são provocados e se zangam, causam dores de cabeça, febres, tonturas e enfraquecimento do organismo. Estes casos são tratados com cerimónias especiais para acalmar os espíritos. Podem envolver a leitura do Corão, comer alimentos especiais e queimar incenso. Esta doença normalmente tem cura um ou dois dias após a realização da cerimónia. Resultado/Experiência: O processo de cura de doenças consiste de vários métodos desde o uso de ervas e plantas medicinais, orações do Corão, comer alimentos especiais, até queimar incenso. Fonte: Toby Lewis, MD, University of Washington. Acesso Externo: Contacto: nayachi@worldbank.org |
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Prática de SI No: 192 País: Nigéria Área
Temática: Saúde Tecnologia: Plantas Medicinais Prática/Contexto: O Conselho para a Investigação da Asma da Nigéria, reconhece após realização dos respectivos testes, a eficácia do tratamento contra a asma desenvolvido pelos médicos tradicionais. Detentores do Conhecimento: Médicos tradicionais de Yoruba Resumo: A continuidade da investigação e desenvolvimento de novos tratamentos é garantida pelos médicos tradicionais. Muito recentemente foram concluídas as actividades do projecto da responsabilidade da Ordem dos Médicos Tradicionais Nigerianos que, contribuíu para um avanço significativo no desenvolvimento da cura da asma a partir do saber indígena através de ervas locais. O projecto de investigação foi conduzido pela ordem dos Médicos Tradicionais da Nigéria, tendo os resultados do estudo sido devidamente testados e a sua eficácia comprovada pelo Conselho Nigeriano de Investigação de Asma. O seu presidente, Prof. Ayodele Tella e o Director Científico do Conselho, Dr. Fola Awosika, certificaram em como a droga não exerce quaisquer efeitos secundários e colaterais. Resultado/Experiência: Uma das vantagens da medicina tradicional é a sua capacidade de adaptação a novas situações. Fonte: P. Ade Dopanu, in African Systems of Science, Technology and Art. The
Nigerian Experience. Gloria Thomas Emeagwail, Editor. Published by Karnak
House, 300 Westrbourne park road, london W11 1EH, England. Acesso Externo: Contacto: emeagwali@ccsu.edu |
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Prática de SI No: 193 País: Tanzania Área
Temática: Meio Ambiente Tecnologia: Gestão de Água Prática/Contexto: Gestão de recursos hídricos em regiões áridas. Detentores do Conhecimento: Comunidades Rurais. Resumo: A escassez de recursos hídricos nas regiões semi-áridas e áridas do continente Africano constituem uma série limitante ao bem estar das comunidades rurais. A maioria das vezes, na abordagem do problema da gestão dos recursos hídricos, dá-se mais valor às experiências ocidentais convencionais do que às práticas e saber indígenas, sem medir e avaliar as vantagens das últimas, sabendo que evoluíram paralelamente com as mudanças e desenvolvimento do meio ambiente, através da sua adaptação às especificidades das condições locais. O Centro Internacional para o Desenvolvimento e Pesquisa (IDRC), instituição pública criada pelo governo canadiano de apoio às comunidades rurais dos países em desenvolvimento, para através da pesquisa, identificarem as alternativas e soluções aos problemas ambientais, económicos e sociais, estabeleceram um projecto de investigação para avaliar em profundidade a eficácia dos métodos tradicionais de gestão de água, assim como de promover, no caso da sua relevância, a sua continuidade e revitalização. O projecto estabeleceu três estudos de caso em diferentes países nomeadamente: Djibuti, Egipto e Tanzania. O projecto nas suas diferentes frentes é coordenado pelo Secretariado Internacional para a Gestão dos Recursos Hídricos (ISW), embora a implementação das suas actividades seja da responsabilidade de ONGs locais, tendo como principal objectivo a documentação, avaliação e melhoramento das técnicas, métodos e práticas tradicionais de gestão de água, para além da responsabilidade pela sua divulgação e fomento no que respeita às suas maiores vantagens ao nível local e considerando outras regiões. O acesso ao saber local referente às práticas e métodos tradicionais de gestão de recursos hídricos será feito através de abordagems e metodologias participativas, recorrendo a entrevistas, encontros e reuniões com especialistas locais e revisão bibliográfica. A realização de conferências ou seminários que, juntem inovadores locais e especialistas estrangeiros de forma a avaliarem em conjunto os resultados de tecnologias potenciais, de forma a garantir a transferência de tecnologia ao nível das comunidades locais. Resultado/Experiência: O envolvimento e participação das comunidades locais, através do seu saber e tecnologias disponíveis na gestão sustentável dos recursos hídricos de uma determinada região, são uma forma de conservação e protecção de recursos normalmente considerados escassos. Fonte: IDRC: Traditional Water Manangement in Africa. Acesso Externo: http://www.idrc.ca/ Contacto: PETER_CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 195 País: África do Sul Área
Temática: Agricultura Tecnologia: Investigação Prática/Contexto: Integração do saber indígena e do conhecimento científico no desenvolvimento de metodologias e abordagens na área de educação ambiental. Detentores do Conhecimento: Comunidades Rurais/Mulheres. Resumo: A integração de sistemas de saber indígena e domínio científico e de processos informais, não-formais e formais de educação, na instituição de valores, princípios, atitudes, saber e comportamento ambientais ao nível de escolas e comunidades, é uma das abordagens desenvolvidas e defendidas pelo Projecto de Educação Ambiental (EL). O principal objectivo é juntar os actores chave e educadores de alguns países da África Austral e Oriental que vierem a ser seleccionados, para elaborarem e desenvolverem abordagens e metodologias que integrem as experiência e o saber indígena e das comunidades, reforçados com as experiências e papel das mulheres como principais gestores de meio ambiente, como forma de tornar mais eficaz e melhor coordenada a gestão sustentável de meio ambiente. Como primeiro passo pretende-se paralelamente às actividades preparatórias, organizar uma conferência para esclarecer as principais questões no contexto da Educação Ambiental e, de como iniciar as actividades nos países partcipantes. Espera-se que, numa primeira fase e através da pesquisa, sejam identificadas, avaliadas e documentadas as capacidades, recursos, práticas, contextos e metodologias existentes na região que, possam ser utilizadas na melhoria da estratégia de educação. A dimensão e impacto da educação no género será uma prioridade e merecerá atenção especial. De forma a capacitar e tornar o processo de educação eficaz será necessário ter em consideração também o uso das tecnologias de comunicação e informação (ICTS), avaliando os aspectos que necessitarão de reforço. A monitoria e acompanhamento das actividades a serem implementadas nos diferentes países pelas instituições nomeadas será feita através de um comité regional, enquanto a instituição coordenadora apoiará a divulgação dos resultados. Resultado/Experiência: O saber indígena e científico integrados no processo de educação ambiental poderá concorrer para reduzir as diferenças entre as duas formas do saber. Fonte: IDRC (International Centre for Research and Development): Environmental
Learning in Communities and Schools in Eastern and Southern Africa. Acesso Externo: http://www.idrc.ca/ Contacto: PETER_CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 197 País: Guiné Área
Temática: Meio Ambiente Tecnologia: Contrôle da Desertificação Prática/Contexto: O saber indígena como forma de compreender a ocorrência e desenvolvimento de formas de terreno e paisagens associados à desertificação. Detentores do Conhecimento: Anciãos nas Aldeias Rurais. Resumo: As autoridades da República da Guiné ainda hoje acreditam que, em tempos e recuando à primeira colonização por parte da França no período de 1893, originalmente o seu território estava completamente coberto por florestas e, as manchas existentes hoje são apenas os seus vestígios. Contudo, conhecer a história de uso de terra recorrendo a outras fontes históricas foi apenas uma outra abordagem alternativa adoptada pelos investigadores para melhor compreender o fenómeno responsável pela degradação daquele recurso, partindo dos factos históricos para a compreensão das mudanças paisagísticas e não o contrário, i.e. recorrendo às alterações de elementos paisagísticos para justificar e fazer a história. Investigações detalhadas complementadas por fontes do saber local identificadas com a evolução e práticas do uso de terra, demonstraram que as actuais manchas ou ilhas de floresta existentes nas savanas são o resultado da prática dos antigos aldeões ao permitirem o seu estabelecimento e crescimento ao redor das aldeias. As manchas de florestas não são vestígio de nenhuma floresta característica de uma paisagem meio vazia ou desmatada, mas sim uma paisagem em que mais de metade da sua área está cheia de postos avançados ou bolsas de floresta. A evidência da degradação da vegetação indicada pelos dados recolhidos pelos cientistas e políticos serviram apenas para demonstrar o quanto a paisagem foi beneficiada pelas comunidades das aldeias. Tal foi possível através da metodologia e abordagem utilizada pelos investigadores no decurso dos seus estudos sobre as mudanças na qualidade da vegetação e nas suas implicações e significado para as comunidades, considerando o testemunho oral dos anciãos e mulheres das comunidades envolvidas. Os anciãos associam e relatam, através da tradição oral e a jeito de conto, como os seus antepassados chegaram aquele local e estabeleceram as aldeias ou povoados, sendo prática comum entre eles plantarem determinadas espécies de árvores como marcos e referências históricas das suas aldeias assim como determinado tipo de vegetação com a função de protecção da aldeia ou casas. Aliás, foi através das discussões com os aldeões centradas na história e padrão de assentamentos que, os investigadores se aperceberam de outros fundamentos do desenvolvimento paisagístico: por exemplo, como é que as zonas residenciais e as áreas de produção agrícola contribuíram para a formação de solos super férteis e ricos num tipo de vegetação lenhosa; e como é que localmente, a multiplicação de aldeias ou povoados relativamente próximos e das manchas florestais, serviram para prevenção e contrôle das queimadas, resultando na conversão gradual das savanas arbóreas em florestas. Resultado/Experiência: É importante dominar ou ter acesso ao saber indígena como pressuposto para a compreensão dos diferentes fenómenos ambientais. Fonte: Rethinking Environmental Change in West Africa´s Forest Savanna Mosaic: The Case of Kissidougou, Guinea “Tracking Change: Escaping the deforestation mythology”. ILEIA Newsletter. December 1996. Volume 12, Nº. 3, P.6-7. Acesso Externo: http://www.idrc.ca/ Contacto: PETER_CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 198 País: Níger Área
Temática: Meio Ambiente Tecnologia: Gestão de Recursos Hídricos Prática/Contexto: Distribuição de tomadas de água nas zonas áridas. Detentores do Conhecimento: Pastores Touaregs. Resumo: Devido ao desmoronamento de um poço de grande profundidade construído através do ”Projecto de Abertura de Poços Profundos”, financiado desde 1984 pela Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA) e destinado aos Touaregs do Níger, teve que ser reconsiderado a pedido dos pastores e criadores da tribo Touareg depois do colapço de um dos poços. Tal deveu-se ao facto de, os novos pontos de abeberamento de água atraírem as manadas de animais e provocarem o sobrepastoreio das terras e, por conseguinte acelerarem o processo de desertificação. Ficou demonstrado que o princípio dos Touaregs de abertura de poços pouco profundos e distribuição mais espaçada era a melhor opção ou aquela mais acertada. Resultado/Experiência: O princípio de maior espaçamento entre os pontos de abeberamento de profundidade reduzida e melhor distribuídos provou estar mais adaptado ao ambiente árido local. Fonte: Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA) Acesso Externo: Contacto: PETER_CROAL@acdi-cida.gc.ca
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Prática de SI No: 199 País: Mali Área
Temática: Biodiversidade Tecnologia: Contrôle da Desertificação Prática/Contexto: Banco de germoplasma criado a partir do saber indígena destinado a uma área com problemas de desertificação. Detentores do Conhecimento: Aldeões. Resumo: No Mali e, mais particularmente na região de Douentza, opera um projecto denominado por projecto de reabilitação de terra, concebido para prevenir e combater a desertificação. Mesmo nos anos em que a precipitação é acima da normal e, considerando que a região é caracterizada pela ocorrência de um padrão de chuvas deficiente para a produção de cereais, difícilmente as famílias conseguem satisfazer as suas necessidades básicas alimentares de cereais. Aquando da ocorrência de chuvas, fortes enxurradas podem resultar na erosão severa de solos. No âmbito de um projecto de combate à desertificação e melhoria da produção de culturas alimentares destinado à população local da região de Douentza em que participam uma organização de ajuda e desenvolvimento canadiana, a USC (Unitarian Service Committee of Canada) e a própria comunidade da aldeia de Douentza, criaram um banco de germoplasma local para melhorar as reservas de alimentos das comunidades. As comunidades são responsáveis pela identificação e selecção das plantas para as suas áreas, através do saber indígena. Para tal foi estabelecido um viveiro gerido e da responsabilidade da comunidade que, por outro lado permite transmitir o saber de geração em geração. Resultado/Experiência: Os organismos e agências de desenvolvimento, disponibilizando os meios e recursos necessários, promovem a transferência do saber indígena, seu uso e preservação. Fonte: Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA), and the Unitarian Service Committee of Canada (USC): Douentza Land Improvement Project. Acesso Externo: Contacto: PETER_CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 200 País: Nigéria Área
Temática: Oportunidade de Negócios Tecnologia: Sistemas de Refrigeração Prática/Contexto: Sistema natural de refregiração desenvolvido localmente usa tecnologia apropriada e no ambiente mais adequado. Detentores do Conhecimento: Inventor local (Mohammed Bah Abba) Resumo: Hoje o sistema é popular, de baixo custo e largamente utilizado no seio das comunidades locais, tendo sido desenvolvido por iniciativa local por um inventor do norte da Nigéria (Estado de Jigawa), eficiente e não depende de electricidade, sendo designado por sistema de refregiração “panela a panela”. O sistema consiste em duas panelas de barro de tamanhos diferentes que se encaixam uma na outra. O espaço entre as duas panelas é preenchido com um tipo de solo que retém a água. Plantas ou alimentos possíveis de apodrecerem como quiabos e tomates, são conservados na panela mais pequena e cobertos com um tecido. Convém colocar as panelas num local fresco e com ventilação, sendo necessário humedecer o solo regularmente. Por princípio, a água no solo evapora-se no ar seco exterior, mantendo assim os potes frescos e porconseguinte, o seu conteudo. Na verdade o sistema mostrou-se extremamente útil e eficaz pois permite aos camponeses conservarem por duas ou mais semanas até mesmo um mês determinado tipo de hortícolas que, numa situação normal teriam que ser imediatamente vendidos, para além de reduzir a ocorrência de doenças causadas pela podridão dos produtos. Como resultado, os camponeses beneficiaram no aumento da sua renda monetária tendo ainda reduzido o movimento da população das zonas rurais para as cidades, na região norte da Nigéria. Estima-se que, actualmente perto de três quartos da população já recorre ao uso do sistema das panelas. O inventor e proprietário da patente considera que as mulheres são as principais beneficiárias da sua invenção. Permite às mulheres venderem os produtos frescos a partir das suas casas ao mesmo tempo que, permite às raparigas que anteriromente tinham que necessáriamente vender os produtos antes de apodrecerem, ocupar uma parte desse tempo na escola. Resultado/Experiência: Tecnologias simples, de baixo custo e acessíveis às comunidades rurais, desenvolvidas e adaptadas às condições locais, podem contribuir para melhorar o bem estar e a vida das populações. Fonte: Financial Times, Monday October 9, 2000 (Adapted from the article: Staying
cool naturally, by Carola Hoyos). Acesso Externo: The
Rolex Award for Enterprise – Laureates 2000 Contacto: nayachi@worldbank.org |
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Prática de SI No: 201 País: Burundi Área
Temática: Agricultura Tecnologia: Produção de Sisal Prática/Contexto: Produção de sisal para uso local Detentores do Conhecimento: Comunidades da província de Kayanza Resumo: A Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA) através do Fundo de Iniciativa Local do Canadá (CFLI), financiaram um projecto de produção de algodão na província de Kayanza (perto da cidade de Gatara), no Burundi. O projecto fomentava a plantação de sisal tendo em consideração as necessidades da indústria local de processamento e fiação do sisal. Tradicionalmente, há diferentes usos para o sisal, incluíndo a construção, decoração e fabrico de cordame para manter o gado bovino amarrado. O sisal é produzido essencialmente para a manutenção destas actividades de âmbito local. Resultado/Experiência: O apoio às actividades de produção de matéria prima para uso local pelas comunidades rurais é possível através do financiamento por parte de agências de desenvolvimento. Fonte: Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA) - Fundo de Iniciativa Local do Canadá (CFLI) – Processamento e Fiação de Sisal. Acesso Externo: Contacto: PETER_CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 202 País: Burkina Faso Área
Temática: Saúde Tecnologia: Medicina Tradicional Prática/Contexto: A papaia é utilizada pelos médicos tradicionais de Burkina Faso no tratamento de doenças devido às suas propriedades múltiplas de cura. Detentores do Conhecimento: Médicos Tradicionais Resumo: As sementes de papaia, folhas e raízes são utilizadas pelos médicos tradicionais de Burkina Faso na cura de várias doenças. A desinteria é uma doença cujo tratamento pelos médicos tradicionais normalmente envolve a preparação de uma solução a partir da mistura de folhas moídas de papaia e de mandioca. A blenorragia e panarícios (infecções e feridas nas juntas das unhas e dedos de pés e mãos), são normalmente tratados com a aplicação directa das folhas de papaia sobre as feridas ou área infectada. Quando moídas e misturadas numa solução de água préviamente salgada, as folhas de papaia são utilizadas no tratamento de cloroses. Resultado/Experiência: A papaia, vulgar e comum em muitos quintais e jardins nas zonas residenciais de muitas regiões de África, tem um potencial curativo desconhecido e ainda por explorar. Fonte: Delphine OUEDRAOGO, Arbre et Développement, Direction de la Foresterie Villageoise et de l´Aménagement Forestier, Ouagadougou, Burkina Faso, AD Nº23, 2e trimestre 1988, 22-24. Acesso Externo: Contacto: dialla@yahoo.fr |
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Prática de SI No: 203 País: Rwanda Área Temática: Agicultura Tecnologia: Biodiversidade Prática/Contexto: As práticas e sistemas de produção dos camponeses de África Oriental, constituem uma oportunidade e método sistemáticos de conservação in situ dos recursos genéticos e diversidade quer de plantas cultivadas e não cultivadas, quer de animais. Detentores do Conhecimento: Camponeses Resumo: Quer no Rwanda quer em muitas outras partes da África Oriental, os camponeses são capazes de distinguir perto de uma dúzia de diferentes variedades de batata, distinguidas através de características das plantas e dos tubérculos, para além de recorrerem às características agronómicas e culinárias (Haugerud and Collinson, 1991:5). Os camponeses da África Oriental reconhecem características extremamente importantes na diferenciação de variedades quer do milho quer da batata, desde o paladar, textura, conservação e armazenamento, comercialização, resistência a pragas e doenças, e resposta às deficiências de humidade. Segundo os mesmos autores, os camponeses desta região de África, na selecção dos genótipos de milho mais procurados, chegam a considerar pelo menos nove características diferentes e todas elas simultâneamente presentes e da maior importância nas suas áreas de produção. Resultado/Experiência: A sustentabilidade da produção agrícola em todos os países merece o maior respeito científico e justifica uma colaboração mais eficaz, com todos aqueles que detêm o saber não científico de gerações de agricultores e camponeses (Haugerud and Collinson, 1991:6). Fonte: Indigenous Knowledge, Biodiversity Conservation and Development keynote
Address by D. Michael Warren, Director Centre for Indigenous Knowledge
for Agriculture and Rural Development, Iowa State University, Ames,
Iowa 50011 USA. Acesso Externo: http://www.ciesin.org/docs/004-173/004-173.html Contacto: nayachi@worldbank.org |
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Prática de SI No: 204 País: Kenya Área Temática: Saúde Tecnologia: Medicina Tradicional Prática/Contexto: A crença na origem de doenças devido a causas sobre-naturais e naturais por parte das comunidades rurais da Província do Vale do Rift, no Kenya, resultou na procura de tratamentos eficazes para essas doenças, como foi o caso da malária. Detentores do Conhecimento: Comunidades de Tugen Resumo: Os Tugen, uma comunidade que pertence ao grupo étnico dos Kalenjin, habitantes da província do Vale do Rift no Kenya acreditam nas causas naturais e não-naturais das doenças. Um exemplo de tais crenças tem a ver com a origem da malária, pois acreditam que a causa da doença deriva do consumo de leite fresco não fervido (localmente conhecido por Cheko che makiyo), água suja e hortícolas tais como Solanum nigram e Gynadropis gynadra (Kaendi, 1994). Considerando o contexto ecológico em que os Tugen vivem, as suas crenças etiológicas sobre a malária são lógicas. Os herbanários (Kipsaketinik) geralmente receitam e fornecem remédios na forma de soluções liquídas preparadas a partir de raízes, folhas, cascas, e de outras partes de plantas e de animais. Segundo as práticas indígenas de diagnóstico entre os Tugen, a malária (esse) é o resultado de excesso de bílis no corpo e o seu tratamento só é possível depois de extraído o bílis. A chave do regime de tratamento contra a malária passa pela purga do corpo. De acôrdo com a gravidade da doença e a partir do diagnóstico tradicional, receitam-se diferentes tipos de ervas. O tratamento e cura da malária entre os Tugen é mais complexo e de forma integrada, pois associa as crenças às possíveis causas da doença, à acção e eficiência dos medicamentos modernos, e disponibilidade de ervas para o tratamento. No tratamento destas doenças os Tugem recorrem aos cuidados médicos existentes nos serviços de saúde convencionais expondo-se à medicamentação receitada (Kaendi, 1994). O uso de diferentes formas de tratamento é complementar; na maioria das vezes os medicamentos para venda estão juntamente expostos com as ervas medicinais. Só por si, o simples facto de associar os dois tipos de tratamento resultantes de métodos diferentes, torna-se pacífico pois demonstra que não há qualquer conflito entre as duas tradições. A medicina tradicional entre os Tugen sobreviveu a toda uma série de provas ao longo do tempo, particularmente quando comparada às formas mais modernas da medicina e cuidados de saúde convencionais. Hoje elas existem em simbiose autêntica. Assim como a cultura Tugen existe e está identificada como uma entidade cultural, a autoridade autónoma responsável pelo saber tradicional e indígena no tratamento e cura das doenças sobreviverá, dadas a sua relevância e eficácia cultural. Resultado/Experiência: A medicina tradicional deve ser reconhecida oficialmente como um valor cultural relevante e eficiente, atribuindo-se-lhe o lugar de destaque que merece. Fonte: Dr Kaendi Munguti, Institute for Development Studies, University of Nairobi,
PO Box 30197 Nairobi, Kenya Tel: +254-2-5672721, Fax: +254-2-222036 Acesso
Externo: Contacto: ids.uon@elci.sasa.unon.org |
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Prática de SI No: 205 País: Nigeria Área Temática: Produção Artesanal Tecnologia: Téxtil Prática/Contexto: O uso de diferentes fibras para além do algodão na produção de texteis pelos Nigerianos é uma prática que data de há séculos. Detentores do Conhecimento: Nigerianos. Resumo: O recurso à casca de árvores para a produção de cestos de palha, costume tradicional e históricamente parte do vestuário de um homem adulto dos Angas. No sudeste Nigeriano, fibras obtidas de outras árvores como a palmeira rafia também são utilizadas no fabrico de tecidos e panos com motivos e cenas bastante bonitas. Já na região do nordeste Nigeriano, as fibras desfiadas das folhas de outro tipo de palmeira (dum) são tecidas na produção de tapetes e esteiras, para além de produzirem as famosas capas de chuva (impermeaveis) desdobráveis típicos dos povos nómadas de Fulbe. Contudo, a fibra mais comum e importante utilizada na indústria textil artesanal nigeriana é sem dúvida e de longe o algodão que, a sua utilização à vontade já remonta há cinco séculos. Na Nigéria a produção textil contou com um grande número de diferentes variedades de algodão. Uma das variedades mais antigas utilizada na Nigéria era um arbusto perene expontâneo e que produzia algodão, vivendo vários anos. A preparação da fibra do algodão é um processo dificil. O método tradiconal utilizado na preparaçao do algodão pelos nigerianos consiste, como primeira etapa do processo, em enrolar uma vara de ferro nas bolas de algodão (cápsula). As sementes são por pressão separadas da fibra. O processo é similar à debulha em que se separa o grão das vagens ou neste caso a bola de algodão em fibra do caroço ou semente, descaroçamento. Desde o tempo da colonização na Nigéria que, com a introdução de maquinaria no processamento do algodão que o descaroçamento é mecânico, sendo feito por máquinas de descaroçar. A tecnologia foi introduzida para preparação do algodão para exportação. Uma parte da produção de algodão foi sempre retida para o processamento e indústria local. O algodão em fibra é depois limpo de toda a sujidade e impurezas fazendo passar as fibras por entre duas escovas como se estivesse a pentear as fibras e para alinhá-las na mesma direcção. Depois de preparadas as fibras são desfiadas e tecidas. Normalmente são as mulheres que participam na fiação do algodão, mas nas partes do país sob influência muçulmana, são as donas de casa que participam na fiação. Actualmente, a maioria dos artigos fabricados na Nigéria são feitos a partir de uma combinação de diferentes fibras incuíndo fibras sintécticas. Contudo é sentimento local que as novas fibras muito difícilmente substituirão por completo as fibras naturais. Os produtos são feitos utilizando diferentes tipos de fibra em função dos artigos pretendidos e, de preferência tratando-se da produção de um tecido simples. Os diferentes tipos de fibras são utilizados nos acabamentos dos artigos, melhorando a textura, aumentando a elasticidade, melhorando o padrão de cores, brilho, estilo ou padrão. Resultado/Experiência: Os diferentes tipos de fibras (naturais e sintécticas) são utilizados nos acabamentos dos artigos, melhorando a textura, aumentando a elasticidade, melhorando o padrão de cores, brilho, estilo ou padrão e a variedades dos artigos. Fonte: Artigo extraído de P. Shea “Textile Technology in Nigeria: Practical Manifestations”,
in G.T. Emegwali (ed), The Historical Development of Science and Technology
in Nigeria, Edwin Mellen, 1992. Acesso
Externo: Contacto: Afsci@aol.com |
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Prática de SI No: 208 País: Gana Área Temática: Cultura Tecnologia: Costumes sociais Prática/Contexto: Nas cerimónias religiosas e outros eventos sociais importantes, os Asante exibem os seus trajes cerimoniais, constituíndo uma manifestação dos seus hábitos e costumes, representação visual da sua história, filosofia, ética, tradição oral, valores morais entre muitos outros. Detentores do Conhecimento: Povo Asante. Resumo: Um dos trajes de cerimónia dos Asante é o “Kente”, pano tecido à mão utilizando uma de máquina (horizontal) de fiar a pedais. O pano resulta da junção de várias faixas de tecido com aproximadamente 4 polegadas de largura cozidas umas às outras. Estas vestes são de diversas cores, tamanhos e padrões, sendo usadas apenas nas cerimónias religiosas e outras de natureza social mais importantes. Estes trajes são na verdade mais importantes que qualquer roupa. É uma manifestação visual da sua história, filosofia, ética, tradição oral, valores morais, comportamento social, crenças religiosas, ideais políticos e princípios estéticos. A palavra Kente deriva da palavra Kenten que significa cesto. As roupas originais antigas eram tecidas a partir das fibras de palmeira ráfia e eram parecidas com um cesto (kenten); assim passaram a ser denominados como a roupa com a forma de cesto (kenten ntoma). O nome original usado pelos Asante para designar o traje era nsaduaso ou nwontoma que, queria dizer “traje tecido à mão”, sendo ainda hoje conhecido dessa forma pelos mais velhos e tecedores. Contudo, parece que “kente” é o termo mais popular para designar o traje dentro e fora do Gana. Hoje em dia várias são as tentativas de imitação do traje kente por parte de outros grupos étnicos no Gana e por toda a África, também tecidos à mão. Os Asante fazem parte do povo Akan que vive no Gana e na Costa de Marfim. Resultado/Experiência: Conhecer o significado e importância de trajes de cerimónia é uma forma de melhor entender a cultura local. Fonte: Kwako Ofori Ansa, History and Significance of Ghana´s Kente Cloth. Acesso
Externo: Contacto: Kwaku Ofori Ansa: oansa@aol.com |
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Prática de SI No: 209 País: Gana Área Temática: Cultura Tecnologia: Costumes sociais Prática/Contexto: O povo Asante utiliza para cerimónias sagradas, religiosas e noutras ocasiões sociais e rituais importantes, roupas conhecidas como “Adinkra”, bordadas e estampadas à mão, extremamente valiosas. Detentores do Conhecimento: Povo Asante. Resumo: Adinkra são peças de roupa de alto valor, bordadas e estampadas à mão. Estes trajes originalmente eram usados pelos povos Asante do Gana e Gyaman da Costa do Marfim. Contudo, são os Asante quem mais tradição tem no uso dos trajes que qualquer outro povo. Foram os Asante que desde o século XIX criaram e desenvolveram a arte única de estampar a adrinka. A adrinka no passado era traje de cerimónias da família real e líderes religiosos, utilizada em cerimónias sagradas e rituais de maior importância. Nos tempos mais modernos e actualmente, a adrinka é usada em inúmeras ocasiões e eventos de caracter social. São trajes que continuam associados a datas e cerimónias especiais como casamentos, festivais, missas, baptisados e ritos de iniciação, para além das cerimónias religiosas. Os símbolos estampados nas adrinka são hoje motivos de decoração e criação de vários produtos desde acessórios de vestuário, decoração de interiores, papel de embrulho de presentes e capas de livros. Cada um dos motivos que caracteriza o padrão da adrinka tem um nome e significado derivado quer de um provérbio, acontecimento histórico, personalidade humana, comportamento animal, vida da planta, formas e feitios de objectos sem vida criados pelo homem. Tais motivos são traduzidos e graficamente transferidos segundo formas de estilo geométricas. O significado de tais motivos pode corresponder a aspectos éticos, estéticos, relações humanas e conceitos religiosos. A adrinka é na íntegra uma representação de pensamentos e ideais sociais associados à história, filosofia e crenças religiosas do povo Anka do Gana e da Costa do Marfim. Resultado/Experiência: Conhecer o significado, importância e simbolismo de trajes de cerimónia é essencial para melhor entender a cultura local, sua evolução e mudanças a que estão sujeitas. Fonte: Kwako Ofori Ansa, History and Significance of Ghana´s Kente Cloth. Acesso
Externo: Contacto: Kwaku Ofori Ansa: oansa@aol.com |
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Prática de SI No: 210 País: Nigéria Área Temática: Desenvolvimento de Negócios Tecnologia: Indústria Metalúrgica Prática/Contexto: Fabrico industrial de ferro pelos povos Bariba e Borgawa, em Borgu. Detentores do Conhecimento: Povos de Bariba e Borgawa. Resumo: Borgu foi partilhada entre Franceses e Ingleses aqunado da Convenção Anglo-Francófona de 1898. Como resultado da partilha, o território na sua parte oriental pertence à Nigéria enquanto o lado ocidental pertence à República do Benin. Os seus habitantes são conhecidos quer por Bariba, quer por Boragwa. O fabrico industrial de ferro em Borgu deve-se à existência de enormes depósitos do metal de ferro na região. O solo é rico em minerais de hematite, gotite e limonite. Era ainda rica em combustíveis lenhosos. Era caracterizada pela ocorrência de grandes extensões de árvores em particular de duas espécies nomeadamente Butyrospermum paradoxum subespécie parkii Prosopis africana. Estas espécies eram abatidas e utilizadas no fabrico de carvão. A prospecção dos depósitos não foi fácil. Era uma operação que envolvia grandes superfícies. As capacidades e dimensões das reservas tinham que ser avaliadas. Os escavadores e mineiros perdiam normalmente três meses nas escavações do metal e na preparação do processo de fundição. Grande parte dos mineiros era acompanhada das suas famílias e transportavam todo o equipamento necessário. Uma vez chegados ao local de acampamento, conhecido por zango, os mineiros procediam à escolha do seu líder que acabava por ter que zelar pela disciplina no campo como era responsável port todas as práticas e ritos religiosos. O processo de fundição do metal só tinha lugar após os mineiros terem conseguido reunir uma grande quantidade de metal que era amontoado. Contudo, antes da fundição era necessário construir os fornos ou caldeiras e os tuyeres. Em muitas outra partes recorria-se aos morros de muchém (termiteiras) normalmente misturada com outros materiais. Tal foi o caso de algumas das regiões que actualmente fazem parte da República do Benin como Nikki Wenou, Nikki e Parakou, cuja preferência era dos morros de muchém. A argila era misturada com areia e outro tipo de material que tornavam o forno mais resistente. Na construção dos fornos era normal recorrer a práticas e ritos religiosos acompanhados de algumas consultas. Os tuyeres eram feitos na fase final de preparação do processo de fundição. Seguia-se a forja do metal. Resultado/Experiência: A fundição e fabrico de ferro na África Ocidental já existia muito antes da dominação Eurpopeia. Fonte: Olayemi Akinwumi, “Metallurgy in pre-colonial Borgu Society” in G. Emeagwali
(ed), African Civilazation: Technical, Social and Political Dimensions,
New York, American Heritage, 1997. Acesso
Externo: Contacto:Gloria Emeagwalli: Afsi@aol.com |
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Prática de SI No: 214 País: India Área Temática: Saúde Tecnologia: Prevenção do SIDA Prática/Contexto: A mudança de comportamento sexual e práticas como forma de mitigação da contaminação do SIDA. Detentores do Conhecimento: Grupos de Mulheres da Saúde Resumo: Num subúrbio da cidade de Hyderabad, habitada por pessoas económicamente necessitadas, a existência de grupos de mulheres de apoio à saúde das comunidades e de fundos gerados localmente através de contribuições dos moradores permitiram - possivelmente pela primeira vez, uma iniciativa envolvendo mulheres de bairros da lata - o financiamento de melhorias nos sistemas de saneamento, poços de água, e casas de banho, para além de estabelecerem esquemas de auto-financiamento. O projecto foi bem sucedido tendo inclusivé atraído uma participação muito alta da comunidade e ONGs., com grandes resultados secundários na melhoria da saúde da comunidade. Na cidade participam cerca de 22 ONGs na prestação de cuidados de saúde básica, planeamento familiar e apoio na educação materno-infantil em 662 bairros da lata. Outros grupos de voluntários também participam em campanhas de educação e prevenção do SIDA, campanhas particularmente dirigidas às mulheres adultas e raparigas adolescentes. Os programas de mobilização recorrem a grupos de pressão e pessoas influentes como por exemplo na prevenção do SIDA através de práticas sexuais seguras para além da mudança do comportamento sexual dos residentes nos bairros pobres. São milhares de residentes dessas comunidades os que já directamente beneficiaram de tais iniciativas, desde a realização de seminários para as novas mães, programas de educação de raparigas, e de creches para as crianças. O sucesso do projecto garantiu o financiamento da extensão do projecto por parte do Banco Mundial e do Governo no apoio de outros bairros da lata existentes em 94 outras cidades mais pequenas, nas províncias de Andhra Pradesh, Karnataka e West Bengal. Resultado/Experiência: A mudança de hábitos e comportamento sexuais na prevenção do SIDA foi possível através do apoio de ONGs a grupos de mulheres agentes de saúde comunitária. Fonte: Banco Mundial, India (Representação no país). Acesso
Externo: Contacto: Ksudhakar@worldbank.org |
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Prática de SI No: 215 País: Tanzania Área Temática: Saúde Tecnologia: Formação Profissional Prática/Contexto: Formação de parteiras para aumentar a segurança dos partos. Detentores do Conhecimento: Parteiras Tradicionais. Resumo: A Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA) deu início na Tanzania a um programa de formação de parteiras tradicionais (mulheres que assistem e ajudam os partos que ocorrem fora dos centros de saúde utilizando o saber tradicional), tendo como principal objectivo aprender a desinfectar e esterelizar os instrumentos e materiais utilizados com água quente ou através do aquecimento directo. Resultado/Experiência: Garantindo que as parteiras tradicionais passem a exercer a sua função num ambiente mais limpo e higiénico concorre para uma maior taxa de sucesso dos partos. Fonte: Fundo Canadiano de Apoio às Iniciativas Locais (CFLI), Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA), Formação de Parteiras Tradiconais - Agentes de Saúde Comunitários. Acesso Externo: CIDA Contacto: PETER-CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 216 País: Tanzania Área Temática: Saúde Tecnologia: Medicina Tradicional Prática/Contexto: Estudos sobre a malária recorrendo ao saber indígena e medicina tradicional. Detentores do Conhecimento: Tanzanianos. Resumo: As comunidades locais na Tanzania participaram num projecto de investigação sobre o contrôle da malária. Foram as comunidades que identificaram os produtos de plantas como folhas, casca e raízes normalmente utilizadas na medicina tradiconal para a cura da malária. Identificaram ainda as plantas repelentes de mosquitos (os mosquitos são os vectores do parasita da malária). Resultado/Experiência: As comunidades locais conhecem através do saber indígena de excelentes métodos de cura e prevenção das doenças que normalmente os afecta, devendo participar nos estudos dessas doenças. Fonte: Fundo Canadiano de Apoio às Iniciativas Locais (CFLI), Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA), Investigação de Malária – Amani, Região de Tanga. Acesso Externo: CIDA Contacto: PETER-CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 217 País: Tanzania Área Temática: Agricultura Tecnologia: Práticas Agronómicas Prática/Contexto: Calendário da colheita desenvolvido a partir do saber local. Detentores do Conhecimento: Grupo de Mulheres. Resumo: Os projectos agrícolas na Tanzania financiados pela CIDA e de apoio às escolas e grupos de mulheres integram princípios de saber indígena. O saber indígena foi utilizado na identificação de culturas mais aptas para determinados ambientes, assim como das melhores datas de sementeira, sachas e colheitas. Resultado/Experiência: Porque a produção agrícola está adaptada às condições agro-ecológicas de um dado local, as agências de desenvolvimento por norma deveriam integrar o saber indígena nos seus projectos. Fonte: Fundo Canadiano de Apoio às Iniciativas Locais (CFLI), Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA), Murigha Community Girls School, Vuminila Women Development Group, Bitare Women Group, Umoja Saidia Tujenje Chetu Women Group. Acesso Externo: CIDA Contacto: PETER-CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 218 País: Gana Área Temática: Meio Ambiente Tecnologia: Desenvolvimento Comunitário Prática/Contexto: Capacitação das comunidades locais através da conservação do meio ambiente. Detentores do Conhecimento: Comunidades Locais. Resumo: O projecto financiado pela CIDA nos Distritos de Janga-West Mamprisu e Deg-Area-Bole, no norte do Gana está praticamente concluído encontrando-se já na redução gradual das suas actividades. O projecto financia o programa de manutenção de germoplasma de sementes locais pelas comunidades, a construção de duas escolas básicas para além da produção agrícoal com adubação orgânica. O saber indígena está presente em todas as fases do projecto através da participação das comunidades. Resultado/Experiência: O uso do saber indígena nos projectos de desenvolvimento rural permite que as comunidades locais se identifiquem como proprietárias do projecto, contribuindo para a valorização do saber local através da sua preservação e melhoria. Fonte: Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA), e Associação da Autoridade Local do Norte do Gana, Projecto de Janga. Acesso Externo: CIDA Contacto: PETER-CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 219 País: Burundi Área Temática: Promoção de Negócios Tecnologia: Cerâmica – Fabrico de Panelas de Barroes. Prática/Contexto: Na província de Kayanza, no Burundi, a produção de barro local aumenta em quantidade e na qualidade. Detentores do Conhecimento: Oleiros da província de Kayanza. Resumo: A produção de barro na província de Kayanza, especialmente a partir de argilas refractárias, é um prática secular de sempre. Actualmente verifica-se uma grande procura de produtos de cerâmica. A produção poderá aumentar assim como o tamanho e número de artigos se a proporção entre a areia e argila fôr melhorada e se aumentae o tamanho dos fornos tradicionais. Resultado/Experiência: A melhoria das técnicas tradicionais de produção de artigos de cerâmica permite satisfazer a grande procura, permitindo ainda valorizar o saber indígena. Fonte: Fundo Canadiano de Apoio às Iniciativas Locais (CFLI), Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA), Produção de Barro. Acesso Externo: CIDA Contacto: PETER-CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 220 País: Tailândia Área Temática: Agricultura Tecnologia: Agricultura de Subsistência. Prática/Contexto: Práticas agrícolas resultantes do saber indígena. Detentores do Conhecimento: Comunidades de Karen. Resumo: O regresso aos sistemas de produção agrícola sustentável das terras altas, característico das Províncias de Chang Mai e Suphanburi, na Tailândia era um dos objectivos do projecto através do treino dos camponeses. Os sistemas de produção de culturas de subsistência tem sido sujeito a uma enorme pressão por parte da produção agrícola comercial (exportação) e introdução de outros formas competitivas de utilização dos recursos de terra. O projecto pretende treinar camponeses em sistemas tradicionais de produção agrícola. O camponeses serão expostos e treinados considerando o saber, técnicas e práticas agrícolas tradicionais e utilizados pelas comunidades locais, de modo a transferir a tecnologia e mostrar aos outros camponeses como utilizarem as suas terras. O saber indígena da comunidade de Karen tem sido objecto de estudo por parte de uma ONG de forma a ser utilizado no projecto. Resultado/Experiência: Os sistemas de produção agrícola podem ser melhorados através do uso do saber indígena assim como os rendimentos das culturas. Fonte: Fundo Canadiano de Apoio às Iniciativas Locais (CFLI), Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA), Produção Agrícola Sustentável das Terras Altas: Visita de Estudo e Treino. Acesso Externo: CIDA Contacto: PETER-CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 221 País: Colômbia Área Temática: Meio Ambiente Tecnologia: Agrosilvicultura. Prática/Contexto: Gestão Indígena de Florestas. Detentores do Conhecimento: Comunidades de Huitoto. Resumo: Cerca de 18 milhões de hectares de floresta Amazónica sempre verde foram restituídos em 1988 pelo Governo Colombiano para cerca de 70000 Índios, originalmente proprietários dos recursos comunitários. Em 1989, líderes das comundades índias, biólogos e responsaveis de governo reuniram-se para discutirem e definirem uma estratégia de conservação da floresta e da cultura índia, tendo posteriormente, os líderes Índios emitido uma Declaração em como assumiam a protecção da floresta através da aplicação de princípios e mecanismos de gestão comunitária considerando os modêlos da cultura Índia. Contudo e devido à exploração dos recursos naturais, o estilo de vida dos Índios sofreu mudanças; destacar ainda a influência dos missionários religiosos e da colonização. O objectivo da pesquisa era fundamentalmente estudar as possibilidades de recorrer aos mecanismos e modêlos de gestão dos Índios na conservação da floresta; a primeira fase do projecto de investigação considera a abordagem e reflexão iniciais e entrevistas às comunidades Huitoto sobre a conservação do meio ambiente; ainda nas reuniões com as comunidades estabelecer as prioridades dos aspectos e problemas a considerar na investigação participativa envolvendo as comunidades; e desenvolvimento de métodos de aproximação dos modêlos de gestão comunitária e conservação dos recursos florestais. Em caso de sucesso prevê-se nas fases seguintes, preparar um plano de gestão e protecção florestal a partir dos príncipios e mecanismos comunitários de gestão tradicional Índia. Resultado/Experiência: O potencial do saber indígena e das práticas tradicionais de gestão das florestas concorrem para a manutenção e protecção dos ecossistemas florestais. Fonte: IDRC, Agenda Índia para a Protecção das Florestas Tropicais. Acesso Externo: IDRC Contacto: PETER-CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 222 País: República Árabe do Egipto Área Temática: Agricultura Tecnologia: Gestão de recursos Hídricos. Prática/Contexto: Desenvolvimento de técnicas de gestão sustentável de solos e água. Detentores do Conhecimento: Camponeses locais. Resumo: De forma a corresponder às necessidades de uma população em crescimento que, no Egipto depende do Rio Nilo como principal fonte de água para a produção agrícola irrigada, há toda a conveniência em melhorar as práticas de gestão de água. O Projecto Experimental de Solo e Água nos Terrenos dos Camponeses (OWSOM), pretende introduzir e treinar os camponeses nas técnicas melhoradas de maneio de solo e água, contribuindo para a conservação dos limitados recursos de solo do Egipto. O projecto é composto por seis componentes de trabalho independentes mas interligadas. Duas das componentes do projecto, nomeadamente de Capacitação e de Participação da Comunidade de Camponeses, contempla aspectos importantes do saber indígena. Reconhecendo a importância dos chefes locais e tradicionais, o projecto considera a sua participação paralelamente às autoridades formais das aldeias. Os intervenientes ou beneficiários tanto homens como mulheres são convidados e incentivados a participar de forma a promover a troca de ideias, experiências e saber. Pretende-se que estas discussões tenham um momento e ocasião próprios para a maior participação de todos pelo que fora particulares serão estabelecidos pelo projecto. Resultado/Experiência: O envolvimento dos camponeses locais como portadores e detentores do saber contribui para a formulação e identificação de técnicas de maneio de solos e água mais apropriadas. Fonte: Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA) e Ministério de Agricultura e Reabilitação de Terras (Governo do Egipto). Acesso Externo: CIDA Contacto: PETER-CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 223 País: Senegal Área Temática: Saúde Tecnologia: Ajuda Mútua. Prática/Contexto: Apoio dos chefes tradicionais às mulheres para acabarem com hábitos prejudiciais. Detentores do Conhecimento: Grupo de Mulheres de Bambara Resumo: Um grupo de mulheres participou no programa informal de educação organizado em 1997 pela ONG TOSTAN e que se realizou em Malicounda, Senegal. Por influência da formação recebida, as mulheres decidiram acabar com um costume e prática antigos e que consistia no corte do orgão sexual femenino. As mulheres conseguiram mesmo a abolição oficialmente de tal prática pelo conselho da aldeia. Mesmo assim e não satisfeitas com esse resultado, elas lançaram um movimento contra a prática. Criaram um grupo acompanhado por alguns dos seus esposos de forma a contactarem as diferentes aldeias vizinhas como forma de sensibilização para a abolição da prática. Contactaram as mulheres dessas aldeias e convenceram-nas a ganharem o apoio das suas comunidades. As mulheres convenceram ainda os chefes tradicionais, inclusivé o Iman, líder religioso de Malicounda, a apoiarem a sua agenda e particparem activamente como agentes de mudança. Em Congresso dos Chefes Tradicionais de 18 aldeias da região, realizado em Janeiro de 1998, decidiram comprometerem-se pela abolição da prática, através da Declaração de Malicounda. O Presidente Abdou Diouf do Senegal, logo a seguir aprovou o “Juramento de Malicounda” como modêlo a ser adoptado ao nível nacional. O movimento popular ganhou bastante projecção e aceitação quer ao nível nacional, chegando a registar a participação, até Março de 2001, de mais de 200 comunidades, quer de muitas outras comunidades de países vizinhos. Resultado/Experiência: Práticas e rituais prejudiciais antigos poderam ser combatidos eficazmente através do trabalho em conjunto realizado por grupos de mulheres e chefes tradicionais. Fonte: IK-Notes No.3. Acesso Externo: IK-Notes No.3 e IK-Notes No.31 Contacto: |
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Prática de SI No: 224 País: Uganda Área Temática: Comunicação Tecnologia: Tecnologias de Informação e Comunicação. Prática/Contexto: No Uganda, as comunidades locais estão ligadas às notícias económicas globais através de Nakaseke Telecenter. Detentores do Conhecimento: Especialistas em TIC. Resumo: O Centro Comunitário Multi-funcional de Telecomunicações de Nakaseke, localizado a 50 km a norte da cidade de Kampala, numa aldeia distante, introduziu no meio rural tecnologias de informação e comunicação. Serviços de internet, telefone, fax existem na aldeia o que permite a sua utilização nas actividades e negócios locais. A juventude beneficiou de programas de formação no uso de computadores o que lhes deu acesso ao emprego, estando disponível para consulta uma biblioteca electrónica com as melhores revistas e livros. Os camponeses e agricultores em geral, têm acesso directo e em tempo real aos preços de mercado dos seus produtos agrícolas, sem terem que depender ou deslocarem-se a Kampala. Em colaboração com os serviços de extensão agrícola, o Centro de Telecomunicações recebe e transmite um programa sobre métodos inovadores de contrôle de pragas de banana, desenvolvidos por uma aldeia vizinha. O programa de saber indígena disponibiliza a assisência técnica no apoio ao desenvolvimento de uma série de projectos que recorrem ao uso de saber e experiência das comunidades locais principalmente nas áreas de educação, género e cuidados de saúde. O pessoal em Nakaseke faz parte do comité executivo nacional do saber indígena, apoiado pelo Banco. Beneficiários como médicos tradicionais beneficiam directamente do acesso às tecnologias de informação e comunicação no contacto com os seus doentes de diferentes pontos do país assim como na encomenda e aprovisionamento de medicamentos. Resultado/Experiência: Sem dúvida que o acesso a tecnologias de informação e comunicação mantém as comunidades rurais ligadas ao mundo económico contribuindo para a melhoria das suas vidas. Fonte: IK-Notes No.27. Acesso Externo: IK-Notes No.27. Contacto: nakasek@africaonline.co.ug |
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Prática de SI No: 225 País: Índia Área Temática: Agricultura Tecnologia: Sistemas de Produção. Prática/Contexto: Projecto de Reabilitação de Terras Sódicas em Uttar Pradesh (UP) através do saber indígena contribuiu para o aumento da produção agrícola. Detentores do Conhecimento: Camponeses locais. Resumo: Na região de UP, a produção agrícola na década de 1980 sofreu um redução drástica. Práticas inadequadas de irrigação resultaram na salinização de solos, agravado pelas perdas das culturas de arroz e trigo entre 40% a 60% destruídas por pragas de gafanhoto castanho. As campanhas públicas no âmbito da reabilitação de terras realizadas pelos serviços de extensão agrícola do governo não foram bem sucedidas. A Companhia de Aproveitamento de Terras promoveu em 1993 um programa de iniciativas locais dos camponeses integrado no Projecto de Reabilitação de Terras Sódicas (SLRP), através de apoio de Banco. Os camponeses formaram ao nível local núcleos de implementação (SICs) e grupos de ajuda mútua (SHGs), tendo conseguido recuperar cerca de 68,000 ha pertencentes a 247,000 famílias. SHGs de mulheres obtiveram lucros a partir de criação de aves e produção de hortícolas. Os camponeses apoiaram-se no saber e práticas indígenas para poderem recuperar os solos: recuperaram os solos através da aplicação de gesso, terraceamento, irrigação, lavagem e lavoura do solo, reduziram consideravelmente, até sensivelmente menos de 5% os ataques de pragas de gafanhotos com aplicação de soluções de Neem, adubo verde e casca de arroz, melhorando a fertilidade do solo através de consociações, composto e a guarda de animais. Os rendimentos agrícolas e as rendas aumentaram como resultado em 60%, entre 1993 e 2000. As práticas de maneio foram adoptadas e amplamente divulgadas pelos camponeses através de uma escola de camponeses. Actualmente estas escolas estão a receber do governo a responsabilidade pelos serviços de formação e extensão, chegando a atingir mais de 7,200 camponeses distribuídos por 65 aldeias que ultrapassam a área do projecto. Resultado/Experiência: O processo de aprendizagem a partir do saber indígena aumenta a sustentabilidade da produção agrícola para além de servir de modêlo de transferência e comunicação entre as comunidades. Fonte: Companhia de Aproveitamento de Terras UP. Acesso Externo: Contacto: ssatish@worldbank.org |
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Prática de SI No: 226 País: Kenya Área Temática: Cultura Tecnologia: Ajuda Mútua. Prática/Contexto: Preservação por parte dos Simba Massai do seu legado cultural e saber herdados. Detentores do Conhecimento: Simba Massai. Resumo: Com o objectivo de educar os seus filhos e transmitir-lhes as suas tradições, os Simba Massai da comunidade de Ngong Hills no Kenya, decidiram documentar o seu património cultural. A comunidade fundou uma ONG chamada de SIMOO. A SIMOO sem recorrer a qualquer tipo de ajuda externa, criou um museu na aldeia para a conservação do património cultural local. Têm em exibição vários artigos como cestos para conservação de alimentos (celeiros), texteis, jóias, esculturas, plantas medicinais e outros artigos de importância devido à sua utilização nas cerimónias. Uma parte do museu é móvel o que permite percorrer diferentes aldeias pasra cumprir com a educação das crianças, aprendendo e conhecendo as suas raízes culturais e tradições. No museu são vendidos aos visitantes diferentes artigos de artesanato fabricados por mulheres de forma a garantirem alguma renda. O museu tem um projecto especial que visa a conservação de árvores locais e documentação dos usos e valores das árvores na medicina tradicional e preparação de medicamentos. Uma pedra com inscrições gravadas na base do tronco da árvore identifica a planta pelo seu nome, uso na medicina ou fins medicinais, e doenças curadas. Desde a malária até às diarreias. A informação é gravada na pedra nas duas línguas, Massai e Inglês. O valor da gravação nas diferentes línguas é uma enorme contribuição à valorização das inúmeras, perto de 2,500 línguas africanas. Resultado/Experiência: A chave para a preservação do saber indígena reside na sua documentação, constituíndo por outro lado um meio de educação dos jovens nos seus valores culturais e de desenvolvimento. Fonte: Museu de Aldeia Simba Massai Acesso Externo: Contacto: globe@skyweb.co.ke |
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Prática de SI No: 227 País: Jordânia Área Temática: Agricultura Tecnologia: Maneio de Pastagens. Prática/Contexto: Participação das comunidades locais e integração do seu saber no maneio de sistemas de pastagens. Detentores do Conhecimento: Comunidades locais. Resumo: O reconhecimento pelo projecto desde o seu início da importância do saber local dos membros da comunidade foi em grande medida a chave para o seu sucesso. Vários estudos de diagnóstico com a participação das comunidades locais permitiu a identificação das oportunidades e limitantes ao nível dos sistemas de produção locais e as melhores formas para a sua optimização. Os estudos permitiram ainda a identificação ao nível da comunidade quem principalmente seria afectado, tendo sido criados grupos de trabalho com o objectivo de apoiarem a implementação das actividades do projecto. Deste modo, o modêlo de projecto de desenvolvimento dos sistemas de maneio de pastos foi elaborado com a participação das comunidades, tendo os seus membros participado na formulação, planificação e implementação do sistema de maneio. Resultado/Experiência: Pode-se concluir que, com a participação das comunidades no desenvolvimento de sistemas de maneio, é possível atingir resultados positivos. Fonte: Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA) Projecto de Maneio Sustentável de Pastagens. Acesso Externo: CIDA Contacto: PEER-CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 228 País: Indonésia Área Temática: Agricultura Tecnologia: Agro-silvicultura. Prática/Contexto: Modêlos de planeamento de gestão comunitária de florestas. Detentores do Conhecimento: Camponeses. Resumo: O desenvolvimento de modêlos de planeamento de gestão comunitária de recursos florestais em duas comunidades, na Indonésia, era o principal objectivo do projecto. O projecto facilitou o relacionamento e cooperação entre ONGs a operar na Indonésia com ONGs a trabalharem na Columbia Inglesa, a partir de ideias e experiências das várias organizações envolvidas na elaboração e desenvolvimento de planos de gestão florestal. Uma das particularidades da metodologia foi a possibildade de integrar as comunidades residentes e detentoras dos direitos de uso dos recursos florestais no exercício de planeamento. Os técnicos do projecto e as diferentes autoridades envolvidas na coordenação da gestão dos recursos identificaram como da máxima conveniência o recurso e integração do saber indígena na gestão e desenvolvimento dos recursos naturais comunitários. As comunidades poderam assim elaborar, identificar e implementar as actividades recomendadas no plano de maneio da floresta. Resultado/Experiência: É essencial o envolvimento das comunidades indígenas (e o seu saber e experiência) na protecção e gestão dos recursos naturais. Fonte: Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA) Promoção de Modêlos de Gestão Sustentável de Uso Comunitário dos Recursos Florestais na Indonésia e Canadá. Acesso Externo: CIDA Contacto: PETER-CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 229 País: India Área Temática: Agricultura Tecnologia: Contrôle da Desertificação. Prática/Contexto: Contrôle e combate à desertificação através da regeneração da vegetação de terras públicas degradadas. Detentores do Conhecimento: Comunidades Locais. Resumo: As terras degradadas de domínio público, vulgarmente conhecidas como terras baldias ou para esse fim, beneficiam através de um projecto de combate à desertificação, à sua reabilitação a partir da regenaração da vegetação. Estima-se que a área ocupada actualmente por terras nessa categoria na índia corresponda a cerca de 80 milhões de hectares. O projecto opera com uma cooperativa responsável pela planificação e implementação das actividades do projecto. Por uma questão de princípio e propriedade, a cooperativa prevê a participação na implementação do projecto por igual de todos quanto o queiram fazer. O conhecimento dos moradores e outros membros da comunidade no que respeita a plantas e animais foi de extrema importância. Na maioria dos casos as plantas seleccionadas obedeceram às preferências dos aldeões. Foi, na opinião do coordenador de projecto, devido às inúmeras opções, tecnologias e ideias, extremamente difícil determinar quais as mais apropriadas para as áreas de estudo e nos momentos indicados. Por essa razão, os aldeões e comunidades foram convidados sempre a decidir nos casos mais críticos e importantes, pela opções mais adequadas, cooperando com o pessoal técnico do projecto. Resultado/Experiência: É essencial o envolvimento das comunidades indígenas (e o seu saber e experiência) na protecção e gestão ambiental, como garantia de sucesso do projecto. Fonte: Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA) Projecto Nacional de Agrosilvicultores, India. Acesso Externo: CIDA Contacto: PETER-CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 230 País: Guatemala Área Temática: Saúde Tecnologia: Medicina Tradicional. Prática/Contexto: Melhoramento dos tratamentos tradicionais. Detentores do Conhecimento: Aldeões. Resumo: O melhoramento da capacidade local através da promoção de cuidados de saúde e tratamento de doenças é um dos principais objectivos do projecto destinado a melhoras as condições básicas de saúde dos habitantes residentes em Comitancillo, na Guatemala. Prevê-se a criação de um centro de saúde polivalente que, contribua para a formação dos agentes comunitários de saúde e ervanários, ao mesmo tempo que apoiará na inventariação e identificação de plantas para fins medicinais. À partida pretende-se que, através da integração e recurso ao saber indígena, seja possível reforçar o uso de plantas tradicionais para fins medicinais, diminuindo deste modo a dependência actual de medicamentos de origem farmacêutica e aumentando a confiança no uso dos tratamentos tradicionais. Resultado/Experiência: Melhorar o uso do saber indígena na medicina tradicional permite a disponibilzação de medicamentos de melhor qualidade para todos. Fonte: Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA) Projecto de Estratégia Integrada de Saúde de Comitancillo, Associação Maya-Mam de Pesquisa e Desenvolvimento (AMMID). Acesso Externo: CIDA Contacto: PETER-CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 231 País: Bangladesh Área Temática: Comunicação Tecnologia: Recolha de informação ao serviço do desenvolvimento. Prática/Contexto: O centro de meios de informação ao serviço de desenvolvimento dispõe de uma biblioteca sobre o saber indígena. Detentores do Conhecimento: Tribos de Chittagong Hill Tracts. Resumo: O projecto pretende estabelecer um centro de meios de informação para servir a região de Chittagong Hill Tracts, no Bangladesh. O acesso a qualquer fonte ou tipo de informação sobre os mais variados assuntos é na actualidade extremamente difícil e complicado, podendo dizer-se o mesmo em relação aos materiais informativos, pois é frequente verificar-se uma dispersão de dados e informação relevantes por diferentes serviços e escritórios. O centro a estabelecer terá como missão recolher e sistematizar a informação e seu posterior tratamento para aplicação e uso no contexto de planificação e desenvolvimento económico para além de outras áreas de interesse de desenvolvimento regional como referentes às questões socio-culturais. O centro espera que, em paralelo ao tratamento da informação oficial, poder recolher e sistematizar o saber e práticas indígenas que dizem respeito às manifestações culturais das diferentes tribos e sobre as práticas e sistemas de produção agrícolas. Resultado/Experiência: A informação e experiências associadas ao saber indígena recolhidas e disponíveis no centro de estudos e informação é extremamente importante quando integrado no processo de planeamento e desenvolvimento rural. Fonte: Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA), Fundo Canadiano de Iniciativas Locais (CFLI), Chittagong Hill Tracts (CHT) Centro de Estudos Desesenvolvimento. Acesso Externo: CIDA Contacto: PETER-CROAL@acdi-cida.gc.ca |
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Prática de SI No: 233 País: Sudão Área Temática: Agricultura Tecnologia: Extensão Agrícola. Prática/Contexto: Percepcção indígena com relação ao espaço (área) e peso (unidade de medida). Detentores do Conhecimento: Hadendowa do Sudão. Resumo: Normalmente, os povos semi-nómadas de Hadendowa recorrem ao seu sistema local de referência para medir distâncias, áreas e o peso. No diálogo e relacionamento com os serviços públicos, os nómadas preferem utilizar e comunicar a partir das unidades de medida desenvolvidas através do saber indígena e comum a outros povos de regiões vizinhas, embora muitas vezes e por associação, recorram a unidades de medida de outros sistemas como o europeu e árabe. Como exemplo, quando é necessário estimar ou calcular as áreas de produção agrícola, os camponeses demonstram dificuldades em fazê-lo se as autoridades usam a unidade de medida do sistema oficial, o “feddan”, embora as áreas fornecidas pelos camponeses e recorrendo ao uso da sua unidade de medida são muito mais precisos. A realização de diagnósticos socio-económicos, inquéritos e outro tipo de actividade que considere a recolha de dados quantitativos deverá ser desenhado e concebido tendo em consideração o sistema de medidas indígena como forma de garantir um maior grau de confiança dos dados. Resultado/Experiência: Quando não se proceder à necessária compatibilização entre os sistemas de recolha de dados oficiais e locais, corre-se o risco de considerar os sistemas locais como de baixo rigor quanto à interpretação dos dados socio-económicos, podendo induzir em erro qualquer utilizador. Fonte: A. Alexander; J. Van Dijk; IK Monitor 4(3) 1996. Acesso Externo: Indigenous
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Prática de SI No: 234 País: Kenya Área Temática: Desenvolvimento do Sector Privado. Tecnologia: Criação de micro-negócios. Prática/Contexto: Oportunidade dos latoeiros do sector informal poderem satisfazer as necessidades dos agricultores que dependem de tecnologias locais de irrigação. Detentores do Conhecimento: Latoeiros “Jua Kali” do Kenya. Resumo: Os agricultores têm preferência pelos aspersores (cabeças) localmente fabricados em relação aqueles importados, mesmo sabendo da sua fraca qualidade. A principal razão reside no preço dos fabricados localmente, na ordem de um terço do preço dos importados, para além de que os fabricados localmente estão sempre disponíveis no mercado e os outros não. A procura por parte dos agricultores e a sua preferência pelo produto local provocou uma resposta imediata por parte dos latoeiros informais abrindo o espaço para o exercício da actividade por parte de novos latoeiros. Resultado/Experiência: A imediata adaptação por parte do sector informal em resposta às necessidades tecnológicas dos agricultores resultaram na susbstituição de tecnologias importadas por tecnologias inovadoras existentes localmente. Fonte: F.B.D. Masera; IK Monitor 2(2) 1993. Acesso Externo: Indigenous
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