THE WORLD BANK GROUP A World Free of Poverty
Home

Base de dados sobre o Saber Indigena e suas práticas
Last updated: Tuesday, January 4, 2005

Exemplos de Aplicações de CI - Região África - Banco Mundial

The complete Database is available in English

Esta Base de Dados fornece aos utentes o acesso rapido a conjunto de praticas indigenas/tradicionais e, tambem, a possibilidade de emitir comentarios e fazer controbuicoes descrevendo novos casos. Todos as praticas estao descrita de for,a sumária . Para mais esclarecimentos e estudos posteriores sao incluidas referncias a descicoes mais detalhadas. As refencuas podem incluir , hyperlinks, bibliografia, organizações e individuos.

E importante notar que se pretende que a Base de Dados sejam ampliada e melhorada atra vés das contribuições e comentários dos utentes.

Renúncia de responsabilidade

Como contribuir . A Base de Dados é um trabalho em continuo prgresso.Todos os visitantes da página sao convidados a contribuir com informação sobre praticas ou experincias indigenas relevantes ou suas respectivas referencias ou fontes . Para tal a contribuiçao deverá ser enviada a Reinhard Woytec: rwoytek@worldbank.org.

1

Domínio: Saúde

Tecnologia: Cuidados infantis

Portadores de Conhecimento: Mulheres Igbo

Fonte: Obikeze, D.S. IK K Monitor 5 (2) 1997 CIRAN

País: Nigéria

Aplicação: Ritos de cuidados de assistência à mãe e bebé e práticas observadas entre o povo Igbo do Sudeste da Nigéria.

Durante um período de quatro semanas após o nascimento, que é chamado "Omugwo", a mãe e criança são afastadas e ficam sob os cuidados da avó do recém-nascido que se ocupa de todas as tarefas. A mãe é alimentada com uma sopa quente à base de peixe seco, batatas doces, bastante pimenta e um tempero especial à base de ervas chamado "udah"que provoca a contracção do útero contribuindo assim para a expulsão de coágulos de sangue. A dieta ajuda a restaurar o sangue perdido durante o parto, a recuperar a energia facilitando a cicatrização das feridas e a restaurar as funções normais do corpo e a promover a lactação. Para quem tem o primeiro filho, o tempo é utilizado para aprender com a mãe práticas de educação de filhos e de dona de casa.

Lição: Os programas de cuidados de saúde precisam de reconhecer os ritos "Omugwo"e integrá-los nas estratégias de assistência.

 

 

2

Domínio: Agricultura

Tecnologia: Silvicultura

Portadores de Conhecimento: Agricultores Washambaa

Fonte: Vários relatórios da GTZ de 1980 a 1990, ou contactar rwoytek@worldbank.org

País: Tanzânia/Ruanda

Aplicação: Transferência do sistema agrícola Washambaa para o Ruanda com adaptação e retransferência.

Os Washambaa das Montanhas Usambara na Tanzânia tinham desenvolvido um sistema de utilização da terra que simulava a vegetação da floresta natural de folhas caducas, em vários níveis, e composta por vegetação anual e perene na mesma parcela de terreno. Os princípios foram transferidos para Nyabisindu, Ruanda, num projecto assistido pela GTZ; adicionaram-se socalcos para fins vários com arbustos e pastos e o sistema foi depois retransferido para os Washambaa após a densa população e a procura de lenha terem destruído a camada de vegetação que cobre o solo.

Lição: A simulação de vegetação natural é um método válido para a conservação do solo; a transferência e adição de novos elementos para resolver os problemas acrescenta valor ao sistema original de utilização da terra.

 

 

3

Domínio: Habitação, Energia

Tecnologia: Arquitectura

Portadores de Conhecimento: Arquitectos, construtores

Fonte: BASIN News Nr. 12 1997 Eschborn ou contactar Schreckenbach H.

País: Egipto

Aplicação: Reintrodução de arquitectura tradicional egípcia.

No seguimento de uma reorientação da política nacional de energia, a comissão de energia atómica do Egipto começou a pesquisar métodos para economizar energia e materiais de construção. Foi feita uma troca de experiências a nível da região tendo sido observado o seguinte: os telhados curvos têm uma área menor (e precisam de menos materiais de construção) para o mesmo volume de espaço interior. As simulações por computador comprovam que: o ganho líquido de calor de uma cúpula pode ser 20% inferior ao de um telhado plano; os telhados curvos permitem que o ar quente suba, deixando o ar mais fresco ao nível do chão. As aberturas no cimo podem fornecer "ar condicionado natural" através de uma corrente de ventilação; as clarabóias nas abóbadas e nas cúpulas fornecem 4 a 5 vezes mais luz por unidade de área de chão do que janelas baixas em paredes verticais. Quanto menos área de janelas for preciso, mais reduzidas são as cargas de aquecimento e arrefecimento; as salas com tectos curvos têm um efeito psicológico agradável nos seus ocupantes; parecem oprimir menos do que as salas com tectos planos.

Lição: Aumentar a consciência, entre os profissionais e os responsáveis pela adopção de políticas, através da validação do conhecimento tradicional combinado com tecnologia moderna.

 

4

Domínio: Agricultura

Tecnologia: Conservação do solo

Portadores de Conhecimento: Agricultores Mossi

Fonte: Warren, D.M., Rajasekaran, B. 1993, Fazer Bom Uso do Conhecimento Local ("Putting Local Knowledge to Good Use"), International Agricultural Development 13 (4): 8-10

País: Burkina Faso

Aplicação: Restauração de uma prática de construção de terraços para captação de água para rega no Sahel.

No princípio deste século, os Mossi construíram diques de pedra nas terras cultivadas a fim de construir terraços. Por causa da instabilidade política, este método acabou por ser abandonado mais tarde. Após uma série de secas na década de 70, foi retomada a prática de construção de diques. Acrescentaram-se poços para água, que foram cheios com matérias orgânicas para aumentar a fertilidade do solo. Foram postos de parte outros sistemas que tinham sido introduzidos. Os diques de pedras são construídos ao longo dos anos, chegando a atingir cerca de um metro de altura, fazendo a terraplanagem das vertentes com relativamente pouca mão-de-obra durante a estação seca. Os diques semi-permeáveis permitem uma absorção gradual da água e impedem o seu vazamento causado pelas poucas mas muito intensas chuvas, reduzindo o risco de perda de colheitas e de erosão do solo. Nos anos de seca desastrosa de 1983 e 1984, as terras com diques produziram safras, enquanto nos campos vizinhos nada crescia. O Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) prestou assistência ao país na divulgação de tecnologia a todo o planalto central, com uma forte densidade de população, onde hoje em dia 150 aldeias do planalto dispõem de diques de pedra para rega. Os rendimentos da soja subiram cerca de 40% nos campos onde há diques.

Lição: As práticas desenvolvidas localmente precisam de um clima político e económico propício. Um método participativo permite que os agricultores façam a escolha da tecnologia.

 

 

5

Domínio: Agricultura

Tecnologia: Investigação e Divulgação

Portadores de Conhecimento: Mulheres Agricultores

Fonte: CIDA Projecto de Desenvolvimento de Cereais

País: Gana

Aplicação: Ciência a nível das Bases - Projecto de Desenvolvimento de Cereais no Gana.

Os projectos de investigação agrícola financiados pela CIDA e pelo IDRC estão cada vez mais a beneficiar do conhecimento indígena, que desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento de técnicas e acompanhamento de investigação apropriadas. Um projecto de desenvolvimento de cereais apoiado pela CIDA no Gana visa prestar atenção aos agricultores, onde a maior parte são mulheres. Isto não só determina as suas necessidades mas também assiste na difusão de novo conhecimento, uma vez que estas novas variedades melhoradas estejam desenvolvidas. As mulheres agricultores desempenham um papel essencial na preservação dos cereais tradicionais.

Lição: As mulheres, na sua qualidade de portadoras de conhecimento, são fontes importantes de informação para a pesquisa científica e são agentes de divulgação credíveis e convincentes.

 

6

Domínio: Ambiente

Tecnologia: Fiscalização

Portadores de Conhecimento: Jovens que deixaram a escola

Fonte: Universidade da Florida, Notas IK (a ser publicado), contacto: pmohan@worldbank.org

País: Zimbabué

Aplicação: Os jovens que deixam a escola fiscalizam os resíduos das actividades de mineração.

Nas comunidades que circundam Cap Mine no Zimbabué, os investigadores locais experimentaram com sucesso esquemas que envolvem jovens que deixaram a escola na fiscalização da qualidade da água, com a função de assistirem aos residentes da comunidade na detecção de descarga de vazamentos e de efluentes directos nas vias fluviais afectadas pelas actividades de mineração. As populações agrícolas demonstraram um enorme interesse em ter um melhor entendimento do efeito das actividades de mineração nos reservatórios locais e abastecimentos de águas e o estudo que daí resultou teve um impacto marcado no melhoramento da supervisão dos impactos ambientais da referida indústria.

Lição: A participação de jovens que deixaram a escola na fiscalização do ambiente é eficaz em função dos custos e cria um grupo de pressão local para influenciar a acção privada e pública. A juventude também come& ccedil;a a perceber o ambiente local que os rodeia.

 

 

7

Domínio: Criação de animais

Tecnologia: Medicina Veterinária; plantas medicinais

Portadores de Conhecimento: Fulanis, criadores de gado; veterinários com técnicas modernas e de plantas medicinais

Fonte: Toyang, N.J. et al. práticas de medicina à base de plantas medicinais na Província Noroeste dos Camarões, IK Monitor 3 (1995)

País: Camarões

Aplicação: Entrelaçar as práticas de veterinária à base de plantas medicinais com o serviço público de veterinária.

Na província do Nordeste dos Camarões, veterinários que recorrem a plantas medicinais e o pessoal dos Ministério da Agropecuária, Pescas e Indústrias Animais e o Instituto para a Investigação Animal, uniram os seus esforços na cooperação com o Heifer Project International (HPI). A veterinária à base de plantas medicinais/Projecto de Desenvolvimento de Gado dos Fulani encara o problema de um abastecimento caro e erróneo de drogas e serviços veterinários com o fim de conseguir uma via duradoura de melhorar a saúde animal na região através da utilização complementar de medicinas veterinárias indígenas e ortodoxas. Os benefícios são uma redução da dependência de medicamentos e abastecimentos veterinários importados, a possibilidade de descoberta de novos remédios e o uso de medicamentos naturais com menos efeitos colaterais. A comunicação e contactos entre os proprietários de gado e os veterinários melhoraram; foi fundada a primeira associação de veterinários tradicionais e fez-se a promoção do estabelecimento de uma rede de comunicação entre os profissionais indígenas e os especialistas ortodoxos em saúde animal. Fez-se a documentação de alguns tratamentos tradicionais com ervas medicinais, a classificação de plantas activas e práticas de processamento de alimentos e lacticínios.

Lição: Construir a partir do conhecimento indígena, não só ajuda à prossecução de objectivos técnicos, como também melhora a comunicação entre os beneficiários, especialistas tradicionais e modernos e o intercâmbio e transferência de conhecimento.

 

8

Domínio: Saúde, Educação

Tecnologia: Prevenção da SIDA

Portadores de Conhecimento: Curandeiros locais

Fonte: Green, E.C., 1997. Participação de curandeiros tradicionais em programas de prevenção de Sida. Tropical Doctor Supl. 1:1-4

País: Moçambique

Aplicação: Prevenção da SIDA através do envolvimento de curandeiros tradicionais nas campanhas de sensibilização.

A pesquisa de plantas medicinais em Moçambique aprofundou o entendimento biomédico de crenças e práticas relacionadas com doenças transmitidas sexualmente (DTS) na África Austral, e ajudou na concepção de estratégias de comunicação, culturalmente significativas, sobre SIDA. Os programas de prevenção de SIDA/DTS que daí resultaram tentaram ensinar aos curandeiros tradicionais conceitos biomédicos através do uso de símbolos, metáforas e conceitos etiológicos já em uso para explicar doenças transmitidas sexualmente conhecidas localmente. Tal muito contribuiu para o entendimento dos curandeiros de conceitos biomédicos pouco familiares e lançou as bases para o modo como os curandeiros tradicionais vão promover mudanças de comportamento entre os seus clientes, bem como novas tecnologias, tais como preservativos.

Lição: A participação de profissionais de conhecimento tradicional (curandeiros) numa maior consciencialização de uma área de grande sensibilidade psicológica e social, como a sexualidade, tem um impacto mais profundo e a um custo mais baixo.

 

9

Domínio: Criação de gado

Tecnologia: Reprodução

Portadores de Conhecimento: Pastores

Fonte: Köhler-Rollefson, I., IK Monitor 1 (3) Abril de 1993; vide também FAO - Diversificação Animais Domésticos, Sistema de Informação (DAD-IS)

País: Sahel, Vários

Aplicação: Pastores tradicionais como guardiães da diversidade biológica.

Os nómadas apuram os seus rebanhos ao longo de muitas gerações de modo a torná-los adaptados às frequentemente severas e variáveis condições do ambiente. Isto resultou em muitas raças, frequentemente com algumas pequenas diferenças entre elas, que a ciência pecuária convencional não conseguiria diferenciar. No entanto, estes animais desenvolveram características que são tão específicas ao seu ambiente natural que a sua parte genética se tornou um recurso valioso para os programas de reprodução animal. Enquanto a conservação criogénica de sémen preserva o código genético, ela não inclui a informação adequada relativa à criação de gado destas raças. Os pastores ainda conservam os seus animais nas terras marginais do Sahel. O modo de manter o gado, cabras, ovelhas, camelos e cavalos representa um modelo das práticas de criação animal em áreas onde outras formas de utilização da terra não podem sustentar uma população em crescimento.

Lição: Se bem que os bancos de sémen (ou sementes) de raças (variedades) raras preservem o código genético, eles não apontam o conhecimento de uma reprodução apropriada. Para as terras marginais, a conservação in-situ através da prática é a única forma de preservar a diversidade biológica.

 

10

Domínio: Saúde

Tecnologia: Plantas medicinais

Portadores de Conhecimento: Maasai

Fonte: Sindiga, I. IK Monitor 2 (2) Dezembro de 1994

País: Tanzânia

Aplicação: Conhecimentos botânicos dos Maasai.

 

Na sua qualidade de pastores, os Maasai têm um conhecimento extensivo de pastos e arbustos da região. Eles fazem a distinção entre os que são bons para aumentar a produção de leite e os que engordam o gado e melhoram a sua condição. Este conhecimento é particularmente importante durante anos excepcionalmente secos, quando os Maasi têm que tomar decisões sobre o local onde levar o gado a pastar, quais os pastos que recuperam mais depressa que outros e, com base na existência de recursos, qual o gado que deveria ser seleccionado primeiro.

Lição: O conhecimento dos Maasai de pastos resistentes à seca é útil para a avaliação de recursos nas regiões de pastoreio excessivamente utilizadas.

 

 

11

Domínio: Agricultura

Tecnologia: Controlo da Erosão, Nutrição das Plantas

Portadores de Conhecimento: Agricultores Matengo, Terras Altas do Sul

Fonte: Rutatora, D.F. IK Monitor5 (2) Agosto de 1997

País: Tanzânia

Aplicação: Pontos fortes e fracos dos poços Matengo

Na região montanhosa (Poços Matengo) utiliza-se o cultivo de pastos alternado com terra de pousio nas vertentes mais inclinadas para cultivar milho, feijões, trigo e batatas doces, e em alguns casos tabaco, numa base rotativa, na região montanhosa de Matengo Highlands que dispõe de pouca terra arável e se encontra sob pressão causada pela elevada densidade de população em fase de crescimento. Os arbustos e os pastos são cortados e dispostos em filas que se cruzam sob a forma de rectângulos, formando uma espécie de grelha em toda a área. Um conjunto de filas é disposto ao longo das curvas de nível, na transversal da vertente, e o outro conjunto segue a direcção da vertente, formando poços de dimensões variadas de cerca de um metro quadrado de área e 0,3 m de profundidade. Os sulcos e os poços são plantados com vários cultivos anuais segundo um padrão rotativo complexo, depois de os resíduos das colheitas terem sido enterrados sob os sulcos onde antes existiam poços na estação anterior e vice-versa. Os campos Matengo apresentam um desgaste causado pelas chuvas 70% a 80% inferior aos dos campos não tratados. Esta prática tem sido aplicada há mais de 100 anos. A prática, no entanto, exige uma dose elevada de mão-de-obra, sendo a maior parte do trabalho efectuado por mulheres, não podendo ser mecanizado.

Lição: Este sistema apresenta um desafio aos profissionais do desenvolvimento e agricultores para em conjunto desenvolverem uma prática agrária que se baseie nos poços Matengo, tenha o mesmo efeito na conservação do solo e reduza a necessidade de tanto trabalho das mulheres.

 

 

12

Domínio: Finanças Rurais

Tecnologia: Poupança e Crédito

Portadores de Conhecimento: Agricultores Igala no estado de Kogi

Fonte: Nweze, N.J. IK Monitor 2 (2) Agosto de 1994

País: Nigéria

Aplicação: Práticas financeiras indígenas entre as comunidades agrícolas.

As comunidades agrícolas na Nigéria desenvolveram vários sistemas de poupança e crédito. Normalmente, os agricultores constituiriam associações de aforro com especial incidência na poupança e acesso aos recursos numa base rotativa. Algumas das associações formulariam regulamentos e estatutos, enquanto a maioria se orienta por regras e regulamentos formais não documentados. Uma vez que se passe a membro, a poupança é obrigatória e espera-se que seja observada com regularidade, coincidindo com os dias de mercado. Os empréstimos são utilizados para bens que não sejam de consumo, e também para o pagamento de propinas escolares ou trabalho rural. A amortização é assegurada através de controlo social. De uma maneira geral, os membros não recebem juros nos depósitos e os empréstimos são concedidos em termos favoráveis. Não existe qualquer referência ao modo como se trata o crédito mal parado; parte-se do princípio que o controlo social é suficiente para assegurar uma associação de Poupança e Crédito sustentável. No entanto, a base de poupança é muito pequena para permitir a acumulação ou créditos para o financiamento de investimentos de maior monta. Até à data, houve pouco reconhecimento das instituições formais de crédito pelas práticas financeiras indígenas em vigor.

Lição: As associações de poupança e crédito rurais indígenas existentes precisam de ser reconhecidas pelo sector de crédito formal. A colaboração numa base equitativa aumentaria o impacto das instituições formais e o potencial de investimento na área rural.

 

 

13

Domínio: Desenvolvimento Comunitário

Tecnologia: Administração e transparência

Portadores de Conhecimento: Comunidades do Nepal

Fonte: Linking Food Relief and Development - A Matter of Good Governance; Upadhuaua K. and Beier, M., Katmandu 1993

País: Nepal

Aplicação: Comunidades asseguram transparência na distribuição da ajuda alimentar.

 

Para assegurar que a ajuda alimentar chegasse à população a que se destinava, um programa Comida por Trabalho do Governo do Nepal assistido pela GTZ, decidiu-se fazer uma consulta aos habitantes da aldeia. Foi determinado conjuntamente que o uso de distribuidores locais e de supervisão efectuada pela comunidade seriam a maneira mais apropriada de distribuir a ajuda alimentar. Em vez de utilizar camiões cobertos, utilizaram-se carroças abertas para o transporte. Este método teve vários benefícios. A contratação de carroças trouxe um rendimento adicional para as comunidades locais, em vez de se recorrer a companhias de camionagem sediadas nas cidades. A carga de uma carroça é uma medida padrão local, e os montantes transportados podem ser facilmente calculados pela população da comunidade. Qualquer porção que falte pode ser facilmente calculada publicamente e qualquer perda ou atribuição indevida pode ser também facilmente questionada em público. Outros programas do PAM no país em princípio também adoptaram este sistema.

Lição: O uso de padrões e meios de transporte locais para as entregas grossistas de arroz num programa Comida por Trabalho facilita a transparência da entrega dos bens primários e proporciona boa administração a nível local.

 

 

14

Domínio: Saúde, Educação, Organização

Tecnologia: Auto-ajuda

Portadores de Conhecimento: Grupos de Mulheres Bambara

Fonte: Universidade da Florida, IK Notes No.3, Dezembro de 1998

País: Senegal

Aplicação: Mulheres senegalesas das regiões rurais abolem a circuncisão feminina nas suas comunidades.

 

As mulheres de Malicounda decidiram que o problema que queriam resolver era o costume da circuncisão feminina - uma prática comum às comunidades em Bambara/Mandingue e Pulaar, embora não fosse extensiva à maioria Wolof. Ao informarem-se elas próprias das práticas nos outros lugares e dos efeitos da circuncisão na saúde e vida sexual das raparigas, desenvolveram um arsenal de argumentos e eventualmente convenceram o conselho da aldeia a oficialmente abolir esta prática. Não satisfeitas com este resultado, criaram em seguida uma equipa (incluindo alguns dos maridos que se aliaram à causa) para visitar as aldeias vizinhas, falar às mulheres e ajudá-las a ganhar a causa delas nas suas comunidades. Em Janeiro de 1998, reuniu-se um congresso de 16 aldeias da região - todas de origem Bambara ou Mandingue - para discutir a mudança da prática e adoptar a "Declaração de Malicounda". A notícia desta iniciativa chegou até à região de Casamance no sul do Senegal, onde um outro grupo de 16 aldeias - estas já de origem Pulaar - de associou para produzir uma conferência e declaração idênticas. Na realidade, o próprio Presidente Abdou Diouf do Senegal, propôs que o modelo da "Declaração de Malicounda" fosse adoptado a nível nacional.

Lição: A mobilização da opinião pública contra a ordem estabelecida pode ajudar a modificar práticas culturais discriminatórias.

 

 

15

Domínio: Desenvolvimento comunitário, ambiente

Tecnologia: Auto-ajuda, conservação da diversidade biológica

Portadores de Conhecimento: Mulheres das aldeias de Popenguine

Fonte: Universidade da Florida, IK Notes (a serem publicadas); Contacto: pcmohan@worldbank.org

País: Senegal

Aplicação: Esforços públicos e da comunidade recuperam a Reserva Natural de Kër Cupaam e contribuem para a diversidade biológica.

A flora e a fauna da Reserva Natural de Popenguine, um abrigo ao longo da rota migratória de numerosos pássaros que seguem a costa atlântica da África Ocidental, foram seriamente danificadas pelo efeito da seca, aumento de pastagem, e colheita de lenha. Para recuperar a reserva, um grupo de mulheres criou a Associação de Mulheres de Pepenguine para a Protecção do Ambiente. A associação levantou, em torno de todo o perímetro, sebes de plantas verdes destinadas a parar a propagação de fogos, replantou espécies nativas fornecidas por um horto fundado nessa mesma altura, e deu preparação em conservação da natureza a jovens voluntários das áreas urbanas vizinhas que desempenharam eventualmente uma grande parte do trabalho físico. As mulheres, não só conseguiram reestimular a diversidade biológica local e restaurar a vegetação natural da área mas também contribuíram materialmente, através dos seus esforços, para o reaparecimento de espécies animais que tinham deixado de aparecer na zona há alguns anos: porco-espinho, mangusto, pata, jacal, gato de algália, etc. Durante os oito anos seguintes, o RFPPN utilizou primeiro os recursos próprios e, depois, os que lhe foram fornecidos por organizações dadoras. A restauração da ecologia da reserva atrai aquele tipo de actividade turística que genuinamente beneficiaria a população local, por oposição ao tipo de turismo anterior.

 

Lição: Assumir o controlo dos recursos naturais através da comunidade local ajuda a preservar a diversidade biológica indígena e proporciona receitas adicionais.

 

 

16

Domínio: Micro finanças

Tecnologia: Associações de Poupança e Crédito

Portadores de Conhecimento: Comunidade da aldeia de Fandène

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas); Contacto: pmohan@worldbank.org

País: Senegal

Aplicação: Criação de bancos locais em que a responsabilidade é partilhada por um grupo.

Fandène é uma aldeia localizada a seis quilómetros de Thiès, Senegal. No passado foi o local de uma missão católica e um centro comunitário rural. Em 1987, os residentes de Fandène criaram a sua própria mutual de crédito e poupança que cresceu a ponto de, hoje em dia, ter filiais em 20 aldeias vizinhas, tanto de tradição cristã como muçulmana. Esta rede, totalmente auto-gerida em Fandène e em vias de também o ser noutras comunidades que compõem a rede, conseguiu acumular um capital de 20 milhões de Francos CFA. As várias filiais fazem pedidos de empréstimos para grupos e indivíduos da área circundante, requerem um pedido formal escrito e justificação, fazem a avaliação formal da viabilidade do empréstimo e oferecem assistência técnica para ajudar os mutuários a tornarem os empréstimos lucrativos. As instituições de poupança em cada uma das comunidades cobram as amortizações com uma taxa de juro anual de 15%, e reinvestem os lucros no seu próprio desenvolvimento institucional e em programas de serviço social locais. A rede Fandène criou ainda equipas de consultoria técnica para prestar assistência aos grupos dos bairros de baixo rendimento das cidades vizinhas de Thiès e Dakar que desejem criar os seus próprios programas de crédito e poupança.

Lição: Os esquemas de poupança e crédito que assentam em grupos locais e no controlo exercido pelos seus membros facilitam a acumulação de capital na área rural.

 

17

Domínio: Saúde

Tecnologia: Cuidados infantis, saúde da mãe

Portadores de Conhecimento: Mulheres da aldeia de Saam Njaay na Região de Thiès

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas); Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Senegal

Aplicação: Auto-gestão das clínicas de saúde nas zonas rurais do Senegal leva a uma melhoria da saúde das crianças.

Um grupo de mulheres na aldeia de Saam Njaay na região de Thiès no Senegal criou um programa de "pesagem de bebés" e de cuidados de saúde da mãe. Recorrendo aos materiais facultados por uma organização filantrópica e ao apoio prestado por alguns dos maridos, o programa passou a abranger mais de 15 aldeias na pequena região, onde as mulheres grávidas e os bebés tinham acesso às enfermarias para consultas e visitas médicas. As funções do grupo cresceram gradualmente tendo passado a um sistema completo de medicina preventiva, primeiros socorros e de encaminhar doentes para o dispensário regional, se necessário. O pessoal mantinha ficheiros de tal maneira detalhados sobre consultas e tratamentos que o grupo conseguiu, no início de 1996, conduzir a sua própria análise estatística determinando a incidência e evolução das doenças infantis naquela zona; os resultados demonstraram uma melhoria líquida em vários indicadores importantes.

Lição: Depender de organizações locais ajuda a integrar os sistemas de saúde tradicional e moderno para um melhor sistema de cuidados básicos de saúde.

 

 

18

Domínio: Educação

Tecnologia: Ensino Primário, Educação de Adultos

Portadores de Conhecimento: Federação inter-aldeias de Nomgana no Distrito de Loumbila

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Burkina Faso

Aplicação: A campanha de escolas primárias e de educação dos adultos com base nas aldeias utiliza língua local para facilitar o acesso à alfabetização.

A associação local Manegbzanga lançou um programa experimental usando a alfabetização na língua Mooré como a base para aprendizagem de Francês numa campanha de alfabetização de adultos. A estratégia de ensino foi desenvolvida com a assistência de linguistas da Universidade de Ouagadougou. Começa por ensinar a ler, escrever e contar em Mooré antes de fazer a transição para Francês. O programa teve um grande sucesso e imediatamente começou a receber pedidos de inscrição de crianças e adolescentes que não tinham frequentado a escola primária. Foi praticamente adoptado todo o programa do ensino primário. O programa foi implementado sob a supervisão de instrutores, previamente desempregados, com uma média de nove anos de escolaridade e que foram especialmente preparados nos novos métodos.

Lição: Para além de melhorar o desempenho dos alunos que deixam o ensino primário, o uso da língua local no programa de ensino representa um emprego útil para os professores e novas oportunidades para raparigas.

 

 

19

Domínio: Educação

Tecnologia: Educação Adulta

Portadores de Conhecimento: Rede de Centros de alfabetização na região Gulmu

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Burkina Faso

Aplicação: As publicações na língua local dão acesso à informação e aumentam a taxa de alfabetismo.

Na região Gulmu de Burkina Faso (localizada no extremo oriente do país que faz fronteira com o Benin), "Tin Tua", uma ONG local criada em 1985 por membros da comunidade para ressuscitar uma campanha de alfabetização que de uma maneira geral não teve muito sucesso, criou uma rede de centros de alfabetização na língua Gulmancéma. Os centros abrangem 31 aldeias da região, que não tinham escolas primárias (à excepção da capital do distrito) na altura do lançamento do programa. Actualmente, presta serviço a cerca de 10 000 alunos por ano, em que 41% são mulheres. Um dos resultados desta experiência foi o lançamento de um jornal, "Labaali", que tem 3 000 assinantes e emprega jornalistas que dispõem de uma bicicleta motorizada e gravadores em todas as aldeias participantes.

Lição: O uso de língua local facilita o acesso à alfabetização de adultos e aumenta as taxas de alfabetismo.

 

 

20

Domínio: Desenvolvimento Social

Tecnologia: Desenvolvimento da Comunidade

Portadores de Conhecimento: Habitantes da aldeia Forikrom na região Centro Norte do Gana

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Gana

Aplicação: Organização de jovens introduz a prática de plantação de árvores como uma actividade comercialmente viável e ecologicamente sólida e soluciona conflitos relativos ao uso da terra.

Em Forikrom, uma comunidade de 6 000 habitantes na região centro-norte do Gana, os jovens mobilizaram-se para intervir num conflito amargo que surgiu entre padres da religião tradicional e discípulos de uma seita Protestante militante acerca da seca progressiva de um ribeiro que se pensava estar investido de poderes sobrenaturais. Os jovens apontaram para o facto de a desflorestação da zona ter tido um papel muito importante na perda daquela fonte de água, e lançaram uma campanha maciça de plantação de árvores com o apoio técnico de organismos estatais e de ONGs que forneceram a formação profissional pertinente. A actividade resultou no desenvolvimento de um ciclo completo de cursos para formação em silvicultura em Forikrom, a criação de uma indústria lucrativa de cultivo de teca e na sua diversificação progressiva a todos os aspectos da agricultura orgânica, sem falar no apaziguamento do conflito religioso original. A comunidade é actualmente reconhecida em toda a região como uma autoridade nesta área.

Lição: Assumir o controlo dos recursos naturais através de uma organização com base na comunidade ajuda a recuperar terra, fornece rendimentos adicionais e adquire reconhecimento para os conhecimentos e qualificações desenvolvidos localmente.

 

 

21

Domínio: Desenvolvimento Social

Tecnologia: Desenvolvimento das capacidades de organização, auto-ajuda, desenvolvimento institucional e de administração

Portadores de Conhecimento: Associações de aldeias na região Koutiala

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Mali

Aplicação: As associações de aldeias conseguem solucionar o problema da fixação de preços ao produtor através de uma negociação colectiva.

As associações de aldeias (associations villageoises, ou AV) representam os produtores de algodão no seu conflito com a Companhia de Têxteis do Mali (Compagnie Malienne des Textiles, CMDT) na região de Koutiala do sul do Mali. Em 1989, representantes das várias associações regionais conseguiram em conjunto rejeitar uma medida desfavorável adoptada pela CMDT relativamente à responsabilidade financeira das associações de produtores. Com base neste sucesso, as associações de aldeias uniram-se de novo para se oporem à decisão da CMDT de aumentar os salários do pessoal a serem pagos pelos rendimentos do algodão sem elevarem os preços ao produtor. As AV elegeram uma delegação com quem a gestão da CMDT, preocupada com a instabilidade política do Mali na altura, se recusou a negociar. Como consequência, as AVs convocaram uma greve dos produtores de algodão. Durante dois meses as associações recusaram-se a fazer a entrega do algodão na CMDT. Eventualmente a CMDT aceitou os princípios de uma negociação colectiva por intermédio de uma ONG representando os produtores. Assim nasceu o Sindicato dos Produtores de Algodão e dos Cultivos Alimentares (SYCOV - Syndicat des Producteurs du Coton et du Vivrier). O Sindicato, que funciona numa base bilingue (Bambara-Francês), continuou a crescer e é hoje parte do cenário institucional e político do Mali, tendo estabelecido a nível nacional o direito legalmente instituído de os agricultores participarem em todas as decisões que lhes digam respeito. O SYCOV está também a organizar cursos de aperfeiçoamento de Francês falado e escrito para os representantes, alfabetizados em Bambara, das AVs e exigiu que todos os documentos usados em todas as sessões em que participa sejam nas duas línguas.

Lição: O clima político, as necessidades prementes e a competência para se organizar localmente transformam um sindicato de agricultores num participante político a nível nacional.

 

 

22

Domínio: Desenvolvimento Social

Tecnologia: Auto ajuda, desenvolvimento institucional, pagamentos de transferências

Portadores de Conhecimento: Comunidade da aldeia e dos seus elementos a residir em zonas urbanas de Mafi-Kumase (região do Volta)

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas) Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Gana

Aplicação: Os habitantes da aldeia que foram trabalhar para as regiões urbanas apoiam a sua comunidade natal.

Durante mais de 50 anos os Mafi-Kumase tiveram um acesso fácil ao ensino primário e a escolas secundárias próximas, graças à actividade missionária e à dedicação dos residentes. Uma grande parte da juventude que recebeu educação eventualmente mudou-se para Acra em busca de melhores oportunidades profissionais. De acordo com a tradição, mantiveram um contacto muito estreito com a sua comunidade natal. Em 1960 criaram um associação chamada "MAKAYA"(Mafi-Kumase Area Youth Association) para servir de elemento de ligação e de apoio ao seu desenvolvimento. Posteriormente, MAKAYA tornou-se a força motriz do lançamento de uma série de investimentos e de actividades de desenvolvimento da comunidade na área da aldeia. Graças aos contactos que tinha na capital e no estrangeiro, a associação conseguiu angariar fundos a que os habitantes da aldeia nunca teriam tido acesso, e a obter uma opinião favorável da administração central, especialmente em relação à autorização de projectos e investimentos. Para além disto, a associação organiza uma conferência e assembleia geral com a duração de três dias todos os anos na Primavera em Mafi-Kumase, durante a qual os membros da MAKAYA, habitantes da aldeia e líderes locais discutem as necessidades prioritárias da região, os resultados de projectos em curso e as perspectivas futuras.

Lição: Antigos habitantes da aldeia que migraram para zonas urbanas criam uma associação para angariar fundos para transferências e influenciam o governo no sentido de conseguirem apoio para a sua comunidade original.

 

 

23

Domínio: Desenvolvimento Social

Tecnologia: Desenvolvimento Institucional, Auto-ajuda

Portadores de Conhecimento: Associações de Aldeias no Sul do Mali

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Mali

Aplicação: Centros de gestão com base na aldeia induzem um segundo nível de administração local.

Para reforçar a actuação da gestão, as associações de aldeias do sul do Mali criaram em 1993 uma instituição encarregada de fazer a auditoria das contas e de prestar assistência técnica aos líderes locais em assuntos financeiros. Esta estrutura tornou-se o "Centro de Gestão de Koutiala", tendo acabado de ser criada uma nova filial no Gabinete da região do Níger. O centro é dotado com pessoal recrutado de entre as associações de aldeias e tem a responsabilidade de fornecer auditorias das suas contas feitas por terceiros. Por sua vez, os funcionários são preparados e apoiados por assistência técnica externa, cujo papel deverá ser cada vez mais esbatido. A fiscalização das políticas do Centro é efectuada por um Conselho Administrativo que, por seu turno, está associado com a Federação de Associações de Aldeias do sul do Mali. O centro está previsto funcionar inteiramente com um orçamento financiado pelas receitas geradas com a venda às associações de aldeias dos seus serviços. Está a meio caminho de ser uma "subsidiária controlada na sua totalidade" pela Federação e uma firma de auditoria privada. Nesta fase, o Centro ainda está parcialmente dependente de financiamento externo. Mas sobreviveu uma primeira fase de lançamento, funcionamento e institucionalização primária e está de facto a fornecer os serviços precisos e gerar receitas. O Centro demonstra assim a capacidade das associações locais ascenderem a um nível superior na sequência de actividades precisas para se tornarem financeiramente independentes.

Lição: Os centros de gestão demonstram a capacidade das associações locais se tornarem financeiramente independentes com base no controlo que assumem

 

 

24

Domínio: Desenvolvimento Empresarial

Tecnologia: Sector Informal

Portadores de Conhecimento: Artesãos do sector informal em Bamako

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Mali

Aplicação: Desenvolvimento de qualificações no sector informal diminui com a abolição da componente alfabetização.

Em 1991 um programa apoiado por um dador visava o aperfeiçoamento das qualificações de proprietários de pequenas indústrias e de artesãos do sector informal na capital. Como consequência, formaram-se associações de artesãos, criaram-se esquemas cooperativos de poupança e crédito, geridos pela associação, e realizaram-se cursos de formação em gestão, contabilidade e abordagens à inovação de tecnologia. Concederam-se empréstimos para investimentos. O programa permitiu que inúmeros artesãos do sector informal adquirissem novas capacidades técnicas e se associassem aos esforços para melhorar as condições de trabalho e obtenção do crédito necessário. Adicionalmente, as associações ganharam vários contratos que os artesãos nunca teriam conseguido se tivessem actuado individualmente, tendo assim alargado o mercado dos seus produtos. No entanto, a componente alfabetização do programa registou pouco progresso. Foram poucos os participantes que alcançaram conhecimentos suficientes para se encarregarem completamente da gestão de novas associações, ou a confiança necessária para lidar com as instituições bancárias comerciais e competir no mercado por contratos de fabrico de artigos. As actividades começaram a estagnar quando a OMT se retirou e o futuro, de acordo com os relatórios mais recentes, continua incerto.

Lição: A falta de educação e de acesso à informação causada pelo analfabetismo pode prejudicar o sucesso tradicional das organizações de auto-ajuda.

 

 

25

Domínio: Desenvolvimento social, ambiente

Tecnologia: Capacidade institucional, auto-ajuda, gestão de recursos

Portadores de Conhecimento: Concelho de Agricultores na Região Filingué

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Níger

Aplicação: Limites à auto-administração dos programas de gestão de recursos naturais locais.

Esta iniciativa é uma gestão inovadora dos recursos naturais que visa garantir a segurança alimentar, conservação dos recursos naturais e promoção do controlo local do processo de desenvolvimento em 50 comunidades. Estava prevista começar com o desenvolvimento comercial dos recursos das florestas e prosseguir, através do planeamento da utilização regional de terra e da melhor organização do fornecimento de factores de produção agrícolas até à criação de conselhos de agricultores que iriam dirigir todos os aspectos da conservação do solo no Departamento. O método de implementação esperava uma negociação honesta com os homólogos a nível de aldeia, participação activa da população no diagnóstico de problemas ecológicos e no desenvolvimento de novas intervenções. Compreendia o parecer dos velhos e opiniões expressas por todos os grupos de interessados. No entanto, não foram integradas no projecto componentes significativas de alfabetização ou de formação profissional. Um dos grandes obstáculos é o número limitado de pessoas que sabem ler nesta zona rural, onde a taxa de alfabetismo é das mais baixas do mundo. A tradução dos contratos na língua local é uma tarefa muito demorada e mesmo estas traduções só servem a um número reduzido da população da aldeia. A falta de "capitalização intelectual" por parte do projecto parece ter basicamente inviabilizado o assumir local de responsabilidade da totalidade da operação, e as modestíssimas qualificações técnicas dos participantes não lhes permitiram capitalizar no potencial para novos investimentos agrícolas e financeiros, o que os autores do projecto tinham em mente acontecesse.

Lição: Participação, uso de língua local, envolvimento dos interessados, extracção de conhecimentos indígenas são elementos necessários mas não suficientes para o sucesso do projecto. Se a comunidade local não se apropriar intelectualmente, as inovações são insustentáveis.

 

 

26

Domínio: Educação

Tecnologia: Educação de Adultos

Portadores de Conhecimento: Associações de pessoas que falam Pulaar no Sahel

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Senegal, Burkina Faso

Aplicação: O renascimento da língua Pulaar no Sahel.

Desde 1986 que a organização " ARED" (Association for Research on Education) se dedicou à publicação de material de leitura na língua Pulaar para os alunos no noroeste do Senegal. Trata-se apenas de uma das muitas actividades, incluindo uma outra coordenada pela APESS (Association Peulh pour l´Éducation et la Science) no Burkina Faso, que nos últimos anos se dedicaram à promoção do uso de diferentes variantes regionais de Fulfuldé, a língua dos Peulh -- um grupo étnico de tradição antiquíssima que se espalha do Norte dos Camarões à Costa Atlântica mas que raramente é a maioria nas regiões por ele habitadas. As actividades de ARED têm recebido o apoio dinâmico de associações de povos que falam a língua Pulaar e que emigraram para a Arábia Saudita, Egipto, Magreb e Europa. Este apoio permitiu a ARED produzir uma série completa de livros e jornais em Pulaar e dar um novo impulso aos cursos de alfabetização de adultos. Alfabetização em Pulaar tornou-se um símbolo de honra na aldeia nesta zona do Senegal, e as campanhas de alfabetização lançadas nesta base muito contribuíram para uma renovação cultural através da região.

Lição: A alfabetização adulta aumenta quando se fundamenta nas línguas locais, contribuindo assim para a renovação cultural de um grupo étnico minoritário.

 

 

27

Domínio: Desenvolvimento Social

Tecnologia: Auto-ajuda

Portadores de Conhecimento: Cortadores de lenha do Makalondé

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Níger

Aplicação: Uma cooperativa de cortadores de lenha gere e comercializa produtos florestais.

Os cortadores de lenha de Makalondé e Kouré vendem lenha às pessoas que vão e vêm de Niamey. Formaram cooperativas para melhor organizar o corte de madeira e preservar os recursos florestais. Pediram a ajuda do " Energy Project" no Niamey e conseguiram participar em várias sessões breves de formação em divulgação de actividades de silvicultura. O negócio está actualmente a render uma média anual por lenhador de 200 000 francos CFA, mais 400 000 francos em lucros anuais para a comunidade, que são na sua maioria reinvestidos em programas sociais concebidos localmente. A produção está, contudo, a cair o que se deve ao afastamento cada vez maior dos locais onde se encontram as árvores mortas (os lenhadores tentar limitar a sua colheita às árvores mortas) e ao facto de os próprios lenhadores terem estabelecido a quota de abate de árvores a um nível bastante abaixo do autorizado pela agência governamental de silvicultura com o objectivo de melhor conservar a base de recursos naturais. Os grupos começaram então a plantar novas árvores como parte das suas actividades organizadas. Ao mesmo tempo, os membros da cooperativa tornaram-se cada vez mais conscientes de que continuam incapazes de gerir com sucessos estas empresas e os numerosos subprodutos daí extraídos. Toda a contabilidade é feita pelo único membro da comunidade que é alfabetizado, um eremita muçulmano com suficiente conhecimento de árabe para manter as contas. Estão agora em fase de criar um centro local de alfabetização.

Lição: Como consequência da necessidade sentida e da procura real, uma cooperativa de produção eventualmente exige que lhe seja proporcionado ensino elementar para melhorar a sua capacidade própria de gestão.

 

 

28

Domínio: Educação

Tecnologia: Ensino superior

Portadores de Conhecimento: Professores

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: África Austral

Aplicação: Esquemas para admissão nas universidades da África Austral de alunos de idade madura.

 

Um número de universidades de países da África Austral resolveram adoptar "esquemas de admissão de alunos de idade madura" que tinha em vista permitir aos candidatos "de mais idade" matricularem-se no ensino superior, uma prioridade com uma certa importância em países tais como a África do Sul onde a turbulência da revolução social negou a muitos potenciais candidatos a oportunidade de seguirem um curso universitário normal. No Zimbabué e no Botswana, cerca de 10-20% das matrículas universitárias são preenchidos por este grupo etário de alunos. Um estudo das suas características, sucessos e fracassos demonstra que as suas classificações são superiores à da média e que estão sub-representados na área de ciências naturais, onde se mantêm os preconceitos do corpo docente e a falta de instalações externas para trabalho de recuperação em ciência escolástica fazendo com que sejam poucos os que satisfazem os requisitos.

 

Lição: Ao permitir o acesso à universidade de candidatos de mais idade , há a possibilidade de se imprimir uma perspectiva local às ciências escolásticas.

 

 

29

Domínio: Desenvolvimento social.

Tecnologia: Administração

Portadores de Conhecimento: Habitantes da aldeia Nwodua

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Gana

Aplicação: Redefinição da administração local.

 

Em 1979, os residentes de Nwodua, uma aldeia de 640 pessoas localizada a 20 Km de Tamale no norte do Gana, estabeleceu o seu próprio programa de alfabetização adulta, com o apoio de professores das aldeias vizinhas. Os instrutores foram pagos em espécie através de mão-de-obra nas suas propriedades, e foram substituídos quando estavam descontentes com este pequeno "ordenado". O grupo de recém alfabetizados conseguiu então convencer o Bispo da Igreja Católica a criar uma escola primária em Nwodua, e fez com que a aldeia se tornasse o centro de um novo projecto de alfabetização funcional na região de Dagbani. Como consequência do seu papel no projecto regional de alfabetização a aldeia conseguiu estabelecer, a título permanente, "Uma Escola Primária para Adultos" na comunidade. Em seguida, membros do grupo utilizaram com sucesso estas conquistas iniciais junto de várias ONGs e organismos de ajuda tendo conseguido o seu apoio para novas actividades: criação de um horto comercial de árvores e uma fábrica de sabão, compra e operação de um moinho de cereais, construção de uma nova estrada ligando a aldeia à principal via interurbana. Mas o aspecto mais notável da experiência foi, sem dúvida, o modo como os residentes de Nwodua remodelaram o sistema de governo da comunidade para apoiar este programa de actividades e os seus efeitos diversos. Uma grande parcela do poder parece ter sido transferida sem que o chefe tradicional tenha levantado qualquer obstáculo à "Comissão para o Desenvolvimento Geral" eleita de entre os elementos que iniciaram as várias experiências. A comissão, por seu turno, criou uma série de subcomissões para supervisionar os vários projectos socio-económicos presentemente em curso.

 

Lição: Habitantes da aldeia tomam consciência do valor da educação, organizam programas de alfabetização de adultos em regime de auto-ajuda e fazem a transformação gradual da comunidade.

 

 

30

Domínio: Desenvolvimento social.

Tecnologia: Educação adulta, auto-ajuda

Portadores de Conhecimento: "Song Taaba" - grupo de mulheres de negócios no distrito Goughin

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Burkina Faso

Aplicação: Desenvolvimento da pequena indústria detida por mulheres.

Em 1990, no distrito de Goughin de Ouagadougou, capital de Burkina Faso, um grupo de mulheres formou o seu próprio grupo empresarial "Song Taaba" para angariar capital social no montante de Francos CFA 150 000 (USD 300) entre os seus membros. Começaram então a fabricar "soumbala" à base de uma oleaginosa, sabão e manteiga de amendoim; a comercializar os seus próprios produtos; e a manter contas e actas recorrendo aos conhecimentos novos de que dispõem. A alfabetização forneceu o enquadramento institucional para uma importante iniciativa das mulheres mas não tinha concedido aos participantes as habilitações necessárias para gerir e desenvolver uma actividade profissional deste tipo. Como não tinham confiança nas suas qualificações práticas, os membros recém alfabetizados escolheram o quadro inicial de funcionários de entre as mulheres que tinham frequentado o ensino primário ou então que tinham filhas na escola primária ou secundária e, portanto, capazes de as ajudarem no seu trabalho. Esta solução não resultou muito bem mas, aos poucos e poucos, os membros recém alfabetizados assumiram as posições de gestão. O grupo obteve o estatuto oficial de cooperativa em 1992, e em 1995 comercializou, entre outros produtos, doze toneladas de soumbala. Song Taaba está presentemente a criar uma rede de grupos de mulheres no centro do país para colaborar na promoção dos produtos recíprocos. Ao mesmo tempo, o grupo alargou o seu programa de alfabetização para proporcionar a um número maior dos seus membros as qualificações de que necessitam para desempenharem um papel activo nos negócios.

Lição: Mulheres com espírito empresarial tomam consciência do valor da alfabetização para a prossecução de uma melhor gestão.

 

 

31

Domínio: Educação

Tecnologia: Ensino primário, auto-ajuda

Portadores de Conhecimento: Professores

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Uganda

Aplicação: Fornecer ensino primário elementar para as crianças que não frequentam a escola.

Tendo em vista atingir as crianças que não tiveram oportunidade de frequentar o ensino primário formal, deu-se uma oportunidade extra através de um programa apoiado por dadores. O programa consistia em ensinar os rudimentos de leitura, aritmética e qualificações básicas para enfrentar a vida. No entanto, a resposta ao programa não foi muito entusiasta , tendo em conta a tradição na África Oriental de as escolas informais terem o patrocínio local, o que lhes permite posteriormente serem consideradas com as qualificações devidas para poderem ser integradas no sistema formal. Dois dos resultados inesperados desta experiência foram contudo bastante reveladores e interessantes: (a) as raparigas tiraram muito mais partido das oportunidades do que os rapazes; e (2) os resultados em todos os distritos acabaram por ser inversamente relacionados com a proliferação de ONGs, em grande parte por causa de estas últimas terem tendência a distorcer o mercado de iniciativas voluntárias locais e do baixo custo dos instrutores através do fornecimentos de benefícios e de generosos complementos salariais aos seus participantes.

Lição: A educação complementar pode ter um impacto maior se, na implementação do projecto, tiverem sido tidos em conta os sistemas locais de educação não-formal.

 

 

32

Domínio: Educação

Tecnologia: Ensino primário

Portadores de Conhecimento: Professores do Corão em Kambguni/Gana, Menengou/Burkina Faso e Niagara/Guiné

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Gana, Burkina Faso, Guiné

Aplicação: O ensino do Corão como uma alternativa ao ensino formal.

 

Três comunidades da África Ocidental - Kambguni no sudeste do Gana, Menengou no norte de Burkina Faso e Niagara na Guiné oriental - representam três exemplos notáveis de um tipo de desenvolvimento de recursos humano há muito presente na região mas raramente oficialmente reconhecido: a aplicação às funções de desenvolvimento ao nível local da capacidade de leitura e das competências técnicas adquiridas com a instrução islâmica. Em todos estes três casos, os adultos que receberam preparação do Corão assumiram funções contabilísticas chave nos negócios locais e nas empresas da comunidade. Nos casos da Guiné e de Burkina Faso, as ONGs associaram-se ao esforço e ajudaram a desenvolver sistemas de contabilidade e materiais de divulgação agrícola fazendo a transcrição de línguas africanas locais em caracteres árabes.

Lição: O desenvolvimento de sistemas tradicionais de ensino abre caminho à alfabetização e eventualmente a oportunidades de emprego para os jovens que não estão a frequentar o ensino formal.

 

 

33

Domínio: Educação

Tecnologia: Alfabetização

Portadores de Conhecimento: Comunidade Bambara em Niono-Coloni

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Mali

Aplicação: Utilizar os programas de alfabetização em língua africana para preparar uma classe capaz de gerir as empresas locais.

Uma organização local de jovens começou uma acção de alfabetização na sua comunidade para apoiar um programa de criação de empresas. Bambara, a língua local, está a ser usada no programa de ensino. Formou-se uma associação empresarial, sendo necessário primeiro fazer um exame escrito em Bambara para se poder ser membro. Só os que passam o exame podem candidatar-se a posições de chefia na associação. As contas de receitas e despesas, feitas em Bambara, são apresentadas a todos os membros. Cerca de metade do pessoal têm o ensino primário ou são pessoas que deixaram de ir à escola após três a oito anos de escolaridade, tendo todos eles frequentado, a título suplementar, cursos locais de alfabetização para aprender a escrever em Bambara e refrescar os conhecimentos de aritmética. A associação de jovens está a gerir uma série de empresas locais com a ajuda de pessoas preparadas pelo programa, e o grupo conseguiu obter (e recentemente amortizou) um crédito de um banco comercial no montante de Francos CFA 32 milhões.

Lição: O ensino na língua local cria coesão num grupo para se formar uma associação empresarial e fornece os requisitos formais para explorar a associação de forma economicamente viável.

 

 

34

Domínio:

Tecnologia:

Portadores de Conhecimento:

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Sudão

Aplicação: Serviços de entrega domiciliária feita por crianças da rua.

 

Programas que trabalham com crianças da rua em Cartum, a capital do Sudão, chegaram à conclusão que não é possível incitar nem convencer estes jovens a regressarem à escola que deixaram, ou que nunca frequentaram. Por força da experiência dura que adquiriram na rua e a necessidade de tomarem conta deles próprios, tornaram-se, na verdade, adultos precoces e têm que ser tratados como tal. O programa que mais sucesso teve em transmitir-lhes um maior sentido de responsabilidade e, ao mesmo tempo, a muni-los de novas qualificações, foi um programa que capitalizou nos conhecimentos que estes jovens tinham das ruas para os ajudar a começarem então um negócio próprio de entregas domiciliárias, em bicicleta, de documentos prioritários nos vários locais da cidade onde o trânsito é muito denso. Como diz um ditado da África Ocidental, "Há que mandar o rapaz para onde ele querir".

Lição: Partindo das experiências das crianças da rua numa cidade do terceiro mundo, é possível oferecer-lhes uma oportunidade de negócio.

 

 

35

Domínio: Desenvolvimento do Sector Privado

Tecnologia: Criação de uma associação comercial

Portadores de Conhecimento: Associação de fabricantes de cabedal em Dakar

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: África do Sul

 

Aplicação: Estabelecimento de padrões de formaçãoprofissional no sector informal

O Grupo de Artesãos de Cabedal (le Groupement d'Interêt Economique des Artisans de Cuir) foi criado oito anos atrás para solucionar dificuldades enfrentadas pelos seus sessentas membros com a obtenção de matérias primas (cabedal, peles, cola, tintas, borracha, tecido, linhas, etc.) e o custo crescente destes factores de produção, exacerbados pela desvalorização da moeda. Actualmente o Grupo de Artesãos de Cabedal também tem a seu cargo instituir procedimentos padrão entre os seus membros, incluindo métodos para treinar aprendizes, organizar a comercialização e assegurar a existência de matérias primas. Como muitos outros "grupos de interesse económico" criados no país nos últimos anos, os Artesãos de Cabedal não constituem uma empresa moderna ou uma profissão oficialmente reconhecida. Dada a natureza complementar do comércio do cabedal para outras áreas de artesanato e o grande número de pessoas que emprega, ele representa um elemento fundamental do sector informal na economia senegalesa.

Lição: Associações de fabricantes do sector informal criadas em virtude de pressões económicas, acabam por oferecer aos seus membros serviços semelhantes aos das associações profissionais, sem no entanto se tornarem parte do "sector formal".

 

 

36

Domínio: Saúde

Tecnologia: Cuidados Básicos de Saúde

Portadores de Conhecimento: Rede de farmácias com base nas aldeias no sul do Burkina Faso

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Burkina Faso

Aplicação: Farmácias e clínicas de saúde criadas localmente complementam os serviços públicos de saúde.

 

Foi criada uma rede de farmácias geridas pela comunidade para proporcionar artigos médicos básicos, lançar actividades de educação da saúde e começar a detectar informações sobre incidência de doenças. A Liga de Cooperativas dos EUA (CLUSA) prestou a formação para o desempenho das novas actividades. O conselho administrativo da rede organizou a formação cooperativamente tendo sido eleito por representantes de cada uma das comunidades participantes. Os indicadores da saúde sofreram uma profunda mudança para melhor durante o mesmo período de tempo.

Lição: A detenção e o controlo local dos serviços de saúde aumentam o impacto que têm na saúde pública.

 

 

37

Domínio: Educação

Tecnologia:

Portadores de Conhecimento:

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: África do Sul

Aplicação: Integração do ensino não-formal na reforma do ensino oficial.

Com o fim oficial do apartheid e a subida ao poder de um governo maioritário, a República da África do Sul enfrentou imensas mudanças do ensino. Entre eles contava-se o desafio de como projectar programas escolares que reflectissem as aspirações, necessidades e história de toda a população; e como proporcionar uma continuação do ensino aos jovens que tinham interrompido os estudos por causa das perturbações que rodearam o período de transição. Uma grande parte da iniciativa para reforma do sistema de educação parece vir do sector não-formal, onde as ONGs e o Governo têm participado na criação de estratégias para que os adultos que não estão matriculados na escola possam concluir o ensino secundário, e na modelação do conteúdo desses programas de forma a satisfazer as necessidades da população. Os métodos daí resultantes foram propostos como modelos para a renovação da educação formal, e a controvérsia decorrente fornece perspectivas do potencial e dos pontos fracos da reforma do ensino conduzida pelo sector não-formal.

Lição: As ONGs desempenham um papel intermediário importante na concepção de um novo sistema de ensino que integra as necessidades locais.

 

 

38

Domínio: Educação

Tecnologia: Aperfeiçoamento Vocacional

Portadores de Conhecimento: Ferreiros do Sul do Mali

Fonte: Universidade da Florida, IK-Notes (a serem publicadas): Contacto: Pmohan@worldbank.org

País: Mali

Aplicação: Ferreiros tradicionais fabricam ferramentas agrícolas modernas.

A compagnie Malienne des Textiles (CMDT), uma empresa para estatal do sul do Mali dedicada à promoção e comercialização do algodão, iniciou um programa que ajudava os ferreiros tradicionais da aldeia a melhorar os seus conhecimentos técnicos e contabilísticos. O objectivo era ajudar a satisfazer a procura crescente de melhor equipamento agrícola e reparações do material nas áreas rurais. Os participantes aprenderam novos métodos para trabalhar metais, aperfeiçoaram os conhecimentos para construção e reparação de equipamento agrícola essencial, melhoraram a sua capacidade de leitura e receberam assistência na obtenção do capital de lançamento para expandir os seus negócios e começar a servir uma clientela proveniente de várias comunidades. Os serviços destes "forgerons modernisés"têm sido um elemento essencial para o desenvolvimento económico que o sul do Mali tem registado na última década.

Lição: Partindo de artesãos tradicionais e do conhecimento existente facilita-se a introdução de novas tecnologias e contribui-se para a sustentabilidade da mecanização agrícola.

 

 

39

Domínio: Direito Consuetudinário

Tecnologia: Transacções de terra

Portadores de Conhecimento: Governos das aldeias e autoridades tradicionais

Fonte: Roberto Chavez, Representante Residente do Banco Mundial em Maputo de 1993 a 1997.

País: Moçambique

Aplicação:

Instituições locais tradicionais garantem um processo pacífico de reafectação de terra em Moçambique na era pós-conflito. No seguimento do acordo de paz de 1992, cerca de um terço da população - aproximadamente cinco milhões de Moçambicanos - incluindo refugiados e pessoas internamente deslocadas, regressaram às suas aldeias ao longo de um período de dois anos. Muitos deles tinham estado longe das suas aldeias cerca de 10 a 15 anos, tendo entretanto outros deslocados ocupado as suas habitações e terras. Para proporcionar terra produtiva e alojamento aos retornados sem privar os novos colonos da sua subsistência foi preciso recorrer a uma redistribuição da terra de larga escala. Segundo estimativas conservadoras, realizaram-se 500 000 transacções de terra durante um período de dois anos, cerca de um quarto de milhão de transacções por ano. Estas transacções eram todas efectuadas a nível local pelas autoridades locais e/ou tradicionais recorrendo ao conhecimento indígena e capacidade local. Não houve qualquer tipo de assistência externa do governo, dadores ou ONGs. Este processo maciço e rápido de afectação de terra permitiu que os pequenos proprietários de Moçambique se relançassem no crescimento económico com base num aumento extraordinário da produção agrícola. Dois anos após este programa único de afectação de terra, não se registaram quaisquer relatos de conflitos sobre terra excepto em casos onde o governo tinha atribuído terras comunais a interesses económicos externos.

Lição: A reafectação em larga escala de terra, feita com base no direito consuetudinário, revelou-se mais rápida, mais económica e menos tendente a gerar conflitos.

 

 

40

Domínio: Saúde

Tecnologia: Psicoterapia

Portadores de Conhecimento: Curandeiros locais de Moçambique, AMETRAMO

Fonte: Roberto Chavez, Representante Residente do Banco Mundial em Maputo de 1993 a 1997. Dr. James Gordon, director Center for Mind-Body Medicine

País: Moçambique

Aplicação: Processo de Tratamento do Sindroma Traumático Pós-Stress em Moçambique através de curandeiros locais.

Durante a guerra em Moçambique houve mais de um milhão de mortes de militares e civis. Na altura do acordo de paz de 1992, tinham sobrevivido cerca de 90 000 combatentes. Tinha havido brutalidade e violência de ambas as partes. Eram frequentes atrocidades tais como obrigar os soldados ainda crianças a matar a sua própria família para testar a lealdade aos rebeldes. A guerra deixou uma herança traumática e chocante tanto entre os civis como os militares. Não havia, no país, psicoterapeutas para um Processo de Tratamento do Sindroma Traumático de Pós-Stress (PSTS). Havia, sim, curandeiros tradicionais que estavam a ocupar-se de uma grande parte do tratamento PSTS a seguir à guerra. Na verdade, soldados crianças, aos cuidados das ONGs estrangeiras, eram frequentemente levados aos curandeiros tradicionais para terapia. Embora não haja estatísticas quanto ao número de casos tratados, a Associação de Curandeiros de Moçambique (AMETRAMO) declarou que a carga de trabalho dos curandeiros em relação ao que era referido como 'casos mentais devidos à guerra' tinha tido um aumento extraordinário depois do acordo de paz. O processo de tratamento destes casos envolve rituais complexos e demorados que variam de um grupo étnico para o outro. No entanto, todos eles têm aspectos em comum. Estes aspectos incluem reconhecimento e aceitação das atrocidades cometidas ou sofridas, pedir perdão ao espírito da vítima ou vítimas, bem como dos familiares sobreviventes, compensação das vítimas ou das suas famílias, normalmente com gado ou outros bens. Foram registadas semelhanças com os métodos ocidentais de terapia PSTS.

Lição: Existe um enorme potencial nas soluções locais para situações de desastre ou pós-conflito que podem ser usadas em operações de assistência a desastres.

 

 

41

Domínio: Saúde

Tecnologia: Medicina, Medicina Veterinária

Portadores de Conhecimento: Maasai, Wapare, Wameru, Illarusa da Norte da Tanzânia

Fonte: MARECIK N. Ole-Lengisugi; F.Ole-Ikayo

País: Tanzânia

Aplicação: Uso de plantas medicinais para tratar problemas de saúde dos seres humanos e do gado.

Calcula-se que se utilizem mais de 1000 espécies de plantas na Tanzânia como fontes de medicina tradicional para tratamento de doenças dos seres humanos. Mais de 80% da população da Tanzânia dependem da fito medicina tradicional para o tratamento de várias doenças. Há registos de mais de 100 espécies de plantas para tratar 38 condições patológicas diferentes do gado nas regiões de Arusha, Kilimanjaro e Uhaya. O uso de plantas para fins veterinários é comum entre as comunidades de pastores na Tanzânia, embora não lhe esteja limitado.

Lição: O conhecimento de práticas de medicina tradicional ainda não está suficientemente imbuído nas práticas de medicina convencional na Tanzânia, uma oportunidade desperdiçada para tratamentos eficazes em função do custo.

 

42

Domínio: Diversidade biológica

Tecnologia: Ambiente, conservação

Portadores de Conhecimento: Maasai

Fonte: MARECIK N. Ole-Lengisugi; F.Ole-Ikayo

País: Tanzânia

Aplicação: Tabus limitam o abate de árvores na estepe Maasai.

O Abate indiscriminado de árvores constitui um tabu na cultura Maasai. Só um ritual de orações anterior ao corte das árvores como um sinal de amor/intimidade com a árvore poderia impedir as implicações decorrentes da violação do tabu. O ritual não seria desempenhado a não ser que tivesse sido anteriormente estabelecido o carácter de necessidade extrema. Sendo raras na ecologia das estepes, as árvores têm ao mesmo tempo funções de fornecedoras de materiais, material de construção, sombra, forragens e uso medicinal, sendo também reconhecidas na sua associação com outras espécies de plantas e na acção recíproca entre elas e o ambiente. Servem como indicadores de recursos de água, rotas de gado, aptidão de condições físicas, e como anfitriões de uma fauna favorável. Ao longo dos anos os Maasi aprenderam - e integraram esta experiência em rituais - como utilizar de uma maneira judiciosa os recursos naturais através da preservação da ecologia.

Lição: Atitudes culturais em relação às plantas (espécies) ajudam a preservar a diversidade biológica.

 

 

43

Domínio: Ambiente

Tecnologia: Meteorologia agrícola

Portadores de Conhecimento: Maasai

Fonte: MARECIK N. Ole-Lengisugi; F.Ole-Ikayo

País: Tanzânia

Aplicação: A previsão meteorológica na base da astronomia e da ecologia.

Os Maasai alternam o uso das suas terras de pasto naturais de acordo com as estações. Tal exige uma decisão pontual sobre quando e onde ir a seguir. Prevêem secas bem como doenças relacionadas com o tempo pela observação dos movimentos dos corpos celestiais em combinação com a observação da data de aparecimento de certas espécies de plantas (por exemplo, Ole Kitolya). Tais "primeiros sinais de aviso"de um desastre ambiental que se aproxima são usados para determinar quaisquer medidas preventivas, preparar para a migração e decidir o curso da comunidade no uso dos recursos naturais. De igual modo, estimativas da fertilidade animal podem ser extraídas de tais previsões com uma implicação nas taxas e densidade dos rebanhos. Este conhecimento ainda não recebeu muita investigação até ao momento.

Lição: Os conhecimento tradicionais em astronomia e previsão do tempo em conjunto com meteorologia agrícola convencional podiam melhorar as previsões locais sobre colheitas e segurança

 

 

44

Domínio: Ambiente

Tecnologia: Botânica, taxionomia

Portadores de Conhecimento: Maasai, Barabaig, Ogieks (Wandorobo)

Fonte: MARECIK N. Ole-Lengisugi; F.Ole-Ikayo

País: Tanzânia

Aplicação: Uso de plantas e animais determina a sua taxionomia.

Os Maasai e os Barabaig conhecem os nomes de animais e plantas, padrões de comportamento e factores ecológicos ao abrigo dos quais eles se desenvolvem. Adquirem conhecimentos sobre a classificação das plantas, e descrevem factores pertinentes à composição do solo e topográficos que influenciam a sua distribuição. Fazem o inventário das espécies e mantêm registos das que desaparecem. Dão nomes a plantas e animais novos. A taxionomia reflecte o uso de plantas para fins medicinais, sociais, económicos ou culturais ou outras características determinantes, como no caso de plantas venenosas. Às vezes, as características biológicas ou ecológicas das espécies reflectem-se nos seus nomes. Esta taxionomia de espécies importantes é depois incorporada nas crenças culturais/religiosas, tabus, lendas ou mitos.

Lição: A taxionomia que se fundamente na utilização de espécies pode ajudar a determinar as necessidades de conservação.

 

 

45

Domínio: Agricultura

Tecnologia: Agricultura de pastoreio

Portadores de Conhecimento: Agricultores Illarusa, Maasai

Fonte: MARECIK N. Ole-Lengisugi; F.Ole-Ikayo

País: Tanzânia

Aplicação: Integração da agricultura na utilização da terra para pastoreio nas terras baixas do Norte da Tanzânia.

As rotas migratórias sazonais dos rebanhos de pastoreio cobrem cerca de várias centenas de quilómetros, assegurando um uso equilibrado das áreas de pastagem. Contudo, existem períodos em que os pastos são insuficientes para alimentar os animais. Para ultrapassar esta escassez de pastos, a agricultura de pastoreio desenvolveu três estratégias. Compreendem a alimentação selectiva durante a curta migração, reserva de "medas de feno"e adopção de algumas práticas agrícolas das comunidades agrícolas vizinhas. As hastes do milho e as hastes das plantas leguminosas complementam a alimentação dos animais nos anos de seca. Igualmente, os resíduos das colheitas estão a ser usados como camada protectora do solo para contrabalançar o impacto da chuva e para reduzir o vazamento e a evaporação da maior quantidade de água retida no solo. O estrume animal ("Olchala/M'modiok Oo-nkishu") é utilizado como matéria orgânica que fornece elementos nutritivos às plantas.

Lição: A agricultura de pastoreio adopta e adapta práticas agrícolas para evitar o impacto das secas.

 

 

46

Domínio: Ciência veterinária

Tecnologia: Taxionomia

Portadores de Conhecimento: Maasai

Fonte: &#